sexta-feira, junho 18, 2004

hoje o dia sorri, milagre dos milagres. coro dos anjos, aleluia. talvez porque ontem desenhei. (as coisas mais absurdas, minha tv, a janela, o gato, os livros...com obsessão absurda, com a idéia de que há um desenho exato de cada coisa e não mais do que isso.) talvez porque sol, soooooool nessa cidade falsamente londrina. mas enfim, sorri.

quinta-feira, junho 17, 2004

não é que eu esteja necessariamente com sexo na cabeça (de uma certa forma sempre estamos), mas os links me levaram a isso. reencontrei um blog que segui por um bom tempo, o belle du jour, um diário muito bem escrito de uma prostituta inglesa. aliás, na lista de links dela você pode se surpreender com o número de prostitutas inteligentes que tem blog e escrevem de maneira extremamente articulada sobre o que fazem. no site da belle, aliás, você encontra cada vez menos sexo. aparentemente ela está em negociações para lançar um livro. mas achei nos arquivos esse trecho sensacional, que dá uma boa idéia do perfil dela - discutindo martin amis com um cliente enquanto tira a roupa.

He stood, trousers off. I sat in a chair in front of him. My shirt (white, as requested) was half-unbuttoned. "I want to write my name in come all over you," he said.

I smirked. "You can't fool me, you nicked that line from London Fields."

He looked at me strangely. Oh no, I thought. Better watch my mouth. "Amis fan?" he said idly, pulling himself with one hand.

"He's not bad," I said, reaching in to the shirt to pull my breasts free of the bra.

"Time's Arrow was pretty tricksy though." A glistening drop of pre-come lolled the tip of his glans.

"Very high-concept. Good book for a long train journey." I pulled at my nipples to his appreciative nods.

It was hot and close in the room. The weather has not been so bad and I thought of asking him to turn the heating off. "I want to smell your sweat mixing with my spunk," he said, as if reading my thoughts.

oh brave new world

como eu acho que vão inventar alguma coisa melhor que o casamento, mas ainda não inventaram, aí vão algumas sugestões. Dicionário roubado do site de mistress matisse, uma dominatrix profissional. e você pensou que a sua vida era complicada...

Basic Poly Glossary

Poly: Short for polyamorous.

Polyamory: The non-possessive, honest, responsible ethical philosophy and practice of loving multiple people simultaneously. Based on the conscious choice of how many partners one wishes to be involved with, rather than accepting social norms that dictate monogamy as the only acceptable form of love.

Non-Monogamy: In general, this is simply another way of saying "polyamorous". It is sometimes felt to have a slightly different meaning, since the word "amour", meaning "love", is not present in the root word. This is sometimes felt to mean that the person using this term may have more casual relationships.

Polyfidelity: A group - of any size - in which all partners are primary to all other partners and sexual fidelity is to the group. More primary partners can be added only with the entire group's consent.

Dyad: A relationship consisting of two primary partners.

Triad: The most basic and common form of multipartner relationship, consisting of three adult primary partners.

Primary Relationship: A committed, long term, live in relationship which may or may not include marriage and/or shared economy.

Secondary Relationship: A relationship in which the partners usually do not live together, and do not consider their relationship a first priority.

Tertiary Relationship: A friendly but casual sexual relationship of an occasional or temporary nature.

Group Marriage: a marriage in which three or more adult partners are married to each other. A group marriage may be open, closed or inclusive.

Polygyny: (poly=many; gyno=woman) Polygamy in which one man has two or more wives at the same time.

Polyandry: (poly=many; andro=man) Polygamy in which one woman has two or more husbands at the same time.

Polyfidelity: (poly=many; fidelis=faithful) The state or practice of sexual exclusivity among a group of three or more primary partners. A closed group marriage emphasizing equal primacy of all relationships.

quarta-feira, junho 16, 2004

mas numa coisa fê tem razão: você pode até achar isso. mas não faz bem pensar sobre isso. senti minhas forças meio se esvaindo depois de escrever esse post. vou usar de uma filosofia mais gabi. vou ali comer um sorvete e já volto. com fanta uva, quem sabe.

if you´re feeling sinister

livre associação de idéias:

conversando com fê pelo messenger, comentei que basicamente o que me prende a esse mundo ainda é essa obsessão infantil com a obra. e como tal não consigo imaginar como fazem para levantar da cama todos os dias as pessoas que não tem essa obsessão.
há essa idéia de que a vida em si já é interessante bastante. não é que eu duvide, mas me parece que nossas vidas são tão mais complexas hoje em dia, tem tantos casamentos, separações, mudanças, empregos, que você pode se sentir cansado bem antes do que era esperado. a máquina dura cada vez mais, podemos chegar aos 60 em relativa forma, aos 70 com alguma dignidade and so on. mas haja motivação. existem ainda muitos livros pra ser lidos, vá lá.
woody allen faz uma lista pessoal, em manhattan, das coisas que valiam a pena no mundo. cada um tem a sua. mas o valer a pena é mais embaixo, me parece.

o próprio esforço necessário simplesmente para manter a máquina funcionando pode parecer intolerável ocasionalmente. são cabelos e unhas que crescem, alimentos, preservação...frankly. perguntaram a alan moore porque ele mantinha aquele cabelo de hippie da idade das trevas. a resposta: não consigo me dar ao trabalho de cortar os cabelos.

outra história sensacional - uma amiga, nascida com o mesmo vírus da dúvida, ali pelos 10 anos encontra o pai bebendo, ouvindo frank sinatra na penumbra e francamente deprimido. ele, reconhecendo que perpetuou a miséria dele nela a pega pelos ombros e lhe diz: se prepare. você vai pagar por ser assim.

oh boy.

terça-feira, junho 15, 2004

aliás, a história de onde veio o desenho acima me agradou muito. é como disse um clip, uma visualização para uma música do style council, onde o personagem mergulha e, em vez de um navio, vê sua vida como restos de um naufrágio. depois da 200ª audição (fran deve lembrar, eu estava impossível com isso) me convenci que estava obsecado. e cometi a tal história. eu gostaria de colocar no site, mas meu editor no rio, lobo, me pediu para não publicar porque comprometia a revista, etc. a revista é a mosh, uma idéia bem bacana, uma revista de rock e quadrinhos, que é vendida principalmente em shows. formato de bolso e dura o tempo de uma cerveja para ser lida. pode ser comprada pelo correio, para quem se interessar. minha primeira história saiu no número 3 e essa diving na 4. hora dessas acho uma maneira de compartilhar online com os amigos. enquanto isso, segue a letra.

I'll keep on diving til I reach the ends,
dredging up the past to drive me round the bendz,
what is it in me that I can't forget
I keep finding so much that I now regret.
But no, on I go down into the depths
turning things over that are better left
dredging up the past that has gone for good
trying to polish up what is rotting wood.

Something inside takes me down again
diving not for goblets but tin cans
dredging up the past for reasons so rife
passing bits of wrecks that once passed for life.

But I'll keep on diving till I drown the sea,
of things not worth, even mentioning
perhaps I'll come to the surface and come to my senses
but it's a very deep sea around my own devizes.

Diving, diving.

de como o subconsciente é golpista - sonhei que ia para a cadeia e tudo que eu pensava era - bom, pelo menos eu vou poder desenhar quadrinhos em tempo integral. sensacional, uh. era uma prisão como aquelas americanas - enorme e os presos com uniforme. e melhor: era mista, haha. homens e mulheres, conversando calmamente no pátio.

o curioso é que eu consigo traçar exatamente a origem do sonho. durante o dia conversei com outro desenhista e ele dizia - tudo que eu quero é que me deixem trabalhar, que eu possa sentar e desenhar. isso se somou a um filme horroroso que passava na tv, com aliens escravizando os humanos. porque a contradição em termos é que, se você está preso você não precisa tomar decisões. de uma certa forma você foi liberado. a outra fonte do sonho é mais antiga, é um livro chamado a fonte, onde um escritor é feito prisioneiro de guerra (não lembro se na 1ª ou 2ª) e fica felicíssimo, porque enfim ele poderia escrever o livro que sonhava, um estudo filosófico incrivelmente ambicioso.

o resto eram aquelas coisas de sonho - me davam o número da minha cela e eu andava por corredores e corredores em achar nunca a minha, etc. ah sim, e eu tinha uma longa conversa com uma presa bem interessante. oh boy. o que é uma mente golpista. trapaceia até no sonho.

enfim

ok. enfim, enfim. o último post cosmético. essa é a cara do site, design cortesia do bravo cavaleiro jorge. o desenho acima é meu, a partir de uma história que fiz e vai sair na mosh, uma espécie de clip para a música diving do style council. casa nova e não se fala mais nisso.

segunda-feira, junho 14, 2004

mas como meus cinco leitores não vem aqui pela estética, mas por minha infinita sabedoria, aham, fuck off. the show must go on. essa é sua vida, vivida em público, como quase todas nesse quase fim de mundo. aliás, eu queria escrever como carolyn, que dudu descobriu e que parece escrever com o teclado conectado ao corpo. beautiful. essa mistura de vida com algum pensamento a respeito faz o blog ideal, me parece. surfamos para vampirizar vidas alheias, por emoções sintéticas, por substituição. imaginei um roteiro algum tempo atrás sobre isso. um futuro próximo onde realmente todos vivêssemos em público. os meios de transmissão seriam ubíquos e você transmitiria toda sua vida, todo o tempo. não seria obrigatório, mas se olharia com desconfiança para quem não o fizesse. transmissão contínua de dados, nossas vidas entrelaçadas por todo o mundo, o fim real da privacidade. no final desisti porque isso já está aí, na esquina. essa já é sua vida.
esse blog parece uma mulher em crise, trocando de roupa histericamente antes da festa. dio. digamos que esse preto é mais suportável enquanto penso em algo melhor. o tal pretinho básico. (sendo que acabo de perceber que perdi meus comments. oh boy.)

sexta-feira, junho 11, 2004

todo mundo tem sua opinião sobre quais são os grandes livros e nesse aspecto, sua opinião é tão boa quanto a minha. mas um livro que me surpreende de ser tão obscuro é esse The Moviegoer, de walker percy.
comprei em um sebo, anos atrás, como tantos outros, vagamente atraído pelo título. (eu sou um moviegoer e entendo a compulsão). o livro foi publicado em 1960 e, in my humble opinion, segue aonde salinger parou com seu apanhador. o personagem se afundou na vida mais anônima que conseguiu encontrar ( a escolha que não vemos o personagem de salinger fazer) e foge da beleza como do diabo. a beleza como o perigo do abismo. ao mesmo tempo ele tem uma "busca". que já foi vertical (no sentido que podia ser efetuada em qualquer lugar) por uma horizontal, onde a percepção do cenário é tudo. então, antes de entrar em um filme, ele conversa com a bilheteira. ele precisa saber quantos filhos ela tem , quanto ela paga de aluguel...assim ele não corre o risco de sumir durante o filme. ele restringe sua vida sentimental às suas secretárias, que de uma forma são sempre a mesma, ele faz dinheiro, ele é terrivelmente cínico. e terrivelmente honesto por isso mesmo. como todo bom livro, é inexplicável. reli nesses dias e fiquei tentatdo a ler de novo. e no finado still life eu tinha escrito um post mais explicativo que segue abaixo, se sua paciência chegar a tanto.

“When she was sick for the first time”. That’s the sort of passing reference they use when talking about Kate. And you don’t know if should worry more or less because of that. The book has a peculiar way of saying important things with a careless voice. You never see a big speech coming, the sort that make actors inflate their chest and modulate their voices. All is said in a passing manner, as if it doesn’t matter, as if it is circunstancial. I recognize that voice. I have a friend very much like that, who would be tottaly embarassed on making things seem bigger than they are, who has to sound casual about everything.
Talking about Kate’s sickness, it says, for example: “When she was a child and her mother was alive, it used to seem to her that people laughed and talked in an easy and familiar way and stood on solid ground, but now it seemed that they (not just she but everybody) has become aware of the abyss that yawned at their feet even on the most ordinary occasions – especially on the most ordinary ocasions. Thus she would a thousand times rather find herself in the middle of no man’s land than at a family or luncheon club.”
Even that I would say I never felt like it was easy and familiar, I’m very much aware of the abyss. Actually, this little passage explain much of my present isolation. Without a sweat. And so goes the book. Its called The Moviegoer, and that must be one more point of identification for me. We, moviegoers, are one particular tribe, I suppose.

o feriado foi de uma chuva tenebrosa e passei em casa desenhando, consumindo substâncias, comendo feito um condenado e fumando idem. ah, e estreei meu mac. é velho, coitado, mas é enfim um mac. sentado no chão, aliás. mandei reformar uma escrivaninha antiga e demora como se viesse do século dezenove a pé. então o mac estava sobre um tapete e eu sobre uma almofada. mas rolou um sentimento. nós, que amamos as máquinas.

quarta-feira, junho 09, 2004

o post abaixo rendia mais uns dois com essa relação doença-criação. os exemplos abundam. salinger, que buscava a perfeição absoluta no texto, já se sabe como vivia: como um ermitão completo. uma das poucas que morou com ele descrevia a aridez dessa vida, desesperadora para ela. exemplo de almoço: ervilhas. comidas em silêncio e lá ia ele de volta para o estúdio.

lourenço mutarelli, talvez o maior quadrinista brasileiro, é um quadro clínico completo. tem síndrome de pânico, medo do mundo, paixão por remédios... a lista é longa.

daniel clowes, o maior quadrinista alternativo americano. uma entrevista cruel na new yorker descrevia o dia a dia dele. a entrevistadora dizia que quadrinistas quando saem de casa parecem idosos saindo de uma internação no hospital. que ele se vestia como uma americano dos anos 50, etc.

enfim. raros são os picassos, que conseguiram gerar uma obra monumental e ao mesmo tempo estar tremendamente vivos. mas é um equilíbrio para se ter em mente. um equilíbrio delicado. para mim, o trabalho na prancheta me valida, me energiza, me faz sentir um ser humano. mas é preciso também ser humano, estar vivo, amar, ser hedonista aqui e ali. assim andamos sobre essa corda de equilibrista.
o link hoje vem de . ela me tortura com o fato de que ganhou uma das obras de chris ware. o link ela fez a partir de meu pretensioso post de ontem. fica mais fácil eu colar aqui o comentário que deixei no blog dela:

"ahhhhh, eu acho que te odeio profundamente. tudo que eu queria era pôr as mãos em alguma obra do chris ware. esse cara é um monstro. não vai chegar nunca aqui no brasil e pela internet seria uma pequena fortuna.
mas enfim. você tem razão na conexão. obviamente essa é uma obra nascida da miséria, da infelicidade, da perplexidade. e que felizmente vai muito além do umbigo. aliás, chris ware é bem mais doente do que eu. se ele consegue fazer o que faz é porque esse desistiu da vida faz tempo. é um daqueles caras pálidos que nuca vê a luz do dia nem sai da prancheta. vi uma entrevista com ele que dizia que ele nem ia jantar fora. palavras cãndidas dele: "porque depois vou cagar tudo mesmo
".
enfim. eu sei que sou um pouquinho mais saudável. eu tenho lá meu amor pela vida, eu como bem, bebo, olho, pelo menos olho para as mulheres...enfim. deve ser por isso que não vou parir uma catedral dessas. mas farei o possível."

me fica nisso uma alegria pelo menos de ver pessoas fora do meio dos quadrinhos lendo esses trabalhos. você sabe que eu daqui me pergunto se há uma plataforma para se lançar algo de adulto em quadrinhos nesse país. para quem não sabe, a divisão é brutal: há a massa de nerds, que lêem quadrinhos e há o resto do mundo, que não desconfia que eles existem. e eu suspeito que meu trabalho não vai interessar quase nada aos que lêem quadrinhos. daonde se vê que estou numa encruzilhada brutal.

terça-feira, junho 08, 2004

o paralelo quadrinhos-cinema é injusto com frequência, mas funciona. pois se aproxima a hora de fazer meu primeiro longa, you know? depois de muitos curtas, experiências, etc.

agora me parece que, contra tudo que pensava e desejava, ele vai se alimentar de minha miséria pessoal. claro, mas claro mesmo que não quero fazer mais uma história que vá de A a B e contenha capítulo por capítulo um relato dos fatos biográficos lavados por autopiedade e bile contra o mundo. certamente já há o suficiente disso por aí. e essa autocomiseração branca, classe média, analisada e choramingada é uma bobagem sem fim nesse mundo cão. (mesmo que eu me permita isso aqui, de vez em quando.)

não, só o que tenho percebido no que venho escrevendo é que vai ser meio inevitável ver as coisas desse um metro quadrado onde estou. se tudo der certo, ele vai unir pontas e vai bem além do meu umbigo que, convenhamos, não é tão interessante assim. mas como eu dizia a consuelo em um e-mail dez minutos atrás, esses quadrinhos são minha carta de amor e ódio para o mundo. eles têm que ser, devem ser uma carta que só podia ser escrita por mim. como toda carta digna desse nome. amém.
day 2 and still in a baaaaaad, bad mood. mais do que monday blues. um cansaço de ser eu mesmo.

segunda-feira, junho 07, 2004

para o melhor ou pior, nossos pais viveram a última geração de um-relacionamento-por-vida. então, eles não podem calcular o que é o campo minado do nosso território sentimental hoje em dia. a guerra mesmo, o front, as alianças temporárias, as traições, para não mencionar a miséria infinita. (isso é bom humor de segunda feira. rise and shine.)

não vou aqui me pôr nostálgico e falar que bom mesmo era o tempo deles, até porque sabemos bem que a maior parte desses casamentos se mantinha pelos motivos errados. mas esse mercado das almas, com perdão do meu francês, é foda. e digo mercado das almas por elegância, claro. a alma tem quase nada a ver com isso, coitada.

acho que chega para segunda-feira, uh? as you can see, I´m in a baaaaad, bad mood.

sexta-feira, junho 04, 2004

assim que essa cidade é tão pequena, tão pequena e descubro infâmias de alguém a quem dei meu afeto e outras partes de mim por algum tempo. não me dura muito. é só mais uma mancha no vestido.

devia ser na camisa, eu sei, mas no vestido soa melhor. mais trágico, mais plástico, enfim. ontem eu andava pela cidade e a névoa veio. em dez minutos estava de fato na cidade da névoa. levei minha mágoa para beber. foi bom.
por outro lado, reencontrei esse meu velho blog, empoeirado e abandonado, que estava escrevendo anos atrás. em inglês, ugh, sorry. mas apesar da pretensão, não é que era bem escrito? aproveitei e tasquei um desses modelos novos do blogger. assim o velho vira novo e tchan nan. mirem
eu não lembrava que era tão infernal mexer no template desse negócio. vinte minutos fuçando em html me deixaram frustrado e revoltado. brrr. vi que o blogger tem uns modelos novos, mas é que nem liquidação - daqui a pouco tá todo mundo usando. eu preferia reformar esse meu carrinho velho aqui. mas tá difícil.

outro problema de voltar aos blogs é a ronda dos blogs. você resolve que não pode começar o dia sem dar uma voltinha em todos os conhecidos. que cada dia são mais e mais. essa vida pósmoderna, póstudo...

quinta-feira, junho 03, 2004

posso defender meu direito à esquizofrenia aqui? preciso mudar a cor desse negócio, se eu lembrar como se mexe no template. senti uma felicidade gelada hoje e meio de sopetão esse pastel me incomodou. eu sei que passei dois dias defendendo meu direito de ser velho, decrépito e rabugento. mas não precisava ser pastel, uh?

deve ter relação com a visita de gabi, que tem esse site incandescente, pra não dizer fosforecente. preciso achar um meio termo nessas coisas. eu nunca, atenção, nunca pus um blusão nos ombros como o tio da sukita. também não vou colocar uma bermuda de skatista. deve existir alguma coisa no meio do caminho. mas morte ao pastel.

quarta-feira, junho 02, 2004

ontem fiz uma coisa muito antiga: fui à zona. uno se pergunta porque alguém ainda paga por sexo em um tempo onde ele é tão fácil, mas eu fui pela aura obscura do lugar. não pretendia sair de lá com nenhuma daquelas criaturas. só queria beber naquela luz difusa, ver, ver, ver e no máximo experimentar por uns momentos essa realidade alternativa onde mulheres maravilhosas se jogam em cima de você, em vez do inverso. fui com um amigo, ambos profundamente alterados por substâncias várias. e, suspeito, pela lua cheia, que além de tudo tinha um halo impressionante, um buraco negro gigantesco que a emoldurava.

(isso, vai à zona e pôe a culpa na lua, imagino vocês pensando. nevermind.)

fazia muito tempo que não ia e obviamente tudo tinha mudado tão pouco desde quando o início dos tempos. as mulheres dançando no palquinho continuo achando tristíssimo. é a coisa menos sexy do mundo. de alguma maneira, todo o sex appeal foi retirado daqueles corpos. aliás, pode ser meu masoquismo, mas a mais sexy de todas era uma completamente vestida, de gola rolê inclusive, que circulava entre as mesas vendendo mais o sorriso do que o resto. fiquei um tanto obsecado e se fosse para ter uma sentada do meu lado, eu queria que fosse aquela, em vez de uma das loiras perversas. mas só eu, só eu ia encontrar e me encantar por uma puta difícil. sim, ela fazia mais jogo duro do que qualquer não-profissional. era a própria musa francesa, fria e distante, menos quando agraciava algum mortal com um sorriso iluminado.

não ganhei nem o sorriso, se vocês querem saber. esse sou eu. consigo ser desprezado até pelas putas. sensacional.

segunda-feira, maio 31, 2004

eu podia fazer uma longa lista e talvez isso explicasse um pouco. não sei. essa adepta de shiva me disse que eu era um humanista. e isso explicava tudo. eu estou apegado a essa poeira toda. o mundo é um rizoma, é um fractal, uma explosão niilista, é o próprio caos e eu compro vinis cada vez mais velhos.

dizendo ainda de outra maneira: que importância tem saber quem era o diretor de fotografia de orson welles, o baixista de bill evans ou exatamente como hemingway se matou? nenhuuuuuma, eu sei. mas não posso nem quero abrir mão disso. se eu esquecesse tudo isso eu seria ainda eu, mas eu não me reconheceria.

talvez na próxima vida eu raspe todo meu cabelo, tenha possessão nenhuma, me importe com nada. mas não nessa, folks. let me enjoy it a little.
deus morreu e antes ele do que eu, mas eu tenho meus bezerros de ouro
nesse meio tempo, fran escreveu um manifesto. vou fazer conexões aqui e publicar um pedacinho. você pode ler inteiro aqui. dudu foi mais generoso e publicou todo.

conexões, então. uma dessas conversas infindáveis que tive nesse findi foi com uma insana, dessas que em um minuto te entendem até o osso e você se vê nu. tem um longo histórico, essa. morou na índia, teve alguns mestres, etc etc. e falávamos sobre essa coisa, essa fraqueza de você se apegar às suas circunstâncias, de você acreditar na persona que construiu ao longo do tempo. eu dizendo que sei disso, mas que não estou pronto para me despir de minhas referências, meu microuniverso que me mantém vivo e são. ela defendendo shiva, a destruição, o supremo let it be.

pois hoje Fran me aparece dizendo, entre outras coisas -
eu não sou inocente, nem ingênua, nem criança, nem adolescente, nem adulta, nem velha, nem homem, nem mulher, nem tenho religião, nem pátria, nem versão oficial, nem versão tablóide, nem raça, nem condecoração, nem opção sexual, nem partido político, nem vocação, nem time de futebol, nem movimento
artísitco, nem ideal, nem sonho de consumo, nem marca predileta, nem talento, nem fã-clube.
como eu sempre digo. vestida de zero. Nós não precisamos ter objetivos. Vamos parar de sofrer por isso e aceitar essa liberdade.
Nos soltaram no maior hospício do universo.


eu lembrei dessa música do philip glass:

If you had no name
If you had no history
If you have no books
If you had no family

If it were only you
Naked on the grass
Who would you be then?



tudo isso carecia de páginas e páginas para ser debatido. mas minha posição ainda é: não estou pronto para o supremo let it be. eu preciso ainda de alguns pontos de referência, eu preciso acreditar em algumas coisas, eu temo o vácuo. eu sei da absoluta falta de importância da maior parte das coisas a que damos importância, mas dar importância a elas me mantém são.

eu vou pensar mais sobre isso e volto.
ainda não sei o que fazer desse fim de semana. foi tão raro. um encontro com amigos emendou com outro e com outro e parece que passei o tempo todo falando e bebendo vinho. e foi mais ou menos isso. (aliás, essa é a graça de uma cidade tão pequena. se você sair pra rua, vai encontrar alguém que conhece e os fatos se precipitam.)

sei que gilles deleuze me foi jogado na cara duas vezes (e eu que não leio nada de teoria), que minha identidade foi questionada, que o consumo de substâncias foi enorme e que foi tudo mais raro. detalhes podem surgir na sequência.

quinta-feira, maio 27, 2004

deixa eu dizer uma coisa: quid pro quo, como dizia o canibal. se vocês, meus silenciosos leitores, não começarem a deixar pegadas nos comments vou me sentir de novo falando com as paredes. esse blog, como qualquer um, é um esforço comunicativo. mandem sinais de fumaça!
shiva, as sete musas e as infinitas bellas

quem lê isso tudo, e me vê falando das musas e das bellas (duas categorias diferentes - as musas geralmente são belas, mas nem toda bela é uma musa)pode me achar obsecado, ingênuo ou tarado, dependendo do ponto de vista.
não é como eu vejo a coisa.

minha percepção é a seguinte: você faz o que quer (ou o que pode) com as experiências que tem. algumas pessoas preferem baratear tudo. além de poder desprezar o que não possuem, parecem encontrar algum conforto no reducionismo.

eu costumo ser retrospectivamente fiel às mulheres que me tocaram. e com exceção de uma louca ou duas, tenho carinho por todas. além de encontrá-las muito superiores aos homens, a vida se fez infinitamente mais interessante graças a elas. you´ve gotta cherish that.



isso para não mencionar que um dia você vai ser um velhinho que se coloca no sol para não mofar e essas memórias vão ser preciosas, meu amigo.
ah, além de tudo ela tinha uma risada sem igual.

(digo tinha na minha memória. imagino que em algum pub londrino ela ainda ri da mesma maneira.)
redhaired muse comes back
eu andava sempre cuidando quando Consu ia voltar de férias e voltar ao seu blog. ela voltou e além de tudo sonhou comigo. wow. alegria à distância. de londres ganhei um abraço que não senti, mas vá lá, já é alguma alegria.

consu foi uma das sete musas da vida desse que vos fala. por motivos vários, incluindo a habitual inoperância pisciana, nunca passou disso. hoje acho melhor assim. além de estar bem casada, she was so oooout of my league.como já disse alguém, perigosas mesmo são as mulheres que tem curvas na alma.
queria achar um desenho que fiz dela, com uma cabelo flamejante vermelho. além de ser a bela sinuosa que ela é, com um andar deslizante que nunca vi igual, escreve bem, a bastarda. vá lá e descubra.

segunda-feira, maio 24, 2004

ainda sobre os vampiros, só para não fazer o outro post por demais longo - outra coisa que me toca ali é que os imortais lêem uns aos outros à distância e em silêncio. como nós podemos fazer. mas não fazemos. há uma dignidade nos encontros deles que vem disso. de aceitação da natureza alheia, do reconhecimento, de coisas que não precisam ser ditas.

isso me veio à mente por conta de um encontro na sexta, não com um vampiro, mas com nova bella. aliás, bela mesmo essa. fui acho que principalmente para descobrir se havia algo além desse véu de maya da beleza. mas aí está a questão. nós colocamos palavras demais entre nós. que impedem esse reconhecimento. não vou dizer que deveríamos ficar como telepatas nos olhando por uma noite, mas falar um pouco menos abriria espaço para um tipo de entendimento mais imediato, menos raso.

mas a bella estava inquieta, dobrava guardanapos de papel incessamente, sorria além da conta, falava mais do que precisava. saí de lá com o sorriso dela impresso como o do gato de alice, mas sem saber de nada além disso.
vampiros e canções ao entardecer

duas coisas da cultura, vindas do fim de semana - duas defesas, actually.

primeira - burt bacharach não é ray coniff. ray coniff é um velhinho entusiasmado, que faz um pastiche inofensivo que passa por música. burt bacharach é um compositor maravilhoso e grande arranjador. parece difícil de levar a sério, mas é. confesso que precisei que alguém me mostrasse isso. elvis costello fez um disco com ele. um disco por demais lindo. chama-se painted from memory. e agora comprei um vinil antigo de burt e é um primor. as canções, as peças orquestrais, os badabadaba...

a segunda é que estou de novo imerso na saga dos vampiros, de anne rice. relendo, ou trelendo, sei lá. descobri de novo que acabando um volume, você precisa imediatamente correr para o próximo, mas é mais do que isso. a maneira como cada um dos vampiros em particular enfrenta a imortalidade é um reflexo de como cada um de nós encara a vida. com volúpia ou distanciamento, aprendendo ou não aprendendo...não estou aqui pra dizer que é literatura. mas como tantas coisas do mundo pop, há mais do que essa superfície polida maravilhosa sobre a qual deslizamos. qualquer um de nós que andamos pelo mundo walking wounded, como dizia EBTG, que nos afastamos um pouco para olhar o mundo, encontramos algo nesses imortais que nos toca. esses seres removidos da existência e que por isso mesmo ficam tão mais conscientes dela.

quinta-feira, maio 20, 2004

prestar atenção e mesmo se identificar com um jingle é algo muito triste, mas acontece. até porque eles trabalham exatamente para isso - identificar nossos desejos mais íntimos e os identificar com seu produto.

pois é assim que me vejo lembrando dessa musiquinha da coca-cola onde um youngster da vida em um concerto orgasmático imaginário canta lá de cima: ser feliz é uma parada que me interessa.
trocando o parada da frase por algo mais digno, faz muito sentido pra mim. parece muito óbvio, mas não é sempre que estamos dispostos ou interessados em ser feliz. eu estou, definitivamente. é uma novidade pra mim. eu sempre ambicionei a dignidade do sofrimento, a elegância da melancolia, etc. agora estou muito interessado em ser feliz.

isso como prelúdio a comentar que a bella veio me dizer o quanto eu era especial, yada yada yada e você já sabe como isso acaba. (tem uma história ótima do feiffer sobre isso: uma página que é feita de um homem e uma mulher conversando e ela diz para ele: jim, esse tempo que passei com você foi ótimo. você foi compreensivo, afetuoso, me entendeu, me aceitou, me ouviu... agora eu posso voltar para os homens.)

resumo: me permiti exato uma noite de tristeza sobre ser "especial e etc" para a bella. no outro dia eu estava ligando para outra bella. talvez eu esteja aprendendo com o exemplo de maria. talvez eu esteja mesmo mudando pra melhor. quem sabe. é uma parada que me interessa.

quarta-feira, maio 19, 2004

o sol abre um espaço no frio quase sólido. andamos curvados e esfregando as mãos. encarangados, palavra tão sulina.

terça-feira, maio 18, 2004

hoje levei almoço para a bella. uma daquelas pequenas atitudes que descrevia maria, que almoça cup noodles no escritório e certamente apreciaria o gesto. o almoço tinha também amigas e alguém falava sobre enxergar os arquétipos, sobre navegar pela vida entendendo os padrões. eu lamentei o quanto me parece que ando tropeçando pela vida, sem ter essas sinalizações e ela me disse - sim, mas você cria.

não sei se é resposta. philippe djan dizia que era impossível escrever um livro e amar uma mulher. eu me pergunto. eu sempre posso me trancar em casa e passar os dias desenhando, mas eu quero a felicidade ao mesmo tempo. é querer demais?
então. um amigo pensou que maria, citada abaixo, fosse a bella supracitada. não é. a bella é, digamos, o sujeito oculto desses posts, mas ela é esquiva e nem sabe dessas palavras. ela vive no mundo e não parece ter a necessidade que temos desses mundos virtuais.

maria, por outro lado é um espécime tropical por demais vital, que me chamou tão apropriadamente de "europeu de pelotas". muito justo. carioca, sem conhecer pelotas, ela entendeu exatamemte o espírito dessa cidade, de casarões decadentes e atitudes idem.
enquanto isso, eu circulo a bella em um ritual autopunitivo de aproximação que, como disse, convida à tragédia.

vá lá, tragédia é por demais. mais um pequeno naufrágio, no máximo.

segunda-feira, maio 17, 2004

isso parece mais um assunto para maria, mas vá lá: passamos pelo embaço e embaraço do segundo encontro. aquele momento terrível em que não existem ainda rituais estabelecidos, terreno em comum, uma estética, uma ética, um passado mínimo.

o local não podia ser mais adverso também: uma faxina. nem minha nem dela. então ficamos os dois tropeçando um no outro a cada 5 minutos, meio sorrindo meio fazendo caretas enquanto carregávamos objetos de uma peça para outra.
fiz o que faço quando não sei o que fazer: cozinhei. saí do caminho dos que trabalhavam, me tranquei na cozinha e saía de lá de vez em quando com petiscos. ajudou um pouco. mas a noite foi longa.
depois fui para casa com ela sem saber muito bem se merecia, se ela achava que eu merecia, etc. não dormi nada. parti de manhã como um ladrão, sem saber de nada. as usual.
é o sucesso! recebi meu primeiro hate mail. fiquei realizado. alguém leu meu site de quadrinhos, e me mandou essa gentil missiva:

Muda de provedor, esse é uma porcaria, e deixa de ser um pseudo-intelectual.
Seus conflitos pessoais não interessam a ninguém e vai ouvir jazz, vai.
Você acha que está na América seu nerd?

Ass: João Bafo de Onça
.

a gente torce nessa hora por uma coisa com mais erros de português, mas enfim. cada um tem o hate mail que merece.

terça-feira, maio 11, 2004

a questão do celular nos relacionamentos: william gibson, que foi ao futuro e voltou, reportou de lá que as mensagens por celular se tornariam parte fundamental de como as pessoas se relacionam. isso foi há uns 8 anos atrás. a porta para o futuro dele foi uma ida a toquio, que está digamos uns 10 anos na nossa frente. e você vê isso acontecendo hoje por aqui.

pessoalmente, eu acho uma revolução maravilhosa. você pode escrever uma mensagem de um café. aliás, você pode escrever de pé, na rua. esse aparelhinho tão próximo do seu corpo vai mandar esse bilhete praticamente em tempo real. e as mensagens... eu busco a mensagem perfeita, feita com palavras curtas, que caibam exatamente na tela do celular, quase um haikai. eu acho que é uma forma elegante e íntima de comunicação. e em minha caixa de mensagens eu vejo documentada a ascensão e queda de um relacionamento, com mensagens progredindo de leves e irônicas para densas e aflitas até chegarem a ser breves e um tanto dramáticas. (você vê aí meu gosto para o drama, claro.)

eu achei que tínhamos chegado a um ponto crítico quando vi que a primeira mensagem dela, uma coisa flertativa sobre ter roubado meu isqueiro, se unia na memória com a última, aflita e definitiva. até que a mensagem de uma outra bella caiu exatamente entre as duas. e eu não sei mais o que isso significa. se a vida segue ou se estou prestando atenção demais a detalhes insignificantes.
this is not a love song, dizia a letra. como isso não é um diário amoroso. mas um registro de um encantamento. como todos, pode sumir. o diário tanto quanto o encantamento.

hoje ela estava na janela quando passei, trabalhando de costas. fui impulsivo, o que é raro para mim. liguei para ela e fizemos uma pequena cena romeu-julieta com celular. depois subi e fiquei como um adolescente nervosíssimo, sem saber onde pôr as mãos. recusei um café porque sabia que não conseguiria segurar a xícara. ao mesmo tempo, felicidade absurda quando desci. fiquei na rua fumando, iluminado. mandei para ela (de novo o celular, teria que fazer todo um post sobre a presença do celular nos relacionamentos modernos) um pedaço da lovesong do the cure: whenever I´m alone with you you make me feel like I´m young again. depois fiquei impossível e mal conseguia trabalhar. a droga que é a substância do encantamento correndo pelas veias. felicidade insana e precária. desastre por acontecer a qualquer momento. pergunte se eu me importo.

terça-feira, dezembro 02, 2003

divisor de águas

esse site resistiu a vários relacionamentos, então daqui pra cima você lê o que acontece agora. em mais um que começa. abaixo, o passado distante, tão distante quanto alguns meses podem ser em se tratando das coisas do coração.

sábado, novembro 15, 2003

se alguém ainda passa por aqui ocasionalmente e se revolta com os mesmos posts empoeirando, uma satisfação rápida: entrei em uma fase mono. significa que só tenho dois temas na cabeça. fran (essa pelo corpo todo, aliás) e comics. e juro que é só, people. não tenho nem lido muito. quando não estou trabalhando (automatismos), estou desenhando furiosamente, para não pensar tanto no amor ausente.
são muitas estórias novas e lamento não ilustrar aqui com nada, mas estou sem teto virtual nesse momento. em algum ponto vou ter a paciência de novo de reconstruir meu site. os poucos e bons que passam por aqui vão receber convites para visitar, certamente. para que se tenha idéia: a estória do cortazar está pronta (falta colorir, comecei uma nova sobre camus, fazemos moonlight, fran e eu, com law começamos uma novíssima, para o mercado americano (aham, sinta a pretensão)... enfim. algum dia essas gavetas vão transbordar. vocês estarão convidados. nesse meio tempo não estranhem o silêncio. abraços. O.

sexta-feira, novembro 07, 2003

moonlight é o primeiro filho de meu encontro com phrann. se passa na terra, na lua, tem são jorge, belas enigmáticas e o texto possuído de minha musa germânica. promessas, eu sei, mas um dia eu ponho online.
gatos tem um amor caprichoso, que é preciso merecer. klimt veio da rua e agora habita nossa pequena república. mas vir da rua não o faz menos nobre ou exigente. é um lord, que dedica as tardes a dormir no sofá do estúdio, depois de estudar seu colo cuidadosamente e concluir que não é satisfatório. de noite ele some e pela manhã ele entra, com a mesma nonchalance de batman com seu mordomo. me sinto o alfred, abrindo a porta para o patrão misterioso. desejaria café, senhor?

segunda-feira, novembro 03, 2003

uma semana em zion. me and lili. phrann fran. hoje entro na matrix procurando flores para ela. minha musa germânica. come to me. ball for all, lili is here. uma pandorga.

quinta-feira, outubro 30, 2003

Para os simpatizantes de novelas, para os que reclamam que nada acontece nesse blog, para decifrar as fábulas, para agradecer infinitamente ao dudu: eu e phrann. phrann e eu. coisas incríveis acontecem nesse mundo. ela veio, viu e venceu. das palavras insanas à presença, foi um caminho longo e brevíssimo. my soul is taken. feliz.

sexta-feira, outubro 24, 2003

Missing mister misery

numa dessas coisas, tinha voltado a ouvir nos últimos dias a trilha de elliot smith para gênio indomável. sempre pulando as faixas para ouvir só aquela tapeçaria sonora tão sutil dele, aqueles vocais dobrados sussurrados, aquele lugar em que se podia morar, com sombra e um fiozinho de luz.

hoje leio que ele se foi com uma facada no peito. ontem, anteontem ou algo assim. quem se mata com uma facada no peito?

epitáfio clássico do pasquim: os melhores vão primeiro. ou:com tanto filho da puta pra ir...

lembrei da morte de genet, que me pegou igual. uma tristeza absurda, meio ridícula, meio adolescente. ana cristina pulando pela janela. misery.

quinta-feira, outubro 23, 2003

queria poder explicar mais. mas se faz tão cedo. oferendas do céu como piñatas. nunca desejei ser obscuro. mas são coisas mafiosas. proteções para nascentes. uma máfia de dois.

terça-feira, outubro 21, 2003

fábula

uno encontra um tesouro. uno se pergunta tanto. se merece, se tem onde guardá-lo, se. o céu confunde os pedestres oferecendo possibilidades, pensa ele. frente a uma epifania, frente ao espelho, frente ao furacão. ele sente uma possibilidade de alegria enorme. um medo proporcional. uno quer saber onde está, quem é, para que lado vai. o tabuleiro é vastíssimo.

sábado, outubro 18, 2003

a manhã me encontra um tanto desolado. vítor canta tambong, dança catala e dança trégua. são dias. explicações, explicações, sempre como facas pelos cantos, dizia james.

terça-feira, outubro 14, 2003

tenho projetos, como todo mundo. um, que vai indignar loulou, sempre tão ciumenta e senhora de si, é uma estória em quadrinhos sobre cortazar. blasfêmia, blasfêmia, encaixotar em janelinhas o velho julio.

bem, danem-se. o herói é meu também. e é, antes de mais nada a labour of love. em breve, quem sabe, publico trechos aqui e acalmo os cortazarianos mais ferozes.

o outro, decidido ontem é fazer coisas com phrann. nada do que dudu possa pensar, viu. respeito ao ex. quero desenhar coisas daquele barroco insano de lili Fran phrann. ainda não sei que forma vai ter. mas me anima enormemente. you just wait.

quinta-feira, outubro 09, 2003

*ainda sobre phrann, fuçando no site achei um comentário que podia ser uma carta de intenções dela:

o intento é andar no escuro tendo a língua por mãos.
phrann

deixa eu dizer o seguinte: existem usos e usos da linguagem. do mais pedestre e utilitário (como o jornalismo, sorry) à poesia, que é a linguagem brincando em estado puro, à beira do vulcão.

a maior parte de nós escreve prosa pedestre e quando pode dá uma lambida na linguagem para ver se ela parece melhor no espelho. porque ninguém aguenta viver no volume 9 todo o tempo. mas essa pessoa, phrann escreve no volume 9 o tempo todo. o blog dela é de um abuso da linguagem que me deixa pasmo. não há refresco aqui, não há retorno ao chão. tudo é linguagem. me confesso pasmado. grato a dudu por mais um link precioso. e evoé, phrann.

sexta-feira, outubro 03, 2003

acendo um cigarro em uma esquina de satolep e me sinto bem. por estar nesse exato momento aqui. você sabe, se você não consegue fazer isso onde você está agora, você não vai conseguir em berlim ou paris. não são platitudes, mas um fato. tente.

terça-feira, setembro 30, 2003

todos sofremos desse mal, em blogs - um dia sem novidades é um dia sem leitores. ou um leitor a menos por dia. é justo, justíssimo. é democracia digital. give me what I want or. mas nem sempre temos o que dar. tem dia que é de noite.
promessas

na televisãozinha que é a janela que esse blog é, parece que chove desde sempre e que nada acontece, mas não é assim. dias tem se passado e coisas tem acontecido. só não tenho contado. por isso estou na dívida. agora essas são coisas que não me vem, como diz o vítor. mas virão.

terça-feira, setembro 23, 2003

a cidade confirma sua lenda e chove por dias a fio. a mesma cortina pálida de água dia após dia. os papéis parecem que vão se desfazer, o quarto cheira a mofo, os dias se parecem.

quinta-feira, setembro 18, 2003

camus no brasil. estou lendo os diários de viagem dele. ele veio como uma celebridade, vagou por aqui febril e oprimido pela atenção. (em outro ocasião, ele disse - nós, escritores do seculo XX, nunca mais vamos estar sozinhos).

do brasil dos anos 50 que viu, disse, entre outras coisas, que a civilização aqui era como uma fina chapa de metal sobre uma fonte de energias primitivas e vitais.

disse também que esse edifício um dia se romperia e veríamos a população nativa tomar posse triunfante. disso já duvido um pouco. nesse meio tempo, parece que a casca de civilização se solidificou, matando um tanto o espírito brasileiro. o que parece a vocês?

terça-feira, setembro 16, 2003

tenho um cérebro que não foi feito para a ciência, mas que pode ser incrivelmente excitado por ela. ontem me pus a ler uma scientific american e dio, quem disse que eu conseguia parar. ou dormir. quatro da manhã e minha mente estava febril com a possibilidade do universo ser um holograma, com os gases que faziam a pitonisa de delfos profetizar, com a origem do homem ser africana ou não, com o pêndulo de foucault...

leitura contra-indicada para mentes excessivamente imaginativas.

segunda-feira, setembro 15, 2003

a segunda feira é por natureza, um dia de recomeços. e de se coletar os cacos do final de semana. resumos. então, com aquela voz da sony - nos capítulos anteriores de...

vimos nei lisboa ao vivo, viu jorge, sem querer causar nada parecido com inveja. o pequeno gnomo usava aquele gorrinho verde e camisa vermelha. quase o uniforme dos duendes. cantou muito e bem, como sempre. meu entusiasmo, somehow, falhou em aparecer, mas não se podia apontar uma falha ali. coisas da familiaridade excessiva, talvez. fiquei bem mais entusiasmado com a parrillada que veio depois. as alegrias da carne, parece, não morrem.

vimos (onde escrevo nós, leia-se eu e mari) o terceiro Hannibal, que vem a ser o primeiro refilmado e achei tristíssimo. curioso, uh. esperava me agarrar na cadeira, mas não sei se pela presença de ralph fiennes, o filme me pareceu muito mais triste que assustador. uno siente uma dó do assassino... ou eu estou ficando insuportavelmente soft, mas juro que fiquei com um certo travo na garganta.

após nossos intervalos comerciais, voltamos com essa retrospectiva. stay tuned.

segunda-feira, setembro 08, 2003

eu não mereço, mas jorge escreveu um texto lindo sobre mim. fiquei tocado, de verdade. ficaria embaraçado de fazer o relato de volta, mas um dia faço. porque ele sim merece.
ah, e como poderia esquecer de comentar? Vi punch drunk love esse final de semana, embriagado de amor na versão brasileira e é o filme mais bizarro, lindo, assustador, estupefaciente.... podia continuar com adjetivos sem parar. dudu pergunta o que viram em adam sandler e eu acho que ele se saiu lindamente nesse filme. você quer abraçar o fulano, confortá-lo como emily watson faz. ela, com aquela grande cara inglesa redonda tem um significado tão tocante - você entende sem que adam explique - quando ele a abraça, ele sabe que chegou em casa. ela tem aquele abraço que significa um mundo, que significa que aquele ser humano achou um lar naqueles braços. com toda a sabedoria das mulheres que entendem que homens são crianças rodando pelo mundo.

confesso que saí trôpego do cinema. de fato, tive que sentar nos degraus de uma loja vazia no domingo e fumar um cigarro meio perplexo, sem saber pra onde ir. mas pode ser uma coisa minha.
pequenos crimes

então livros de novo. ainda que eles não sejam toda a vida e alguns poderiam dizer que eles são o contrário da vida. mas eles são um pedacinho dela. ou uma chance de viver outras vidas. o final de semana me arrastou a lugares barulhentos e infernais, mas no domingo desliguei o telefone e reli as estórias de tom ripley, reunidas num volume. a expressão prazer culpado se encaixa tão bem aqui, porque tom é tão amoral que uno se siente cúmplice dele ouvindo suas estórias e não consegue deixar de imaginar pequenos crimes. parece tão fácil para ele. ele ultrapassa delicadamente os limites da lei. não mais do que o necessário, não sem um certo senso de estilo, entre um bom vinho e uma tarde agradável em sua maison na frança. às vezes simplesmente para quebrar o tédio. e a realidade parece alterada. você sai dali sorrindo e com idéias pérfidas na cabeça.

quinta-feira, setembro 04, 2003

camus e a américa

as alegrias do sebo ideal. adão é o dono. lá se chega, se pode fumar, o dono conhece tudo e é difícil não encontrar dois diletantes discutindo o sentido da existência. ele tinha recebido três mil volumes, que misteriosamente acham seu lugar nas mesmas prateleiras cheias. saí de lá com dois camus, um autobiográfico e o diário de viagens dele. na américa, ele diz que sente o coração tranquilo e seco, como quando frente a um espetáculo que não o emociona. um americano diz a ele - esse é um país onde os relacionamentos são fáceis, porque são rasos. é um país que não conhece o amor.

segunda-feira, setembro 01, 2003

o final de semana foi luminoso. passado todo em torno da mesa de desenho. não há satisfação maior do que ver páginas prontas ao final de um dia de trabalho. depois, relendo patricia highsmith, um personagem citava um pintor que dizia - que não há nada tão depressivo para o artist do que o self, para o qual ele se via retornado depois de um período de trabalho, ou em férias, que nunca deviam ser tiradas . o negrito é por minha conta. sei do que ele fala. sempre me senti profundamente desorientado em minhas tentativas de estar em férias. simplesmente não fazia nenhum sentido pra mim. como já disse, o mundo faz sentido quando se está tentando criar um novo.

sexta-feira, agosto 29, 2003

as cidades

melissa largou a cidade que amava e que a enlouquecia. law vive em uma cidade cyber que sonhou. calvino fala das cidades invisíveis, que se confundem com as de borges. cortazar falava de uma cidade que vários amigos compartilhavam em sonhos. eu idealizo a minha cidade dos sonhos ao mesmo tempo caminhando por ela. eu digo que cada um tem a paris que merece. loulou diz que merece a verdadeira paris e não duvido. james provoca os cubanos em miami, marcos está feliz em floripa, os amigos estão espalhados pelo mundo e cada um toma café na sua cidade. uno se pone loco pensando nessas coisas.

quarta-feira, agosto 27, 2003

os americanos tem nomes para tudo. faz parte da natureza deles, classificar as coisas e pessoas de forma clara e inequívoca. fulano é um loser ou um overachiever ou um freak ou qualquer outra coisa que levaríamos linhas e linhas descrevendo. meu blog tem lurkers.
o lurker é aquele cara que só espia e não se revela. um pouco como o stalker, que é o que segue pessoas. mas no caso, são formas afetuosas de lurkers. volta e meia descubro que sim, meia dúzia de pessoas passam por aqui e lêem minhas elucubrações e saem sem dizer nada. dessa vez foi lu, que de porto alegre espia minhas atribulações, minha novela mexicana muda.
quando você traz um lurker para a luz, o que ele se torna?

segunda-feira, agosto 25, 2003

quando a realidade comprime e me expreme entre acontecimentos, o blog fica esparso. não me interessa de fato fazer uma lista de lavanderia aqui e os insights ficam raros. sou um animal contemplativo. deve ser por isso que voltei para o passado e para um cidade que ainda tem tempo, pátios, espaços. nos últimos dias, o trabalho tem me roubado essa paz. mas ela volta.

quinta-feira, agosto 21, 2003

Salvo desse abismo de depressão química pelo trabalho. Não aquela coisa evangélica, please. Mas de sentar e produzir. Em nenhum outro momento na terra me sinto tão no lugar certo, fazendo a coisa certa. Não há desconforto, inadequação, dúvidas, arestas. O mundo faz sentido. Até porque se está criando um novo. Do zero.

sexta-feira, agosto 15, 2003

so fucking sad that is really ridiculous.
lembro sempre de uma estória de um quadrinista espanhol, que narrava as desventuras dele com os quadrinhos e no final, em uma cena melancólica, enchia um quadrinho com os nomes dos autores amados todos e dizia porque habeis entrado em mi vida sin pedir permiso?
a realidade acelera, se fragmenta e se divide em pedacinhos menores que não necessariamente se entendem entre si, e giram, com um lado fosco e ou outro brilhante e vá o ser humano tentar fazer algum sentido disso tudo. sinto uma dificuldade enorme de conciliar aspectos vários de minha vida e os quadrinhos em particular são como uma maldição.

segunda-feira, agosto 11, 2003

e preciso agradecer ao nasi também pelo link do site do grant morrisson. mas ao mesmo tempo... esse pedaço de e-mail mandado a um amigo igualmente sofredor-quadrinista explica a situação melhor:

o site do grant morrisson. é sensaaacional, mas ao mesmo tempo me desespera. ver ele vivendo como um bólido pop rock'nroll arrogante e vivendo de quadrinhos...posso fingir que não, mas dio, tudo que queria era viver devotado aos quadrinhos. fico botando eles de lado para não sofrer, mas arranco os cabelos que não tenho. a velha estória de que a musa é ciumenta, não suporta ser deixada em segundo plano...segunda-feira e venho trabalhar e não tenho nada a ver com essa gente...queria estar em um bunker, ouvindo música altíssimo e fazendo a porra dos melhores quadrinhos da porra do mundo, se é que você me entende. e é claro que você me entende. what gonna takes to us to do it? rob a bank? starve to death? JUST PLAIN FUCKING BALLS ????
que medo. dudu nasi diz que sou talentoso quadrinista. como sou do tipo que esconde e se autosabota ao máximo...

mas vá lá, se algum incauto chegou aqui por conta do amigo dudu, tem a chance de ver se ele tem razão ou não. quase tudo cometido por mim está aqui.

de minha parte, a família agradece, penhorada.

quinta-feira, agosto 07, 2003

hipóteses:

- eu tenho leitores extremamente silenciosos.

- eu não tenho leitores.

- eles não acham que nada aqui mereça comentário.

estou torcendo pela hipótese 1.
as negociações sutis que acontecem por e-mail. well, elas acontecem também de serem sutis demais para algumas pessoas. aliás, nada é mais triste do que se esmerar para compor o e-mail perfeito e descobrir que passou por cima da cabeça da destinatária. para quem ama as palavras é sempre uma desilusão. num caso mais extremo, philiph roth conta da bela selvagem que aparece em sua vida e representa quase uma vingança dele contra o mundo, o garoto judeu infeliz enfim com uma deusa enorme ao seu lado - mas ela escreve bilhetes com erros brutais de ortografia. hmmm.

quarta-feira, agosto 06, 2003

o final de semana foi intenso em álcool e contato com essa raça desesperada, os seres humanos. festas bares ruas e casas. todas as instâncias. fiz bobagem, me encantei, me choquei com o estado da canalhice masculina, fui canalha, fui naive, dancei um pouco e bebi muito. a semana traz a experiência de um reencontro sóbrio. não foi tão mal.

segunda-feira, agosto 04, 2003

mas nada que um final de semana wild não resolva. detalhes em um futuro próximo, maybe.

quinta-feira, julho 31, 2003

o espírito quebrado por alguns dias. aquele negócio que pau e pedras podem quebrar mas palavras não...não é fato, friends. palavras sim.

quinta-feira, julho 17, 2003

a bela é elusiva, esguia e palida. provavelmente sorri, como escreve o autor de nero wolfe. nos olha da distancia, de seu mundo germanico, do alto dos seus tantos metros (sempre caio pelas altas) e nos mostra sem mostrar sua impossibilidade. sorrindo. possivelmente.

quarta-feira, julho 16, 2003

como nunca é tarde para ter herois novos, tenho um - nero wolfe. se ele ja estava na sua lista, você pode revirar os olhos e pular esse post, mas como disse, nunca é tarde.

nero é um gourmand, um glutao que se dedica a cerveja e a culinaria calorica, mas fina, digamos assim. ele ama suas orquideas, despreza quase todo mundo e nunca sai de casa. e ainda assim, ele resolve crimes. com a ajuda de um homem-das-ruas, seu funcionario pessoal, que faz todo o serviço pesado. mas o humor... os capitulos curtissimos... é impagavel, friends. e o melhor de tudo: sao setenta e sete livros. ahhhhhh. alegria para uma vida inteira.

segunda-feira, julho 14, 2003

post scriptum para a nota abaixo - sim, me faz mal pensar sobre essas coisas. que tem a atracao de um acidente na estrada, que captura nossos olhos e nossa morbidez. a vida na america com frequencia me faz pensar na existencia do mal, essa entidade abstrata, vagando por la, como uma criatura concreta e faminta.

claro que e um raciocinio perigoso, imaginar que nos somos os bons selvagens, etc e clamar pela vida natural, ou como-ela-devia-ser...mas, really. americans...
david bowie diagnosticou em uma musica: Im afraid of americans. E boy, ele tem razao. a maneira como pequenas insanidades crescem e sao cultivadas como feridas estimadas é, well, assustador. a ultima que cruzou meu campo de visao e um comportamento que aparentemente esta crescendo por la, que sao os wannabes amputees. sim, pessoas que por uma fantasia pessoal, sexual ou whathever, aspiram a ou conseguem de fato, ser amputados. perder uma perna ou um braco ou dois, para ser como eles sonharam. e medicos estao contentes em executar o procedimento. tudo pelo paciente. um documentario esta a caminho, um grupo de discussao tem mais de 3.000 wannabes inscritos...oh admiravel mundo novo. algo em mim treme lendo essas coisas.

sexta-feira, julho 11, 2003

para quem liga para essas, aham, banalidades, achei o lugar quieto para o almoço dos sonhos. o bistro da baronesa e o restaurante de uma dessas que foram, viram e voltaram, com seus diplomas e gostos da velha europa. o preco e muito honesto, a comida e discreta e reconfortante, o salao dos fumantes tem poltronas maravilhosas, um jazz toca no fundo... o ser humano volta ao mundo se sentindo melhor.

quinta-feira, julho 03, 2003

o eterno retorno
fui ver hulk ontem e nao e que o tema do filme (em minha mente distorcida, pelo menos) e o dominio feminino? pois que o gigante, a besta fera, o superego masculino que destroi, e vencido pela bella, pela cuidadosamente escolhida jennifer connely. ela, com sua beleza assexuada, de rosto que flutua sobre corpo nenhum, domina a besta com o poder ancestral feminino. ele literalmente cai a seus pes. ang lee sabe das coisas.

terça-feira, julho 01, 2003

abre o sol, meu som velhonovo enfim funciona, uma mitologia da cidade se desenha em minha mente (e no papel)...dia desses que tudo funciona. voce tem que prestar atencao e ser grato, you know. ah, e encontrei o vinil da trilha sonora de twin peaks. para ouvir com lagrimas nos olhos.

sexta-feira, junho 27, 2003

Lu se me ler vai entender, que nao lembrava a complexidade que e diagramar um jornal. a direcao de arte para revistas te deixa preguicoso, e a verdade. depois de uns dias em minha ilustre posicao de consultor do jornal, me passaram umas paginas coloridas para fazer e me pus a, tranquilo, quase olimpico e tomei um cacete fenomenal das pagininhas. dio. muitas colunas, muitas materias. renovou meu respeito pelos que batalham em jornais. brava luta.

quinta-feira, junho 26, 2003

deja vu no trabalho - de novo em uma redacao de jornal, de novo atraido por uma loira altissima. a vida se repete. mas dessa vez a loira e melhor. leia-se com um sorriso no rosto.
dois livros comprados no meu sebo favorito: manana digo basta, de silvina bullrich e herzog, do adoravel saul bellow.(me acostumei rapidamente a escrever sem acentos aqui,depois que ele sumiram. juro que me acostumo a tudo.)

os dois apontam para a desintegracao, tema perigoso pra mim, ja que me fascina um tanto. no argentino, uma mulher passa longas ferias em uma praia deserta no uruguai e vai se desprendendo de sua vida anterior. no de bellow, o protagonista esta de fato se desintegrando. cansado por demais de divorcios, problemas, cansado da vida. um sentimento que entendo. nao ocorre a voces que em algum momento voces se diriam - e isso, cansei, da muito trabalho se manter, se sustentar, procurar por sexo, pagar as contas, tomar banho?

a mim certamente ocorre e temo e tambem antecipo o momento. com frequencia olho meus objetos e eles me pesam tanto. o fardo de ter uma casa, livros, roupas, identidade. a mitologia franciscana me interessa quase nada (menos ainda andar descalzo) mas a ideia de nao ter nada...de se perder em um pais estranho onde nadie te conoce...
voces nao querem saber, mas a umidade (nada relativa) do ar nessa cidade varia, no inverno, entre 90 a 100 por cento. literalmente, folks, nao e uma figura de linguagem. se voces estao imaginando como e, well, e como andar sobre agua, respirar agua, dormir envolto em um lencol de agua. tudo apodrece. forget about the lovely cliches of gray weather.

segunda-feira, junho 23, 2003

tomb raider

Coisas do entusiasmo. Aventuras domésticas. Minha casa tem um porao que é como um mundo, camadas de vidas dos proprietarios anteriores, soterradas em po. Ja resgatei de tudo por la - ventilador, luminaria, mesa, o que se possa imaginar. E na quinta, buscando uma antena para a tv, em um entusiasmo juvenil de tomb raider, acertei minha cabeça com todo entusiasmo em uma viga perversamente baixa. cena classica: você olha sua mao e é so sangue. jorrando. Alvoroço entre os parentes, roupas manchadas de sangue e um passeio ao hospital. o cérebro continua funcionando,in case you´re wondering, so passei um dia enfaixado como um paja. Tudo isso por uma antena de tv. Piada familiar do momento e moral da estoria: sempre achei que tv fazia mal à cabeça.

quarta-feira, junho 18, 2003

A casa é invisivel, como pude esquecer de comentar isso. me gusta tanto. da rua não se vê nada. ela é longa e se estende suavemente por baixo de outra. uma casa secreta. ontem percorri longos corredores comprando gadgets e utensilios diversos. você precisa inventar uma casa, really.

segunda-feira, junho 16, 2003

mirando longamente o patio. juro que por meia hora foi so que fiz. houve um tempo em que o patio era a alma da casa, me dizia andrea. onde ficava o poço e os suprimentos. e um sapo.

basicamente livros espalhados pela casa, uma cama no quarto do andar de cima, um fogao deliciosamente velho, uma geladeira idem e é isso. so peças e mais peças de espaço. nao me canso de percorrer, de demarcar, de visualizar. ha um vao misterioso embaixo da escada, um porao abissal que é um mundo de objetos e dust, um elevador de comida desativado... a casa é cheia de sinais mudos, de coisas que nao aconteceram ou que deixaram de. o domingo foi passado assim, andando, vendo, considerando.

terça-feira, junho 10, 2003

Ha. Vitória dupla. Hoje ela me recebeu com "O que vai ser, amigão?" (sentiu o tom um-dos-caras?) e completou: "Um Holywood vermelho?" Yep. E no entanto chove torrencialmente em Pelotas. Nada é perfeito, uh. Digito com meus tênis molhados. Lamentável.

segunda-feira, junho 09, 2003

Ainda a anti-mona-lisa

Outra explicação: ela tem consciência de classe. Ou algo assim. Ela vê o mundo com um balcão no meio. Quem está do outro lado está do outro lado. Eu a vi com os rapazes do posto:rindo, fazendo piadas. Ela é one of the guys, you know? No momento que volta para o balcão, ela fecha a cara. Cortesia profissional, mínima. So, I´m the enemy.

sexta-feira, junho 06, 2003

Noticias de casa

E Oh finds a home. Uma casa no horizonte. Absurdamente grande, como podem ser as casas daqui. Tres quartos, patio, uma garagem estudio em que uno pode se perder...por metade do que pagava por um apartamento em Porto Alegre. Ele sorri a toa imaginando desenhos para a casa. Uma cesta de basquete no estudio? Um quarto so para os livros? Espaco para andar remoendo pelas noites. Ah, e nenhum vizinho, oh dio. Oh compra discos e arquiteta montar um daqueles sons antigos, com prato e caixas enormes. Os mates nesse patio prometem. A vida sorri.

segunda-feira, junho 02, 2003

A Anti-Mona-Lisa

Intrigado com a garota do posto. Um mês nessa cidade, três ou quatro vezes por semana estou lá comprando cigarros e não consigo nunca que ela me chame de outra coisa além de senhor. O mesmo olhar fechado de desconhecimento. Não consigo evoluir para um oi amigável. Não consigo que ela lembre qual é meu cigarro.

Ela tem aquele rosto vagamente masculino que me encanta, as maçãs do rosto proeminentes, aquele ar de quem está no mundo, sem dúvidas. E no entanto. É como se ela sofresse do mal do personagem de Amnésia - a cada dia sou um novo estranho querendo sabe-se lá o quê. Um sorriso parece um ideal inalcançável.

quinta-feira, maio 29, 2003

Yet another girl´s journal make the cut to the Blogger´s Top List. With some pictures, of course.How come all blogger girls are so cute? Somethings strange in that. They´re all so sharp and sensitive and special and overachievers and lived in so many places... call me suspicious, but somethings strikes me as odd in this deal. Maybe its a conspiracy. Some twisted mind created this image, of the perfect girlfriend and manufactures these fake diaries. Now, hey, that´s a project.

quarta-feira, maio 28, 2003

Nessa situação rara que é ser um adulto de volta à casa dos pais. Que se comportam como santos e no entanto. Ontem o frio desafiava o bom senso do peregrino em percorrer as ruas, mas me vi lo mismo andando pelas calles pelotenses. Ao fim me sentei em um bar repleto de estudantes e entusiasmos, que tomavam cerveja como se fosse verão em Copacabana. Eu tomei vinho e fumei até me sentir humano de novo e aquecido e voltar à casa.
Agora mesmo se aproximam as seis horas e as mãos já se põem duras demais para digitar. Coisas de viver nesse lugar.

terça-feira, maio 27, 2003

A ausência aumenta, amplia, estiliza. Quando ainda estava expatriado de Pelotas fiz uma estória em quadrinhos sobre o legendário Grande Hotel, templo de fantasmas e ambições literárias. Tinha algo como um slogan ou subtítulo: cada um tem a Paris que merece.
Me vêm isso à cabeça agora, lendo o relato de um encontro de amigos na verdadeira Europa, a que fica do lado de lá do oceano. Amigos em Barcelona encontram a amiga que estava em Londres. Bebem juntos e eu aqui. Como comentava com Loulou, a cigana espanhola, me sinto como Traveler, o personagem de Rayuela que achava seu nome uma piada cruel, porque nunca tinha saído dos pagos. Não que não ame minha Europa particular aqui, essa cidade que nasceu da carne seca e se reinventou como uma pequena Paris. Mas Loulou mesma me dizia que Paris... well...

sexta-feira, maio 16, 2003

satolep revisitada

de volta à cidade da névoa, dos doces sutis, dos nobres decadentes e de uma forma de bichogrilismo resistente ao tempo, que ronda pelas esquinas. quando você menos espera, algum amigo de dez anos atrás dobra a esquina e reaparece com a mesma cara (e roupa) de dez anos atrás. o que pode ser confortante e preocupante ao mesmo tempo.

mas os silêncios são outros, o céu é mais largo, os mates duram mais. os livros se deixam ler de outra forma, o branco da página não parece o mesmo, há como que uma função sharpen no mundo. você está em outro lugar, isso é claro. se come muita carne, o pão é inacreditável, se sai muito tarde e as ruas te confortam um tanto quando você volta para casa. não é pouco.