cartas cariocas 1
direto das areias escaldantes. ou pelo menos eu imagino que elas sejam, quando passam pela janela do ônibus. e montanhas. não passa um minuto sem que uma montanha deslize silenciosa entre um prédio e outro. mas isso todo mundo sabe, não? aliás, minha teoria sempre foi de que o conhecimento terceirizado nos deixava todos insensíveis à experiencia real, mas posso estar errado. clichês se confirmam: não é tão quente, os cariocas realmente dão informações com uma simpatia brasileira e uma calma tibetana... atravessar ruas é um esporte radical. ou um jogo de paciência.
já tomei uma meia dúzia de chopes, peguei uns 8 ou 9 ônibus... ainda longe de ser um especialista. mas me sinto mais habilitado na categoria sobrevivência urbana. um reality show pessoal.
já falei das montanhas? elas estão lá, por toda parte, verdes, imensas. enquanto os passageiros dormem, o túnel passa e eu passarinho. o resto, depois, eu suponho.
EDIT: eu devia explicar melhor, eu sei. mas o tempo é meio roubado ainda. e os meios... quando estou balançando na rede, de frente para a floresta da tijuca à noite, coisas melhores me ocorrem, mas aquele notebook não chegou ainda. um dia chega. um diário noturno, digitado da rede sairia melhor, eu suponho.
um bichinho meio marsupial deslizou ontem pelo fio da luz enquanto eu pensava. curioso estar tão perto da natureza. a cidade é uma invasão enorme no meio desse paraíso tropical.
ainda sem relógio, em meu retiro longínquo, durmo cedo e acordo com a luz invadindo a janela. depois desço para c idade e começa o curso de sobrevivência urbana. mas é gentil, não é brutal esse percurso. a beleza das suburbanas, as moças que parecem índias, mesmo o calor é gentil, não é aquele paredão de infeno do verão do sul. já no segundo dia o desenho da cidade parece querer fazer sentido, você entende que se move de lá pra cá, que se almoça no escritório, que uma vida existe e é uma questão de aprender não o sotaque, mas a prosódia, se entendo bem a palavra. o ritmo. claro, não existe uma vida aqui, mas vidas. muitas. a tolerância nos faz deslizar entre elas. e como dizia lenine, gentileza é fundamental.
(lendo olga e vendo a cidade também com os olhos alemães dela, a bela armada protegendo o cavaleiro da esperança pelas ruas do rio. e é possível que eu atravesse de ônibus, com o livro na mão, uma rua que ela cruzou.)
terça-feira, março 21, 2006
sexta-feira, março 17, 2006
quarta-feira, março 01, 2006
o que me lembra daquele conto clássico de borges, onde o borges velho encontra seu eu jovem. o que eu faria se encontrasse meu jovem eu? é inútil, não? o que você pode dizer que evite toda a miséria futura, os embarações, os equívocos lamentáveis?
suspeito que se você o encontrasse ainda criança, ficaria seriamente tentado a torcer aquele pescocinho e abreviar as coisas.
suspeito que se você o encontrasse ainda criança, ficaria seriamente tentado a torcer aquele pescocinho e abreviar as coisas.
a pior coisa da mudança? ter que abrir aquela caixa apavorante chamada "personal stuff". essa é sua vida. oh boy. o horror, o horror de ler o que você escrevia aos 18 anos. cadernos e cadernos. que você vem arrastando há anos. desenhos. cartas. diários. fotos.com minhas próprias coisas ainda consegui ser bem impiedoso, mas o que fazer com uma carta da sua irmã de quando ela tinha 10 anos? ahhhhh. dilacerante. o afeto, a ingenuidade, a infância perdida... no meio daquela poeira, suado e impaciente, fiquei a um passo de ter minhas glândulas lacrimais ativadas. deve ser a poeira.
você pôe a carta de volta na caixa e programa a bomba para explodir de novo em dois ou três anos, na sua próxima mudança.
você pôe a carta de volta na caixa e programa a bomba para explodir de novo em dois ou três anos, na sua próxima mudança.
terça-feira, fevereiro 28, 2006
sobrevivendo a mais um carnaval. hoje de manhã a visão da minha rua era a de um daqueles filmes de apocalipse zumbi: not a soul. nem uma alma à vista. se bem que minha rua não é bem o caso. já nesse estado chamado trânsito. na casa de outrem, por assim dizer. ontem ou anteontem escrevi:
Não é uma palavra linda, exílio?
Eu ia dizer que o meu começou hoje, quando saí de uma casa que não é a minha e fui jantar em um restaurante odioso, com um livro, completamente alheio aos estranhos e à música ruim, mas então pensei: começa meu exílio, acaba, continua? Onde é casa? Último dia no emprego, objetos vendidos, outros encaixotados, uma data de partida se aproximando. Mas eu vivo em mim. Essa é minha casa. Vou estar sempre em casa e fora dela.
Não é uma palavra linda, exílio?
Eu ia dizer que o meu começou hoje, quando saí de uma casa que não é a minha e fui jantar em um restaurante odioso, com um livro, completamente alheio aos estranhos e à música ruim, mas então pensei: começa meu exílio, acaba, continua? Onde é casa? Último dia no emprego, objetos vendidos, outros encaixotados, uma data de partida se aproximando. Mas eu vivo em mim. Essa é minha casa. Vou estar sempre em casa e fora dela.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
se alguém escrevia para o odyr@diariopopular.com , seria bom começar a escrever para odyr@hotmail.com . se quiser resposta. minha última âncora vai ser levantada. a casa já foi. foi com uma alegria... como é bom desmontar casa. querer mesmo eu queria bater a porta e sair. mas em nome dos bons costumes cedi a casa, empacotei livros, vendi quase tudo, rasguei papéis... essa vida de cigano. se você não viu perdas e danos com juliette binoche enfiando seu estilete amoroso em todos os corpos, você devia pular para o próximo parágrafo, mas realmente amo aquele final em que o lorde irons vive em algum lugar que parece indiano, comprando sua comida dia a dia, sem livros, com o mínimo de casa possível. e uma foto absolutamente gigantesca dela na parede. como ele, nunca conseguimos largar tudo.
If you had no name / If you had no history / If you have no books / If you had no family
If it were only you / Naked on the grass / Who would you be then?
(Philip Glass / Suzanne Vega)
If you had no name / If you had no history / If you have no books / If you had no family
If it were only you / Naked on the grass / Who would you be then?
(Philip Glass / Suzanne Vega)
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
anotações desconexas:
bom ver as pessoas se falando aqui de novo. devem ser as férias acabando.
ontem fiquei seriamente perturbado por un instante, ajustando um relógio de parede para o horário de verão. no celular, o ajuste é praticamente uma operação mental. mas fazer os ponteiros de um relógio analógico andar para trás...hmmm...perturbador. superman syndrome.
gabi tem podcasts. ontem baixei e ouvi um podcast feliz, acho que o 7. muito bom. e o inglês de gabi não cessa de me surpreender. era a locutora de uma rádio californiana. às vezes eu acho que vivo demais em outro país, mas gabi já está lá mesmo.
explicar a piada é dureza, uh, angie?
esse negócio da dorothy parker me fez pensar uma obviedade, mas enfim: poemas funcionam bem na internet, não? são breves. são do tamanho da atenção de um internauta médio. um livro de poemas é um novelo a ser desenrolado ao longo do tempo. acho que eles existem muito bem como coisinhas únicas, flutuando na internet.
welcome back, bitisa. back to the matrix.
ah, sim: quer perder o sono? faça como eu - leia sobre computadores quânticos tarde na noite na wikipedia. melhor que café ou pó. as sinapses se acumulam.
Edit: sam tem camisetas. boy, como eu admiro gente que faz. aproveite e olhe o site dela, que é bem bacana. quando eu crescer quero ter metade da organização dela.
bom ver as pessoas se falando aqui de novo. devem ser as férias acabando.
ontem fiquei seriamente perturbado por un instante, ajustando um relógio de parede para o horário de verão. no celular, o ajuste é praticamente uma operação mental. mas fazer os ponteiros de um relógio analógico andar para trás...hmmm...perturbador. superman syndrome.
gabi tem podcasts. ontem baixei e ouvi um podcast feliz, acho que o 7. muito bom. e o inglês de gabi não cessa de me surpreender. era a locutora de uma rádio californiana. às vezes eu acho que vivo demais em outro país, mas gabi já está lá mesmo.
explicar a piada é dureza, uh, angie?
esse negócio da dorothy parker me fez pensar uma obviedade, mas enfim: poemas funcionam bem na internet, não? são breves. são do tamanho da atenção de um internauta médio. um livro de poemas é um novelo a ser desenrolado ao longo do tempo. acho que eles existem muito bem como coisinhas únicas, flutuando na internet.
welcome back, bitisa. back to the matrix.
ah, sim: quer perder o sono? faça como eu - leia sobre computadores quânticos tarde na noite na wikipedia. melhor que café ou pó. as sinapses se acumulam.
Edit: sam tem camisetas. boy, como eu admiro gente que faz. aproveite e olhe o site dela, que é bem bacana. quando eu crescer quero ter metade da organização dela.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
ahh, nada como uma dorothy parker para nos colocar em nosso devido lugar.
Bohemia
Authors and actors and artists and such Never know nothing, and never know much.
Sculptors and singers and those of their kidney Tell their affairs from Seattle to Sydney.
Playwrights and poets and such horses' necks Start off from anywhere, end up at sex.
Diarists, critics, and similar roe Never say nothing, and never say no.
People Who Do Things exceed my endurance; God, for a man that solicits insurance!
Bohemia
Authors and actors and artists and such Never know nothing, and never know much.
Sculptors and singers and those of their kidney Tell their affairs from Seattle to Sydney.
Playwrights and poets and such horses' necks Start off from anywhere, end up at sex.
Diarists, critics, and similar roe Never say nothing, and never say no.
People Who Do Things exceed my endurance; God, for a man that solicits insurance!
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
eu sei que, como seriado ou novela esse aqui anda meio tedioso, mas hey, a new season is coming! novos personagens! novo cenário! tudo novo, menos o protagonista, que não deve mudar muito. a partir do final de março, o seriado deve se chamar lost in rio. a habitual melancolia projetada contra um cenário tropical. balas perdidas! dificuldade de tradução! ou algo assim.
até o final de fevereiro atendemos ainda nesse endereço, depois viramos algo como o judeu errante. uns dias na casa da progenitora, uns dias vagando em porto alegre, uns dias se instalando no rio... boletins periódicos, eu suponho.
veio em boa hora, se vcs querem saber. meu exílio aqui foi bem sucedido, produzi muito, me reencontrei com um grupo grande de humanos... mas estava na hora de voltar a poduzir trabalho de qualidade na área gráfica. vou ser diretor de arte de uma editora iniciante, mas bem simpática por lá. vou ficar mais perto de alguns quadrinistas que conheço..enfim. vou tirar a poeira do cérebro. vai ser bom.
até o final de fevereiro atendemos ainda nesse endereço, depois viramos algo como o judeu errante. uns dias na casa da progenitora, uns dias vagando em porto alegre, uns dias se instalando no rio... boletins periódicos, eu suponho.
veio em boa hora, se vcs querem saber. meu exílio aqui foi bem sucedido, produzi muito, me reencontrei com um grupo grande de humanos... mas estava na hora de voltar a poduzir trabalho de qualidade na área gráfica. vou ser diretor de arte de uma editora iniciante, mas bem simpática por lá. vou ficar mais perto de alguns quadrinistas que conheço..enfim. vou tirar a poeira do cérebro. vai ser bom.
nesses tempos de internet, tudo é possível, inclusive apresentar duas pessoas virtualmente. duas pessoas que escrevem, publicam na internet e em breve em livros. são duas aves completamente diferentes em suas escritas, mas eu achava que as duas deviam se conhecer. então, phrann, meet angie. angie, meet phrann.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
um trecho que supostamente é de auden (não se sabe de nada nesses google days) reforça o que escrevi um tempo atrás sobre o ser escritor quando (e só quando) se escreve:
"Aos olhos dos outros, um homem é poeta se escreveu um bom poema. A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema. Um momento antes, era apenas um poeta em potencial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre."
"Aos olhos dos outros, um homem é poeta se escreveu um bom poema. A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema. Um momento antes, era apenas um poeta em potencial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre."
à esquerda, você tem jonathan Ive, inglês, designer da apple. desde o imac ele (e sua equipe) vem criando produtos maravilhosos: o ipod, o Icube, o Imini... todos com a mesma simplicidade absoluta de desenho, um atenção sensual à forma, ao mesmo tempo em absoluta conexão com a funcionalidade e, em última instância, objetos de desejo absolutos.
a microsoft, por outro lado não tem realmente nada a dizer nessa área. basicamente eles são uma empresa de software, que sofre de uma falta terminal de charme, do seu criador aos produtos. num esforço aflito, talvez movidos pelo desejo de ter um objeto, ao menos um cool para chamar de seu, eles chamam philippe starck, francês, enfant terrible do design e jogam uma quantidade obscena de dinheiro na direção dele. e o que ele faz? ele cria um mouse. lamentavelmente feio. sem nenhuma relação com qualquer outro produto da empresa.
obviamente isso diz bastante sobre cada uma delas.
a microsoft, por outro lado não tem realmente nada a dizer nessa área. basicamente eles são uma empresa de software, que sofre de uma falta terminal de charme, do seu criador aos produtos. num esforço aflito, talvez movidos pelo desejo de ter um objeto, ao menos um cool para chamar de seu, eles chamam philippe starck, francês, enfant terrible do design e jogam uma quantidade obscena de dinheiro na direção dele. e o que ele faz? ele cria um mouse. lamentavelmente feio. sem nenhuma relação com qualquer outro produto da empresa.
obviamente isso diz bastante sobre cada uma delas.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
concurso de ilustração da folha. animado com a idéia. no final de semana me sento para escolher os desenhos. impressionante: nessas horas eu remexo caixas e caixas e não consigo achar meia dúzia de desenhos decentes para mandar. entre centenas de desenhos.
tem aquela frase do dave sim, que dizia que devíamos ficar em algum lugar entre ser nosso maior fã e nosso pior crítico. vocês sabem exatamente onde me situo, hã? o inimigo está no espelho.
mas enfim. mandei. pelo menos tem a alegria de saber que o laerte é um dos jurados e vai estar olhando para seu trabalho.
tem aquela frase do dave sim, que dizia que devíamos ficar em algum lugar entre ser nosso maior fã e nosso pior crítico. vocês sabem exatamente onde me situo, hã? o inimigo está no espelho.
mas enfim. mandei. pelo menos tem a alegria de saber que o laerte é um dos jurados e vai estar olhando para seu trabalho.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
eu tenho uma admiração irracional por steve jobs. nasi, grande localizador de coisas interessantes, aponta para um artigo que sugere que a disney, ao comprar a pixar, pode estar motivada do mesmo sentimento. ou pelo menos da visão de que ter jobs no grupo é smart business.
encontrei essa palestra dele online que justifica um pouco minha admiração.
Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do.
não é uma declaração brutalmente original, mas é o tipo de coisa de que precisamos nos lembrar com frequência. aliás, podia estar estampado em letras enormes na parede de cada escritório, fábrica, atelier...
encontrei essa palestra dele online que justifica um pouco minha admiração.
Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do.
não é uma declaração brutalmente original, mas é o tipo de coisa de que precisamos nos lembrar com frequência. aliás, podia estar estampado em letras enormes na parede de cada escritório, fábrica, atelier...
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
random quote of the day:
bored to tears at work, basically. so, the blog is no good. but wait, what thinking people have to say today?
anything simple enough to be understandable will not be complicated enough to behave intelligently, while anything complicated enough to behave intelligently will not be simple enough to understand.
George Dyson
bored to tears at work, basically. so, the blog is no good. but wait, what thinking people have to say today?
anything simple enough to be understandable will not be complicated enough to behave intelligently, while anything complicated enough to behave intelligently will not be simple enough to understand.
George Dyson
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
do citado blog de rudy rucker:
This week?s pictures are from the hills of Los Gatos and the Wilder Ranch beaches in Santa Cruz. The connection with my texts is oblique, aleatory, surreal. The meaning-seeking human brain can connect anything to anything. Proof: Every time you watch TV with the sound off, and with a CD playing music, there is a perfect fit between image and audio tracks. Even if you?re straight.
This week?s pictures are from the hills of Los Gatos and the Wilder Ranch beaches in Santa Cruz. The connection with my texts is oblique, aleatory, surreal. The meaning-seeking human brain can connect anything to anything. Proof: Every time you watch TV with the sound off, and with a CD playing music, there is a perfect fit between image and audio tracks. Even if you?re straight.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
segunda-feira, janeiro 30, 2006
link, link, links. é um mundo maravilhoso. lendo o sempre interessante blog de erico, um comentário de aninha me fez ir atrás e descobrir qual seria esse novo filme do grande michel gondry. que será sobre um livro de rudy recker, que ganhou minha admiração instantânea. uma dessas mentes poderosas e livres que encantam. um escritor que queria ser filósofo, virou matemático, cientista, escritor e porque não, filósofo. os livros parecem maravilhosos e entraram na minha lista de um-dia-encontrar. você pode ler trechos online ou acompanhar seu blog, que me pareceu uma forma diária de provocação intelectual. com delícia. e se uma cachoeira fosse um processador natural, cheia de RAM e precisando só de um operador? a
maneira como esses conceitos maravilhosos estão espalhados ao longo das experiências cotidianas dele é uma coisa linda. esquiando, andando pela cidade ou tomando café, ele está pensando, conectando, provocando, perturbando. jogando pedrinhas no lago no nosso cérebro. very good. que acorde o monstro do lago.
edit: afinal, o que é ciência, uh? quando eu era jovem, jamais pensei que fosse me interessar por ciência. ciência era o inimigo, a matemática, a física, as exatas. hoje vejo que eu simplesmente tinha professores ruins. que a ciência pode ser e é imaginativa, criativa, filosófica, especulativa... e que de exato tem muito pouco. embora o trabalho formiga de operadores que testam hipóteses, fazem e refazem experimentos, comparam resultados ainda exista, claro, o que me encanta é o trabalho dos visionários, provocadores, as cigarras da ciência. o pouco, pouquíssimo que consigo alcançar me tira o sono, me enche de idéias, aumenta meu encanto com o mundo. afinal, foi quase ontem que entendi a entropia e agora forço meus neurônios a tentar entender a quarta dimensão. culpa de um visionário dos anos 40, robert heinlein, que tem um conto sobre um arquiteto que faz uma casa como um tesseract. enfim. me aguente, cérebro meu.
maneira como esses conceitos maravilhosos estão espalhados ao longo das experiências cotidianas dele é uma coisa linda. esquiando, andando pela cidade ou tomando café, ele está pensando, conectando, provocando, perturbando. jogando pedrinhas no lago no nosso cérebro. very good. que acorde o monstro do lago.
edit: afinal, o que é ciência, uh? quando eu era jovem, jamais pensei que fosse me interessar por ciência. ciência era o inimigo, a matemática, a física, as exatas. hoje vejo que eu simplesmente tinha professores ruins. que a ciência pode ser e é imaginativa, criativa, filosófica, especulativa... e que de exato tem muito pouco. embora o trabalho formiga de operadores que testam hipóteses, fazem e refazem experimentos, comparam resultados ainda exista, claro, o que me encanta é o trabalho dos visionários, provocadores, as cigarras da ciência. o pouco, pouquíssimo que consigo alcançar me tira o sono, me enche de idéias, aumenta meu encanto com o mundo. afinal, foi quase ontem que entendi a entropia e agora forço meus neurônios a tentar entender a quarta dimensão. culpa de um visionário dos anos 40, robert heinlein, que tem um conto sobre um arquiteto que faz uma casa como um tesseract. enfim. me aguente, cérebro meu.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
so, seriously, what I have I done with my free time? not much, I´ve gotta say.
a experiência já devia ter me ensinado, mas esses grande blocos de tempo subitamente disponiveis não são o melhor momento para deslanchar seu trabalho. acostumado a vender seu tempo por dinheiro há tantos anos, você se sente desorientado e desmotivado. basicamente eu li muitíssimo, tomei muitos banhos de banheira e vi uma quantidade obscena de filmes ruins.
ruim, claro, é incrivelmente relativo. os que achei bons podem parecer lixo cultural para outros. por exemplo b13 ou distrito13, o tipo de coisa que deve passar despercebido na locadora para o apreciador de filmes cabeça. a premissa: no futuro próximo, a situação nos subúrbios franceses é tão ruim que a frança cria um muro para separá-los da paris dos turistas. o filme tem num canto a discreta assinatura de luc besson como produtor, o que foi mais que suficiente pra mim. e que alegrias, folks. david belle estréia aqui e as coisas que ele faz.... ele vem a ser o criador do parkour, uma arte/esporte que é uma forma radical de uso do espaço, de deslocamento e de alegria para os olhos. algo como o que o demolidor fazia nos quadrinhos. meus olhos infantis riam sozinhos vendo david pulando, correndo e fazendo coisas maravilhosamente impossíveis.
na mesma categoria, vi ong bak, outra estréia, dessa vez do tailandês tony jaa, mais um aspirante ao cargo de bruce lee. apesar da feiúra inerente do muay thai, tony faz coisas muito ricas no espaço. e não embaraça nunca como ator. e o filme tem uma graça, uma autencidade local muito gratificante. tanto que escolhi tirar as legendas e ver o filme todo em tailandês. e entendi tudo. :)
como você vê, consumo cultural incrivelmente elevado. as usual.
a experiência já devia ter me ensinado, mas esses grande blocos de tempo subitamente disponiveis não são o melhor momento para deslanchar seu trabalho. acostumado a vender seu tempo por dinheiro há tantos anos, você se sente desorientado e desmotivado. basicamente eu li muitíssimo, tomei muitos banhos de banheira e vi uma quantidade obscena de filmes ruins.
ruim, claro, é incrivelmente relativo. os que achei bons podem parecer lixo cultural para outros. por exemplo b13 ou distrito13, o tipo de coisa que deve passar despercebido na locadora para o apreciador de filmes cabeça. a premissa: no futuro próximo, a situação nos subúrbios franceses é tão ruim que a frança cria um muro para separá-los da paris dos turistas. o filme tem num canto a discreta assinatura de luc besson como produtor, o que foi mais que suficiente pra mim. e que alegrias, folks. david belle estréia aqui e as coisas que ele faz.... ele vem a ser o criador do parkour, uma arte/esporte que é uma forma radical de uso do espaço, de deslocamento e de alegria para os olhos. algo como o que o demolidor fazia nos quadrinhos. meus olhos infantis riam sozinhos vendo david pulando, correndo e fazendo coisas maravilhosamente impossíveis.
na mesma categoria, vi ong bak, outra estréia, dessa vez do tailandês tony jaa, mais um aspirante ao cargo de bruce lee. apesar da feiúra inerente do muay thai, tony faz coisas muito ricas no espaço. e não embaraça nunca como ator. e o filme tem uma graça, uma autencidade local muito gratificante. tanto que escolhi tirar as legendas e ver o filme todo em tailandês. e entendi tudo. :)
como você vê, consumo cultural incrivelmente elevado. as usual.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
sim, férias, people. continuam. e sem internet. hoje foi o primeiro dia em uma semana que entrei online, oh matrix, trinity dizendo: I´m in. and out. que fiz na primeira semana? vi uma quantidade obscena de filmes, bebi um tanto, comi um tanto, ...ahhn, sim, um tanto também. ah, sim, comprei livros. dois do philip k. dick, finalmente. e mais uns 4 ou 5. estamos dando conta deles. mas a partir de hoje, o plano é trabalhar. veremos. ok. operador, me tire daqui agora. out of the matrix again. zzzzzzp.
sexta-feira, dezembro 30, 2005
segunda-feira, dezembro 26, 2005
meu pequeno deslocamento geográfico foi muito bem sucedido. escapei quase ileso do papai noel. temperei e assei o peru eu mesmo. peguei sol. comi pastel de camarão na avenida do cassino. comi um pudim de sorvete que era uma coisa de outro mundo. e ontem vi bad santa, filme absolutamente hilário, com um billy bob thorton como o papai noel mais sujo, perverso e bêbado que se possa imaginar. a cena inicial, de papai noel vomitando num beco escuro é o cartão postal que mandaria para os amigos. :)
sexta-feira, dezembro 23, 2005
no inferno é natal todos os dias. é um fato. todas as músicas são natalinas, você está eternamente preso no centro da cidade comprando presentes, a televisão só passa mensagens natalinas e especiais do roberto carlos e você nunca chega a comer o peru. o inferno dá reset antes disso. ah, e pra beber, só cidra de maçã. quente.
já eu vou fugir. eu costumava simplesmente me esconder em casa e fingir que não era comigo, mas edições anteriores do suplício me mostraram que é impossível não ouvir seus vizinhos, as músicas depressivas, a falsa alegria... então vou para uma locação não-divulgada, próxima da natureza, onde papai noel não deve chegar. espero.
sorte pra todos.
já eu vou fugir. eu costumava simplesmente me esconder em casa e fingir que não era comigo, mas edições anteriores do suplício me mostraram que é impossível não ouvir seus vizinhos, as músicas depressivas, a falsa alegria... então vou para uma locação não-divulgada, próxima da natureza, onde papai noel não deve chegar. espero.
sorte pra todos.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
misery loves company
momus descreve seu processo de criação e boy, does it sounds familiar.
"Some days I think what I've done so far is utterly wonderful, other days I think it's rubbish. The usual pattern is for me to be completely in love with a track when I've just finished it, then, next day, to hang it beside something off David Sylvian's "Blemish" or Sufjan Stevens' "Illinois", and think how utterly crappy, trite, small and weak my work sounds. So I work on it some more, taking it somewhere more interesting, more strange, more otherworldly. Then I start a new song, determined to make the most wonderful piece of music ever, and the cycle starts all over again. Joy and despair in an endless loop."
momus descreve seu processo de criação e boy, does it sounds familiar.
"Some days I think what I've done so far is utterly wonderful, other days I think it's rubbish. The usual pattern is for me to be completely in love with a track when I've just finished it, then, next day, to hang it beside something off David Sylvian's "Blemish" or Sufjan Stevens' "Illinois", and think how utterly crappy, trite, small and weak my work sounds. So I work on it some more, taking it somewhere more interesting, more strange, more otherworldly. Then I start a new song, determined to make the most wonderful piece of music ever, and the cycle starts all over again. Joy and despair in an endless loop."
segunda-feira, dezembro 19, 2005
johnny halliday, velho roqueiro francês, ator por esses dias, é o ladrão com olhos de serpente que chega em uma minúscula cidade para roubar o banco. ele conhece o adorável jean rochefort, (de o marido da cabelereira), que vive uma vida pacata de professor de poeia aposentado. o encontro deles é todo feito de silêncios, gentilezas e afinidades inesperadas. man on train é um filme pequeno e enorme, imensamente charmoso, que pode aquecer um domingo. muy rico.
estamos criando um grupo de desenhistas, para amenizar o aspecto "atividade solitária" da coisa. a primeira reunião foi, digamos, uma reunião dançante, promovida por samantha. foi divertido e desenhei muito. pedacinhos aqui.
sexta-feira, dezembro 16, 2005
segunda-feira, dezembro 12, 2005
sexta-feira, dezembro 09, 2005
meu novo clip favorito de meu novo artista favorito foi filmado em vídeo, em pleno trailer park, ao custo de provavelmente zero libras. darren hayman já nasceu clássico para mim. com sua cara de cachorro de rua, seu miniviolão, a voz no limite de estar desafinada e as letras geniais, he´s the man. my favorite loser. e você pode ver sua cara feia e ouvi-lo.
caravan´s song. the definite trailer park song. vídeo em mpg. coisa de 20MEG. "Trevor drinks when he cans/ in the wednesdays with his mom / free nights of bingo/ and she says: son you´ve should be getting laid instead of playing bingo with me."
crissy m. faz o vídeo anterior parecer uma superprodução. darren e seu cachorro, cantando sobre uma porn star. "a sticky tummy doesn´t seem so funny/.."
caravan´s song. the definite trailer park song. vídeo em mpg. coisa de 20MEG. "Trevor drinks when he cans/ in the wednesdays with his mom / free nights of bingo/ and she says: son you´ve should be getting laid instead of playing bingo with me."
crissy m. faz o vídeo anterior parecer uma superprodução. darren e seu cachorro, cantando sobre uma porn star. "a sticky tummy doesn´t seem so funny/.."
quinta-feira, dezembro 08, 2005
como ando com pouco assunto, tem sido interessante usar os posts para comentar os comments. respondendo a augusto, minha defesa do amado não era exatemente uma ode a ele como escritor, mas uma resposta à, digamos, leviandade de fran e w,, chamando um escritor incrivelmente prolífico de preguiçoso. pra mim faz parte de um preconceito cultural muito comum contra o norte do país em geral, muito encontrado em são paulo e aqui no sul.
sobre o jorge amado: na minha fase adolescente onívoro, li tudo dele. não exatamente por devoção, mas porque meu pai gostava muito de "obras completas". ele comprava, eu lia. assim li as obras completas do garcia marquez, da agatha christie e do jorge amado, entre outros, sem fazer juízos de valor na época. se tivesse letrinhas, tava bom pra mim. lembro de ler sidney sheldon e sartre, truman capote e emilio salgari... foi uma formação pra lá de eclética.
obviamente eu não prestava muita atenção em estilo na época. e lembro bem sim, de me entusiasmar com as putarias do jorge amado, assim como henry miller, que, nessas primeiras leituras era uma espécie de forum da ele&ela pra mim.
eu teria que reler o tio jorge pra ver o que acho hoje, mas na minha lembrança ele era um escritor mais colorido e mais saboroso que nosso érico, que sempre achei meio insosso. sem sal, frio, acadêmico. jorge tinha as cores da bahia, os temperos, as malícias, o falar do povo. não é guimarães rosa, mas acho que ainda hoje gostaria. a ver.
sobre o jorge amado: na minha fase adolescente onívoro, li tudo dele. não exatamente por devoção, mas porque meu pai gostava muito de "obras completas". ele comprava, eu lia. assim li as obras completas do garcia marquez, da agatha christie e do jorge amado, entre outros, sem fazer juízos de valor na época. se tivesse letrinhas, tava bom pra mim. lembro de ler sidney sheldon e sartre, truman capote e emilio salgari... foi uma formação pra lá de eclética.
obviamente eu não prestava muita atenção em estilo na época. e lembro bem sim, de me entusiasmar com as putarias do jorge amado, assim como henry miller, que, nessas primeiras leituras era uma espécie de forum da ele&ela pra mim.
eu teria que reler o tio jorge pra ver o que acho hoje, mas na minha lembrança ele era um escritor mais colorido e mais saboroso que nosso érico, que sempre achei meio insosso. sem sal, frio, acadêmico. jorge tinha as cores da bahia, os temperos, as malícias, o falar do povo. não é guimarães rosa, mas acho que ainda hoje gostaria. a ver.
quarta-feira, dezembro 07, 2005
dia meio cheio aqui, então tenho que ser rápido, mas fran e wilbur: francamente. já pra sala da diretora!
chamar jorge amado de preguiçoso é recorrer ao clichê do baiano de forma completamente...preguiçosa. embora hoje em dia eu não tenha um amor muito grande pela obra do tio jorge, o homem publicou quase quarenta romances. e que não foram cuspidos na máquina. há um motif, uma linguagem e um retrato muito rico do brasil ou pelo menos de uma parte dele. e o que ele advoga é exatamente o contrário da preguiça, ou seja: que fulano não sente sobre os louros de um livro escrito, mas que se prove escritor. trabalhando. muito. como é que isso pode ser preguiçoso e irresponsável?
chamar jorge amado de preguiçoso é recorrer ao clichê do baiano de forma completamente...preguiçosa. embora hoje em dia eu não tenha um amor muito grande pela obra do tio jorge, o homem publicou quase quarenta romances. e que não foram cuspidos na máquina. há um motif, uma linguagem e um retrato muito rico do brasil ou pelo menos de uma parte dele. e o que ele advoga é exatamente o contrário da preguiça, ou seja: que fulano não sente sobre os louros de um livro escrito, mas que se prove escritor. trabalhando. muito. como é que isso pode ser preguiçoso e irresponsável?
terça-feira, dezembro 06, 2005
quando surgiu há algum tempo no brasil a idéia de regulamentar a profissão de escritor, jorge amado, um dos nossos escritores mais prolíficos, foi contra: ninguém é escritor todo o tempo. só é escritor quando escreve.
é uma visão incrivelmente severa e, com minha vocação ao chicote nas costas, concordo. então por esses dias não tenho sido um quadrinista. mas coisas estão cozinhando no fogo lento e escondido. há uma vontade. e como diz o psicopata de sexy beast, where there´s a will, there´s a way.
é uma visão incrivelmente severa e, com minha vocação ao chicote nas costas, concordo. então por esses dias não tenho sido um quadrinista. mas coisas estão cozinhando no fogo lento e escondido. há uma vontade. e como diz o psicopata de sexy beast, where there´s a will, there´s a way.
sexta-feira, dezembro 02, 2005
não é exatamente o link mais trepidante, mas se o leitor incansável quiser gastar 15 segundos olhando para uma imagem interessante, a grande alex de campi está escrevendo uma série que vai sair pelos humanóides associados, com um artista muito talentoso que está colocando todo tipo de citação visual no trabalho. ali pelo segundo post do blog dela você vai ver um esboço absurdo de Luigi di Giammarino que é um mix de referências visuais absurdas. wilbur deve apreciar a cena de multidão e talvez augusto e dani se divirtam vendo dali entre outros ali. num primeiro olhar vi magritte, vermeer, renoir e talvez um bosch. uma espécie de onde está wally mais fino.
e sobre a magreza de posts no blog, vocês adivinharam: a vida se pôs interessante de novo.
e sobre a magreza de posts no blog, vocês adivinharam: a vida se pôs interessante de novo.
segunda-feira, novembro 28, 2005
fernando pessoa dizia que se deve escrever o poema a frio, longe da emoção, nunca dentro dela. hoje me ocorreu pensar que a crítica de cinema devia ter o mesmo aproach. ou dizendo de outra forma: escrever sobre os filmes que ficam.
com mais ou menos noventa por cento dos filmes, ao cruzar a porta do cinema eles já estão metade esquecidos e até o fim da pizza o que fica é uma sensação agradável e vaga, de ter andado na montanha russa ou no trem fantasma. como um sonho, que se esfarrapa ao acordar. aliás, sonho é uma das metáforas mais recorrentes para o cinema. e assim como filmes, poucos sonhos ficam.
já faz mais de uma semana que assisti sexy beast e o filme continua me fazendo companhia. as cenas se refazem e há o desejo de voltar a habitar aquele espaço, o que é outra característica de um grande filme: um grande filme é um lugar, com suas regras próprias, um ambiente, um clima, uma espaço nque pode ser revisitado.
gal é um gangster inglês retirado dos negócios, vivendo na na ensolarada espanha com sua amada deedee quando a merda atinge o ventilador. business calls e o homem que traz a mensagem é business em pessoa. ben kingsley é o chefe que vem buscá-lo para um trabalho e não aceita um não como resposta. nunca um psicopata foi tão odioso, nunca tanta ameaça esteve contida em tãos poucos gestos, na simples presença de um ser. don, o personagem de ben kingsley tem a capacidade de estragar o dia, a semana, o mês, com sua simples presença. ele é o mal personificado ou talvez simplesmenten a encarnação do ódio.
esse foi o primeiro filme de jonathan glazer, que depois fez o criticado reencarnação, com nicole kidman, que agora quero muito ver. a técnica e a visão dele são muito impressionantes. e o filme é um mundo muito bruto, vivo e quente, que você quer voltar e experimentar de novo. um diamante cheio de arestas com uma história de amor escondida nele, em meio a um festival de ódio.
com mais ou menos noventa por cento dos filmes, ao cruzar a porta do cinema eles já estão metade esquecidos e até o fim da pizza o que fica é uma sensação agradável e vaga, de ter andado na montanha russa ou no trem fantasma. como um sonho, que se esfarrapa ao acordar. aliás, sonho é uma das metáforas mais recorrentes para o cinema. e assim como filmes, poucos sonhos ficam.
já faz mais de uma semana que assisti sexy beast e o filme continua me fazendo companhia. as cenas se refazem e há o desejo de voltar a habitar aquele espaço, o que é outra característica de um grande filme: um grande filme é um lugar, com suas regras próprias, um ambiente, um clima, uma espaço nque pode ser revisitado.
gal é um gangster inglês retirado dos negócios, vivendo na na ensolarada espanha com sua amada deedee quando a merda atinge o ventilador. business calls e o homem que traz a mensagem é business em pessoa. ben kingsley é o chefe que vem buscá-lo para um trabalho e não aceita um não como resposta. nunca um psicopata foi tão odioso, nunca tanta ameaça esteve contida em tãos poucos gestos, na simples presença de um ser. don, o personagem de ben kingsley tem a capacidade de estragar o dia, a semana, o mês, com sua simples presença. ele é o mal personificado ou talvez simplesmenten a encarnação do ódio.
esse foi o primeiro filme de jonathan glazer, que depois fez o criticado reencarnação, com nicole kidman, que agora quero muito ver. a técnica e a visão dele são muito impressionantes. e o filme é um mundo muito bruto, vivo e quente, que você quer voltar e experimentar de novo. um diamante cheio de arestas com uma história de amor escondida nele, em meio a um festival de ódio.
sexta-feira, novembro 25, 2005
como é que hollywood não ia comprar essa história? jovem, educada, filha de atores, bela o suficiente para ter trabalhado como modelo, domino escolhe como profissão ser bounty hunter. sim, caçadora de recompensas. com um rifle serrado como arma de escolha. e uma coleção de facas no quarto.
domino harvey morreu meses atrás, de overdose, pouco antes da estréia do filme de tony scott. um final hollywoodiano para uma vida idem.
domino harvey morreu meses atrás, de overdose, pouco antes da estréia do filme de tony scott. um final hollywoodiano para uma vida idem.
quinta-feira, novembro 24, 2005
estava achando curioso ninguém comentar a história. felizmente bitisa se deu ao trabalho e sem nenhum constrangimento de não gostar. é o tipo de coisa que prefito mil vezes a um "bacana" genérico. ela disse coisas como "O fato é que eu não vi ali nada de infância. Nem no texto (obviamente, aí), mas nem no desenho. As crianças não têm nada de criança, têm cara de velhos com roupitchas e brinqueditchos de crianças. A não ser que o teu propósito fosse dizer que a infância não existe... mas acontece que existe. E se não era esse propósito, era algum outro? E se não era nenhum, não faz sentido. Pra mim não fez sentido ver aqueles velhinhos brincando de carrinho vestidos de criancinhas discutindo existencialismo."
obviamente crianças não discutem camus, era uma gag, mas talvez o mais curioso pra mim foi ela achar que eles nem se parecem com crianças. engraçado como essas coisas não estão claras pra gente.
mas a verdade é que nunca desenho crianças. e talvez não tenha mesmo uma representação visual para elas. e meu universo em geral é sempre adulto. aliás, uma coisa que me enche de horror é um adulto se comportando como criança.
vou pensar a respeito.
________________________________________________
EDIT
como já expliquei, meu sistema de comentários deixa todo mundo comentar, menos eu.
na verdade, teoricamente os meninos tem razão. mas augusto entendeu o espírito da coisa. boys will always be boys. :)
obviamente crianças não discutem camus, era uma gag, mas talvez o mais curioso pra mim foi ela achar que eles nem se parecem com crianças. engraçado como essas coisas não estão claras pra gente.
mas a verdade é que nunca desenho crianças. e talvez não tenha mesmo uma representação visual para elas. e meu universo em geral é sempre adulto. aliás, uma coisa que me enche de horror é um adulto se comportando como criança.
vou pensar a respeito.
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EDIT
como já expliquei, meu sistema de comentários deixa todo mundo comentar, menos eu.
na verdade, teoricamente os meninos tem razão. mas augusto entendeu o espírito da coisa. boys will always be boys. :)
terça-feira, novembro 22, 2005
o próximo número dessa revista de minas gerais é sobre a infância. como você faz uma história sobre infância se você não lembra a sua? não sei ainda. mas ontem saiu uma espécie de aquecimento, uma gag, um agrado pro leitores que só tem me ouvido resmungar. aqui. kids.
e, fran: não sei. mas eu desconfio desses que acham tudo muito fácil. quase todo mundo que faz alguma coisa que vale a pena se chicoteia. tirando carlinhos brown, que faz música até dormindo, o resto de nós tem que ralar mesmo.
e, fran: não sei. mas eu desconfio desses que acham tudo muito fácil. quase todo mundo que faz alguma coisa que vale a pena se chicoteia. tirando carlinhos brown, que faz música até dormindo, o resto de nós tem que ralar mesmo.
segunda-feira, novembro 21, 2005
eu já falei que tenho às vezes a ilusão infantil de que minha vida seria mais fácil se eu simplesmente escrevesse. o que obviamente é ridículo, porque, em vez de me atormentar com meu desenho, eu me atormentaria com minha escrita.
mas, como já disse antes, a portabilidade da escrita me encanta. o desenho tem um... cenário que é mais duro de conjurar. com a escrita, só sua mente tem que estar afiada. com o desenho, os lápis tem que estar afiados, sua mão, firme e relaxada ao mesmo tempo e uma espécie de visão gráfica tem que estar instalada. essa visão é difícil de explicar para quem não desenha, mas é uma capacidade ou disposição de enxergar o que você vai desenhar, antes de. uma gestalt no papel, uma visão de conjunto e de detalhe. sem falar que os papéis se acumulam, a tinta vira, os lápis quebram... como diz dave sim, você tem que ser seu roadie, seu contraregra todo o tempo. sem perder esse estado puro de visão. não é fácil.
o desejo de escrever se intensifica quando leio alguém como alex de campi, que escreve co uma elegância absurda, uma cor, um tom únicos.
talvez também porque vi swimming pool esse final de semana, um filme que além de ter a beleza de ruína grega de charlotte rampling e os peitos hipnóticos de ludmille savigner, tem todo o mistério e agraça da escrita. belo, belo filme.
e nesse meio tempo, tudo que escrevo são explicações de porque não desenho. lindo, uh?
__________________________________________
edit: vou responder os comentários por aqui, já que o sistema de comments não me ama mais.
estou frequentando esse blog de quadrinistas em crise, que é uma espécie de Procastinadores Anônimos. :) aúltima coisa que ouvi de interessante ali foi a de um cara que se determinou 15 minutos obrigatórios de produção todo dia, chova pedra ou cachorros. claro, 15 minutos é ridículo, mas a idéia de se obrigar todo dia a estar ali faz sentido pra mim. lembro que funcionava bem quando eu tinha o improvisation society. vou tentar algo nesse sentido.
mas, como já disse antes, a portabilidade da escrita me encanta. o desenho tem um... cenário que é mais duro de conjurar. com a escrita, só sua mente tem que estar afiada. com o desenho, os lápis tem que estar afiados, sua mão, firme e relaxada ao mesmo tempo e uma espécie de visão gráfica tem que estar instalada. essa visão é difícil de explicar para quem não desenha, mas é uma capacidade ou disposição de enxergar o que você vai desenhar, antes de. uma gestalt no papel, uma visão de conjunto e de detalhe. sem falar que os papéis se acumulam, a tinta vira, os lápis quebram... como diz dave sim, você tem que ser seu roadie, seu contraregra todo o tempo. sem perder esse estado puro de visão. não é fácil.
o desejo de escrever se intensifica quando leio alguém como alex de campi, que escreve co uma elegância absurda, uma cor, um tom únicos.
talvez também porque vi swimming pool esse final de semana, um filme que além de ter a beleza de ruína grega de charlotte rampling e os peitos hipnóticos de ludmille savigner, tem todo o mistério e agraça da escrita. belo, belo filme.
e nesse meio tempo, tudo que escrevo são explicações de porque não desenho. lindo, uh?
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edit: vou responder os comentários por aqui, já que o sistema de comments não me ama mais.
estou frequentando esse blog de quadrinistas em crise, que é uma espécie de Procastinadores Anônimos. :) aúltima coisa que ouvi de interessante ali foi a de um cara que se determinou 15 minutos obrigatórios de produção todo dia, chova pedra ou cachorros. claro, 15 minutos é ridículo, mas a idéia de se obrigar todo dia a estar ali faz sentido pra mim. lembro que funcionava bem quando eu tinha o improvisation society. vou tentar algo nesse sentido.
sexta-feira, novembro 18, 2005
respondendo mais em detalhe o comentário de jorge no post abaixo: não sei, não sei, não sei. acho muito bem quando kochalka escreve craft is the enemy, mas mesmo que wilbur por exemplo ache que kochalka não desenhe nada, eu acho que é um trabalho completamente resolvido. esse é um cara usando plenamente os recursos que tem. em nenhum momento você tem a impressão de que ele está tentando algo e falhando. talvez eu não tenha chegado a essa síntese. isso não é em absoluto uma chamada por elogios. sei que desenho melhor do que alguns e pior do que outros e sempre vão existir os dois, mas. algo falha ali. há uma tentativa e uma falha. ou pelo menos é o que vejo.
existe toda uma estética, claro, ou um discurso da beleza da imperfeição, de abraçar o erro. são questões. preciso pensar sobre elas, preciso arrancar mais meus cabelos sobre a mesa de desenho.
existe toda uma estética, claro, ou um discurso da beleza da imperfeição, de abraçar o erro. são questões. preciso pensar sobre elas, preciso arrancar mais meus cabelos sobre a mesa de desenho.
quinta-feira, novembro 17, 2005
como é aquela sequência? o álcool leva ao sexo, que leva ao casamento, que leva ao álcool? no momento estou naquela transição entre o sexo e o casamento. e é um bom momento. não para os donos de bar, que sentem minha falta na caixa registradora. mas meu fígado agradece.
____________________________________
meu sistema de comentários é incrivelmente caprichoso. some, volta... agora todo mundo consegue comentar, menos eu. então, não é antipatia se não tenho participado dos debates, folks.
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se ver publicado é tremendamente importante em termos de enxergar seu trabalho. essa semana chegou uma outra revista em que publiquei, a grafitti, de minas gerais. o que ela tem de diferente com relação as outras que me acolheram é o formato. ela não é nem mini como a mosh, nem formato americano, mas é o tamanho de uma revista de banca, aqueles 21 X 29 ou algo assim. resultado: achei meu trabalho incrivelmente grosseiro. crise intensa. me senti um elefante na fabular loja de cristais. man. quando você acha que está moderadamente satisfeitto com seu trabalho...
vou lá rever tudo e já volto.
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meu sistema de comentários é incrivelmente caprichoso. some, volta... agora todo mundo consegue comentar, menos eu. então, não é antipatia se não tenho participado dos debates, folks.
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se ver publicado é tremendamente importante em termos de enxergar seu trabalho. essa semana chegou uma outra revista em que publiquei, a grafitti, de minas gerais. o que ela tem de diferente com relação as outras que me acolheram é o formato. ela não é nem mini como a mosh, nem formato americano, mas é o tamanho de uma revista de banca, aqueles 21 X 29 ou algo assim. resultado: achei meu trabalho incrivelmente grosseiro. crise intensa. me senti um elefante na fabular loja de cristais. man. quando você acha que está moderadamente satisfeitto com seu trabalho...
vou lá rever tudo e já volto.
quarta-feira, novembro 16, 2005
com a chegada abrupta de algo que se parece com o verão, não consegui fazer mais ontem do que estender a mão até o drive de dvd e trocar o disco por outro disco. assim, animatrix, o apanhador de sonhos e um filme genérico com denzel washington estão um tanto misturados no meu cérebro. mas deu pra perceber, mesmo no torpor do dia, que o apanhador de sonhos é muito, muito ruim. de maneira geral, filmes que envolvem gosmas do espaço não me interessam muito.
o livro de mesmo nome, de stephen king é, como quase todo o trabalho dele, muito subestimado e muito bom. ainda que se perca no final. o que é um problema de boa parte do trabalho dele. ele começa em pequena escala, cria personagens adoráveis, cria um clima e aí decide: now we need something BIG. a monster. no, BIGGER. 10 monsters. no, BIGGGGER. hmmm...
por isso meus favoritos são os livros dele em que ele reduz a escala. como carrie ou o iluminado ou as quatro histórias de diferent seasons.
nunca li ele traduzido e imagino que algo se perca, porque uma das coisas que ele tem é um ouvido maravilhoso para a língua, uma fluência incrível, uma capacidade de escrever livros que se lêem praticamente sozinhos sem utilizar truques velhos como a maior parte dos bestsellers. os personagens são ricos em textura, engraçados e nada genéricos. não é alta literatura, mas é prosa popular de alta qualidade
aí você vê um imbecil como o dan brown, que não tem capacidade pra varrer o chão do estúdio de king, ganhar o mundo com uma escrita incrivelmente ordinária, com personagens tão bidimensionais que chegam a ser transparentes, com uma fórmula idêntica para cada livro... mas como fala de DaVinci, do Louvre... "ah, isso deve ser bom.".
o livro de mesmo nome, de stephen king é, como quase todo o trabalho dele, muito subestimado e muito bom. ainda que se perca no final. o que é um problema de boa parte do trabalho dele. ele começa em pequena escala, cria personagens adoráveis, cria um clima e aí decide: now we need something BIG. a monster. no, BIGGER. 10 monsters. no, BIGGGGER. hmmm...
por isso meus favoritos são os livros dele em que ele reduz a escala. como carrie ou o iluminado ou as quatro histórias de diferent seasons.
nunca li ele traduzido e imagino que algo se perca, porque uma das coisas que ele tem é um ouvido maravilhoso para a língua, uma fluência incrível, uma capacidade de escrever livros que se lêem praticamente sozinhos sem utilizar truques velhos como a maior parte dos bestsellers. os personagens são ricos em textura, engraçados e nada genéricos. não é alta literatura, mas é prosa popular de alta qualidade
aí você vê um imbecil como o dan brown, que não tem capacidade pra varrer o chão do estúdio de king, ganhar o mundo com uma escrita incrivelmente ordinária, com personagens tão bidimensionais que chegam a ser transparentes, com uma fórmula idêntica para cada livro... mas como fala de DaVinci, do Louvre... "ah, isso deve ser bom.".
sexta-feira, novembro 11, 2005
bah, babies.
honestamente, o apelo me escapa. eu sei, eu sei: o mantra paterno, a senha da sociedade secreta: "quando chegar sua vez..." ok. vamos esperar e ver. aliás, podem ficar esperando. :)
inesquecível aquele episódio de seinfeld em que eles debocham incansavelmente da obsessão parental: "you must come here and see the baby. GOTTA SEE THE BABY." hmmpfff.
agora, em menos de uma semana, dois amigos completamente insuspeitos se renderam à babymania: james e law vão ser pais. oh boy.
então em homenagem a eles, nada mais apropriado do que esse link: babyreview. hey, se você pode criticar livros, discos ou filmes, porque não babies?
pérolas: um critica as habilidades artísticas de um: To wit: Joshua?s "drawings" are abhorrent. Trite and precious, he lacks discipline, craft, or even, dare I say, talent. His brutish scrawling, uninspired sense of color, and crude, blunt strokes represent the very height of self-indulgence. Plainly, he sucks.
outro a perfomance em geral do baby: Occasionally, she attempts to impress with bits she obviously feels are interesting (but aren?t) ? and invariably fails. The grabbing the foot routine is so done, and to follow it up with the fist in the mouth gag is completely derivative of more entertaining babies.
honestamente, o apelo me escapa. eu sei, eu sei: o mantra paterno, a senha da sociedade secreta: "quando chegar sua vez..." ok. vamos esperar e ver. aliás, podem ficar esperando. :)
inesquecível aquele episódio de seinfeld em que eles debocham incansavelmente da obsessão parental: "you must come here and see the baby. GOTTA SEE THE BABY." hmmpfff.
agora, em menos de uma semana, dois amigos completamente insuspeitos se renderam à babymania: james e law vão ser pais. oh boy.
então em homenagem a eles, nada mais apropriado do que esse link: babyreview. hey, se você pode criticar livros, discos ou filmes, porque não babies?
pérolas: um critica as habilidades artísticas de um: To wit: Joshua?s "drawings" are abhorrent. Trite and precious, he lacks discipline, craft, or even, dare I say, talent. His brutish scrawling, uninspired sense of color, and crude, blunt strokes represent the very height of self-indulgence. Plainly, he sucks.
outro a perfomance em geral do baby: Occasionally, she attempts to impress with bits she obviously feels are interesting (but aren?t) ? and invariably fails. The grabbing the foot routine is so done, and to follow it up with the fist in the mouth gag is completely derivative of more entertaining babies.
Como é sexta-feira, algumas pérolas do Modern Drunkard Magazine.
YOU KNOW YOU´RE A DRUNKARD WHEN...
Interventions have become so frequent that you just leave the folding chairs set up in your living room.
You know how to say "Where are my pants" in seven languages.
TV beer ads have started addressing you by name.
You´re always shaking hands, even when theres no one else around.
Your wardrobe is divided into Summer, Winter andThings You Woke Up Wearing. The third category includes a number of thongs.
you freak out when you wake up in your own bed.
YOU KNOW YOU´RE A DRUNKARD WHEN...
Interventions have become so frequent that you just leave the folding chairs set up in your living room.
You know how to say "Where are my pants" in seven languages.
TV beer ads have started addressing you by name.
You´re always shaking hands, even when theres no one else around.
Your wardrobe is divided into Summer, Winter andThings You Woke Up Wearing. The third category includes a number of thongs.
you freak out when you wake up in your own bed.
quarta-feira, novembro 09, 2005
a melhor coisa do primeiro encontro é que ele acaba. e com sorte você vai para o segundo.
não vou dizer que tive o pior primeiro encontro (imagino que a competição seja dura), mas gostaria de concorrer na categoria melhor ligação do dia seguinte. na verdade, eu odeio telefone, mas quando estou inspirado, boy, I can be good. vocês ficariam orgulhosos, buddies.
verdade que em algum momento a ligação envolveu dizer "não sou o maníaco da praça" e "existem pessoas piores no mundo", mas uhnnn, fora de contexto não dá pra explicar muito.
não é uma surpresa pra ninguém que naquele teste "que diretor filmaria sua vida" o meu seja o woody allen, uh?
não vou dizer que tive o pior primeiro encontro (imagino que a competição seja dura), mas gostaria de concorrer na categoria melhor ligação do dia seguinte. na verdade, eu odeio telefone, mas quando estou inspirado, boy, I can be good. vocês ficariam orgulhosos, buddies.
verdade que em algum momento a ligação envolveu dizer "não sou o maníaco da praça" e "existem pessoas piores no mundo", mas uhnnn, fora de contexto não dá pra explicar muito.
não é uma surpresa pra ninguém que naquele teste "que diretor filmaria sua vida" o meu seja o woody allen, uh?
terça-feira, novembro 08, 2005
ah, os tempos modernos. ninguém tem mais tempo para ler um livro. imagine, todas aquelas palavras juntas, sem figurinhas... mas espere! seus problemas se acabaram-se! graças ao sensacional bookaminute você pode ler os clássicos em...um minuto. um trabalho de gênio. um exemplo: adeus às armas, de hemingway. hell, 20 segundos são o suficiente. talvez o meu favorito seja o hobbit, que na minha modesta opinião achou aqui sua melhor forma. mas divirta-se.
eu sempre digo: nada me surpreenderia mais do que qualquer medida de sucesso. mas em algum momento eu vou ter que me deixar publicar. as possibilidades estão literalmente me rondando. algum terror no fundo da alma me impede. já surgiram algumas possibilidades esse ano. mais uma agora. e a musa, que continua saindo na mosh, tem recebido críticas muito boas. tanto que ontem me animei e comecei o quarto capítulo. onde enfim algo de bom acontece na vida dela. :) não sem tempo.
que tal se eu deixasse acontecer na minha, uh?
que tal se eu deixasse acontecer na minha, uh?
segunda-feira, novembro 07, 2005
a love song for bobby long sugere alguns dos lugares para onde o amor pelos livros podem te levar. nesse caso, um canto escuro bukowskiano. os livros estão por toda parte no filme e há uma graça em identificá-los. me tocou ver nas mãos de scarlet johansson a mesma exata edição que tenho de the heart is a lonely hunter. além disso, você pode ver new orleans em toda sua graça decadente antes do apocalipse e uma atuação realmente inspirada de john travolta, fazendo um papel que não de john travolta. muito rico, amigos.
aparentemente o inferno tem sede rotativa. sábado,por exemplo, era uma festa anos 80 em um clube.
na minha cabeça ingênua, uma festa anos 80 poderia tocar smiths, the cure, echo and the bunnymen... não parecia mal. porto alegre tem uma assim, por exemplo, que é muito simpática. é o tipo de nostalgia que não me causa alergia.
mas ao entrar nos salões e ser recebido por uma massa de suor, perfume ruim e pessoas feias, velhas e gordas dançando menudo, o horror me paralisou. que gente era essa? em que versão dos anos 80 elas viveram? deus, elas pareciam tão felizes fazendo passos de twist (ou algo igualmente assustador), suando abundantemente, celebrando algum ideal satânico de diversão... o horror, o horror. as roupas eram tiradas de algum baile do interior profundo, as músicas eram uma versão perversa do hit parade de 30 anos atrás, os passos de dança...oh deus, permita-me esquecer aquilo. saí do clube em disparada ao som de rádiotaxi.
na minha cabeça ingênua, uma festa anos 80 poderia tocar smiths, the cure, echo and the bunnymen... não parecia mal. porto alegre tem uma assim, por exemplo, que é muito simpática. é o tipo de nostalgia que não me causa alergia.
mas ao entrar nos salões e ser recebido por uma massa de suor, perfume ruim e pessoas feias, velhas e gordas dançando menudo, o horror me paralisou. que gente era essa? em que versão dos anos 80 elas viveram? deus, elas pareciam tão felizes fazendo passos de twist (ou algo igualmente assustador), suando abundantemente, celebrando algum ideal satânico de diversão... o horror, o horror. as roupas eram tiradas de algum baile do interior profundo, as músicas eram uma versão perversa do hit parade de 30 anos atrás, os passos de dança...oh deus, permita-me esquecer aquilo. saí do clube em disparada ao som de rádiotaxi.
sexta-feira, novembro 04, 2005
deixa eu rever o que disse antes: talvez a ressaca desorganize o cérebro, mas é uma desordem interessante. encontrei uns pensamentos confusos se mexendo dentro da caixa craniana. ingênuos, mas curiosos. um desejo meio súbito de que a escrita servisse para outras coisas. não seria interessante uma pintura que falasse ou um blog que cantasse? não é mais escrita automática aqui. mais um desarranjo de idéias. uma colagem, mas suponho que haja algum sentido.
o que é a escrita? para que serve?
angélica me mandou esse link do guardian de um texto absolutamente sensacional, escrito para vender uma calça de couro no ebay. um texto perfeito, engraçado, cheio de insights. e que, de fato, vendeu a calça.
por algum desencontro de agendas, até hoje não vi a sociedade dos poetas mortos. e hoje li uma citação do filme, onde o professor pergunta no primeiro dia de aula: para que serve a linguagem? e responde: to woo women! alguém que conheço diz: os homens se apaixonam pelo que vêem, as mulheres pelo que ouvem. ou lêem, eu suponho. ainda que tenha dúvidas. em hitch, um filmeco delícia sobre um especialista em dating, ele diz das mulheres e de como elas percebem o que você diz: 60% é linguagem corporal, 30% é o tom em que é dito. você faz as contas e vê quanto sobra para o conteúdo.
uma coisa que me encanta na escrita (ver maravilhamento, posts atrás) é ser tão...portátil. não há uma arte mais modesta em recursos, me parece. um canto de mesa, um pedaço de papel, um lápis. um computador, um emprego com tempo livre. uma mente. no meu caso em particular, meus posts ou cartas se escrevem na minha cabeça sozinhos. quando sento com o teclado, tenho pelo menos o primeiro parágrafo. o resto vem.
me perguntam com frequência porque não largo esse negócio dos quadrinhos e simplesmente escrevo. eu também me pergunto, mas tenho algumas respostas. uma é aquela cruel do schultz: um cartunista é alguém que não escreve bem o suficiente para ser um escritor nem desenha bem o suficiente para ser um artista. obviamente no mundo em que vivemos essa definição envelheceu um pouco, mas ainda guarda uma verdade. além disso, há livros demais no mundo. demaaaais. além disso, tanto foi feito em literatura e tão pouco ainda em quadrinhos. além disso... tem alguém aí ainda? alô?
o que é a escrita? para que serve?
angélica me mandou esse link do guardian de um texto absolutamente sensacional, escrito para vender uma calça de couro no ebay. um texto perfeito, engraçado, cheio de insights. e que, de fato, vendeu a calça.
por algum desencontro de agendas, até hoje não vi a sociedade dos poetas mortos. e hoje li uma citação do filme, onde o professor pergunta no primeiro dia de aula: para que serve a linguagem? e responde: to woo women! alguém que conheço diz: os homens se apaixonam pelo que vêem, as mulheres pelo que ouvem. ou lêem, eu suponho. ainda que tenha dúvidas. em hitch, um filmeco delícia sobre um especialista em dating, ele diz das mulheres e de como elas percebem o que você diz: 60% é linguagem corporal, 30% é o tom em que é dito. você faz as contas e vê quanto sobra para o conteúdo.
uma coisa que me encanta na escrita (ver maravilhamento, posts atrás) é ser tão...portátil. não há uma arte mais modesta em recursos, me parece. um canto de mesa, um pedaço de papel, um lápis. um computador, um emprego com tempo livre. uma mente. no meu caso em particular, meus posts ou cartas se escrevem na minha cabeça sozinhos. quando sento com o teclado, tenho pelo menos o primeiro parágrafo. o resto vem.
me perguntam com frequência porque não largo esse negócio dos quadrinhos e simplesmente escrevo. eu também me pergunto, mas tenho algumas respostas. uma é aquela cruel do schultz: um cartunista é alguém que não escreve bem o suficiente para ser um escritor nem desenha bem o suficiente para ser um artista. obviamente no mundo em que vivemos essa definição envelheceu um pouco, mas ainda guarda uma verdade. além disso, há livros demais no mundo. demaaaais. além disso, tanto foi feito em literatura e tão pouco ainda em quadrinhos. além disso... tem alguém aí ainda? alô?
e que tal um petit surrealism para a sexta-feira? o cérebro não estando em plenas condições de uso, vous savez. só frases roubadas hoje, da rota diária dos blogs. um pouco de tesoura e cola, e voilà. automatismo.
I dressed up as a MySpace Whore for Halloween. Pero hay otra publicidad que me inquieta sobremanera. E teve um dia em que eu parei na frente do espelho e levei um susto tremendo. Oh look, I'm in France. Bonjour! uma vida mais mansa entre paredes descascadas, ruelas sem saida e sem nome, pernas e barcos como locomoção. coisa rara: não pára de chover. Gostei muito desse sapo francês.Of late I have mostly been crying in music-film screenings. are we wise, Daniel Browning? Or just a bit plumper and closer to our last sighs? Yes, I realise this is the most boring blog post ever. Deal with it.
I dressed up as a MySpace Whore for Halloween. Pero hay otra publicidad que me inquieta sobremanera. E teve um dia em que eu parei na frente do espelho e levei um susto tremendo. Oh look, I'm in France. Bonjour! uma vida mais mansa entre paredes descascadas, ruelas sem saida e sem nome, pernas e barcos como locomoção. coisa rara: não pára de chover. Gostei muito desse sapo francês.Of late I have mostly been crying in music-film screenings. are we wise, Daniel Browning? Or just a bit plumper and closer to our last sighs? Yes, I realise this is the most boring blog post ever. Deal with it.
quinta-feira, novembro 03, 2005
então gerard se aposenta. tem 170 filmes nas (largas) costas. fiquei sabendo disso hoje, o que é curioso, porque passei parte da tarde de ontem em sua companhia.
no que se trata de histórias de amor, obviamente ninguém bate os franceses. dia desses comentei 36, um filme francês policial sensacional. quando eles fazem filmes "de ação" os resultados são muito ricos, como os do grande besson, onde coisas explodem mas há sempre uma sutileza, uma delicadeza que os americanos não sonhariam.
mas esquecemos às vezes que eles podem ser engraçados. pois ontem monsieur depardieu e monsieur reno estavam em um pastelão sensacional. o título em português era confusão dupla, (ugh) e a capa não prometia muito, mas o filme é um sorvete. delícia pura. reno como um criminoso duro e frio e gerard como um idiota vagamente criminal, um simples de espírito que quer abrir um bistrô chamado Os Dois Amigos com esse estranho que acaba de conhecer. fun, fun, fun.
no que se trata de histórias de amor, obviamente ninguém bate os franceses. dia desses comentei 36, um filme francês policial sensacional. quando eles fazem filmes "de ação" os resultados são muito ricos, como os do grande besson, onde coisas explodem mas há sempre uma sutileza, uma delicadeza que os americanos não sonhariam.
mas esquecemos às vezes que eles podem ser engraçados. pois ontem monsieur depardieu e monsieur reno estavam em um pastelão sensacional. o título em português era confusão dupla, (ugh) e a capa não prometia muito, mas o filme é um sorvete. delícia pura. reno como um criminoso duro e frio e gerard como um idiota vagamente criminal, um simples de espírito que quer abrir um bistrô chamado Os Dois Amigos com esse estranho que acaba de conhecer. fun, fun, fun.
segunda-feira, outubro 31, 2005
a arte está em parecer que não há esforço, que os desenhos vieram sozinhos para a página, se arranjaram elegantemente e ficaram esperando as palavras ao seu redor. as cores sobre (ou sob) tudo são adoráveis e a história está cheia das pequenas mesquinharias do mundo literário. um folhetim chic. e é de graça. que mais você quer?
muitas coisas me espantam no mundo. de fato, uma das coisas que me fazem feliz é manter minha capacidade de me espantar com as coisas. um maravilhamento mantido da infância. (que é um dos motivos que me faz odiar as formas mais comuns de infantilização: as pessoas escolhem os aspectos errados das crianças para manter. mas enfim.)
um das tantas coisas que me espanta é saber que j.d. salinger está vivo e pode estar batendo à máquina nesse momento em que escrevo no computador. que, em sua casa em cornish, ele esteja escrevendo, como tem estado há quarenta anos. sem deixar que uma linha dessas veja a luz do dia.
quase todos sabem a lenda: salinger não dá entrevistas, não posa para fotos e não publica. seu último livro é de 1963. joyce maynard, a jovem que viveu com ele, diz que ele nunca parou de escrever. ele tem agora 86 anos. dentro de alguns anos, seus filhos, ao abrir a velha casa, vão descobrir se há um cofre cheio de originais ou cinzas de uma fogueira com sua decisão final pelo silêncio.
um das tantas coisas que me espanta é saber que j.d. salinger está vivo e pode estar batendo à máquina nesse momento em que escrevo no computador. que, em sua casa em cornish, ele esteja escrevendo, como tem estado há quarenta anos. sem deixar que uma linha dessas veja a luz do dia.
quase todos sabem a lenda: salinger não dá entrevistas, não posa para fotos e não publica. seu último livro é de 1963. joyce maynard, a jovem que viveu com ele, diz que ele nunca parou de escrever. ele tem agora 86 anos. dentro de alguns anos, seus filhos, ao abrir a velha casa, vão descobrir se há um cofre cheio de originais ou cinzas de uma fogueira com sua decisão final pelo silêncio.
sexta-feira, outubro 28, 2005
o mundo pela janela. nesse projeto muito singelo e muito lindo você pode ver o que pessoas vêem de suas janelas, de vários cantos do mundo. supostamente há também o som abiente, mas meu computador está sem som, então fiquei em silêncio. nenhuma do brasil ainda. alguém se habilita?
quarta-feira, outubro 26, 2005
Mais frases roubadas. essas de antônia pellegrino, que não conhecia e que escreve bastante bem. sobre a arte do pubcrawling.
"Cada vez mais acho que trabalho porque bebo. O trabalho é uma espécie de blindagem contra o sagrado ato de lamber a calçada nossa de cada dia. "
"Cada vez mais acho que trabalho porque bebo. O trabalho é uma espécie de blindagem contra o sagrado ato de lamber a calçada nossa de cada dia. "
segunda-feira, outubro 24, 2005
ok, alguma ironia aqui e não é pouca. procurando imagens na internet para fazer uma ilustração sobre os alcoólatras anônimos (oh boy. as coisas que uno faz para ganhar a vida) encontrei a revista do alcoólatra moderno e que ousa dizer seu nome: the modern drunkard magazine. puro ouro. vale a pena começar com the zen of drinking alone.
Kathryn Bigelow é uma mulher (linda) que faz filmes de homem. Você sabe, com armas e coisas explodindo. Do tipo que gosto de ver num domingo à tarde, sob o efeito de substâncias recreativas. (Podia fazer um longo parêntese aqui. Cortazar dizia que as melhores mulheres eram as que tinham tido leituras masculinas na juventude. A idéia de ter um gosto pela aventura. Mas enfim.) Gosto em particular de Near dark, um filme pouco visto, que explora bem a metáfora erótica dos vampiros num cenário moderno.
O Peso da Água transferi para a sessão noturna. Nada explode aqui, a não ser a tensão sexual e interpessoal dos envolvidos. Um mundo de coisas acontece sem serem ditas. Sean Penn ainda está para fazer um filme ruim e Catherine McCormack tem vaguezas no olhar que me lembraram muito de uma Charlotte Rampling mais jovem.
Enfim. Antes que eu amontoe mais clichês de pseudo crítico - me gustó.
O Peso da Água transferi para a sessão noturna. Nada explode aqui, a não ser a tensão sexual e interpessoal dos envolvidos. Um mundo de coisas acontece sem serem ditas. Sean Penn ainda está para fazer um filme ruim e Catherine McCormack tem vaguezas no olhar que me lembraram muito de uma Charlotte Rampling mais jovem.
Enfim. Antes que eu amontoe mais clichês de pseudo crítico - me gustó.
quinta-feira, outubro 20, 2005
um quase verão. sol, um ar que nos envolve a todos. parecemos todos mais perto uns dos outros. os sentidos mais ativos. uma (das muitas) coisas que amo nas mulheres é que elas cheiram melhor do que nós. não é uma equação tão simples como mulher + perfume. uma outra presença se cria.
frase pra mim já clássica de um filme: paul newman é um ex detetive que nunca se recuperou do seu passado com uma mulher (susan sarandon). ele diz que sabe da presença dela na cena do crime pelo perfume dela. ela argumenta que muitas mulheres usam aquele perfume. a resposta, um primor de cool: - smells different on you.
frase pra mim já clássica de um filme: paul newman é um ex detetive que nunca se recuperou do seu passado com uma mulher (susan sarandon). ele diz que sabe da presença dela na cena do crime pelo perfume dela. ela argumenta que muitas mulheres usam aquele perfume. a resposta, um primor de cool: - smells different on you.
terça-feira, outubro 18, 2005
36 é o nome de um filme policial francês sensacional, com daniel autueil e gerard depardieu. o equivalente francês daquele fogo contra fogo, com de niro e al pacino. mas com o charme do velho mundo. belo filme. e me fez desenhar muito. uma das graças do dvd é a pausa infinita. então, um set de desenhos no flickr dos dois narigudos adoráveis.
sexta-feira, outubro 14, 2005
sempre curioso ver como o mundo nos vê. nesse caso, um ser humano em particular.
caetano veloso por momus.
curioso ler os comentário também. por algum motivo, momus está convencido de que caetano está usando uma peruca na capa de araça azul. até vitor ramil entra na conversa.
caetano veloso por momus.
curioso ler os comentário também. por algum motivo, momus está convencido de que caetano está usando uma peruca na capa de araça azul. até vitor ramil entra na conversa.
essa é a primavera fajuta da delicadeza.
coisa de angélica, que ainda não deu as caras, mas continua com grandes frases.
coisa de angélica, que ainda não deu as caras, mas continua com grandes frases.
quinta-feira, outubro 13, 2005
Finalmente algo de que vale a pena falar.
Calvin and Hobbes' is probably one of the last great American comic strips.
é verdade. há uma grandeza ali, uma qualidade atemporal, um pincel exuberante e personagens que você pode amar pelo resto da sua vida. não há nada parecido nos jornais, não apareceu nada do mesmo valor no vácuo entre peanuts e calvin e com a miniaturização e mediocrização das tiras de jornal, talvez nunca mais apareça.
érico mandou o link dessa bela matéria do washington post.
érico, você sabe, possui em sua casa o recém lançado The Complete Calvin and Hobbes. você pode ver no site dele as fotos do livro. não, da caixa com três livros. com TODO o calvin.
você pode ficar, como eu, imaginando uma maneira de invadir sua casa à noite.
Calvin and Hobbes' is probably one of the last great American comic strips.
é verdade. há uma grandeza ali, uma qualidade atemporal, um pincel exuberante e personagens que você pode amar pelo resto da sua vida. não há nada parecido nos jornais, não apareceu nada do mesmo valor no vácuo entre peanuts e calvin e com a miniaturização e mediocrização das tiras de jornal, talvez nunca mais apareça.
érico mandou o link dessa bela matéria do washington post.
érico, você sabe, possui em sua casa o recém lançado The Complete Calvin and Hobbes. você pode ver no site dele as fotos do livro. não, da caixa com três livros. com TODO o calvin.
você pode ficar, como eu, imaginando uma maneira de invadir sua casa à noite.
continuo sem nada para dizer aqui, então vou só comentar que achei um blog bacana e que o nome dele podia ser meu motto: booksmart, streetstupid.
quarta-feira, outubro 05, 2005
um passeio até a mesa de desenho ontem. relutante, cheio de dúvidas. teimando. muito aflito. fran disse bem: uma semana sem criar nada é uma semana perdida. e se não sou isso, em minha loucura pessoal não sou nada. ainda longe, muito longe de conseguir me atribuir valor sem o trabalho. it´s a long and winding road.
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angélica tem um blog muito lindo. tome um chá com ela no bar de um hotel de quinta.
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angélica tem um blog muito lindo. tome um chá com ela no bar de um hotel de quinta.
segunda-feira, outubro 03, 2005
pubcrawling é um dos esportes ingleses por excelência que se espalhou pelo mundo, como o futebol. consiste basicamente sem sair bebendo pela noite, de pub em pub, ou no nosso caso de bar em bar até que uma das duas alternativas se apresente: acabem os bares para ir ou acabe sua capacidade de permanecer vertical. claro, existe também a terceira via, muito simpática que é encontrar alguém para ficar na horizontal.
como todo esporte, tem um custo no seu corpo. as zonas de impacto seriam o fígado, o cérebro e ocasionalmente ferimentos leves que você não sabe como aconteceram. e custos em geral: no seu bolso, no seu valor de mercado, etc, etc. como já foi debatido aqui nesse espaço público de auto-imolação, por todos esses motivos, ando tentando limitar minha prática desse esporte. mas um outro problema surge: sua vida fica inexoravelmente chata. de repente, sua situação de funcionário parece evidente: de casa para o trabalho, do trabalho pra casa. passagem pelo supermercado, ida ao cinema. sem surpresas. sem acontecimentos. você acorda sem ressaca, ainda com dinheiro no bolso, mas com a inequívoca sensação de que nada acontece em sua vida.
porque evidentemente há um componente de aventura em sair à noite. um grupo de adultos desconhecidos reunidos em lugares onde se vende droga legalizada, com a ocasional distração da música, mas o indisfarçável objetivo de contato. acontecimentos. química. una o elemento A com o elemento B (e às vezes o C também) e veja o que acontece. desastre, drama, comédia, porn, mas raramente o tédio. os impulsos primitivos estão em alta, há um desafio constante de superação. digamos que é difícil achar um substituto para isso. por mais que eu ame os livros, filmes, o desenho ou minha casa. todos parecem substitutos para a vida em si. e se a vida é a arte do encontro, como dizia o poeta, o que pode ser mais sintomático da vida do que essa busca pelo encontro?
cartas à redação.
como todo esporte, tem um custo no seu corpo. as zonas de impacto seriam o fígado, o cérebro e ocasionalmente ferimentos leves que você não sabe como aconteceram. e custos em geral: no seu bolso, no seu valor de mercado, etc, etc. como já foi debatido aqui nesse espaço público de auto-imolação, por todos esses motivos, ando tentando limitar minha prática desse esporte. mas um outro problema surge: sua vida fica inexoravelmente chata. de repente, sua situação de funcionário parece evidente: de casa para o trabalho, do trabalho pra casa. passagem pelo supermercado, ida ao cinema. sem surpresas. sem acontecimentos. você acorda sem ressaca, ainda com dinheiro no bolso, mas com a inequívoca sensação de que nada acontece em sua vida.
porque evidentemente há um componente de aventura em sair à noite. um grupo de adultos desconhecidos reunidos em lugares onde se vende droga legalizada, com a ocasional distração da música, mas o indisfarçável objetivo de contato. acontecimentos. química. una o elemento A com o elemento B (e às vezes o C também) e veja o que acontece. desastre, drama, comédia, porn, mas raramente o tédio. os impulsos primitivos estão em alta, há um desafio constante de superação. digamos que é difícil achar um substituto para isso. por mais que eu ame os livros, filmes, o desenho ou minha casa. todos parecem substitutos para a vida em si. e se a vida é a arte do encontro, como dizia o poeta, o que pode ser mais sintomático da vida do que essa busca pelo encontro?
cartas à redação.
esse longo, sensacional perfil de houellebecq visitando os estados unidos me lembrou as viagens de camus pelo mundo: o que se espera de um escritor francês, os clichês que ele perpetua e uma até uma certa semelhança física com o autor de a peste. abaixo, alguns houellebcquismos:
At a certain point,? he continued, ?I decided to write [about] the world as if nobody had ever written [about] the world. Which is in a sense true, because there were no computer programmers 30 years ago, and it changes the way you see the world. Joyce didn?t have a television, for example. He couldn?t speak of life with television.?
What remains with the reader is its portrayal of First World loneliness ? the loneliness of someone who, like the book?s narrator (also named Michel), has 128 television channels but no real friends. ?For the West, I do not feel hatred. At most I feel a great contempt,? he says near the end of the book. ?I know only that every single one of us reeks of selfishness, masochism, and death. We have created a system in which it has simply become impossible to live, and what?s more, we continue to export it.?
At a certain point,? he continued, ?I decided to write [about] the world as if nobody had ever written [about] the world. Which is in a sense true, because there were no computer programmers 30 years ago, and it changes the way you see the world. Joyce didn?t have a television, for example. He couldn?t speak of life with television.?
What remains with the reader is its portrayal of First World loneliness ? the loneliness of someone who, like the book?s narrator (also named Michel), has 128 television channels but no real friends. ?For the West, I do not feel hatred. At most I feel a great contempt,? he says near the end of the book. ?I know only that every single one of us reeks of selfishness, masochism, and death. We have created a system in which it has simply become impossible to live, and what?s more, we continue to export it.?
a folha publicou no seu Mais de domingo um abc de michel houellebecq, onde descobri que compartilhamos o mesmo aniversário. não me surpreendeu tanto assim. há uma visão de mundo compartilhada. no D de depressão, ele argumenta que é inevitável que existam cada vez mais pessoas deprimidas no mundo, já que nosso desejo é cada vez maior e a concorrência também. mas ao mesmo tempo, muito da lucidez e do humor do mundo vem dos deprimidos. com frequência, diz ele, os deprimidos são engraçados. não é uma idéia estranha pra mim. :)
já falei e digo de novo: partículas elementares, seu segundo livro, é um livro importante. fala de sexo e física quântica, do fracasso das utopias e mais um número de temas que nos perseguem pelas ruas dias após dia. ainda não me encontrei com um exemplar do primeiro romance e o terceiro acaba de sair na frança. resumindo, há o frisson de ver nascer uma voz única e significativa nesse mundo saturado.
já falei e digo de novo: partículas elementares, seu segundo livro, é um livro importante. fala de sexo e física quântica, do fracasso das utopias e mais um número de temas que nos perseguem pelas ruas dias após dia. ainda não me encontrei com um exemplar do primeiro romance e o terceiro acaba de sair na frança. resumindo, há o frisson de ver nascer uma voz única e significativa nesse mundo saturado.
sexta-feira, setembro 30, 2005
quarta-feira, setembro 28, 2005
aparentemene, dos visitantes do café só eu tenho paciência para ler o momus. então aqui, um pouco de copiar colar de um texto bem mais longo dele, mas bem interessante sobre como limitações auto-impostas podem ser ser interssantes para a criatividade.
como explicação, deixa eu dizer o seguinte: posso entediar alguns leitores ocasionalmente, mas entre outras coisas esse blog é um caderno, onde anoto coisas que não quero perder. então posso falar sozinho de vez em quando.
a quem interessar, então:
an experiment on Peacock inspired by Kurt Schwitters, who used to set himself the challenge of, for instance, making a collage based only on materials he found rummaging through his wife's wastepaper basket. Jones' experiment asked Peacock to tell stories using random and unrelated words while lying in a brain scanner. His hypothesis (later proven by the brain scans and subjective judgements of the stories) was that Peacock would produce more creative stories, and use his brain more actively, when given more random, less related words to work with.
...
The experiment got me thinking about the importance of limitation, of making self-imposed rules which restrict that awful "anything is possible" feeling we get confronted by a blank sheet of paper (or a blank CD). Without limitation, it's easy to sink into what Brian Eno calls "the mire of options", or to fall into other people's styles, or the dominant formulas of the day.
...
When I'm planning an album I tend to do something I call "signature specification", which could also be seen as a voluntary restriction of my own freedom. They're just guidelines, and of course you end up rebelling against them and breaking them, but they construct a sort of plank walkway across the "mire of options". They focus your thoughts. And if they're weird and random enough, I believe they make your work more creative.
como explicação, deixa eu dizer o seguinte: posso entediar alguns leitores ocasionalmente, mas entre outras coisas esse blog é um caderno, onde anoto coisas que não quero perder. então posso falar sozinho de vez em quando.
a quem interessar, então:
an experiment on Peacock inspired by Kurt Schwitters, who used to set himself the challenge of, for instance, making a collage based only on materials he found rummaging through his wife's wastepaper basket. Jones' experiment asked Peacock to tell stories using random and unrelated words while lying in a brain scanner. His hypothesis (later proven by the brain scans and subjective judgements of the stories) was that Peacock would produce more creative stories, and use his brain more actively, when given more random, less related words to work with.
...
The experiment got me thinking about the importance of limitation, of making self-imposed rules which restrict that awful "anything is possible" feeling we get confronted by a blank sheet of paper (or a blank CD). Without limitation, it's easy to sink into what Brian Eno calls "the mire of options", or to fall into other people's styles, or the dominant formulas of the day.
...
When I'm planning an album I tend to do something I call "signature specification", which could also be seen as a voluntary restriction of my own freedom. They're just guidelines, and of course you end up rebelling against them and breaking them, but they construct a sort of plank walkway across the "mire of options". They focus your thoughts. And if they're weird and random enough, I believe they make your work more creative.
terça-feira, setembro 27, 2005
ok, postando algo útil em vez de mais egoshow: wilbur já tinha comentado sobre o blog scientific artist, do grande paul rivoche. o blog realmente é incrível. rivoche é um artista com uma base incrível de desenho, um professional publicado que acha tempo para dividir seu conhecimento técnico online. cada post é uma aula. grátis. a coisa toda é de uma generosidade que me deixa sem palavras.
e o outro dia descobri que ele não tem não um, mas três blogs. três. isso se não falta eu descobrir algum mais. ou seja, além do seu trabalho como quadrinista e ilustrador, ele acha tempo para produzir e publicar desenhos em três blogs. e, como eu deixei dito em um comentário, o que ele faz por diversão a maior parte de nós ficaria feliz de ter como trabalho. tem aí um amor pelo desenho que é uma coisa que me deixa tocado. e que preciso reencontrar. porque aposto que paul rivoche não chega em casa bêbado às 6 da manhã três vezes por semana. (você vê, é um dia de auto-imolação)
então, organizando: the scientific artist, com dicas, redsketch, exatamente o que o nome diz e rocketfiction, com desenhos antigos e sci-fi, se entendi o critério. enjoy.
e o outro dia descobri que ele não tem não um, mas três blogs. três. isso se não falta eu descobrir algum mais. ou seja, além do seu trabalho como quadrinista e ilustrador, ele acha tempo para produzir e publicar desenhos em três blogs. e, como eu deixei dito em um comentário, o que ele faz por diversão a maior parte de nós ficaria feliz de ter como trabalho. tem aí um amor pelo desenho que é uma coisa que me deixa tocado. e que preciso reencontrar. porque aposto que paul rivoche não chega em casa bêbado às 6 da manhã três vezes por semana. (você vê, é um dia de auto-imolação)
então, organizando: the scientific artist, com dicas, redsketch, exatamente o que o nome diz e rocketfiction, com desenhos antigos e sci-fi, se entendi o critério. enjoy.
segunda-feira, setembro 26, 2005
wow. a realidade é reaaaalmente mais estranha do que a ficção.
Armed and dangerous - Flipper the firing dolphin let loose by Katrina
by Mark Townsend HoustonSunday September 25, 2005 The Observer
It may be the oddest tale to emerge from the aftermath of Hurricane Katrina. Armed dolphins, trained by the US military to shoot terrorists and pinpoint spies underwater, may be missing in the Gulf of Mexico.
Experts who have studied the US navy's cetacean training exercises claim the 36 mammals could be carrying 'toxic dart' guns. Divers and surfers risk attack, they claim, from a species considered to be among the planet's smartest. The US navy admits it has been training dolphins for military purposes, but has refused to confirm that any are missing.
Dolphins have been trained in attack-and-kill missions since the Cold War. The US Atlantic bottlenose dolphins have apparently been taught to shoot terrorists attacking military vessels. Their coastal compound was breached during the storm, sweeping them out to sea. But those who have studied the controversial use of dolphins in the US defence programme claim it is vital they are caught quickly.
Armed and dangerous - Flipper the firing dolphin let loose by Katrina
by Mark Townsend HoustonSunday September 25, 2005 The Observer
It may be the oddest tale to emerge from the aftermath of Hurricane Katrina. Armed dolphins, trained by the US military to shoot terrorists and pinpoint spies underwater, may be missing in the Gulf of Mexico.
Experts who have studied the US navy's cetacean training exercises claim the 36 mammals could be carrying 'toxic dart' guns. Divers and surfers risk attack, they claim, from a species considered to be among the planet's smartest. The US navy admits it has been training dolphins for military purposes, but has refused to confirm that any are missing.
Dolphins have been trained in attack-and-kill missions since the Cold War. The US Atlantic bottlenose dolphins have apparently been taught to shoot terrorists attacking military vessels. Their coastal compound was breached during the storm, sweeping them out to sea. But those who have studied the controversial use of dolphins in the US defence programme claim it is vital they are caught quickly.
sexta-feira, setembro 23, 2005
a mensagem de hoje é trazida por nosso patrocinador, iggy pop, a dirty old man. é sexta feira e estamos todos meio alterados, como eu dizia em um email para um bela estranha. é a tensão de antes da chuva. venta. faz calor. é sexta feira. vocês entenderam a mensagem, não? sem mais, as palavras de iggy para hoje:
She sat on the pavement / As I pulled in the drive / Wearing leopard skin velvet And shiny black eyes/ She had curls like Delilah And a smile like the sun / She held my poor corpse Like she'd never be done / And the caption in my mind said "This is the one" / But I'm strong and I'm disciplined And I avoided her for years / 'Till one night, as usual With my heart full of tears / A hand touched my back And she was standing right there / Then I felt the luxury of herI / felt the luxury of herI / felt the luxury of her / I felt the luxury / Whispering Whispering
She sat on the pavement / As I pulled in the drive / Wearing leopard skin velvet And shiny black eyes/ She had curls like Delilah And a smile like the sun / She held my poor corpse Like she'd never be done / And the caption in my mind said "This is the one" / But I'm strong and I'm disciplined And I avoided her for years / 'Till one night, as usual With my heart full of tears / A hand touched my back And she was standing right there / Then I felt the luxury of herI / felt the luxury of herI / felt the luxury of her / I felt the luxury / Whispering Whispering
quinta-feira, setembro 22, 2005
quarta-feira, setembro 21, 2005
a história se repete como farsa, todo mundo sabe. mas não precisava, eu acho.
numa festa ontem que manchava a palavra jam, um grupo enorme de wannabe artists se esfregavam no palco cobertos de tinta, faziam caras e bocas, ensaiavam cenas eróticas com macarrão ou com uma escada. patético.
ah sim, tinha uma flauta, claro e artesões cantando. ai meu deus.
a voz da tolerância diz que as pessoas tem que passar por isso. mas por quê? não basta que gerações anteriores tenham passado por esse mico? já era ruim da primeira vez. reprisado então... será que uma geração nova não pode cometer erros novos, pelo menos?
(e antes que alguém pergunte, não, eu nunca me esfreguei com macarrão ou tinta enquanto alguém tocava flauta. mas era uma performance muito popular nos meus green days. e já era reprise na época.)
numa festa ontem que manchava a palavra jam, um grupo enorme de wannabe artists se esfregavam no palco cobertos de tinta, faziam caras e bocas, ensaiavam cenas eróticas com macarrão ou com uma escada. patético.
ah sim, tinha uma flauta, claro e artesões cantando. ai meu deus.
a voz da tolerância diz que as pessoas tem que passar por isso. mas por quê? não basta que gerações anteriores tenham passado por esse mico? já era ruim da primeira vez. reprisado então... será que uma geração nova não pode cometer erros novos, pelo menos?
(e antes que alguém pergunte, não, eu nunca me esfreguei com macarrão ou tinta enquanto alguém tocava flauta. mas era uma performance muito popular nos meus green days. e já era reprise na época.)
contrastando com toda essa conversa de ócio criativo abaixo, os últimos dias foram cheios, cheios. passei o final de semana fazendo umas tiras sobre business. a primeira vez que fiz quadrinhos por encomenda. e foi bem bom. é sempre um exercício, tentar achar a movimentação exata dessas pessoas, o tipo de cabelo, as roupas... o resultado ficou bem. posto aqui uns pedaços depois.
e hoje acabava o prazo (mínimo) que recebi para fazer um projeto gráfico para porto alegre, de uma revista que me parece bem interessante e que não devo comentar no momento. como acabei as tiras na segunda, tive que sentar e fazer o projeto grafico ontem. em um dia. tipo: sem pensar. you wanna know what? ficou do caralho.
se o figurão do design citado no outro post me ouve falar, tem um enfarte, mas meu aproach para direção de arte ou projeto gráfico é compleeeetamente intuitivo. basicamente eu visualizo a revista que queria ler. e faço, em ordem. a capa, depois o índice, depois as matérias...como se estivesse abrindo a revista. absurdo, mas funciona. venho enganando as pessoas assim faz tempo. :)
e hoje acabava o prazo (mínimo) que recebi para fazer um projeto gráfico para porto alegre, de uma revista que me parece bem interessante e que não devo comentar no momento. como acabei as tiras na segunda, tive que sentar e fazer o projeto grafico ontem. em um dia. tipo: sem pensar. you wanna know what? ficou do caralho.
se o figurão do design citado no outro post me ouve falar, tem um enfarte, mas meu aproach para direção de arte ou projeto gráfico é compleeeetamente intuitivo. basicamente eu visualizo a revista que queria ler. e faço, em ordem. a capa, depois o índice, depois as matérias...como se estivesse abrindo a revista. absurdo, mas funciona. venho enganando as pessoas assim faz tempo. :)
sexta-feira, setembro 16, 2005
depois fui jantar com as organizadoras e com os outros palestrantes, um deles um big shot do design, sócio de uma empresa dessas quem tem sede em meia dúzia de cidades, montes de funcionários, contas milionárias. foi engraçado contar pra ele meu downsizing, a maneira como me recolhi aqui em pelotas, as escolhas. ele era um homem muito inteligente e entendeu bem.
não sou ingênuo a ponto de achar que ele inveja minha liberdade, mas digamos que ele entendeu a escolha, de uma vida sem reuniões, sem stress, sem agenda, relógio e sem dinheiro. hoje, em uma manhã que passei cozinhando, fumando e ouvindo música com amigos, erguemos uma taça de vinho a isso.
não sou ingênuo a ponto de achar que ele inveja minha liberdade, mas digamos que ele entendeu a escolha, de uma vida sem reuniões, sem stress, sem agenda, relógio e sem dinheiro. hoje, em uma manhã que passei cozinhando, fumando e ouvindo música com amigos, erguemos uma taça de vinho a isso.
então para um auditório cheio de jovens estudantes de design e artes, fiz minha estréia como palestrante ontem. contei minhas aventuras e principalmente desventuras no mundo do design, ilustração e qualquer coisa no meio. um certo terror de pegar um microfone e falar para aquelas caras estranhas, mas nada como um pouco de auto-imolação e comédia às próprias custas. tive meu momento stand-up comedy-woody allen e foi bem divertido. pra mim e aparentemente para eles, que riram bastante. foi bem divertido.
quinta-feira, setembro 15, 2005
The heart is a bloom / Shoots up through the stony ground / There's no room No space to rent in this town/ You're on the road / But you've got no destination / You're in the mud / In the maze of her imagination/
não é exatamente a beautiful day, mas isso estava na minha cabeça enquanto eu andava, um tanto sem rumo hoje, vagamente indo almoçar, fumando, levando minha ressaca para a rua. a noite não foi muito gentil comigo. pelas 5 da manhã coisas aconteciam e pareciam uma repetição ruim, a história como farsa, etc. uma mulher que consegue de fato iluminar o espaço onde chega, o que é uma coisa linda de se ver, e no entanto. no entanto.
como um fantasma conhecido. e que consegue miraculosamente se renovar a cada encontro. e lhe fazer esquecer cada decepção. amazing. repórteres contam que steve jobs tem isso e chamam de reality-distorsion-field.
um casaco londres anos 70, uma camisa branca, o cabelo voando sobre tudo, uma aparição. feromônios. um corpo conhecido mas inesgotável. um mundo. uma ausência palpável na cama hoje de manhã. o espaço onde ela estaria. na rua, em um outdoor de celular, uma mulher finge abraçar a vida, o celular promete um mundo de liberdade e realização, as fantasias quase eróticas da publicidade. You're out of luck / And the reason that you had to care / The traffic is stuck / And you're not moving anywhere /
não é exatamente a beautiful day, mas isso estava na minha cabeça enquanto eu andava, um tanto sem rumo hoje, vagamente indo almoçar, fumando, levando minha ressaca para a rua. a noite não foi muito gentil comigo. pelas 5 da manhã coisas aconteciam e pareciam uma repetição ruim, a história como farsa, etc. uma mulher que consegue de fato iluminar o espaço onde chega, o que é uma coisa linda de se ver, e no entanto. no entanto.
como um fantasma conhecido. e que consegue miraculosamente se renovar a cada encontro. e lhe fazer esquecer cada decepção. amazing. repórteres contam que steve jobs tem isso e chamam de reality-distorsion-field.
um casaco londres anos 70, uma camisa branca, o cabelo voando sobre tudo, uma aparição. feromônios. um corpo conhecido mas inesgotável. um mundo. uma ausência palpável na cama hoje de manhã. o espaço onde ela estaria. na rua, em um outdoor de celular, uma mulher finge abraçar a vida, o celular promete um mundo de liberdade e realização, as fantasias quase eróticas da publicidade. You're out of luck / And the reason that you had to care / The traffic is stuck / And you're not moving anywhere /
terça-feira, setembro 13, 2005
sobre o post abaixo, me ocorreu acrescentar: vinte anos no pop são uma vida, mas na vida mesmo, que é um pouco mais lenta do que o pop, uma geração é uma medida impressionante. na página social da ZH hoje, vi uma jovem socialite em vestido de festa, com os braços praticamente cobertos por tatuagem. uma geração atrás, ela seria uma freak. hoje ela está na coluna social. uma geração atrás, só marinheiros tinham esse tanto de tatuagem.
uma geração atrás também, eu seria um pai de família já meio gasto porém respeitável, com uns três ou quatro filhos, em vez do solteiro irresponsável que sou. e etc. you see what I mean.
uma geração atrás também, eu seria um pai de família já meio gasto porém respeitável, com uns três ou quatro filhos, em vez do solteiro irresponsável que sou. e etc. you see what I mean.
desde que assinei bad signal, a newsletter de warren ellis, eu tenho a certeza de que sempre vou ter ao menos alguma mensagem no email, porque esse bastardo escreve loucamente. do pub, geralmente. e com insights como esse, onde falando de uma cena de CSI descreve todo um procedimento da mídia, toda uma operação que o pop executa:
I saw a re-runfrom last season recently, and there'sa two-minute sequence of WilliamPetersen sluicing blood off a body on a metal tray put to "Sfevn-G-Englar" by Sigur Ros. That's all it is. Slowed down visuals of waterwashing blood off brushed steel. Twenty years ago, that would've been an art film. Now it's a musical interlude in a major USnetwork show. Mainstream culture eats its young to gain its strength,like a cannibal warrior, and the intent of the fringe becomes the tool of the mainstream.
I saw a re-runfrom last season recently, and there'sa two-minute sequence of WilliamPetersen sluicing blood off a body on a metal tray put to "Sfevn-G-Englar" by Sigur Ros. That's all it is. Slowed down visuals of waterwashing blood off brushed steel. Twenty years ago, that would've been an art film. Now it's a musical interlude in a major USnetwork show. Mainstream culture eats its young to gain its strength,like a cannibal warrior, and the intent of the fringe becomes the tool of the mainstream.
sexta-feira, setembro 09, 2005
considerando que não celebro aniversários, nunca fui a um batizado ou a um funeral e sou incapaz de dizer meus pêsames, parabéns ou coisas do gênero, é curioso que eu goste de casamentos.
mas gosto. há uma sensação curiosa de liberdade, há a sensação de estar em algum tipo de teatro invisível, com figurinos e muitos atores, há um vouyerismo, há uma celebração. melhor ainda se passar bem longe de uma igreja.
amanhã vou a um. bem longe de uma igreja. em uma charqueada. pessoas de que gosto resolveram tornar oficial uma união já bem sucedida há anos. e vamos então erguer nossas taças, fazer brindes e ficar agradavelmente embriagados e, quem sabe, sutilmente emocionados.
mas gosto. há uma sensação curiosa de liberdade, há a sensação de estar em algum tipo de teatro invisível, com figurinos e muitos atores, há um vouyerismo, há uma celebração. melhor ainda se passar bem longe de uma igreja.
amanhã vou a um. bem longe de uma igreja. em uma charqueada. pessoas de que gosto resolveram tornar oficial uma união já bem sucedida há anos. e vamos então erguer nossas taças, fazer brindes e ficar agradavelmente embriagados e, quem sabe, sutilmente emocionados.
ontem achei o caminho de volta até a mesa de desenho, então vocês podem desconsiderar todo o post anterior. :)
estava agora escrevendo para bitisa e comentando que chega a ser ridículo a diferença que faz. ela me encontrou de tarde com um humor de pão dormido. de noite, depois de começar uma história nova, eu me sentia, como dizem os americanos, like a million dollars. like a fucking million dollars.
em breve, mais um capítulo of my charmed life. vocês que me aguentem. vocês, que me aguentam.
estava agora escrevendo para bitisa e comentando que chega a ser ridículo a diferença que faz. ela me encontrou de tarde com um humor de pão dormido. de noite, depois de começar uma história nova, eu me sentia, como dizem os americanos, like a million dollars. like a fucking million dollars.
em breve, mais um capítulo of my charmed life. vocês que me aguentem. vocês, que me aguentam.
quinta-feira, setembro 08, 2005
o autor até onde sei do termo popiário definiu bem: quando o popiário vai bem, a vida vai mal. e vice versa. se não mal, pelo menos em baixa.
exatamente o caso aqui. vida em baixa, popiário em alta. consumo como droga. como dizia fran em um dos comments. nós, garotas em tpm... :)
porque precisamos de vida. na falta dessa, simulacros. a criação, por mais que seja sublimação, é mais do que um substituto para a vida. afinal, a palavra é criação. mas o consumo é exatamente isso: um substituto pobre. quer dizer, uma caixa de episódios de sex & the city contém uma vida muito, muito mais glamourosa do que a sua, mas aí entra aquela citação tão exata que o tio stephen king usou em um dos seus livros: perto do ser humano mais desinteressante desse mundo, toda a obra de shakespeare não é mais do que um saco de ossos. a bag of bones.
exatamente o caso aqui. vida em baixa, popiário em alta. consumo como droga. como dizia fran em um dos comments. nós, garotas em tpm... :)
porque precisamos de vida. na falta dessa, simulacros. a criação, por mais que seja sublimação, é mais do que um substituto para a vida. afinal, a palavra é criação. mas o consumo é exatamente isso: um substituto pobre. quer dizer, uma caixa de episódios de sex & the city contém uma vida muito, muito mais glamourosa do que a sua, mas aí entra aquela citação tão exata que o tio stephen king usou em um dos seus livros: perto do ser humano mais desinteressante desse mundo, toda a obra de shakespeare não é mais do que um saco de ossos. a bag of bones.
terça-feira, setembro 06, 2005
é por isso que amo alex de campi:
04:12 pm - This Just In: Bush Declares War on Antarctica
In last night's State of the Union address, US president Bush sought to combat his plummeting approval ratings by announcing that Antarctica has been added to the now four-nation Axis of Evil along with Iraq, North Korea and Iran. "Our intelligence briefings have shown that Hurricane Katrina is clearly linked to Global Warming, and the ringleaders of Global Warming are Antarctic glaciers."
leia o resto aqui.
04:12 pm - This Just In: Bush Declares War on Antarctica
In last night's State of the Union address, US president Bush sought to combat his plummeting approval ratings by announcing that Antarctica has been added to the now four-nation Axis of Evil along with Iraq, North Korea and Iran. "Our intelligence briefings have shown that Hurricane Katrina is clearly linked to Global Warming, and the ringleaders of Global Warming are Antarctic glaciers."
leia o resto aqui.
segunda-feira, setembro 05, 2005
Garland: Well you and I must be in the minority because apparently there?s a section of our citizenry out there that thinks, uh, because of the law that says that the federal government can?t come in unless requested by the proper people that everything that has been going on up until this point has been done as good as it can possibly be.
Nagin: Really?
Garland: I know you don?t feel that way
Nagin: Well, did the tsunami victims request? Did they go through a formal process to request? Uh, you know, did Iraq, did the Iraqi people request that we go in there? Did they ask us to go in there? What is more important?
Now you mean to tell me that a place where most of your oil is coming through, a place that is so unique - when you mention New Orleans everywhere around the world everybody?s eyes light up - you mean to tell me that a place where you probably have thousands of people that have died and thousands more that are dying everyday that we can?t figure out a way to authorize the resources that we need?
transcrição de uma entrevista de nagin, o prefeito de new orleans.
Nagin: Really?
Garland: I know you don?t feel that way
Nagin: Well, did the tsunami victims request? Did they go through a formal process to request? Uh, you know, did Iraq, did the Iraqi people request that we go in there? Did they ask us to go in there? What is more important?
Now you mean to tell me that a place where most of your oil is coming through, a place that is so unique - when you mention New Orleans everywhere around the world everybody?s eyes light up - you mean to tell me that a place where you probably have thousands of people that have died and thousands more that are dying everyday that we can?t figure out a way to authorize the resources that we need?
transcrição de uma entrevista de nagin, o prefeito de new orleans.
pra desiludir de vez quem acredita no meu gosto, vi swat esse final de semana, com enorme prazer. nada como ir à locadora tendo que agradar só o animal que vive em você e nada mais. basicamente, estou como uma criança escolhendo só o que não presta na locadora. são alguns anos de demanda reprimida. por motivos mais ou menos triviais praticamente nunca tive um aparelho qualquer de reproduzir filmes só para mim. então, i´m being selfish and dumb.
mas enfim, vi também algo mais elevado. dogma do amor (its all about love) é do mesmo diretor de festa de família, um filme brutal vindo do movimento dogma. aparentemente, ele também tinha uma demanda reprimida, então o filme vai contra tudo que o dogma prega: em locações (e que locações: itália, polônia, suíça, áfrica...) tecnologia, tempo, luz, tudo. mas é um belo filme, com uma visão de futuro muito bem administrada no nosso presente, uma história de amor muito real e estranhezas pipocando, como the flying ugandans. e claire danes.
também, por algum motivo que me escapa, olhei muito para a parede, fui até a janela, suspirei e voltei. repita 100 vezes. esperando algo que não sei o quê. mas esperando. mais demanda reprimida.
mas enfim, vi também algo mais elevado. dogma do amor (its all about love) é do mesmo diretor de festa de família, um filme brutal vindo do movimento dogma. aparentemente, ele também tinha uma demanda reprimida, então o filme vai contra tudo que o dogma prega: em locações (e que locações: itália, polônia, suíça, áfrica...) tecnologia, tempo, luz, tudo. mas é um belo filme, com uma visão de futuro muito bem administrada no nosso presente, uma história de amor muito real e estranhezas pipocando, como the flying ugandans. e claire danes.
também, por algum motivo que me escapa, olhei muito para a parede, fui até a janela, suspirei e voltei. repita 100 vezes. esperando algo que não sei o quê. mas esperando. mais demanda reprimida.
sexta-feira, setembro 02, 2005
venta em satolep. e parece que o vento nos leva a todos. não é katrina, mas é nosso pequeno ciclone. há uma sensação de que não se controla nada, de que andamos às cegas, em nossos relacionamentos e escolhas assim como nas ruas. como de fato andamos.
e a ilusão ou tentativa de controle é que fode tudo. podemos fazer escolhas, mas como elas se desenrolam não depende só de nós. quando você tenta conduzir a onda...
e de repente new orleans parece o iraque. com tanto lugar naquele país pra katrina destruir....
e a ilusão ou tentativa de controle é que fode tudo. podemos fazer escolhas, mas como elas se desenrolam não depende só de nós. quando você tenta conduzir a onda...
e de repente new orleans parece o iraque. com tanto lugar naquele país pra katrina destruir....
quinta-feira, setembro 01, 2005
nunca foi a intenção desse blog ficar só comentando meu consumo cultural, um popiário, como diz meu amigo érico, mas preciso dizer: odiei sin city.
quadrinhos e cinema tem uma relação passional e mal resolvida. nasceram quase juntos, um bebe do outro, mas os encontros não costuma ser felizes. as primeiras adaptações de filmes a partir dos quadrinhos foram risíveis e a sequência de desastres não é curta. robert rodriguez achou que tinha encontrado o caminho mais curto: nada de adaptação. transposição. literal. os quadrinhos na tela.
como ele fez a essas alturas acho que todo mundo já sabe: atores contra o fundo verde, a reprodução exata de cada enquadramento, iluminação, tudo, recriadas no computador.
bom, minha questão é: pra quê? se a história funcionava perfeitamente em quadrinhos.
e pior: não deu certo. pra mim, pelo menos, claro.
todo aquele exagero e simplificação que funcionam nos quadrinhos, a caricatura, os atalhos de linguagem ficam grotescos na tela. os atores se movem como bonecos, falam como clichês,a história passa a jato... (um desses teóricos dizia o seguinte: que o leitor acrescenta tempo entre um quadro e outro e é por isso que as histórias em quadrinhos podem ser tão rápidas. mas o cinema tem outro tempo. as coisas tem que se desenrolar, você não pode parar e olhar o quadrinho anterior ou olhar pro lado. então quando marv dizia cansado: essa guerra em que estou... a guerra tinha começado 5 minutos atrás! era ridículo. )
curiosamente, bitisa e luiza que viram comigo e não conhecem os quadrinhos, gostaram. então pode ser ranzincice minha. mas eu realmente não vejo futuro nenhum para esse tipo de transposição literal. você tem que ter algum motivo pra fazer uma releitura. algum ganho. eu preferia ver o marv em silêncio.
quadrinhos e cinema tem uma relação passional e mal resolvida. nasceram quase juntos, um bebe do outro, mas os encontros não costuma ser felizes. as primeiras adaptações de filmes a partir dos quadrinhos foram risíveis e a sequência de desastres não é curta. robert rodriguez achou que tinha encontrado o caminho mais curto: nada de adaptação. transposição. literal. os quadrinhos na tela.
como ele fez a essas alturas acho que todo mundo já sabe: atores contra o fundo verde, a reprodução exata de cada enquadramento, iluminação, tudo, recriadas no computador.
bom, minha questão é: pra quê? se a história funcionava perfeitamente em quadrinhos.
e pior: não deu certo. pra mim, pelo menos, claro.
todo aquele exagero e simplificação que funcionam nos quadrinhos, a caricatura, os atalhos de linguagem ficam grotescos na tela. os atores se movem como bonecos, falam como clichês,a história passa a jato... (um desses teóricos dizia o seguinte: que o leitor acrescenta tempo entre um quadro e outro e é por isso que as histórias em quadrinhos podem ser tão rápidas. mas o cinema tem outro tempo. as coisas tem que se desenrolar, você não pode parar e olhar o quadrinho anterior ou olhar pro lado. então quando marv dizia cansado: essa guerra em que estou... a guerra tinha começado 5 minutos atrás! era ridículo. )
curiosamente, bitisa e luiza que viram comigo e não conhecem os quadrinhos, gostaram. então pode ser ranzincice minha. mas eu realmente não vejo futuro nenhum para esse tipo de transposição literal. você tem que ter algum motivo pra fazer uma releitura. algum ganho. eu preferia ver o marv em silêncio.
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