quarta-feira, junho 15, 2005
terça-feira, junho 14, 2005
então agora com comments, que voltaram como um gato de rua vagabundo.
já que o jorge também voltou, deixa eu contar, que ele ficava me repetindo, como um mantra: fantagraphics, fantagraphics... bom, tá lá, jorge. graças ao esforço do wilbur, que pegou um stand numa convenção americana, a mocca, uma amostra do meu trabalho foi distribuída para alguns editores que faziam sentido com o perfil. faço questão de manter minhas expectativas violentamente baixas, porque não sou um iludido, sei que existem 200 artistas novos aparecendo todo dia. mas é bacana saber que o trabalho está lá. é um começo. e também me deu graça de montar uma amostra impressa. as falhas aparecem muito mais e você sofre como um cão, mas vale a pena.
(depois, lendo o relato que heidi faz do festival, mais uma frase, um motivo for sobering: As many people pointed out, the entrance level for new cartoonists is now so high that an excellence of craft is already assumed. )
terminando uma história longa e trabalhosa, que espero mostrar em breve aos amigos. e hoje acordei com a próxima, literalmente. sonhei ontem com o próximo personagem. é o tipo de coisa que me acontece. aí você vê, jorge, a utilidade de se lembrar dos sonhos. :)
já que o jorge também voltou, deixa eu contar, que ele ficava me repetindo, como um mantra: fantagraphics, fantagraphics... bom, tá lá, jorge. graças ao esforço do wilbur, que pegou um stand numa convenção americana, a mocca, uma amostra do meu trabalho foi distribuída para alguns editores que faziam sentido com o perfil. faço questão de manter minhas expectativas violentamente baixas, porque não sou um iludido, sei que existem 200 artistas novos aparecendo todo dia. mas é bacana saber que o trabalho está lá. é um começo. e também me deu graça de montar uma amostra impressa. as falhas aparecem muito mais e você sofre como um cão, mas vale a pena.
(depois, lendo o relato que heidi faz do festival, mais uma frase, um motivo for sobering: As many people pointed out, the entrance level for new cartoonists is now so high that an excellence of craft is already assumed. )
terminando uma história longa e trabalhosa, que espero mostrar em breve aos amigos. e hoje acordei com a próxima, literalmente. sonhei ontem com o próximo personagem. é o tipo de coisa que me acontece. aí você vê, jorge, a utilidade de se lembrar dos sonhos. :)
quinta-feira, junho 09, 2005
sempre procurando inimigos novos, minha coluna amanhã vai ser uma carta de amor aos vegetarianos.
o arroz integral é seu amigo (não meu)
Quando eu era lamentavelmente jovem, entediei minha família com uma tentativa de dieta macrobiótica, o que hoje me parece uma forma moderada de loucura, sendo um sistema que tem como objetivo viver feliz comendo só arroz integral. Depois fui um vegetariano inconstante e hoje sou um onívoro feliz. Sobre a macrobiótica, basta lembrar uma tirada ótima de Tom Zé: se você está doente, ela pode lhe deixar saudável. E vice-versa.
Mas como todo mundo, depois de um final de semana de excessos, parece razoável limpar um pouco o sistema. Fui a um vegetariano. Não vou nem entrar no fato deles já serem baratos o sufiente para não precisar ser a quilo, mas enfim.
Consegui passar pelas saladas. Afinal, sou amigo das folhas, com um pouco de azeite se está bem. Mas quando voltei para me encontrar com um prato quente, honestamente meus sentidos preliminares, visão e olfato, me avisaram o suficiente que o paladar não encontraria nada ali. Uma tristeza de se ver. Paguei minha salada e continuei meu almoço em outro lugar. Não foi a primeira vez.
Jeffrey Steingarten, que escreveu o sensacional O Homem que Comeu de Tudo, definiu bem esse drama: as pessoas esquecem que para fazer uma salada (e comida vegetariana em geral) se precisa mais arte. Não menos. Um peixe, por exemplo, se faz quase sozinho. Mas para transformar folhas e legumes em algo atraente um pouco de esforço se faz necessário. Imaginação. Alguma maldade. Mas há uma mortificação nos vegetarianos. Uma culpa cristã, uma condenação do prazer. Não basta ser saudável?
Uma dieta exclusiva de pasto é o suficiente para bovinos. Ou de carne crua para felinos. Animais não conhecem o tédio. Mas uma da coisas que nos faz humanos é nosso desejo de variedade. Uma certa perversão dos alimentos. A busca por especiarias fez os homens atravessarem oceanos desconhecidos.
São característica compartilhadas por vegetarianos em várias cidades, mas aqui, o Tao oferece um cenário mais simpático. Ao chegar, a visão de um cardápio na mesa já oferece consolo. É sempre um sinal de civilização, de que escolhas lhe são oferecidas.
Possivelmente condenado pelo cânone, por oferecer peixe e frango, o lugar comete outros pecados, como ostentar temperos na mesa. Se pode fazer uma refeição leve, barata e saborosa.
Há vida além do arroz integral.
o arroz integral é seu amigo (não meu)
Quando eu era lamentavelmente jovem, entediei minha família com uma tentativa de dieta macrobiótica, o que hoje me parece uma forma moderada de loucura, sendo um sistema que tem como objetivo viver feliz comendo só arroz integral. Depois fui um vegetariano inconstante e hoje sou um onívoro feliz. Sobre a macrobiótica, basta lembrar uma tirada ótima de Tom Zé: se você está doente, ela pode lhe deixar saudável. E vice-versa.
Mas como todo mundo, depois de um final de semana de excessos, parece razoável limpar um pouco o sistema. Fui a um vegetariano. Não vou nem entrar no fato deles já serem baratos o sufiente para não precisar ser a quilo, mas enfim.
Consegui passar pelas saladas. Afinal, sou amigo das folhas, com um pouco de azeite se está bem. Mas quando voltei para me encontrar com um prato quente, honestamente meus sentidos preliminares, visão e olfato, me avisaram o suficiente que o paladar não encontraria nada ali. Uma tristeza de se ver. Paguei minha salada e continuei meu almoço em outro lugar. Não foi a primeira vez.
Jeffrey Steingarten, que escreveu o sensacional O Homem que Comeu de Tudo, definiu bem esse drama: as pessoas esquecem que para fazer uma salada (e comida vegetariana em geral) se precisa mais arte. Não menos. Um peixe, por exemplo, se faz quase sozinho. Mas para transformar folhas e legumes em algo atraente um pouco de esforço se faz necessário. Imaginação. Alguma maldade. Mas há uma mortificação nos vegetarianos. Uma culpa cristã, uma condenação do prazer. Não basta ser saudável?
Uma dieta exclusiva de pasto é o suficiente para bovinos. Ou de carne crua para felinos. Animais não conhecem o tédio. Mas uma da coisas que nos faz humanos é nosso desejo de variedade. Uma certa perversão dos alimentos. A busca por especiarias fez os homens atravessarem oceanos desconhecidos.
São característica compartilhadas por vegetarianos em várias cidades, mas aqui, o Tao oferece um cenário mais simpático. Ao chegar, a visão de um cardápio na mesa já oferece consolo. É sempre um sinal de civilização, de que escolhas lhe são oferecidas.
Possivelmente condenado pelo cânone, por oferecer peixe e frango, o lugar comete outros pecados, como ostentar temperos na mesa. Se pode fazer uma refeição leve, barata e saborosa.
Há vida além do arroz integral.
quarta-feira, junho 08, 2005
isso deve ser a coisa mais politicamente incorreta que já vi, mas é brutalmente engraçado. conheça o mundo sem sair de casa com foreigners around the world, by the national lampoon.
segunda-feira, junho 06, 2005
é tão raro, tão raro, mas a semana foi tão produtiva que consegui entrar na sexta sem culpas. começar o final de semana devendo nada pra mim. dever pra si é pior do que para os outros. não, é tão ruim quanto.
assim, consegui flanar pelos dias sem pensar em quadrinhos. nem um pensamento furtivo, fugidio e atormentado. nada. eu era um operário padrão de férias. merecidas.
hoje, cheio de alegria de pensar em voltar para a mesa de desenho.
_____________________________________________
the dean´s december
lembro de momus descrevendo saul bellow como seu tipo de papa. um papa humano e humanista, iluminado. me reencontrei com ele (bellow, não momus) nesse fim de semana e é sempre o mesmo rosto que ele oferece: a cara marcada pelo tempo, o corpo se desintegrando, mas a mente um prodígio ainda de análise, interna e externa. unforgiving. nada passa por ele. nenhuma das 200 circunstâncias e detalhes e fatores que envolvem a conversa mais breve em um café. todo mundo tem um passado, um set de origens, um set de pensamento, uma filosofia, mesmo que não saiba; e quando dois humanos se encontram, uma biblioteca inteira os cerca. uma multidão ouve sua conversa e oferece insights ou perturbações. não é só na cama que nunca estamos sozinhos.
e de alguma maneira, o fantasma de bellow me segue depois pelo dia, dando palpites nas minhas meditações, como fantasmas mais ilustres davam a ele. é uma boa companhia.
eu reconheço essa voz, cheia de dúvidas, uma virtude que o conhecimento não apagou. pelo contrário. ele descreve seu personagem como alguém que leu livros demais. como alguém que não teve a sabedoria prática de desconsiderar esses livros, depois de uma certa idade. o reencontro do personagem com um companheiro de geração mais bem sucedido em se descolar desses livros é muito significativo. esse amigo dele parou de ouvir vozes. nenhum daqueles pensadores do passado que enchiam de entusiasmo as tardes adolescentes dos dois aparece mais para ele. ele pode exercitar suas mesquinharias sem pensar em rilke ou walt whitman. eles não estão mais por perto para ouvi-lo ou vê-lo fazer isso. a vida fica mais fácil.
você fica com a impressão que os escritores são como as fadas de peter pan. só vivem enquanto você acredita neles ou nelas.
assim, consegui flanar pelos dias sem pensar em quadrinhos. nem um pensamento furtivo, fugidio e atormentado. nada. eu era um operário padrão de férias. merecidas.
hoje, cheio de alegria de pensar em voltar para a mesa de desenho.
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the dean´s december
lembro de momus descrevendo saul bellow como seu tipo de papa. um papa humano e humanista, iluminado. me reencontrei com ele (bellow, não momus) nesse fim de semana e é sempre o mesmo rosto que ele oferece: a cara marcada pelo tempo, o corpo se desintegrando, mas a mente um prodígio ainda de análise, interna e externa. unforgiving. nada passa por ele. nenhuma das 200 circunstâncias e detalhes e fatores que envolvem a conversa mais breve em um café. todo mundo tem um passado, um set de origens, um set de pensamento, uma filosofia, mesmo que não saiba; e quando dois humanos se encontram, uma biblioteca inteira os cerca. uma multidão ouve sua conversa e oferece insights ou perturbações. não é só na cama que nunca estamos sozinhos.
e de alguma maneira, o fantasma de bellow me segue depois pelo dia, dando palpites nas minhas meditações, como fantasmas mais ilustres davam a ele. é uma boa companhia.
eu reconheço essa voz, cheia de dúvidas, uma virtude que o conhecimento não apagou. pelo contrário. ele descreve seu personagem como alguém que leu livros demais. como alguém que não teve a sabedoria prática de desconsiderar esses livros, depois de uma certa idade. o reencontro do personagem com um companheiro de geração mais bem sucedido em se descolar desses livros é muito significativo. esse amigo dele parou de ouvir vozes. nenhum daqueles pensadores do passado que enchiam de entusiasmo as tardes adolescentes dos dois aparece mais para ele. ele pode exercitar suas mesquinharias sem pensar em rilke ou walt whitman. eles não estão mais por perto para ouvi-lo ou vê-lo fazer isso. a vida fica mais fácil.
você fica com a impressão que os escritores são como as fadas de peter pan. só vivem enquanto você acredita neles ou nelas.
quinta-feira, junho 02, 2005
é um dia do inferno, então nada mais apropriado que recomende a vocês zombieeatbrains, um blog sobre o quê? ah sim. um zombie crazy for braaaaaains. fucking hilarious. depois do vigésimo post intitulado brains, eu não podia mais parar de rir como um maníaco. isso em um dia ruim.
segunda-feira, maio 30, 2005
notas antes do apocalipse:
trabalhando, trabalhando muito.
os comments sumiram mesmo, mas aparentemente são como meu gato: voltam um dia.
vimos nesse final de semana o dvd de diana krall ao vivo em paris e defini meu free pass de vez, augusto. quem só viu fotos dela ou só ouviu a voz de veludo, mel e uísque não tem a visão completa: é vê-la, cantando.
o free pass, pra quem não lembra, vem de uma gag de friends: ross tem uma lista de free passes, atrizes de cinema com quem ele poderia ficar, se a oportunidade surgisse (haha) e sua namorada "entenderia". bitisa sugeriu chico buarque para ela, mas eu acho que ele está muito perto. :) hey, um marido carioca recentemente se arrependeu disso.
vamos, enfim, começar a semana. cheia.
trabalhando, trabalhando muito.
os comments sumiram mesmo, mas aparentemente são como meu gato: voltam um dia.
vimos nesse final de semana o dvd de diana krall ao vivo em paris e defini meu free pass de vez, augusto. quem só viu fotos dela ou só ouviu a voz de veludo, mel e uísque não tem a visão completa: é vê-la, cantando.
o free pass, pra quem não lembra, vem de uma gag de friends: ross tem uma lista de free passes, atrizes de cinema com quem ele poderia ficar, se a oportunidade surgisse (haha) e sua namorada "entenderia". bitisa sugeriu chico buarque para ela, mas eu acho que ele está muito perto. :) hey, um marido carioca recentemente se arrependeu disso.
vamos, enfim, começar a semana. cheia.
quarta-feira, maio 25, 2005
Meio por acaso, como tudo, me tornei crítico gastronômico. não de fato, que isso seria coisa pro Augusto. Me tornei um palpiteiro, como sempre fui, com uma coluna no jornal local. Uma maneira fácil de consolidar a impressão que todo mundo tem de mim como esnobe e em breve ser mais amplamente odiado do que já era.
A primeira coluna foi um reaproveitamento de algo do blog, mas igual ponho aqui para divertir os amigos distantes. A próxima sai amanhã e ponho aqui outro dia. Enjoy. Or not.
Paris, Pelotas
Numa dessas negociações misteriosas entre as línguas, a palavra bistrô vem do russo. Segundo a lenda, oficiais russos impacientes com o serviço francês, famoso por seu ritmo próprio, demandavam: Bystro, que quer dizer rápido em russo. Pois o bistrô francês se tornou um lugar conhecido não só pela rapidez, mas por preços simpáticos e comida simples, mas saborosa.
Uma matéria recente no NYTimes perguntava se essa instituição ainda existiria: um lugar charmoso, simpático, de boa comida e preços aceitáveis. O resultado pode ter satisfeito os americanos, mas ainda é financeiramente obsceno para nós, que vivemos abaixo do Equador: o jornal encontrou (e comentou sobre) vários locais com - quase todas - as velhas características das casas parisienses. A média de preços, todavia, era de 30 euros por pessoa. Com o euro a R$ 3,50 em média, você faz as contas. Vinho não incluído.
Isso veio à minha mente um sábado atrás, quando fui provar o mocotó do Cruz de Malta. A conexão pode parecer absurda, mas veja: é tão fácil e simples resmungar da cidade em que moramos. No entanto, sentado a uma das mesas de janela de um sábado frio, no novo Cruz, versão revista e ampliada, eu e dois amigos tomamos um vinho chileno, comemos uma linguiça com provolone e tomamos o mocotó, que era o que esperávamos: quente, denso e reconfortante. Resultado: nossa conta deu 15 reais por pessoa. Algo em torno de 4 euros. Vinho incluído.
Algumas coisas, definitivamente você não encontra mais em Paris.
A primeira coluna foi um reaproveitamento de algo do blog, mas igual ponho aqui para divertir os amigos distantes. A próxima sai amanhã e ponho aqui outro dia. Enjoy. Or not.
Paris, Pelotas
Numa dessas negociações misteriosas entre as línguas, a palavra bistrô vem do russo. Segundo a lenda, oficiais russos impacientes com o serviço francês, famoso por seu ritmo próprio, demandavam: Bystro, que quer dizer rápido em russo. Pois o bistrô francês se tornou um lugar conhecido não só pela rapidez, mas por preços simpáticos e comida simples, mas saborosa.
Uma matéria recente no NYTimes perguntava se essa instituição ainda existiria: um lugar charmoso, simpático, de boa comida e preços aceitáveis. O resultado pode ter satisfeito os americanos, mas ainda é financeiramente obsceno para nós, que vivemos abaixo do Equador: o jornal encontrou (e comentou sobre) vários locais com - quase todas - as velhas características das casas parisienses. A média de preços, todavia, era de 30 euros por pessoa. Com o euro a R$ 3,50 em média, você faz as contas. Vinho não incluído.
Isso veio à minha mente um sábado atrás, quando fui provar o mocotó do Cruz de Malta. A conexão pode parecer absurda, mas veja: é tão fácil e simples resmungar da cidade em que moramos. No entanto, sentado a uma das mesas de janela de um sábado frio, no novo Cruz, versão revista e ampliada, eu e dois amigos tomamos um vinho chileno, comemos uma linguiça com provolone e tomamos o mocotó, que era o que esperávamos: quente, denso e reconfortante. Resultado: nossa conta deu 15 reais por pessoa. Algo em torno de 4 euros. Vinho incluído.
Algumas coisas, definitivamente você não encontra mais em Paris.
terça-feira, maio 24, 2005
quinta-feira, maio 19, 2005
O cartaz de Herói, de Zhang Ymou, contém uma frase que parece absurda em sua pretensão: "talvez o mais belo filme já feito".
absurdo, uh?
bom, depois de sair do cinema eu não achava mais. honestamente: qual filme já vi mais espetacular visualmente, melhor coreografado com a câmera, com mais atenção a cores, ambientes, cenários, desenho de produção, etc? não consegui lembrar de nenhum.
a história, apesar de intrincada, é simples, tem um tom de parábola. Um Guerreiro Sem Nome chega ao Castelo do Imperador... mas é uma parábola relida, revista, quatro vezes (ou cinco?), cada uma com uma cor dominante, com uma visão diferente da história. A ação é espetacular, jet li não faz feio como ator e as chinesas são absurdamente lindas.
satisfação total.
absurdo, uh?
bom, depois de sair do cinema eu não achava mais. honestamente: qual filme já vi mais espetacular visualmente, melhor coreografado com a câmera, com mais atenção a cores, ambientes, cenários, desenho de produção, etc? não consegui lembrar de nenhum.
a história, apesar de intrincada, é simples, tem um tom de parábola. Um Guerreiro Sem Nome chega ao Castelo do Imperador... mas é uma parábola relida, revista, quatro vezes (ou cinco?), cada uma com uma cor dominante, com uma visão diferente da história. A ação é espetacular, jet li não faz feio como ator e as chinesas são absurdamente lindas.
satisfação total.
quarta-feira, maio 18, 2005
para os desenhistas perdidos que passam por aqui.
uma palavra em inglês me mantém obsecado. não a palavra em si, claro, mas o significado dela. craft. algo difícil de traduzir. seria a técnica, a habilidade, o fazer, o artesanato, o knowhow.
eu me mato pelo craft. eu arranco meus cabelos todo dia, em busca de mais e melhor craft. eu olho com horror para páginas que fiz meses atrás e com esperança para as próximas. eu estou convencido de que nunca vou desenhar nada próximo do modelo que almejo.
e hoje eu esbarro com esse texto do james kochalka: craft is the enemy. uma espécie de hino punk. aqui você encontra o texto original e aqui uma entrevista onde ele desenvolve esses pensamentos e outros.
que possa lhe servir de algum alívio. temporário. mas alívio.
uma palavra em inglês me mantém obsecado. não a palavra em si, claro, mas o significado dela. craft. algo difícil de traduzir. seria a técnica, a habilidade, o fazer, o artesanato, o knowhow.
eu me mato pelo craft. eu arranco meus cabelos todo dia, em busca de mais e melhor craft. eu olho com horror para páginas que fiz meses atrás e com esperança para as próximas. eu estou convencido de que nunca vou desenhar nada próximo do modelo que almejo.
e hoje eu esbarro com esse texto do james kochalka: craft is the enemy. uma espécie de hino punk. aqui você encontra o texto original e aqui uma entrevista onde ele desenvolve esses pensamentos e outros.
que possa lhe servir de algum alívio. temporário. mas alívio.
segunda-feira, maio 16, 2005
ando pouco dedicado ao blog. projetos, trabalhos, conspirações.
nesse meio tempo, montei um princípio de site com os quadrinhos em inglês. pra quem vem sempre aqui, a maior parte é conhecida, mas aqui está. talvez em breve ponha mais.
como dizia bacon, champagne for my real friends, real pain for my sham friends.
nesse meio tempo, montei um princípio de site com os quadrinhos em inglês. pra quem vem sempre aqui, a maior parte é conhecida, mas aqui está. talvez em breve ponha mais.
como dizia bacon, champagne for my real friends, real pain for my sham friends.
terça-feira, maio 10, 2005
segunda-feira, maio 09, 2005
chegando atrasado no dia, que segunda-feira tem dessas coisas. a dureza de começar.
final de semana completamente (sensacionalmente) hedonista. não fiz nada de útil, nada de produtivo e de alguma forma consegui driblar a culpa. comi excepcionalmente.
esse artigo no NYTimes comentava de como ainda era possível encontrar um bistrô barato em paris, um lugar onde se comesse bem e barato, como por exemplo esses citados, lugares de menu fixo de 30 euros por pessoa.
sábado no almoço comentava isso com augusto. eu, ele e bitisa almoçamos no cruz de malta, nosso pub ou bistrô local. na verdade é um boteco maravilhoso, templo do melhor croquete do universo. ele foi ampliado recentemente, mas sem perder a personalidade. ficou maior, mais confortável, mas ainda nosso lar. e agora tem mocotó aos sábados. pois sentamos, eu, augusto e bitisa, falando agradavelmente sobre nada em uma mesa com janela, tomamos um casillero del diablo, comemos uma linguiça na grelha coberta por provolone e depois um mocotó muito reconfortante. resultado: nossa conta não deu 4 euros por pessoa. eu dizia em algum lugar que cada um tem a paris que merece, mas essa nossa paris tem suas alegrias.
_____________________________________________________
no mesmo sábado, o incansável augusto nos fez jantar, um porco com pimenta chinesa, cominho e coentro que quase me tirou lágrimas (de pimenta) e no domingo, famigerado dia das mães, almoçei com minha família na casa da avó , em pedro osório. banquete rural, com ovelha local, macia e muito, muito saborosa e muitas outras carnes. só de linguiça eram quatro tipos diferente. ah, e domingo de noite, bitisa fez chuleta (arte que ela domina como poucos) e vimos doris day.
resumindo, um final de semana de pesadelo para os vegetarianos, um festim pantagruélico, mas que me fez um homem feliz e bem alimentado. sim, a vida É bella.
final de semana completamente (sensacionalmente) hedonista. não fiz nada de útil, nada de produtivo e de alguma forma consegui driblar a culpa. comi excepcionalmente.
esse artigo no NYTimes comentava de como ainda era possível encontrar um bistrô barato em paris, um lugar onde se comesse bem e barato, como por exemplo esses citados, lugares de menu fixo de 30 euros por pessoa.
sábado no almoço comentava isso com augusto. eu, ele e bitisa almoçamos no cruz de malta, nosso pub ou bistrô local. na verdade é um boteco maravilhoso, templo do melhor croquete do universo. ele foi ampliado recentemente, mas sem perder a personalidade. ficou maior, mais confortável, mas ainda nosso lar. e agora tem mocotó aos sábados. pois sentamos, eu, augusto e bitisa, falando agradavelmente sobre nada em uma mesa com janela, tomamos um casillero del diablo, comemos uma linguiça na grelha coberta por provolone e depois um mocotó muito reconfortante. resultado: nossa conta não deu 4 euros por pessoa. eu dizia em algum lugar que cada um tem a paris que merece, mas essa nossa paris tem suas alegrias.
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no mesmo sábado, o incansável augusto nos fez jantar, um porco com pimenta chinesa, cominho e coentro que quase me tirou lágrimas (de pimenta) e no domingo, famigerado dia das mães, almoçei com minha família na casa da avó , em pedro osório. banquete rural, com ovelha local, macia e muito, muito saborosa e muitas outras carnes. só de linguiça eram quatro tipos diferente. ah, e domingo de noite, bitisa fez chuleta (arte que ela domina como poucos) e vimos doris day.
resumindo, um final de semana de pesadelo para os vegetarianos, um festim pantagruélico, mas que me fez um homem feliz e bem alimentado. sim, a vida É bella.
quinta-feira, maio 05, 2005
essa é uma história comprida. talvez comprida demais. bom, vamos ver até onde vai sua paciência com minha fascinação por tecnologia. foi escrito em muitos pedaços, idas e vindas, conforme eu ia seguindo os links, então, perdão se não fizer muito sentido. afinal, isso não é jornalismo. :)
_____________________________________________
começa com a leitura diária do momus. que vive uma vida ridiculamente charmosa, digamos. ele estava em paris, para ser fotografado para uma exposição que fará junto com uma artista japonesa. e fez um videozinho de seus passeios indolentes pela cidade. subitamente, no meio do video, eu vejo algo que me interessa por demais. uma curiosidade antiga. flashback:
_______________________________________________
um brinquedo tecnológico novo, que me intrigava há algum tempo, era o It. foi assim que ouvi falar dele, alguns anos atrás. It. um projeto secreto que ia ser a maior invenção da humanidade (ou outra frase grandiosa do gênero).
hoje descobri que ela tem nome, existe e é realmente sensacional.
chama-se segway e é difícil explicar o que é. você pode colocar a palavra no google e clicar no botão imagens para vê-lo. digamos o patinete dos jetsons. parece só um brinquedo sensacional, mas segundo seu criador, ele está para o carro como o carro para os cavalos. pense bem: é não poluente, silencioso, movido a uma bateria recarregável...
_________________________________________________
ah, o criador é um caso a parte. trechos da biografia dele: The world of technology has never been short of eccentrics and obsessives, of rich, brilliant oddballs with strange habits and stranger hobbies. But even in this crowd, Dean Kamen stands out. The 50-year-old son of a comic-book artist, he is a college dropout, a self-taught physicist and mechanical engineer with a handful of honorary doctorates, a multimillionaire who wears the same outfit for every occasion: blue jeans, a blue work shirt and a pair of Timberland boots.
A bachelor, Kamen lives near Manchester in a hexagonally shaped, 32,000-sq.-ft. house he designed. Outside, there's a giant wind turbine to generate power and a fully lighted baseball diamond; in the basement, a foundry and a machine shop. Kamen's vehicles include a Hummer, a Porsche and two helicopters--both of which he helped design and one of which he uses to commute to work each day. He also owns an island off the coast of Connecticut. He calls it North Dumpling, and he considers it a sovereign state. It has a flag, a navy, a currency (one bill has the value of pi) and a mutual nonaggression pact with the U.S., signed by Kamen and the first President Bush.
___________________________________________
tudo muito bem, o futuro chegou, o homem é brilhante...but I did smell a rat: como é que não se falava disso? afinal, não vivemos exatamente no sertão. fiz uma outra busca. escrevi no google segway failure. oh oh.
____________________________________________
apareceram coisas como esse cartum. ou esse comentário revoltado . ou essa notícia. curioso é que a pesquisa foi de fato avançando no tempo. e eu seguindo a saga como uma novela.
_________________________________________
basicamente, o que eu pude apreender é: ele termina sua bateria abruptamente. (pessoas caíram dele assim). ele é caro (4.000 dólares ou mais). americanos realmente amam seus carros. ponto.
__________________________________________
o fato é que ele ainda não morreu. o mercado empresarial continua grande. aparentemente o serviço de correios vai usá-lo, a polícia... mas também não se configura um futuro como o que steve jobs descreveu: Cities will be built around it .
aqui, você encontra o site deles.
aqui, eu encontrei o sucessor dele, construído pela mesma companhia. mas você sente nele um clima de "bom, vai ser mesmo um brinquedo para ricos, então let´s make it even more fun."
para quem pretendia mudar o mundo, não é muito.
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começa com a leitura diária do momus. que vive uma vida ridiculamente charmosa, digamos. ele estava em paris, para ser fotografado para uma exposição que fará junto com uma artista japonesa. e fez um videozinho de seus passeios indolentes pela cidade. subitamente, no meio do video, eu vejo algo que me interessa por demais. uma curiosidade antiga. flashback:
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um brinquedo tecnológico novo, que me intrigava há algum tempo, era o It. foi assim que ouvi falar dele, alguns anos atrás. It. um projeto secreto que ia ser a maior invenção da humanidade (ou outra frase grandiosa do gênero).
hoje descobri que ela tem nome, existe e é realmente sensacional.
chama-se segway e é difícil explicar o que é. você pode colocar a palavra no google e clicar no botão imagens para vê-lo. digamos o patinete dos jetsons. parece só um brinquedo sensacional, mas segundo seu criador, ele está para o carro como o carro para os cavalos. pense bem: é não poluente, silencioso, movido a uma bateria recarregável...
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ah, o criador é um caso a parte. trechos da biografia dele: The world of technology has never been short of eccentrics and obsessives, of rich, brilliant oddballs with strange habits and stranger hobbies. But even in this crowd, Dean Kamen stands out. The 50-year-old son of a comic-book artist, he is a college dropout, a self-taught physicist and mechanical engineer with a handful of honorary doctorates, a multimillionaire who wears the same outfit for every occasion: blue jeans, a blue work shirt and a pair of Timberland boots.
A bachelor, Kamen lives near Manchester in a hexagonally shaped, 32,000-sq.-ft. house he designed. Outside, there's a giant wind turbine to generate power and a fully lighted baseball diamond; in the basement, a foundry and a machine shop. Kamen's vehicles include a Hummer, a Porsche and two helicopters--both of which he helped design and one of which he uses to commute to work each day. He also owns an island off the coast of Connecticut. He calls it North Dumpling, and he considers it a sovereign state. It has a flag, a navy, a currency (one bill has the value of pi) and a mutual nonaggression pact with the U.S., signed by Kamen and the first President Bush.
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tudo muito bem, o futuro chegou, o homem é brilhante...but I did smell a rat: como é que não se falava disso? afinal, não vivemos exatamente no sertão. fiz uma outra busca. escrevi no google segway failure. oh oh.
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apareceram coisas como esse cartum. ou esse comentário revoltado . ou essa notícia. curioso é que a pesquisa foi de fato avançando no tempo. e eu seguindo a saga como uma novela.
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basicamente, o que eu pude apreender é: ele termina sua bateria abruptamente. (pessoas caíram dele assim). ele é caro (4.000 dólares ou mais). americanos realmente amam seus carros. ponto.
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o fato é que ele ainda não morreu. o mercado empresarial continua grande. aparentemente o serviço de correios vai usá-lo, a polícia... mas também não se configura um futuro como o que steve jobs descreveu: Cities will be built around it .
aqui, você encontra o site deles.
aqui, eu encontrei o sucessor dele, construído pela mesma companhia. mas você sente nele um clima de "bom, vai ser mesmo um brinquedo para ricos, então let´s make it even more fun."
para quem pretendia mudar o mundo, não é muito.
quarta-feira, maio 04, 2005
publicar links, não se enganem, é um ato bastante egoísta. além da vaidade envolvida (eu encontrei isso), serve como um bookmark mais encontrável, um marcador no livro de areia que é a internet. e o blog se torna entre outras coisas, além de diário, café, pub, mesa de bar, uma agenda onde se anotam coisas.
então, ironicamente, em um dia que não posso entrar e aproveitar, encontro uma porta para a biblioteca de babel. como eles mesmo citam, There is no other archive quite like The Paris Review interviews. Se não todos os fantasmas queridos, os mortos amados, pelo menos um número impressionate deles. Bem entrevistados e com uma formatação bonita, em PDF, que se lê com mais prazer do que aqueles textos intermináveis em letrinha miúda.
pegue um café, acenda seu cachimbo, charuto, cigarro e enjoy.
então, ironicamente, em um dia que não posso entrar e aproveitar, encontro uma porta para a biblioteca de babel. como eles mesmo citam, There is no other archive quite like The Paris Review interviews. Se não todos os fantasmas queridos, os mortos amados, pelo menos um número impressionate deles. Bem entrevistados e com uma formatação bonita, em PDF, que se lê com mais prazer do que aqueles textos intermináveis em letrinha miúda.
pegue um café, acenda seu cachimbo, charuto, cigarro e enjoy.
terça-feira, maio 03, 2005
talvez eu ande falando demais de william gibson? hmm, talvez.
aqui, em um trecho de Idoru, um executivo das comunicações do futuro descrevendo sua audiência (ideal?):
"Which is best visualized as a vicious, lazy, profoundly ignorant, perpetually hungry organism craving the warm god-flesh of the anointed. Personally I like to imagine something the size of a baby hippo, the color of a week-old boiled potato, that lives by itself, in the dark, in a double-wide on the outskirts of Topeka. It?s covered with eyes and it sweats constantly. The sweat runs into those eyes and makes them sting. It has no mouth, Laney, no genitals, and can only express its mute extremes of murderous rage and infantile desire by changing the channels on a universal remote. Or by voting in presidential elections."
aqui, em um trecho de Idoru, um executivo das comunicações do futuro descrevendo sua audiência (ideal?):
"Which is best visualized as a vicious, lazy, profoundly ignorant, perpetually hungry organism craving the warm god-flesh of the anointed. Personally I like to imagine something the size of a baby hippo, the color of a week-old boiled potato, that lives by itself, in the dark, in a double-wide on the outskirts of Topeka. It?s covered with eyes and it sweats constantly. The sweat runs into those eyes and makes them sting. It has no mouth, Laney, no genitals, and can only express its mute extremes of murderous rage and infantile desire by changing the channels on a universal remote. Or by voting in presidential elections."
passei os dois últimos dias em outro lugar. sabe aquela brincadeira juvenil de perguntar: se não eu estou em milão nem em NY, eu devo estar em outro lugar, certo? logo não posso estar aqui. pois eu não estava aqui. na verdade estou chegando devagar. não fui abduzido, não experimentei um surto psicótico, mas passei dois dias me sentindo intensamente deslocado do mundo. hoje em pleno café aquário, eu olhava de fato por trás do vidro do aquário, humanos que passavam como peixes. são deslocamentos, dissociações suaves. afinal, trabalhei nesses dias, falei com os outros, mas a sensação era intensa de falar por trás de uma máscara.
devo dizer que a culpa não foi de philip K. dick e seu how to build a universe that doesn´t fall apart two day later embora seja um texto maravilhosamente perturbador.
falando nele, certamente vale apontar para essa pérola: ele sim teve um breakdown ou uma epifania ou uma iluminação ou. nem ele sabia como interpretar o que aconteceu. os relatos são de que ele passou o resto da vida tentando. mas o que nos interessa é que crumb quadrinizou o evento. ou o relato do. just go and look a master in action.
devo dizer que a culpa não foi de philip K. dick e seu how to build a universe that doesn´t fall apart two day later embora seja um texto maravilhosamente perturbador.
falando nele, certamente vale apontar para essa pérola: ele sim teve um breakdown ou uma epifania ou uma iluminação ou. nem ele sabia como interpretar o que aconteceu. os relatos são de que ele passou o resto da vida tentando. mas o que nos interessa é que crumb quadrinizou o evento. ou o relato do. just go and look a master in action.
sexta-feira, abril 29, 2005
tim boucher, o investigador do oculto não tinha nenhuma teoria sobre os sapos que explodem, mas ele tinha uma idéia muito boa, também um tanto apocalíptica: um tarot feito com celebridades, que simbolizem qualidades e situações contemporâneas. ou, nas palavras dele, an esoteric system which used celebrities as carriers of secret symbolic messages.
bem interessante. faz sentido para mim. da mesma maneira que as pessoas podem focalizar sua loucura na figura de uma cachorra morta, figuras como michael jackson ou o novo papa vem carregadas de significado. e não é difícil entender certos aspectos do nosso mundo através delas. dê uma espiada. ele já tem umas duas ou três prontas. é o segundo post.
bem interessante. faz sentido para mim. da mesma maneira que as pessoas podem focalizar sua loucura na figura de uma cachorra morta, figuras como michael jackson ou o novo papa vem carregadas de significado. e não é difícil entender certos aspectos do nosso mundo através delas. dê uma espiada. ele já tem umas duas ou três prontas. é o segundo post.
sapos explodindo? o que mais falta para se decretar que o fim está próximo? as sete pragas do egito?
quarta-feira, abril 27, 2005
como há muito tempo eu não apreciava tanto, não poupava tanto um livro, eu queria compartilhar algum william gibson com meus leitores.
aqui, você pode ler o começo de johnny menmonic.
aqui, um artigo muito interessante sobre singapura, já tem 10 anos, mas para nós ainda é o futuro.
aqui, eu descobri que, além de johnny menmonic, e do strange days (que não tem nenhum crédito, mas eu juro que é um conto do gibson), outro conto do burning chrome virou filme. mas apesar de ter cristopher walken e asia argento e ser dirigido por abel ferrara, não parece grande coisa.
enjoy the future.
aqui, você pode ler o começo de johnny menmonic.
aqui, um artigo muito interessante sobre singapura, já tem 10 anos, mas para nós ainda é o futuro.
aqui, eu descobri que, além de johnny menmonic, e do strange days (que não tem nenhum crédito, mas eu juro que é um conto do gibson), outro conto do burning chrome virou filme. mas apesar de ter cristopher walken e asia argento e ser dirigido por abel ferrara, não parece grande coisa.
enjoy the future.
terça-feira, abril 26, 2005
tranelayout
the man. um estudo de coltrane. deixei essa como foi escaneada, me gusta ver essa imperfeicao do nanquim o lapis. um estagio antes do final. se voce for ate o flick,a versao finalizada esta ali no canto direito da dela, no next do photostream.
segunda-feira, abril 25, 2005
I worship the power of these lovely two
With that adoring love known to so few.
'Tis indeed a miracle, one must feel,
That two such heavenly creatures are real.
Em 1954, duas garotas da Nova Zelândia, envolvidas numa relação ambígua e apaixonada e um mundo fantasioso muito intenso protagonizaram uma pequena tragédia que mobilizou o país. 40 anos depois, um filme foi feito: heavenly creatures, almas gêmeas, em português, revelando o talento de peter jackson e de kate winslet. revi nesse final de semana, junto com bitisa, que via pela primeira vez. é um belíssimo filme, violento, lírico e muito estilizado. vou tentar aqui não revelar muito da história, embora não acho que isso importe. a força do filme está na narrativa, não nos fatos.
mas os fatos interessam. o filme é baseado nos diários de uma das meninas. acabado o filme, nos veio aquela curiosidade violenta: o que aconteceu com elas?
santa internet. bom, elas estão vivas. mudaram de nome, de país, de identidade. aqui, você encontra um resumo de como a imprensa acompanhou os fatos. e fotos da dupla na época. uma delas se tornou uma escritora, bastante bem sucedida, de livros policiais. a outra vive uma vida mais anônima. Não preciso dizer que se você seguir os links vai conhecer os fatos, mas não acho que atrapalhe sua percepção do filme, caso não tenha visto.
é um daqueles filmes que permanece. peter jackson equilibrou o drama, a fantasia e todos os elementos de forma muito vigorosa e você se vê encantado e preso à cadeira ao mesmo tempo. fui dormir pensando nelas e acordei ainda com o tema na cabeça. >br>
esse site dá uma visão geral do filme, com todo tipo de link possível.
fran, como você vê, o filme não foi na mala. esqueci de mandar. fica pra próxima. :)
With that adoring love known to so few.
'Tis indeed a miracle, one must feel,
That two such heavenly creatures are real.
Em 1954, duas garotas da Nova Zelândia, envolvidas numa relação ambígua e apaixonada e um mundo fantasioso muito intenso protagonizaram uma pequena tragédia que mobilizou o país. 40 anos depois, um filme foi feito: heavenly creatures, almas gêmeas, em português, revelando o talento de peter jackson e de kate winslet. revi nesse final de semana, junto com bitisa, que via pela primeira vez. é um belíssimo filme, violento, lírico e muito estilizado. vou tentar aqui não revelar muito da história, embora não acho que isso importe. a força do filme está na narrativa, não nos fatos.
mas os fatos interessam. o filme é baseado nos diários de uma das meninas. acabado o filme, nos veio aquela curiosidade violenta: o que aconteceu com elas?
santa internet. bom, elas estão vivas. mudaram de nome, de país, de identidade. aqui, você encontra um resumo de como a imprensa acompanhou os fatos. e fotos da dupla na época. uma delas se tornou uma escritora, bastante bem sucedida, de livros policiais. a outra vive uma vida mais anônima. Não preciso dizer que se você seguir os links vai conhecer os fatos, mas não acho que atrapalhe sua percepção do filme, caso não tenha visto.
é um daqueles filmes que permanece. peter jackson equilibrou o drama, a fantasia e todos os elementos de forma muito vigorosa e você se vê encantado e preso à cadeira ao mesmo tempo. fui dormir pensando nelas e acordei ainda com o tema na cabeça. >br>
esse site dá uma visão geral do filme, com todo tipo de link possível.
fran, como você vê, o filme não foi na mala. esqueci de mandar. fica pra próxima. :)
sexta-feira, abril 22, 2005
tá pensando que ganhar a vida desenhando é só alegria?
e-mail que mandei hoje para meu amigo/cliente/encomendador de ilustrações:
"Fico esperando o dia em que o tema das ilustrações seja Borges, Cortazar ou Coltrane em vez de A alavancagem de instrumentos inovadores de fomento como cooperativas de crédito. "
:)
e-mail que mandei hoje para meu amigo/cliente/encomendador de ilustrações:
"Fico esperando o dia em que o tema das ilustrações seja Borges, Cortazar ou Coltrane em vez de A alavancagem de instrumentos inovadores de fomento como cooperativas de crédito. "
:)
people are crazy. ou talvez, como cantava nick cave, people just ain´t no good.
os amigos de fora talvez lembrem ainda da história da cachorrinha que foi morta aqui, codinome preta. tudo muito lamntável, por supuesto e eu ficaria pelo menos em parte feliz de ver as criaturas essas tendo sua cara esfregada no chão, mas o grau de histeria coletiva na cidade é inimaginável para quem está fora. já tivemos passeata, camisetas, e-mails circulando com as fotos dos envolvidos e ameaças de morte, mutilação, tortura...aparentemente os amantes de animais podem ser bem violentos.
exemplo em questão: aninha, visitante desse blog, tem seu blog. E uma filha. E fez a bobagem de entrar na comunidade da preta no orkut (sim, existe). Ao se afastar um milímetro do dogma canino, isso é o que ela recebeu:
Na comunidade da cadela preta no orkut, sobre o meu post:"acho q ela não ia gostar nada se alguém amarrasse a filha dela num carro e fizesse a mesma coisa. babaca, sem coração! imunda!"
ela fez um post a respeito desse comentário insano. alguns dos comments que apareceram no blog:
Concordo com a comunidade!!!!IMUNDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!Se eu soubesse onde vc mora...eu mesmo iria te amarrar no para choques!!!Carla 04.20.05 - 3:45 pm
pq vc não faz faculdade de prostituta, faz pós graduação em boquete, mestrado em anal e doutorado em vaginal??pq vc é uma puta, seria uma otima profissionalCHINA!LÉSBICA!SAPATÃO!PUTA!Chupadora de tico!Alguem 04.20.05 - 10:17 pm #
e por aí afora.
people are crazy.
os amigos de fora talvez lembrem ainda da história da cachorrinha que foi morta aqui, codinome preta. tudo muito lamntável, por supuesto e eu ficaria pelo menos em parte feliz de ver as criaturas essas tendo sua cara esfregada no chão, mas o grau de histeria coletiva na cidade é inimaginável para quem está fora. já tivemos passeata, camisetas, e-mails circulando com as fotos dos envolvidos e ameaças de morte, mutilação, tortura...aparentemente os amantes de animais podem ser bem violentos.
exemplo em questão: aninha, visitante desse blog, tem seu blog. E uma filha. E fez a bobagem de entrar na comunidade da preta no orkut (sim, existe). Ao se afastar um milímetro do dogma canino, isso é o que ela recebeu:
Na comunidade da cadela preta no orkut, sobre o meu post:"acho q ela não ia gostar nada se alguém amarrasse a filha dela num carro e fizesse a mesma coisa. babaca, sem coração! imunda!"
ela fez um post a respeito desse comentário insano. alguns dos comments que apareceram no blog:
Concordo com a comunidade!!!!IMUNDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!Se eu soubesse onde vc mora...eu mesmo iria te amarrar no para choques!!!Carla 04.20.05 - 3:45 pm
pq vc não faz faculdade de prostituta, faz pós graduação em boquete, mestrado em anal e doutorado em vaginal??pq vc é uma puta, seria uma otima profissionalCHINA!LÉSBICA!SAPATÃO!PUTA!Chupadora de tico!Alguem 04.20.05 - 10:17 pm #
e por aí afora.
people are crazy.
terça-feira, abril 19, 2005
so we have a nazi pope. :)
claro que isso é uma simplificação grosseira, mas digamos também que está longe do que se poderia chamar um bom começo. as primeiras informações que chegam são da posição dele, violentamente contra o aborto, homossexualismo... e parte do esforço para manter em segredo qualquer caso de abuso sexual dentro dos ranks da igreja.
digitando nazi pope no goggle, achei duas coisas curiosas:
um, esse site meio surtado, mas bem divertido, comentando sobre como as forças do mal trabalham junto com o vaticano. wilbur deve gostar desse. law gostaria também. por exemplo:
In other words, the required sacrificial animal, and the human victim, that could not be ceremonially murdered in the secret ceremony in the Roman Chapel within the walls of the Vatican could be carried out at the parallel ceremony in the off-site "Authorized Targeting Chapel". Martin says this chapel was located in South Carolina, USA! [Ibid.]However, each gesture, each word, of the ceremony in the Roman Chapel within the Vatican must be exactly, simultaneously carried out in the off-site chapel. To accomplish this feat, a telephone hookup was established. In each location, a senior priest who had carried out the ritual so any times they were perfectly familiar with the cadence of the gesture and the spoken word would begin at the same moment, and end at precisely the same moment. When the time came for the "living sacrifice" to be made, the ceremonial dagger in the Vatican would fall at precisely the same moment as the ceremonial dagger in the off-site chapel!
esse outro também não poderia ser chamado exatamente de sério, mas pelo menos é de um ser humano com algum contato com a realidade, bem informado e que já tinha apostado na escolha do Ratzinger. Ele coletou na internet um amontoado interessante de informação. vale a pena. e, hey, ele é um investigador do oculto. :)
claro que isso é uma simplificação grosseira, mas digamos também que está longe do que se poderia chamar um bom começo. as primeiras informações que chegam são da posição dele, violentamente contra o aborto, homossexualismo... e parte do esforço para manter em segredo qualquer caso de abuso sexual dentro dos ranks da igreja.
digitando nazi pope no goggle, achei duas coisas curiosas:
um, esse site meio surtado, mas bem divertido, comentando sobre como as forças do mal trabalham junto com o vaticano. wilbur deve gostar desse. law gostaria também. por exemplo:
In other words, the required sacrificial animal, and the human victim, that could not be ceremonially murdered in the secret ceremony in the Roman Chapel within the walls of the Vatican could be carried out at the parallel ceremony in the off-site "Authorized Targeting Chapel". Martin says this chapel was located in South Carolina, USA! [Ibid.]However, each gesture, each word, of the ceremony in the Roman Chapel within the Vatican must be exactly, simultaneously carried out in the off-site chapel. To accomplish this feat, a telephone hookup was established. In each location, a senior priest who had carried out the ritual so any times they were perfectly familiar with the cadence of the gesture and the spoken word would begin at the same moment, and end at precisely the same moment. When the time came for the "living sacrifice" to be made, the ceremonial dagger in the Vatican would fall at precisely the same moment as the ceremonial dagger in the off-site chapel!
esse outro também não poderia ser chamado exatamente de sério, mas pelo menos é de um ser humano com algum contato com a realidade, bem informado e que já tinha apostado na escolha do Ratzinger. Ele coletou na internet um amontoado interessante de informação. vale a pena. e, hey, ele é um investigador do oculto. :)
Augusto está na China, em uma feira comercial que parece a descrição do inferno. Enquanto ele não posta fotos das comidas sensacionais que está experimentando, dêem uma espiada nisso. O bom e velho Masa volta sua raiva juvenil contra as amostras falsas de comida que ficam nas vitrines dos restaurantes japoneses. Ele pode estar revoltado (as usual) e a comida pode ser falsa, mas ainda é a comida mais linda do mundo.
segunda-feira, abril 18, 2005
Alex Toth é, nenhuma outra palavra serve, um mestre. Someone who mastered his art. É o artista que pode desenhar qualquer coisa. Qualquer coisa. Com propriedade, elegância e economia. É quem pode nos chamar a qualquer dia, a qualquer hora, de vagabundos. (Entre os colegas desenhistas, claro.)
Num dos seus famosos bilhetes rabiscadosdo próprio punho, ele propunha que a DC fizesse com que seus artistas do momento desenhassem, por exemplo, um bebê asiático. Um negro. Um latino. Um garçom esnobe, um desinteressado, um enxerido. Não há garçom genérico. Há preguiça. Na minha cabeça, eu queria ter Toth como um sargento na escola de arte ideal, nos xingando o dia inteiro. Uma página qualquer do sketchbook dele, uma historinha rabiscada na hora do almoço, tem mais conhecimento, síntese e resultado do que eu possa aspirar ter na minha melhor página.
Não vou nem falar das páginas, dos layouts arrojados e orgânicos ao mesmo tempo. O homem nunca estava entediado, nunca trabalhava no automático. E, como você pode perceber, esse site juntou uma quantidade absurda de material a respeito dele. É onde eu vou para me chicotear.
Aliás, para continuar no assunto, o desejo de algum dia ter 10% da qualidade que ele tem é um bom motivo para continuar vivo. :)
Num dos seus famosos bilhetes rabiscadosdo próprio punho, ele propunha que a DC fizesse com que seus artistas do momento desenhassem, por exemplo, um bebê asiático. Um negro. Um latino. Um garçom esnobe, um desinteressado, um enxerido. Não há garçom genérico. Há preguiça. Na minha cabeça, eu queria ter Toth como um sargento na escola de arte ideal, nos xingando o dia inteiro. Uma página qualquer do sketchbook dele, uma historinha rabiscada na hora do almoço, tem mais conhecimento, síntese e resultado do que eu possa aspirar ter na minha melhor página.
Não vou nem falar das páginas, dos layouts arrojados e orgânicos ao mesmo tempo. O homem nunca estava entediado, nunca trabalhava no automático. E, como você pode perceber, esse site juntou uma quantidade absurda de material a respeito dele. É onde eu vou para me chicotear.
Aliás, para continuar no assunto, o desejo de algum dia ter 10% da qualidade que ele tem é um bom motivo para continuar vivo. :)
o ócio pode levar a coisas curiosas. como por exemplo, atividade típica e inofensiva, to goggle your friends. e encontrar fotos de wilbur em uma hackersparty.
(if you´re wondering what´s the point, sorry, no point. just something like smile, you´re on candid camera. or hey, this is my pal wilbur. haven´t seen him in a while. nice to see him again. or something like that.
hey, still beats monday´s suicide wish, uh?)
(if you´re wondering what´s the point, sorry, no point. just something like smile, you´re on candid camera. or hey, this is my pal wilbur. haven´t seen him in a while. nice to see him again. or something like that.
hey, still beats monday´s suicide wish, uh?)
en lunes uno quiere decir no. no, no quiero, que se vayan, que se. que me cago en tu padre, me cago en tu madre, me cago en la hostia, como nos decia hoy jorge.
pero uno prende a su cadaver y lo lleva por la calle hasta la oficina, donde lo esperan. it´s fucking monday.
monday, lunes, segunda-feira, eu vou pela rua estudando métodos de suicídio. uno lo haria por esgotamiento, por no más. se pode cansar de tudo. de estar vivo, de trabalhar, de ter aspirações, de sua família, de los dias que pasan y tienen que pasar...
eventually, you get over it. você toma seu café, come um doce com uma quantidade obscena de acúcar para acionar mecanismos químicos no cérebro e continua.
pero uno prende a su cadaver y lo lleva por la calle hasta la oficina, donde lo esperan. it´s fucking monday.
monday, lunes, segunda-feira, eu vou pela rua estudando métodos de suicídio. uno lo haria por esgotamiento, por no más. se pode cansar de tudo. de estar vivo, de trabalhar, de ter aspirações, de sua família, de los dias que pasan y tienen que pasar...
eventually, you get over it. você toma seu café, come um doce com uma quantidade obscena de acúcar para acionar mecanismos químicos no cérebro e continua.
sexta-feira, abril 15, 2005
uma desgraça tende a anular a outra e nós, a esquecer, por exemplo, como vai a vida em badgá. obviamente quem mora lá não tem esse luxo e nada parece ter mudado muito. bagdah burning é um belo blog que já tinha recomendado e voltei a ele esses dias. a garota que escreve está "comemorando" dois anos de relatos da guerra e anda meio mesmerizada com a invasão de programação americana na tv. ela encontra humor suficiente para propor isso:
Furthermore, I don?t understand the worlds fascination with reality shows. Survivor, The Bachelor, Murder in Small Town X, Faking It, The Contender? it?s endless. Is life so boring that people need to watch the conjured up lives of others?
I have a suggestion of my own for a reality show. Take 15 Bush supporters and throw them in a house in the suburbs of, say, Falloojeh for at least 14 days. We could watch them cope with the water problems, the lack of electricity, the check points, the raids, the Iraqi National Guard, the bombings, and- oh yeah- the ?insurgents?. We could watch their house bombed to the ground and their few belongings crushed under the weight of cement and brick or simply burned or riddled with bullets. We could see them try to rebuild their life with their bare hands (and the equivalent of $150)?
I?d not only watch *that* reality show, I?d tape every episode.
Furthermore, I don?t understand the worlds fascination with reality shows. Survivor, The Bachelor, Murder in Small Town X, Faking It, The Contender? it?s endless. Is life so boring that people need to watch the conjured up lives of others?
I have a suggestion of my own for a reality show. Take 15 Bush supporters and throw them in a house in the suburbs of, say, Falloojeh for at least 14 days. We could watch them cope with the water problems, the lack of electricity, the check points, the raids, the Iraqi National Guard, the bombings, and- oh yeah- the ?insurgents?. We could watch their house bombed to the ground and their few belongings crushed under the weight of cement and brick or simply burned or riddled with bullets. We could see them try to rebuild their life with their bare hands (and the equivalent of $150)?
I?d not only watch *that* reality show, I?d tape every episode.
signs. tomamos ontem um vinho chamado signos, o que é fácil de ler como sinais. hoje acordamos feeling like crap (não por causa do vinho) e saindo de casa vi um grupo de pombas dentro de um pátio, uma carta rasgada voando em mil pedacinhos no vento e um mendigo tentando com dois gravetos catar algo de dentro de um esgoto. tudo isso em uns cinco minutos. um daqueles momentos que a realidade parece debochar de nossa tentativa de lê-la através de imagens.
quinta-feira, abril 14, 2005
lobato
tudo começou com lobato. não só para mim, mas para uma, ou duas, gerações.
sozinho, ele deu conta de apresentar para os infantes a mitologia grega, dom quixote, as ciencias, peter pan...
a lista não tem tamanho.
as ilustrações, de andré le blanc também tem seu charme.
entao fiquei bem feliz de fazer uma capa dele para o suplemento infantil do jornal.
escaneei o livro aberto, joguei naquela perspectiva, apliquei o desenho, colori e depois criei as sombras. e apliquei o logo, que já existia, por tras do desenho.
e fiquei um tanto feliz.
hoje de manhã, revirando a internet, reencontrei meu clip favorito of all times. weapon of choice, de fatboy slim, com o inimitável cristopher walken. e à tarde, por uma dessas coincidências, kevin apontou para um site completamente dedicado a being boring, a música dos pet shop boys que tem meu segundo melhor clip of all times. então, have fun. :)
quarta-feira, abril 13, 2005
sonho com o poema de arquitetura ideal, dizia wally salomão pela boca de adriana calcanhoto.
eu sonho com o post perfeito, urgente, violento e estilizado. uma literatura de sobrevivência, um comentário que seja praticamente sua voz saindo de uma caminhada ao café. um blog não devia ser literatura, mas uma outra coisa. melhor, pior ou diferente. uma literatura urbana, um diário digital de um habitante qualquer do planeta. uma voz, reconhecível como tal.
isso de conversas ontem com consuelo, que pra mim está tão perto disso. ela escreve coisas ali que não são crônicas de jornal, literatura de livro, são outra coisa.
na verdade, claro, eu sonho mesmo é com a página perfeita de quadrinhos, aquele ponto rarefeito onde o desenho e a literatura se encontram num outro lugar, que é só seu. mas não me impede de sonhar com o post perfeito, o expresso perfeito, o ovo frito dos sonhos...
eu sonho com o post perfeito, urgente, violento e estilizado. uma literatura de sobrevivência, um comentário que seja praticamente sua voz saindo de uma caminhada ao café. um blog não devia ser literatura, mas uma outra coisa. melhor, pior ou diferente. uma literatura urbana, um diário digital de um habitante qualquer do planeta. uma voz, reconhecível como tal.
isso de conversas ontem com consuelo, que pra mim está tão perto disso. ela escreve coisas ali que não são crônicas de jornal, literatura de livro, são outra coisa.
na verdade, claro, eu sonho mesmo é com a página perfeita de quadrinhos, aquele ponto rarefeito onde o desenho e a literatura se encontram num outro lugar, que é só seu. mas não me impede de sonhar com o post perfeito, o expresso perfeito, o ovo frito dos sonhos...
terça-feira, abril 12, 2005
o mundo dos links. para quem gosta de belos desenhos, ricos links de ilustração e quadrinhos em um site inteligente e bem desenhado, vejam drawn, um site canadense que descobri hoje.
não faz muito sentido que esse link esteja junto, mas faz, de algum modo qualquer que me escapa. esse ward é um dos colaboradores do site e tem seu blog, o ward-o-matic, que é bom. mas o que me deixou estranhamente movido (se posso usar essa palavra semi-inventada) foi a sua explicação de afinal, quem é esse ward. man, that´s beautiful self-biography. and a beautiful family. or maybe i´m just a sappy sentimental guy.
chuif.
não faz muito sentido que esse link esteja junto, mas faz, de algum modo qualquer que me escapa. esse ward é um dos colaboradores do site e tem seu blog, o ward-o-matic, que é bom. mas o que me deixou estranhamente movido (se posso usar essa palavra semi-inventada) foi a sua explicação de afinal, quem é esse ward. man, that´s beautiful self-biography. and a beautiful family. or maybe i´m just a sappy sentimental guy.
chuif.
foi uma boa noite. eu estava lendo mais um conto do livro de william gibson (wonderful, wonderful) quando o espaço entre uma linha e outra foi ficando maior e maior, como em cidadão kane. não era exatamente a realidade que se distendia, em algum realismofantásticogibsoniano. era o espaço da elucubração que crescia. entre uma linha e outra iam me ocorrendo cada vez mais coisas até eu me dar conta que estava lendo (ou escrevendo) outra história.
tive que deitar e olhar pro teto longamente enquanto a história se escrevia em minha cabeça. depois sentar e escrever um roteiro, que me agradou muito. tem quase nada do conto de william gibson, mas nasceu entre uma linha e outra. essas coisas.
( a cena de cidadão kane, caso você não lembre, é um prodígio de técnica: a câmera está na rua, se dirige à janela da biblioteca onde ele lê, passa silenciosamente pelo vidro, chega até ele, debruça-se sobre o livro, foca a página, o texto, um parágrafo, duas linhas, até sumir no espaço branco entre elas e emergir em um campo branco de neve. wow. pois é. )
tive que deitar e olhar pro teto longamente enquanto a história se escrevia em minha cabeça. depois sentar e escrever um roteiro, que me agradou muito. tem quase nada do conto de william gibson, mas nasceu entre uma linha e outra. essas coisas.
( a cena de cidadão kane, caso você não lembre, é um prodígio de técnica: a câmera está na rua, se dirige à janela da biblioteca onde ele lê, passa silenciosamente pelo vidro, chega até ele, debruça-se sobre o livro, foca a página, o texto, um parágrafo, duas linhas, até sumir no espaço branco entre elas e emergir em um campo branco de neve. wow. pois é. )
segunda-feira, abril 11, 2005
eu não deveria ficar surpreso, mas que rica porcaria é o blog do gerald thomas. mal escrito, grosseiro, com erros de português e de digitação, mal intencionado, pretensioso...
ok, talvez algum leitor vá lá depois disso e diga: bom, não é tão ruim assim. talvez. talvez me pareça tão ruim por ser alguém de quem se espera algo. por ler nos comments um sem número de pessoas deslumbradas com a inteligência dele, com como ele escreve bem...
ou sou eu que estou de mau humor?
ok, talvez algum leitor vá lá depois disso e diga: bom, não é tão ruim assim. talvez. talvez me pareça tão ruim por ser alguém de quem se espera algo. por ler nos comments um sem número de pessoas deslumbradas com a inteligência dele, com como ele escreve bem...
ou sou eu que estou de mau humor?
link aos pedaço, hoje. mais um. o grande jorge drexler foi ao sensacional programa morning becomes ecletic e você pode vê-lo/ouvi-lo na sala de sua casa. aqui.
woke up late, grumpy and with rinitis. quick hits, then.
it´s a lovely day. nosso atavismo se manifesta de diversas maneiras, entre elas mirar a chuva mesmerizados. como qualquer homem pré-histórico de sua caverna.
uma cachorra de rua foi morta em pelotas, graças à estupidez de alguns locais. não é que a coisa tomou proporções inacreditáveis? para os amigos de fora: o fato ocorreu em pelotas. deu na capa da zero hora, temos site na internet, comunidade no orkut, abaixo assinado, uma passeata portoalegrense importada para pelotas... os colegas jornalistas aqui estão recebendo e-mails de todo país... impressionante.
aparentemente as pessoas escolhem símbolos de indignação. todo dia a humanidade faz milhares de coisas que nos envergonham, mas algumas são escolhidas e potencializadas. afinal, uma semana atrás, um grupo de policiais no rio mataram 30 pessoas a esmo na rua, por alguma vendetta que me escapa agora. é a barbárie, é terrorismo, como bem disse lula. mas a cachorrinha está tendo mais espaço no jornal. não estou reclamando nem me espantando. eu também quis matar pessoalmente os autores da estupidez. não, eu quis uma justiça salomônica: que eles também fossem amarrados em um carro e arrastados pela rua. mas são momentos. atavismos também.
um filme sensacional que não teve muita publicidade, até onde eu saiba: the 25º hour ou a última noite. um condenado (edward norton) tem uma noite livre antes de ir para a cadeia por 7 anos. o que ele faz nesse último dia e as relações dele com amigos, parentes, amantes. e uma presença muito forte do 9/11. música de terence blanchard, filme de spike lee. não, filmaço.
it´s a lovely day. nosso atavismo se manifesta de diversas maneiras, entre elas mirar a chuva mesmerizados. como qualquer homem pré-histórico de sua caverna.
uma cachorra de rua foi morta em pelotas, graças à estupidez de alguns locais. não é que a coisa tomou proporções inacreditáveis? para os amigos de fora: o fato ocorreu em pelotas. deu na capa da zero hora, temos site na internet, comunidade no orkut, abaixo assinado, uma passeata portoalegrense importada para pelotas... os colegas jornalistas aqui estão recebendo e-mails de todo país... impressionante.
aparentemente as pessoas escolhem símbolos de indignação. todo dia a humanidade faz milhares de coisas que nos envergonham, mas algumas são escolhidas e potencializadas. afinal, uma semana atrás, um grupo de policiais no rio mataram 30 pessoas a esmo na rua, por alguma vendetta que me escapa agora. é a barbárie, é terrorismo, como bem disse lula. mas a cachorrinha está tendo mais espaço no jornal. não estou reclamando nem me espantando. eu também quis matar pessoalmente os autores da estupidez. não, eu quis uma justiça salomônica: que eles também fossem amarrados em um carro e arrastados pela rua. mas são momentos. atavismos também.
um filme sensacional que não teve muita publicidade, até onde eu saiba: the 25º hour ou a última noite. um condenado (edward norton) tem uma noite livre antes de ir para a cadeia por 7 anos. o que ele faz nesse último dia e as relações dele com amigos, parentes, amantes. e uma presença muito forte do 9/11. música de terence blanchard, filme de spike lee. não, filmaço.
sexta-feira, abril 08, 2005
para começar o final de semana com a sombra de um sorriso, o melhor comentário que ouvi sobre a morte do papa (no blog do kevin):
Man, it's been 3 days and he hasn't come back. I guess better luck next time.
Man, it's been 3 days and he hasn't come back. I guess better luck next time.
Paris, Pelotas
a palavra fanzine não vai passar pelos meus lábios, mas cometi um livrinho, um libreto, uma coisinha. a função principal sendo de enterrar de vez um projeto que não ia sair nunca, então juntei os destroços de forma elegante e voilà, temos um livrinho.
foi, aham, lançado ontem, se palavra tão pretensiosa pudesse ser usada, em uma noite musical no porto das artes e dei meu primeiro autógrafo. :)
aqui vocês podem ver a introdução. se estiver difícil de ler, clique na lente de aumento em cima da imagem.
a palavra fanzine não vai passar pelos meus lábios, mas cometi um livrinho, um libreto, uma coisinha. a função principal sendo de enterrar de vez um projeto que não ia sair nunca, então juntei os destroços de forma elegante e voilà, temos um livrinho.
foi, aham, lançado ontem, se palavra tão pretensiosa pudesse ser usada, em uma noite musical no porto das artes e dei meu primeiro autógrafo. :)
aqui vocês podem ver a introdução. se estiver difícil de ler, clique na lente de aumento em cima da imagem.
quinta-feira, abril 07, 2005
Eu estou um pouco confuso aqui e talvez meus amigos espalhados pelo mundo possam me iluminar nesse assunto tão profundo. lendo momus (as usual), ele está falando sobre o japão (as usual) e comenta en passant sobre os love hotels. como uma idéia muito particular do japão, nascida da tranquilidade oriental com o sexo, com uma visão saudável e não furtiva da coisa, blah blah. bueno, fui atrás dos love hotels, dessa idéia tão original. você pode ler sobre eles aqui, por exemplo.
mas nada do que li conseguia me fazer diferenciá-los dos nossos singelos motéis. um love hotel é um motel? estamos sozinhos com o japão nessa idéia? eu sei que nos estados unidos motel é simplesmente um hotel de estrada. mas eles não tem motéis? ou love hotels? ou fuck hotels? e no resto do mundo?
amigos exportados: alguma teoria? comentários? experiências?
e não, não estou perguntando o quê vocês fizeram lá. :)
mas hey, se quiserem contar fiquem à vontade.
mas nada do que li conseguia me fazer diferenciá-los dos nossos singelos motéis. um love hotel é um motel? estamos sozinhos com o japão nessa idéia? eu sei que nos estados unidos motel é simplesmente um hotel de estrada. mas eles não tem motéis? ou love hotels? ou fuck hotels? e no resto do mundo?
amigos exportados: alguma teoria? comentários? experiências?
e não, não estou perguntando o quê vocês fizeram lá. :)
mas hey, se quiserem contar fiquem à vontade.
quarta-feira, abril 06, 2005
eu não sabia e faço minhas as palavras de momus, que fez um obituário infinitamente melhor do que eu poderia: Saul Bellow, who died yesterday sharp as a pin and perhaps "serene", might be the closest I've come, personally, to having a pope. A humanist pope, a pope whose church is life itself, and people, and the world. Like popes, great novelists never really die. They just enter the canon.
para mim, mesmo não sendo the one como foi para momus, era um entre poucos. uma inteligência abissal, aplicada à vida enorme da américa, com rants intermináveis, que ás vezes você seguia, às vezes não, mas sempre admirava o entusiasmo lírico e o conhecimento orgânico. comecei muito jovem com O planeta de mr. Sammler, que me impressionou enormemente e me deu a impressão de que judeus eram infinitamente mais sábios do que nós. e talvez sejam, quando você pensa em philiph roth, john updike, bellow...
henry miller não era judeu, mas tinha loucura por eles. um povo 100% alfabetizado, que acredita profundamente no conhecimento, que tem uma religião de apreciação da vida, um senso de humor próprio e um tipo de entusiasmo muito particular.
mas isso é uma tangente. não quero que alguém comece aqui um debate racial-político. o ponto era mandar bellow com algumas palavras, mesmo que certamente indignas dele. leia o que momus escreveu e você estará bem servido.
para mim, mesmo não sendo the one como foi para momus, era um entre poucos. uma inteligência abissal, aplicada à vida enorme da américa, com rants intermináveis, que ás vezes você seguia, às vezes não, mas sempre admirava o entusiasmo lírico e o conhecimento orgânico. comecei muito jovem com O planeta de mr. Sammler, que me impressionou enormemente e me deu a impressão de que judeus eram infinitamente mais sábios do que nós. e talvez sejam, quando você pensa em philiph roth, john updike, bellow...
henry miller não era judeu, mas tinha loucura por eles. um povo 100% alfabetizado, que acredita profundamente no conhecimento, que tem uma religião de apreciação da vida, um senso de humor próprio e um tipo de entusiasmo muito particular.
mas isso é uma tangente. não quero que alguém comece aqui um debate racial-político. o ponto era mandar bellow com algumas palavras, mesmo que certamente indignas dele. leia o que momus escreveu e você estará bem servido.
terça-feira, abril 05, 2005
impressões imateriais sobre a viagem, para encerrar o assunto: momentos. polaroids que não foram tiradas.
- chegando na lancheria do parque, depois de dois anos de ausência, o garçom me diz como se fosse uma semana: - Tá sumido, guri.
- na rodoviária de porto alegre, passagem comprada para a volta, deixo bitisa com as malas e livros por uns instantes e vou até a banca, fumar um cigarro e olhar as revistas. deus, a liberdade de um momento sem ter que prestar atenção nas suas bolsas, sem ter que carregar nada. me debruço sobre as grades, vendo os ônibus chegarem e profundamente aliviado. aqueles raros cigarros perfeitos.
- em um dos sebos, um estranho me pergunta: - odyr?
um professor da faculdade, mudado pelos anos, uma figura muito muito influencial pra mim, um dos poucos que desenhava ainda, em uma faculdade onde todos tentavam te enfiar instalações pela goela. fiquei tocado de verdade de revê-lo. saí do sebo com livros na mão e a garganta meio trancada.
- chegando na lancheria do parque, depois de dois anos de ausência, o garçom me diz como se fosse uma semana: - Tá sumido, guri.
- na rodoviária de porto alegre, passagem comprada para a volta, deixo bitisa com as malas e livros por uns instantes e vou até a banca, fumar um cigarro e olhar as revistas. deus, a liberdade de um momento sem ter que prestar atenção nas suas bolsas, sem ter que carregar nada. me debruço sobre as grades, vendo os ônibus chegarem e profundamente aliviado. aqueles raros cigarros perfeitos.
- em um dos sebos, um estranho me pergunta: - odyr?
um professor da faculdade, mudado pelos anos, uma figura muito muito influencial pra mim, um dos poucos que desenhava ainda, em uma faculdade onde todos tentavam te enfiar instalações pela goela. fiquei tocado de verdade de revê-lo. saí do sebo com livros na mão e a garganta meio trancada.
segunda-feira, abril 04, 2005
diários do viajante I
viajar é uma indignidade e uma violência. o ser humano se vê carregando coisas constantemente, sentindo falta de objetos que não estão lá, dormindo em camas que não são a sua, procurando o banheiro no lugar errado no meio da noite...
dito isso, a viagem foi muito bem.
conforme comentado, o salão de desenho foi adiado indefinidamente, sem aviso. o que me incomodou por mais ou menos uns 10 segundos. imediatamente mudamos nossa programação de sexta feira para uma parada sentimental na lancheria do parque e uma excursão profunda no sakaes, onde enchi a cara de saquê e dilatei as narinas com wasabi. sempre um prazer.
na primeira noite dormi tão mal que me vi acordado na cama às 5 da manhã, escrevendo mentalmente uma lista dos 10 motivos pelo quais odiava viajar. mas no resto do tempo o mundo me tratou bem, assim que. no list.
_______________________________________________
sábado percorremos a cidade como maníacos, enchendo as mãos de pó em todos os sebos possíveis ( e são muitos). santa bitisa. a colheita foi boa. mais três nero wolfe para a coleção, uma gertrude stein (!!), um chandler, um hemingway... muito, muito em especial um livro do autor de neuromancer, o cara que talvez pela primeira vez visualizou o cyberspace: william gibson. burning chrome, um livro de contos; abre com johnny memnonic and is so fucking good I couldn´t believe my eyes. ao final do secondhandbookcrawling, comecei nos vinis. vou poupá-los da saga. mais comentários depois.
jantamos no atelier das massas. me acabei nos antipasti.
banquete indiano no ocidente, no almoço de domingo. good as usual. resumindo: todos os pit stops gastronômicos clássicos, pelo menos da minha experiência. e da de jorge e fê, que por supuesto eram lembrados a todo tempo, como guias fantasmas, que primeiro guiaram meus passos pela cidade. thanks, caros.
tem mais, tem muito mais. continuo depois.
baccio.
viajar é uma indignidade e uma violência. o ser humano se vê carregando coisas constantemente, sentindo falta de objetos que não estão lá, dormindo em camas que não são a sua, procurando o banheiro no lugar errado no meio da noite...
dito isso, a viagem foi muito bem.
conforme comentado, o salão de desenho foi adiado indefinidamente, sem aviso. o que me incomodou por mais ou menos uns 10 segundos. imediatamente mudamos nossa programação de sexta feira para uma parada sentimental na lancheria do parque e uma excursão profunda no sakaes, onde enchi a cara de saquê e dilatei as narinas com wasabi. sempre um prazer.
na primeira noite dormi tão mal que me vi acordado na cama às 5 da manhã, escrevendo mentalmente uma lista dos 10 motivos pelo quais odiava viajar. mas no resto do tempo o mundo me tratou bem, assim que. no list.
_______________________________________________
sábado percorremos a cidade como maníacos, enchendo as mãos de pó em todos os sebos possíveis ( e são muitos). santa bitisa. a colheita foi boa. mais três nero wolfe para a coleção, uma gertrude stein (!!), um chandler, um hemingway... muito, muito em especial um livro do autor de neuromancer, o cara que talvez pela primeira vez visualizou o cyberspace: william gibson. burning chrome, um livro de contos; abre com johnny memnonic and is so fucking good I couldn´t believe my eyes. ao final do secondhandbookcrawling, comecei nos vinis. vou poupá-los da saga. mais comentários depois.
jantamos no atelier das massas. me acabei nos antipasti.
banquete indiano no ocidente, no almoço de domingo. good as usual. resumindo: todos os pit stops gastronômicos clássicos, pelo menos da minha experiência. e da de jorge e fê, que por supuesto eram lembrados a todo tempo, como guias fantasmas, que primeiro guiaram meus passos pela cidade. thanks, caros.
tem mais, tem muito mais. continuo depois.
baccio.
quinta-feira, março 31, 2005
amanhã o viajante metafísico (ou patafísico, como queria jarry) faz um raro deslocamento geográfico. vamos a porto a alegre, eu e bitisa, ver o salão de desenho (que não ganhei) onde exercerei meu direito de ser um mau perdedor e rosnarei na frente dos desenhos premiados, vamos ver miró, em vasta exposição, vamos gastar o que não temos em algum restaurante japonês e sair intoxicados de wasabi...enfim, prazeres possíveis.
mando postais, impressões de viagem dessa terra distante e desconhecida. se falará a mesma língua por lá? serão os nativos pacíficos?
mando postais, impressões de viagem dessa terra distante e desconhecida. se falará a mesma língua por lá? serão os nativos pacíficos?
quarta-feira, março 30, 2005
ilustracapa
enganando o povo. ou o que fazer quando nao se quer desenhar. ilustracao para uma revista de business. tema: comercio exterior. catei uns mapas antigos, tasquei o brasil, tirei os textos, pus uma textura de aquarela, lasquei uma modernidade em cima e voila. vive le photoshop.
terça-feira, março 29, 2005
caí nisso completamente por acaso, mas me encantou. um exemplo de como mesmo dentro de uma franquia dura, como a disney, um artista pode fazer um trabalho maravilhoso. é uma página onde todos os personagens estão vivos, maleáveis, cheios de curvas e o cenário tem um clima de aventura noturna muito rico.
mire.
claro, aqui no brasil temos o maravilhoso canini, que também deixou sua marca no gênero. esse é um italiano e se chama giorgio cavazzano.
essa página me fez lembrar de bone, que também é uma aventura maravilhosa, desenhada dentro de cânones como esses. coisa que me agradaria muito fazer um dia.
mire.
claro, aqui no brasil temos o maravilhoso canini, que também deixou sua marca no gênero. esse é um italiano e se chama giorgio cavazzano.
essa página me fez lembrar de bone, que também é uma aventura maravilhosa, desenhada dentro de cânones como esses. coisa que me agradaria muito fazer um dia.
segunda-feira, março 28, 2005
ok, os comments are back, esse sou eu passando aqui quase correndo, deixando um oi para os amigos. muito trabalho essa semana. um pacote infernal de ilustrações chatas para fazer, uma carga extra de trabalho no jornal (uma colega de férias) e o editor da mosh quer a musa in color. you know, the wow factor. então, nos vemos. mais devo ser mais breve essa semana. felizmente o findi foi maravilhosamente tranquilo. eu, bitisa, um monte de filmes, comida e uma quantidade razoável de paz. shalom. see you guys around.
sexta-feira, março 25, 2005
quinta-feira, março 24, 2005
leitura para o feriado: (ha, a ilusão. isso se lê em 20 segundos).
acho que dos meus 10 leitores, todos devem ter lido a história da musa. os que não, suponho que se entenda a história a seguir da mesma forma. enfim, a musa está de volta.
ainda sem comments, então comentários, se surgirem, por email, odyr@hotmail.com.
salud.
acho que dos meus 10 leitores, todos devem ter lido a história da musa. os que não, suponho que se entenda a história a seguir da mesma forma. enfim, a musa está de volta.
ainda sem comments, então comentários, se surgirem, por email, odyr@hotmail.com.
salud.
terça-feira, março 22, 2005
a neen project: googlism.
aparentemente, é uma perversão do google, que organiza a pesquisa de forma que o resultado parece um texto de gertrude stein. tentei com meu nome e obtive a reposta que "google still didn´t know enough about odyr". hmm. mas aqui está toda a verdade sobre wilbur, por exemplo(minha parte favorita acho que é wilbur is a male wolverine that was born in 1990 ):
wilbur is radiant'wilbur is about to start working for your companywilbur is a 1995 graduate of cicerowilbur is the namewilbur is getting fat and winter is coming charlotte & wilburwilbur is in need of a loving home in cawilbur is radiant by bonniesayerswilbur is about to start working for yourwilbur is a windows based utility that can quickly index the contents of your disk files so you find quickly find that wimley contractwilbur is getting fat and winter is coming charlotte & wilbur become friends pigs on farms are killed for food fern thinks of wilbur as a pet this is aboutwilbur iswilbur is started normally from a short cut icon without any parameterswilbur is a full time urinal scrubber at the wilmerding high schoolwilbur is an unhappy man when he doesn?t get plenty of booze flowing through his veinswilbur is a little wiggly earthworm that lives in your armwilbur is the wildflowerswilbur is well known for its academic excellencewilbur is a sun workstation that is currently set up to be the webserver for the web pages of the students at wellesley collegewilbur is the best capital investment ever made at our nurserywilbur is a male wolverine that was born in 1990 in the wildwilbur is a founding member of the new jameswilbur is half german shepherd and half collie
aparentemente, é uma perversão do google, que organiza a pesquisa de forma que o resultado parece um texto de gertrude stein. tentei com meu nome e obtive a reposta que "google still didn´t know enough about odyr". hmm. mas aqui está toda a verdade sobre wilbur, por exemplo(minha parte favorita acho que é wilbur is a male wolverine that was born in 1990 ):
wilbur is radiant'wilbur is about to start working for your companywilbur is a 1995 graduate of cicerowilbur is the namewilbur is getting fat and winter is coming charlotte & wilburwilbur is in need of a loving home in cawilbur is radiant by bonniesayerswilbur is about to start working for yourwilbur is a windows based utility that can quickly index the contents of your disk files so you find quickly find that wimley contractwilbur is getting fat and winter is coming charlotte & wilbur become friends pigs on farms are killed for food fern thinks of wilbur as a pet this is aboutwilbur iswilbur is started normally from a short cut icon without any parameterswilbur is a full time urinal scrubber at the wilmerding high schoolwilbur is an unhappy man when he doesn?t get plenty of booze flowing through his veinswilbur is a little wiggly earthworm that lives in your armwilbur is the wildflowerswilbur is well known for its academic excellencewilbur is a sun workstation that is currently set up to be the webserver for the web pages of the students at wellesley collegewilbur is the best capital investment ever made at our nurserywilbur is a male wolverine that was born in 1990 in the wildwilbur is a founding member of the new jameswilbur is half german shepherd and half collie
como todos sabem, existem dois tipos de pessoa: as que dividem as pessoas em dois tipos e as que não dividem.
algumas dessas divisões são rasteiras, grosseiras, preconceituosas. coisa de piada de bar.
algumas são tentativas (ainda que precárias e dualistas) de entender o mundo.
obviamente todos se lembram de yin/yang. lembro do zen e a manutenção das motocicletas, que dividia o tipo de mentes em clássicas e românticas. cortazar dividia em cronópios e famas (com a estação intermediária dos esperanças).
pois uma classificação nova surge: neen e telic.
neen é um movimento artístico. não há relatos de que os telic tenham se organizado para fazer o mesmo. eu me sinto bastante neen. em fato, eu sou uma pessoa pouquíssimo telic.
enfim. a fonte está aqui. toneladas de coisas para ver, ouvir, cheirar, sentir.
sensacional: você mesmo pode definir o que é neen. o manifesto está aberto. (in fact, if you look, you can find my little piece of neen there. ops. if is still there.)
algumas dessas divisões são rasteiras, grosseiras, preconceituosas. coisa de piada de bar.
algumas são tentativas (ainda que precárias e dualistas) de entender o mundo.
obviamente todos se lembram de yin/yang. lembro do zen e a manutenção das motocicletas, que dividia o tipo de mentes em clássicas e românticas. cortazar dividia em cronópios e famas (com a estação intermediária dos esperanças).
pois uma classificação nova surge: neen e telic.
neen é um movimento artístico. não há relatos de que os telic tenham se organizado para fazer o mesmo. eu me sinto bastante neen. em fato, eu sou uma pessoa pouquíssimo telic.
enfim. a fonte está aqui. toneladas de coisas para ver, ouvir, cheirar, sentir.
sensacional: você mesmo pode definir o que é neen. o manifesto está aberto. (in fact, if you look, you can find my little piece of neen there. ops. if is still there.)
segunda-feira, março 21, 2005
meu horror aos aniversários é ocasionalmente atenuado pela amizade. então, um mimo ao imperador.
golpe clássico do desenhista: sem dinheiro, dá um desenho de presente. :)
golpe clássico do desenhista: sem dinheiro, dá um desenho de presente. :)
o futuro, em duas versões: natureza encontra ciência (robot dog, meet dog) e future trash: um dos melhores piores clips futuristas (hey, love cruzader, I wanna be your space invader).
sexta-feira, março 18, 2005
os amigos locais vêem minha cara feia mais do que gostariam, mas os distantes talvez não vejam há um tempo, então, aqui, no flickr, eles podem ver my ugly bearded face. plus bitisa.
quinta-feira, março 17, 2005
zatoichi .
amigos locais: sai hoje de cartaz. então: VEJAM. amigos espalhados pelo mundo: idem.
fui como a criança vai ao circo, vai à disney: feliz já na fila. e bitisa, que foi conformada, para apoiar o namorado retardado que gosta de filmes de kung fu, saiu encantada. (se ela não me enganou).
takeshi kitano, ou beat takeshi é um dos meus heróis e a very cool man.
nesse filme, sem o indefectível terninho preto.
zatoichi é um avanço na obra, um filme de época, engraçado, violento e tocante. ri feito louco e chorei no final, com um balé insano, insano, uma batucada japonesa que não tem explicação possível. a violência coreografada, a chuva, a flor no lodo que importa tanto quanto o enredo... o humor caricato japonês...hmmm. não tenho palavras.
hmmm. lembrando agora, jorge e fê talvez lembrem de um dia que os arrastei para um filme dele e... bem... digamos que ele era jovem quando fez o filme. :)
ah, uns fundos de tela maravilhosos aqui.
amigos locais: sai hoje de cartaz. então: VEJAM. amigos espalhados pelo mundo: idem.
fui como a criança vai ao circo, vai à disney: feliz já na fila. e bitisa, que foi conformada, para apoiar o namorado retardado que gosta de filmes de kung fu, saiu encantada. (se ela não me enganou).
takeshi kitano, ou beat takeshi é um dos meus heróis e a very cool man.
nesse filme, sem o indefectível terninho preto.
zatoichi é um avanço na obra, um filme de época, engraçado, violento e tocante. ri feito louco e chorei no final, com um balé insano, insano, uma batucada japonesa que não tem explicação possível. a violência coreografada, a chuva, a flor no lodo que importa tanto quanto o enredo... o humor caricato japonês...hmmm. não tenho palavras.
hmmm. lembrando agora, jorge e fê talvez lembrem de um dia que os arrastei para um filme dele e... bem... digamos que ele era jovem quando fez o filme. :)
ah, uns fundos de tela maravilhosos aqui.
quarta-feira, março 16, 2005
era mais ou menos inevitável, considerando meu grau de obsessão temporária: estou fazendo uma história sobre gertrude stein. está indo bem, me pus meio experimental no traço, voltei a usar pena, fiz uns brushes diferentes... diversão.
por outro lado, eu realmente tenho que fazer uma história para a mosh, a revista de rock´n roll e quadrinhos. deadline. nenhuma idéia. no fundo, me sinto meio farsante lá dentro, porque não sou exatamente o cara mais rock´n roll do mundo.
dessa vez eu siceramente, honestamente, aceito sugestões dos amados leitores. o que vocês acham que rende quadrinhos no mundo do rock? que bandas, que histórias, que contextos?
cartas à redação.
por outro lado, eu realmente tenho que fazer uma história para a mosh, a revista de rock´n roll e quadrinhos. deadline. nenhuma idéia. no fundo, me sinto meio farsante lá dentro, porque não sou exatamente o cara mais rock´n roll do mundo.
dessa vez eu siceramente, honestamente, aceito sugestões dos amados leitores. o que vocês acham que rende quadrinhos no mundo do rock? que bandas, que histórias, que contextos?
cartas à redação.
terça-feira, março 15, 2005
momus on micahel jackson:
He's black yet also white. He's adult yet also a child. He's male yet also female. He's gay yet also straight. He has children, yet he's also never fucked their mothers. He's wearing a mask, yet he's also showing his real self. He's walking yet also sliding. He's guilty yet also innocent. He's American yet also global. He's sexual yet also sexless. He's immensely rich yet also bankrupt. He's Judy Garland yet also Andy Warhol. He's real yet also synthetic. He's crazy yet also sane, human yet also robot, from the present yet also from the future. He declares his songs heavensent, and yet he also constructs them himself. He's the luckiest man in the world yet the unluckiest. His work is play. He's bad, yet also good. He's blessed yet also cursed. He's alive, but only in theory.
e depois, em um argumento mais questionável, digamos (porque francamente, se michael jackson é o futuro, eu tenho minhas dúvidas se quero chegar lá):
Jackson is what all humans will become if we develop further in the direction of postmodernism and self-mediation. He is what we'll become if we get both more Wildean and more Nietzschean. He's what we'll become only if we're lucky and avoid a new brutality based on overpopulation and competition for dwindling resources.
He's black yet also white. He's adult yet also a child. He's male yet also female. He's gay yet also straight. He has children, yet he's also never fucked their mothers. He's wearing a mask, yet he's also showing his real self. He's walking yet also sliding. He's guilty yet also innocent. He's American yet also global. He's sexual yet also sexless. He's immensely rich yet also bankrupt. He's Judy Garland yet also Andy Warhol. He's real yet also synthetic. He's crazy yet also sane, human yet also robot, from the present yet also from the future. He declares his songs heavensent, and yet he also constructs them himself. He's the luckiest man in the world yet the unluckiest. His work is play. He's bad, yet also good. He's blessed yet also cursed. He's alive, but only in theory.
e depois, em um argumento mais questionável, digamos (porque francamente, se michael jackson é o futuro, eu tenho minhas dúvidas se quero chegar lá):
Jackson is what all humans will become if we develop further in the direction of postmodernism and self-mediation. He is what we'll become if we get both more Wildean and more Nietzschean. He's what we'll become only if we're lucky and avoid a new brutality based on overpopulation and competition for dwindling resources.
o ministério da saúde informa: ler gertrude stein pode ser prejudicial à sua saúde.
fato: fiquei meio louco ontem lendo la stein. o cérebro fica revoltado de não conseguir colocar as palavras em ordem devidamente.
gag: no livro, alice conta que, quando da primeira tentativa de publicação, o editor mandou um rapaz até a casa de gertrude. diálogo:
"- ahhnn, o editor está ligeiramente preocupado com o seu domínio da língua inglesa....
- mas eu sou americana!
- ahhnn, uhnn... então talvez a senhora seja meio inexperiente como escritora.. ?"
fato: fiquei meio louco ontem lendo la stein. o cérebro fica revoltado de não conseguir colocar as palavras em ordem devidamente.
gag: no livro, alice conta que, quando da primeira tentativa de publicação, o editor mandou um rapaz até a casa de gertrude. diálogo:
"- ahhnn, o editor está ligeiramente preocupado com o seu domínio da língua inglesa....
- mas eu sou americana!
- ahhnn, uhnn... então talvez a senhora seja meio inexperiente como escritora.. ?"
segunda-feira, março 14, 2005
grant morrisson again. mais uma entrevista absurda. ou maravilhosa. ou maravilhosamente absurda. here.
DRE: Why do comics enthrall you so much?
GM: Magic. It was always really fascinating to me that Superman was so much older than me and yet I could come along and write adventures with Superman in them and add to his life story. Then I could die and Superman would keep going, with other people writing stories to keep him alive. He's more real than I am because he has a longer lifespan and more influence, so this notion of the 'real' 2-dimensional world of the comics and what it had to say to the 'real' 3-dimensional world of non-fictional people. That really connected with me in a big way and helped me grapple with big ideas about the universe and life and death. I wanted to really 'make contact' with that world and bargain with its inhabitants. I saw it as the lynchpin of my magic. The comic universes are living breathing alternate worlds we can visit. And, if we're lucky enough to be comic book writers we get to play directly with the inhabitants and environments of the 2nd dimension. I wanted to travel in those worlds.
DRE: Why do comics enthrall you so much?
GM: Magic. It was always really fascinating to me that Superman was so much older than me and yet I could come along and write adventures with Superman in them and add to his life story. Then I could die and Superman would keep going, with other people writing stories to keep him alive. He's more real than I am because he has a longer lifespan and more influence, so this notion of the 'real' 2-dimensional world of the comics and what it had to say to the 'real' 3-dimensional world of non-fictional people. That really connected with me in a big way and helped me grapple with big ideas about the universe and life and death. I wanted to really 'make contact' with that world and bargain with its inhabitants. I saw it as the lynchpin of my magic. The comic universes are living breathing alternate worlds we can visit. And, if we're lucky enough to be comic book writers we get to play directly with the inhabitants and environments of the 2nd dimension. I wanted to travel in those worlds.
acabei nesse final de semana a autobiografia de alice b. toklas, de gertrude stein. que, claro, não é uma autobiografia e tem muito pouco de alice toklas nela. é uma piscada de olho de gertrude stein, uma forma de contar a sua vida na terceira pessoa e de uma maneira simples como fez o autor de robinson crusoe, nas palavras dela.
simples é tudo que gertrude stein não era. ou era.
de uma certa maneira seus textos tem a simplicidade de uma criança. de uma criança com capacidade infinita de escrever e que não sabe exatamente o que pode e não pode ser feito. a rose is a rose is a rose. In the inside there is sleeping, in the outside there is reddening, in the morning there is meaning, in the evening there is feeling.
claro, essas são facilidades, trechos, alfinetes de gertrude. mas os livros... a evolução dos americanos, segundo a descrição dela, tem mil páginas de letra miúda. e parágrafos que duram páginas. talvez, como com joyce, o leitor dela não tenha nascido. talvez não estejamos prontos. ou talvez fique cada vez mais difícil. acho que comentei há pouco tempo que só consegui ler beckett quando todos meus outros livros estavam encaixotados e não havia nada mais fácil disponível. porque essa é a questão: nossa disponibilidade. que só diminui. para filmes sem cortes, músicas longas, textos sem sinalização, sem rede de segurança, sem narrativa.
mas me perco. esse livrinho então "sobre alice" é simplíssimo. praticamente uma coleção de fofocas. com a diferença que os personagens das fofocas são picasso, juan gris, guillerme apolinaire, hemingway, matisse...quem não passou pela casa delas? foi o primeiro lar para toda a pintura moderna. foi a mesa onde os pintores ainda miseráveis encontravam sempre comida, companhia, compreensão, comunidade.
então, resumindo, recomendo muito. sobre o resto, bom... eu também não cheguei lá. e imagino que se um dia morar na islândia ou em uma montanha do tibet, eu me sente e leia gertrude stein. ou talvez possamos todos rasgar páginas e ler pedacinhos, coisas que são como pequenas pinturas dela: Please be the beef, please beef, pleasure is not wailing. Please beef, please be carved clear, please be a case of consideration.
you can try in here. tender buttons. objects, food and rooms.
simples é tudo que gertrude stein não era. ou era.
de uma certa maneira seus textos tem a simplicidade de uma criança. de uma criança com capacidade infinita de escrever e que não sabe exatamente o que pode e não pode ser feito. a rose is a rose is a rose. In the inside there is sleeping, in the outside there is reddening, in the morning there is meaning, in the evening there is feeling.
claro, essas são facilidades, trechos, alfinetes de gertrude. mas os livros... a evolução dos americanos, segundo a descrição dela, tem mil páginas de letra miúda. e parágrafos que duram páginas. talvez, como com joyce, o leitor dela não tenha nascido. talvez não estejamos prontos. ou talvez fique cada vez mais difícil. acho que comentei há pouco tempo que só consegui ler beckett quando todos meus outros livros estavam encaixotados e não havia nada mais fácil disponível. porque essa é a questão: nossa disponibilidade. que só diminui. para filmes sem cortes, músicas longas, textos sem sinalização, sem rede de segurança, sem narrativa.
mas me perco. esse livrinho então "sobre alice" é simplíssimo. praticamente uma coleção de fofocas. com a diferença que os personagens das fofocas são picasso, juan gris, guillerme apolinaire, hemingway, matisse...quem não passou pela casa delas? foi o primeiro lar para toda a pintura moderna. foi a mesa onde os pintores ainda miseráveis encontravam sempre comida, companhia, compreensão, comunidade.
então, resumindo, recomendo muito. sobre o resto, bom... eu também não cheguei lá. e imagino que se um dia morar na islândia ou em uma montanha do tibet, eu me sente e leia gertrude stein. ou talvez possamos todos rasgar páginas e ler pedacinhos, coisas que são como pequenas pinturas dela: Please be the beef, please beef, pleasure is not wailing. Please beef, please be carved clear, please be a case of consideration.
you can try in here. tender buttons. objects, food and rooms.
gray skies. irving berling cantava blue skies, but give me gray any day. ponho minha camiseta preta, uma calça de brim, um sapato...há uma alegria em se sentir sólido e não derretendo como um sorvete. acordado. o café cai melhor, o cigarro faz mais feliz, se quer trabalhar, se quer andar pelas ruas cinzentas. até o cérebro parece perceber.
sexta-feira, março 11, 2005
a frase do dia e motto para o fim de semana vem do grande masa, como sempre mezzo ingênuo mezzo sábio:
don´t say fuck, it´s hate. just do fuck. it´s love.
don´t say fuck, it´s hate. just do fuck. it´s love.
talvez, talvez, minha parte favorita desse site sobre barrie seja a dedicatória de peter pan, onde ele diz As for myself, I suppose I always knew that I made Peter by rubbing the five of you violently together, as savages with two sticks produce a flame. That is all he is, the spark I got from you.
ou o momento onde ele se pergunta porque transformar toda a gloriosa aventura que eles tiveram juntos nesse pálido volume: Alas, I know what it was, I was losing my grip. One by one as you swung monkey-wise from branch to branch in the wood of make-believe you reached the tree of knowledge.
That was a quarter of a century ago, and I clutch my brows in vain to remember whether it was a last desperate throw to retain the five of you for a little longer, or merely a cold decision to turn you into bread and butter.
...
You had played it until you tired of it, and tossed it in the air and gored it and left it derelict in the mud and went on your way singing other songs; and then I stole back and sewed some of the gory fragments together with a pen-nib.
ou o momento onde ele se pergunta porque transformar toda a gloriosa aventura que eles tiveram juntos nesse pálido volume: Alas, I know what it was, I was losing my grip. One by one as you swung monkey-wise from branch to branch in the wood of make-believe you reached the tree of knowledge.
That was a quarter of a century ago, and I clutch my brows in vain to remember whether it was a last desperate throw to retain the five of you for a little longer, or merely a cold decision to turn you into bread and butter.
...
You had played it until you tired of it, and tossed it in the air and gored it and left it derelict in the mud and went on your way singing other songs; and then I stole back and sewed some of the gory fragments together with a pen-nib.
boy, o final de semana se aproxima de novo rastejando sobre nós e, além de não ter produzido uma página de quadrinhos, não escrevi um post decente.
I really miss the days (I don´t really miss anything at all, I just love this beginning).
no, seriously. bitisa andou lendo esse blog de trás pra frente, quer dizer, andou fuçando nos arquivos profundos. eu também, por conta dela. não é que eu escrevia alguma coisa que prestasse back in the days? então, de uma certa forma, I miss these days. eu escrevia para ninguém e escrevia melhor. na época, o blog era mais como um diário, de fato, um lugar onde suas ambições literárias se escondem e fatos da sua vida são coloridos com uma canetinha cheia de pretensões.
o que ele é hoje em dia? um bric-a-brac. uma comunidade. uma mesa de bar. um álbum de colagens. um vale-tudo. mais divertido e mais participativo, certamente. mas a escrita certamente foi pro ralo. chuif.
I really miss the days (I don´t really miss anything at all, I just love this beginning).
no, seriously. bitisa andou lendo esse blog de trás pra frente, quer dizer, andou fuçando nos arquivos profundos. eu também, por conta dela. não é que eu escrevia alguma coisa que prestasse back in the days? então, de uma certa forma, I miss these days. eu escrevia para ninguém e escrevia melhor. na época, o blog era mais como um diário, de fato, um lugar onde suas ambições literárias se escondem e fatos da sua vida são coloridos com uma canetinha cheia de pretensões.
o que ele é hoje em dia? um bric-a-brac. uma comunidade. uma mesa de bar. um álbum de colagens. um vale-tudo. mais divertido e mais participativo, certamente. mas a escrita certamente foi pro ralo. chuif.
quinta-feira, março 10, 2005
na verdade o material é muito, muito vasto prar ser resumido. das muitas coisas que encontrei, recomendo duas: esse longo, mas muito completo e bem escrito texto e o site do escritor que escreveu the lost boys, o retrato mais realista do autor e dos meninos que inspiraram peter pan. quase todos tiveram destinos trágicos precoces.
finding neverland. um belo filme, talvez um pouco demais para os lados do cinemão, mas digno, bem feito. o que se segue são pedaços de coisas que fui catando pela internet, em busca de respostas para algumas dúvidas que o filme traz. do que de fato aconteceu ou não. se você não viu o filme, talvez não queira ler o que se segue.
esse é um trecho interessante sobre a questão da "adoção" posterior dele dos garotos. ao contrário do que mostra o filme, o pai dos meninos ainda estava vivo quando ele os conheceu. o resto procede. então:
When Arthur and Sylvia died of cancer within a few years of each other, the playwright found Sylvia's handwritten will in which she requested that Jenny, the sister of the boys' nanny, help look after them. In copying the document for Sylvia's mother Barrie mistranscribed "Jenny" as "Jimmy," i.e., himself--unintentionally, according to Birkin. But even if he did it on purpose, family and friends agree he alone had the resources to take care of the boys, and he became their guardian. Judging from their correspondence, Barrie was part father to the five, part mother, and part . . . well, lover gives the wrong idea, but he was emotionally attached to a degree some found morbid, to George and Michael particularly.
George was killed during World War I, however, and Michael drowned at Oxford in 1921. (Some suspected it was suicide.) Peter, who became a successful publisher, threw himself under a London subway train in 1960. You may think: these were troubled folk. Maybe so, but no evidence survives to pin the blame on Barrie, who died in 1937. As for pedophilia, Nico offered what, barring some shocking revelation, will surely stand as the last word on Barrie's sexuality, or lack of it: "He was an innocent--which is why he could write Peter Pan."
sobre a estréia, sobre o sucesso inicial da peça ou não:
No one knew if this preposterous play would work, especially its anxious author. On opening night, Barrie was ill with nerves, holding his breath at the critical moment when Peter asks the audience to clap their hands if they believe in fairies. What if no one clapped at all? But the audience responded with such wild applause that the actress playing Peter burst into tears.
continuo noutro post, pra que a coisa não fique tão mamute.
esse é um trecho interessante sobre a questão da "adoção" posterior dele dos garotos. ao contrário do que mostra o filme, o pai dos meninos ainda estava vivo quando ele os conheceu. o resto procede. então:
When Arthur and Sylvia died of cancer within a few years of each other, the playwright found Sylvia's handwritten will in which she requested that Jenny, the sister of the boys' nanny, help look after them. In copying the document for Sylvia's mother Barrie mistranscribed "Jenny" as "Jimmy," i.e., himself--unintentionally, according to Birkin. But even if he did it on purpose, family and friends agree he alone had the resources to take care of the boys, and he became their guardian. Judging from their correspondence, Barrie was part father to the five, part mother, and part . . . well, lover gives the wrong idea, but he was emotionally attached to a degree some found morbid, to George and Michael particularly.
George was killed during World War I, however, and Michael drowned at Oxford in 1921. (Some suspected it was suicide.) Peter, who became a successful publisher, threw himself under a London subway train in 1960. You may think: these were troubled folk. Maybe so, but no evidence survives to pin the blame on Barrie, who died in 1937. As for pedophilia, Nico offered what, barring some shocking revelation, will surely stand as the last word on Barrie's sexuality, or lack of it: "He was an innocent--which is why he could write Peter Pan."
sobre a estréia, sobre o sucesso inicial da peça ou não:
No one knew if this preposterous play would work, especially its anxious author. On opening night, Barrie was ill with nerves, holding his breath at the critical moment when Peter asks the audience to clap their hands if they believe in fairies. What if no one clapped at all? But the audience responded with such wild applause that the actress playing Peter burst into tears.
continuo noutro post, pra que a coisa não fique tão mamute.
quarta-feira, março 09, 2005
realmente se pode dizer qualquer coisa a respeito de...bem...qualquer coisa. mas a coisa que me refiro são letras de música. bitisa é professora de inglês e ia usar yellow, do coldplay para trabalhar com alunos. eu tinha uma idéia de ouvir algo sobre a palavra yellow ter algum outro significado (além de amarelo e covarde). gabi, minha consultora universal de pop não sabia, mas me apontou para esse songsmeaning, que é hilário. comentário de um dos usuário sobre yellow, por exemplo:
I always thought it was about coke... "I'd bleed myself dry" being the blood withdrawal before shooting up... Yellow being the light of the candle melting it down... "Your skin unfolds" being where to inject... I drew a line for you... just another way to do it. "And so I took my turn" he was doing it with friends... Maybe I'm just wrong.
damn. não é que faz sentido?
:)
I always thought it was about coke... "I'd bleed myself dry" being the blood withdrawal before shooting up... Yellow being the light of the candle melting it down... "Your skin unfolds" being where to inject... I drew a line for you... just another way to do it. "And so I took my turn" he was doing it with friends... Maybe I'm just wrong.
damn. não é que faz sentido?
:)
terça-feira, março 08, 2005
não chega a ser tudo o que você queria saber sobre crumb, mas é um bom apanhado. uma entrevista atual, um texto do crítico de arte robert hughes que diz que "Robert Crumb, now in his 62nd year, is the one and only genius the 1960s underground produced in visual art, either in America or Europe" e exemplos do seu trabalho.
para quem não conhece, uma bela introdução. pra quem conhece e ama, uma alegria.
no guardian.
para quem não conhece, uma bela introdução. pra quem conhece e ama, uma alegria.
no guardian.
hmmm. um tal josé está traduzindo a belle du jour para o português. e passando trabalho, pelo jeito. a belle, indignada. mirem.
segunda-feira, março 07, 2005
então. aqui está a metamorfose produzida pelos estúdios bernardi. como sempre, pequeno orçamento, atores desconhecidos, mas as melhores intenções. :)
(a página leva um tempo formando. tome um café, dê uma volta.)
a primeira vênus.
(a página leva um tempo formando. tome um café, dê uma volta.)
a primeira vênus.
sexta-feira, março 04, 2005
greenday
então. essa história foi pro salão de desenho da imprensa de porto alegre. eu ia colorir toda, não tive tempo (damn), então coloco aqui colorida pros amigos verem como seria se. :) resta esperar que ela se defenda em preto e branco.
quarta-feira, março 02, 2005
hoje minha admiração pela frança sofreu um duro abalo.
descubro que o país que ensinou o mundo a comer, beber, se vestir, pensar... basicamente a se civilizar, (ocupando o espaço que era dos gregos no passado) tem um grave pecado em sua história: são os inventores da margarina.
a margarina, substância asquerosa, que eu julgava vindo direto da mente do demônio ou pelo menos intermediada pelo tecnicismo dos americanos. a margarina, essa imitação tristíssima da manteiga.
pois foi inventada pelos franceses.
je suis desolé.
descubro que o país que ensinou o mundo a comer, beber, se vestir, pensar... basicamente a se civilizar, (ocupando o espaço que era dos gregos no passado) tem um grave pecado em sua história: são os inventores da margarina.
a margarina, substância asquerosa, que eu julgava vindo direto da mente do demônio ou pelo menos intermediada pelo tecnicismo dos americanos. a margarina, essa imitação tristíssima da manteiga.
pois foi inventada pelos franceses.
je suis desolé.
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
augusto, você tinha razão: o trailer de sideways é sensacional.
If anybody is drinking merlot, I´m leaving. I´M NOT DRINKING ANY MERLOT!!
If anybody is drinking merlot, I´m leaving. I´M NOT DRINKING ANY MERLOT!!
hey. a internet não é cool? mandei um oi e um link para o crítico-amador-de-quadrinhos, nerd e fine writer kevin beaucoup e em 10 minutos (really) got this.
e não é que o drexler ganhou? meno male. mesmo com o fiasco de banderas, que seguiu exatamente o figurino e a atitude do latino "caliente", com uma roupinha ordinária de cantor de flamenco, batendo na perna, fazendo caretas.... pois drexler ganhou e quando foi receber, em vez de discurso, cantou à capela um trecho da música e disse gracias. elegante, curto, exato.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
bitisa tinha me falado dele antes da coisa toda do oscar e ela tinha razão: jorge drexler é maravilhoso. grande música, grandes letras, grandes arranjos. menestrel uruguaio pós-moderno, com um pé no mundo. que viva la ciencia/que viva la poesia/ que viva sinto tu lengua quando está sobre la lengua mia/
hoje fico sabendo que ele não vai cantar a música na cerimônia do oscar. claro, faz sentido. porque ter um músico desconhecido interpretando sua própria canção, se podemos ter o bonitón antônio banderas no seu lugar? afinal, latinos são intercambiáveis. melhor ter um famoso e bonitão.
tente imaginar se bob dylan tivesse uma música indicada e eles colocassem brad pitt para interpretá-la.
hoje fico sabendo que ele não vai cantar a música na cerimônia do oscar. claro, faz sentido. porque ter um músico desconhecido interpretando sua própria canção, se podemos ter o bonitón antônio banderas no seu lugar? afinal, latinos são intercambiáveis. melhor ter um famoso e bonitão.
tente imaginar se bob dylan tivesse uma música indicada e eles colocassem brad pitt para interpretá-la.
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
mais música para partir corações partidos e colados com superbonder:
madeleine peyroux. mezzo folk, mezzo jazz, com uma voz (al)quebrada, com ressonâncias de uma billie hollyday moderna.
aqui você dá uma geral no álbum.
aqui, no morning becomes ecletic, você ouve o álbum inteiro.
enjoy.
madeleine peyroux. mezzo folk, mezzo jazz, com uma voz (al)quebrada, com ressonâncias de uma billie hollyday moderna.
aqui você dá uma geral no álbum.
aqui, no morning becomes ecletic, você ouve o álbum inteiro.
enjoy.
terça-feira, fevereiro 22, 2005
poema do dia. esse exemplo de candura, da lavra de momus.
my sperm is not your enemy
My sperm is not your enemy
In it glistens destiny
Some day you'll appreciate This acrid, viscose gunk
An agglomerate of gooAmmonia, bamboo
Condensed milk, runny glue And eternity!
My sperm is not your enemy
Hold it in your hand You hold (you know it's true)The future of man!
Touch it, I invite you!You're its inspiration and its muse
Taste it, it won't bite you! It's just a fluid, how could it hurt you?
Oh, go ahead, what do you have to lose?
my sperm is not your enemy
My sperm is not your enemy
In it glistens destiny
Some day you'll appreciate This acrid, viscose gunk
An agglomerate of gooAmmonia, bamboo
Condensed milk, runny glue And eternity!
My sperm is not your enemy
Hold it in your hand You hold (you know it's true)The future of man!
Touch it, I invite you!You're its inspiration and its muse
Taste it, it won't bite you! It's just a fluid, how could it hurt you?
Oh, go ahead, what do you have to lose?
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
pensamentos desconexos e inacabados sobre hunter thompson.
the admiration we have for people who live harder than us. (don´t know who said that, but it´s a good one.)
gostei bastante do texto desse blogger a respeito.
You made us scream, too. You made us angry. You made us confused. You made us wonder what parts we were reading were real, and what were Gonzoed up for the benefit of the story. I stand by my opinion that Fear & Loathing on the Campaign Trail '72 is the best piece of political journalism ever written, simply because while there may be bullshit there, it's not bullshit. If that makes sense.
na verdade, se lembro bem, o que me impactou mais quando vi o trabalho de thompson eram as ilustrações de ralph steadman, parceiro constante dele. gostei de ver como é um dia na vida de ralph. certamente não tem nenhuma semelhança com um dia na vida de hunter thompson. acho que, como em muitos casos, não podemos culpá-lo pelas imitações lamentáveis que gerou ( a geração chinelo de porto alegre, uhhn, por exemplo), but we do.
the admiration we have for people who live harder than us. (don´t know who said that, but it´s a good one.)
gostei bastante do texto desse blogger a respeito.
You made us scream, too. You made us angry. You made us confused. You made us wonder what parts we were reading were real, and what were Gonzoed up for the benefit of the story. I stand by my opinion that Fear & Loathing on the Campaign Trail '72 is the best piece of political journalism ever written, simply because while there may be bullshit there, it's not bullshit. If that makes sense.
na verdade, se lembro bem, o que me impactou mais quando vi o trabalho de thompson eram as ilustrações de ralph steadman, parceiro constante dele. gostei de ver como é um dia na vida de ralph. certamente não tem nenhuma semelhança com um dia na vida de hunter thompson. acho que, como em muitos casos, não podemos culpá-lo pelas imitações lamentáveis que gerou ( a geração chinelo de porto alegre, uhhn, por exemplo), but we do.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
talvez numa cidade grande você veja malucos novos todo dia, mas numa cidade pequena, os loucos de rua são como seus pais: os mesmos e já estavam lá quando você chegou. no máximo alguns vão embora.
então foi com alguma excitação que vi ontem a estréia de um louco de rua novo, temporariamente batizado como o malandro da colher.
uniforme: a roupa de um malandro carioca antigo. terno branco, colete branco, camisa escura.
adereço: a colher.
modus operandi: aparentemente, ele dança com a colher.
e tudo o mais. ele entrou no café enquanto eu estava lá, foi ao banheiro, voltou, tudo com a colher na mão. o detalhe mais incongruente da coisa toda era uma bolsa de chimarrão no ombro. eu removeria esse adereço, mas talvez faça parte de toda a liturgia, vai saber.
claro, algum local pode acabar com minha ilusão e dizer que ele já circulava por aí. me informem.
e veja, quando eu ia pra casa não é que me aparece mais um? esse me tocou mais ainda, por dois detalhes: se entendi o que as roupas imundas significavam, ele quer ser um superherói. e estava no making off quando o vi. quando passei, ele dava os últimos ajustes no cinto que continha a espada. me cumprimentou muito candidamente. fiquei tocado com o paradoxo entre a ambição e o ar singelo. quase lhe desejei boa sorte na missão de salvar o mundo. o que, convenhamos, anda cada vez mais difícil.
então foi com alguma excitação que vi ontem a estréia de um louco de rua novo, temporariamente batizado como o malandro da colher.
uniforme: a roupa de um malandro carioca antigo. terno branco, colete branco, camisa escura.
adereço: a colher.
modus operandi: aparentemente, ele dança com a colher.
e tudo o mais. ele entrou no café enquanto eu estava lá, foi ao banheiro, voltou, tudo com a colher na mão. o detalhe mais incongruente da coisa toda era uma bolsa de chimarrão no ombro. eu removeria esse adereço, mas talvez faça parte de toda a liturgia, vai saber.
claro, algum local pode acabar com minha ilusão e dizer que ele já circulava por aí. me informem.
e veja, quando eu ia pra casa não é que me aparece mais um? esse me tocou mais ainda, por dois detalhes: se entendi o que as roupas imundas significavam, ele quer ser um superherói. e estava no making off quando o vi. quando passei, ele dava os últimos ajustes no cinto que continha a espada. me cumprimentou muito candidamente. fiquei tocado com o paradoxo entre a ambição e o ar singelo. quase lhe desejei boa sorte na missão de salvar o mundo. o que, convenhamos, anda cada vez mais difícil.
terça-feira, fevereiro 15, 2005
"As you approach its doors, it is apparent that you are about to enter a truly special place. it is The Benjamin. In a classic 1927 building carefully restored to its original grandeur, The Benjamin provides discerning travelers with a warm, intimate atmosphere and the utmost in personal attention. We call this The Benjamin Experience."
não, eu não passei minhas férias no benjamin. mas lendo coisas assim, I wish I had. que eu fosse um discerning traveler. talvez em outra encarnação.
passei as férias em casa. breves, como vocês podem ver. mas não me adiantaria se fossem mais longas. não tenho nem os meios nem o espírito para estar de férias. passei metade do tempo arrancando os cabelos porque deveria estar produzindo loucamente nesse período. mas nada nem vagamente consistente saiu da prancheta. amiga minha me diz que a culpa é da confusão astral que se instaura no carnaval. que não se deve tentar nada nesse período. que quando os deuses pagãos estão à solta, o trabalho é impossível. hmmm.
anyway, I´m back.
btw, fiquei sabendo sobre o benjamin no blog de um alfaiate inglês. sim, ele tem um blog. que aliás está muito bem. ah sim, e ele atende em qualquer parte do globo. alguém precisa de um terno novo?
não, eu não passei minhas férias no benjamin. mas lendo coisas assim, I wish I had. que eu fosse um discerning traveler. talvez em outra encarnação.
passei as férias em casa. breves, como vocês podem ver. mas não me adiantaria se fossem mais longas. não tenho nem os meios nem o espírito para estar de férias. passei metade do tempo arrancando os cabelos porque deveria estar produzindo loucamente nesse período. mas nada nem vagamente consistente saiu da prancheta. amiga minha me diz que a culpa é da confusão astral que se instaura no carnaval. que não se deve tentar nada nesse período. que quando os deuses pagãos estão à solta, o trabalho é impossível. hmmm.
anyway, I´m back.
btw, fiquei sabendo sobre o benjamin no blog de um alfaiate inglês. sim, ele tem um blog. que aliás está muito bem. ah sim, e ele atende em qualquer parte do globo. alguém precisa de um terno novo?
terça-feira, fevereiro 01, 2005
pra quem não viu na folha (ou viu e não foi checar) uma dica de despedida, um dos links mais bacanas que vi nos últimos tempos: morning becomes ecletic, um programa de rádio californiano que recebe bandas sensacionais. versões em áudio e em vídeo. cada session tem ali uns 40 minutos. dá pra ouvir (ou ver) música o dia inteiro. enjoy.
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