ninguém me inspira mais a trabalhar do que craig thompson.
além das qualidades plásticas óbvias, ele levou quatro anos fazendo blankets e deve levar seis ou sete fazendo o próximo livro. tem uma ética de trabalho aí absurda. e essa colocação dele sobre os quadrinhos numa entrevista define muito o campo no qual eu gostaria de me movimentar, além de ser um insight sensacional.
It's kind of an old-fashioned medium, and I think it has to embrace the fact that it's old-fashioned. I think it's got to get rid a lot of the more immature elements, like the superhero thing, because that's been replaced by video games, and all this entertainment for adolescent males. So I think it has to start embracing that other, old-fashioned quality -- this hand-drawn medium, this quiet, intimate medium, and I think there's a lot more readers out there that it would appeal to.
terça-feira, maio 20, 2008
segunda-feira, maio 05, 2008
final de semana em são paulo. em particular na liberdade. um mundo. mas descobri de vez que minha estética do frio já era. puff. noooo. foi junto com adolescência para algum lugar mítico que essas coisas vão.
(fiquei imaginando agora: um gigantesco armazém onde convivem meu Medo do Bicho Debaixo da Cama, minha Estética do Frio... todos os fragmentos perdidos da minha Existência Como Eu A Entendia.)
no more estética do frio pra mim. nooo. depois de dois anos e pouco no rio, os 16 ou 18 graus de são paulo com uma chuva fina me fizeram sentir na sibéria. renite todo o tempo. felt like crap.
mas são paulo é foda. como todo mundo sabe. só preciso me preparar melhor para a próxima vez. tipo comprar roupas de frio que não tenho mais.
ah, sim: nunca, nunca mais eu vou poder visitar o rio grande do sul ali por julho, agosto.
post scriptum e aviso legal: esse post contradiz severamente o post anterior.
(fiquei imaginando agora: um gigantesco armazém onde convivem meu Medo do Bicho Debaixo da Cama, minha Estética do Frio... todos os fragmentos perdidos da minha Existência Como Eu A Entendia.)
no more estética do frio pra mim. nooo. depois de dois anos e pouco no rio, os 16 ou 18 graus de são paulo com uma chuva fina me fizeram sentir na sibéria. renite todo o tempo. felt like crap.
mas são paulo é foda. como todo mundo sabe. só preciso me preparar melhor para a próxima vez. tipo comprar roupas de frio que não tenho mais.
ah, sim: nunca, nunca mais eu vou poder visitar o rio grande do sul ali por julho, agosto.
post scriptum e aviso legal: esse post contradiz severamente o post anterior.
quarta-feira, abril 30, 2008
quarta-feira, abril 09, 2008
quinta-feira, março 27, 2008
Ah, o amor entre comediantes é uma coisa linda. Venho acompanhando, com grande emoção a história de amor de Jimmy Kimmel e Sarah Silverman. Em uma entrevista do Dave Letterman Show, ela conta como eles se conheceram: Ela o apresentou em um evento, com essas palavras lindas:
- And now, Jimmy Kimmel. He´s fat and got no talent. Watch out, Danny Aiello.
Um ano depois, era a vez dele. Em outro grande evento, ele a apresentou com essas palavras emotivas:
- The next performer is where I put my penis when I think about Pamela Anderson.
Agora, eles encontraram outras maneiras de celebrar seu amor. Depois de Jimmy, que tem um talk show, passar uma temporada debochando de Matt Damon, sarah fez uma video-carta para ele:
E não perca também a emocionante resposta dele:
sábado, março 15, 2008
jaime hernandez, the man, dá a melhor resposta: afinal, porque tantos quadrinistas fazem auto biografia?
Why do you think the vast majority of acclaimed “independent” comics are written in a memoir style? From R. Crumb to Gabrielle Bell to Chris Ware to Chester Brown, “indie” comics tend to be written from the vantage of the author, about the author. Why, in your opinion, is this the trend?
They must really be in love with themselves.
terça-feira, março 11, 2008
É duro de crer, especialmente para mim, mas é meu segundo ano desenhando Copacabana. Você ouve dizer que fulano levou anos desenhando um álbum, mas na prática é assombroso ficar tanto tempo em um projeto. Eu, que mudo de idéia duas vezes por dia.
Já passei por todas as fases: engano ("ah, dá pra fazer em seis meses"), desespero, desistência, retorno, penitência.... agora estou de novo em um lugar muito bom. depois das férias e de quase dois meses sem tocar no trabalho, foi brutal retornar. brutal. mas voltei com todas ganas. estou refazendo un 20 ou 30 por cento do que já fiz. e fazendo material novo com um vigor novo. e ficando muito feliz com o resultado.
e como você faz para levar uma maratona como essa (dois anos, algo em torno de 150 páginas)?
um quadrinho de cada vez. como diria Rambo.
*****************************************
aqui no Flickr tem umas amostras grátis.
Já passei por todas as fases: engano ("ah, dá pra fazer em seis meses"), desespero, desistência, retorno, penitência.... agora estou de novo em um lugar muito bom. depois das férias e de quase dois meses sem tocar no trabalho, foi brutal retornar. brutal. mas voltei com todas ganas. estou refazendo un 20 ou 30 por cento do que já fiz. e fazendo material novo com um vigor novo. e ficando muito feliz com o resultado.
e como você faz para levar uma maratona como essa (dois anos, algo em torno de 150 páginas)?
um quadrinho de cada vez. como diria Rambo.
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aqui no Flickr tem umas amostras grátis.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
uma ironia boba: o número espantoso de comentários em cada um de meus posts atestam o óbvio: toda a internet se pergunta por onde tenho andado.
um fato simples: me instalando em minha nova vida - trabalhando fulltime em casa, muito feliz, mas ainda sem internet (die, Virtua!).
uma observação passageira: a funcionária do cybercafé espanta o tédio estourando bolhas de plástico-bolha.
e esses comentários devem ter me custado uns 20 centavos. assim que a velox (Die, Virtua!!!) estiver instalada, escreverei com calma. baccio a todos.
um fato simples: me instalando em minha nova vida - trabalhando fulltime em casa, muito feliz, mas ainda sem internet (die, Virtua!).
uma observação passageira: a funcionária do cybercafé espanta o tédio estourando bolhas de plástico-bolha.
e esses comentários devem ter me custado uns 20 centavos. assim que a velox (Die, Virtua!!!) estiver instalada, escreverei com calma. baccio a todos.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
momento profundamente carioca ontem. (com toda a falsidade ideológica aqui contida). Descemos (para quê mesmo?)vimos o final de tarde que estava em pleno andamento e caminhamos a quadra que nos separa da praia. o inacreditável de sempre, o momento cinecittá, de andar pela cidade e adentrar aquele cenário taitiano. me gustan os finais de tarde severos, menos estupefacientes, mais discretos. ontem tudo estava acinzentado em azul para a esquerda, um pouco de magenta; cinza esverdeado à direita, quase no forte que agora tem uma roda gigante. e estamos antecipando o que vai ser andar nela (curioso esse negócio de "andar" em uma roda gigante). o mar estava calmo e uns poucos cidadãos dentro dele flutuavam, quase sem ondas. outros pescavam. a 100 metros da avenida onde a hora do rush ainda estava acabando. atravessamos a avenida e fomos num boteco atrás de casa, comer empadinhas de camarão (quentes, a consistência perfeita que desmorona em sua primeira mordida) com chope. comemos e bebemos em cadeiras na calçada, sentados sob as árvores, nossos copos apoiados naqueles barris metálicos de chopp. profunda tranquilidade, grande satisfação. esses momentos quietos do rio são a cidade que vi e me encanta.
terça-feira, dezembro 18, 2007
terça-feira, dezembro 11, 2007
quanto tempo leva até você aceitar quem você é? a vida inteira, parece. pelo menos no meu caso. a expressão "confortável na própria pele" me ocorre para algumas pessoas. poucas.
comentava com wilbur ali nos comments. a primeira história impressa em um amontoado de folhas que se chama livro. o choque, o horror, o horror. em casa, com mais calma, fui aceitando. minhas árvores são minhas árvores. minha sujeira, meus seres humanos, meu nanquim. não dá pra ser mais do que você. e a telefonista acabou de vir aqui e me elogiar. que bom.
comentava com wilbur ali nos comments. a primeira história impressa em um amontoado de folhas que se chama livro. o choque, o horror, o horror. em casa, com mais calma, fui aceitando. minhas árvores são minhas árvores. minha sujeira, meus seres humanos, meu nanquim. não dá pra ser mais do que você. e a telefonista acabou de vir aqui e me elogiar. que bom.
trechos da correspondência completa:
from: odyr@qualquercoisa
to: angie@qualquercoisa
peguei o metrô para comprar sua revista.
estava 35 graus na rua, angie. desci na carioca, sempre confuso para que lado seguir. um saxofonista torturava o tema do verão de 42. desci e passei uma hora na berinjela (o que, em minúsculas, fica ótimo). comecei a ler (você primeiro, claro) de pé na estação. sorri sozinho. no metrô, uma loira se desmanchava. o braço dela parecia que tinha desistido. almoçei pastel de camarão e chope. tão carioca. onde anda minha estética do frio? também quero ser poeta, angie. deus me livre de actually escrever poemas. mas ficaria feliz de ficar andando assim pelo metrô, com missões tão vagas como essa. (ainda que prefira enormemente ficar parado em casa) mais do que um flaneur, é uma questão de ser um respirateur, como dizia duchamp. é o que estou tentando.
(...)
você não sabe os quadrinhos que quero fazer.
beijo.
O.
from: odyr@qualquercoisa
to: angie@qualquercoisa
peguei o metrô para comprar sua revista.
estava 35 graus na rua, angie. desci na carioca, sempre confuso para que lado seguir. um saxofonista torturava o tema do verão de 42. desci e passei uma hora na berinjela (o que, em minúsculas, fica ótimo). comecei a ler (você primeiro, claro) de pé na estação. sorri sozinho. no metrô, uma loira se desmanchava. o braço dela parecia que tinha desistido. almoçei pastel de camarão e chope. tão carioca. onde anda minha estética do frio? também quero ser poeta, angie. deus me livre de actually escrever poemas. mas ficaria feliz de ficar andando assim pelo metrô, com missões tão vagas como essa. (ainda que prefira enormemente ficar parado em casa) mais do que um flaneur, é uma questão de ser um respirateur, como dizia duchamp. é o que estou tentando.
(...)
você não sabe os quadrinhos que quero fazer.
beijo.
O.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
nota rápida: a cara feia de beckett nos mira do topo do site do ubu. para alguns de nós, essas caras feias (burroughs, beckett, joyce) são como as de nossos avós. tenho uma foto de buñuel em minha mesa de trabalho, como de um avô espanhol distante.
a tese que eu desenvolveria aqui se fazer teses fosse meu caso era de que nosso amor pela arte hoje em dia é isso mesmo: amor. o que nos prende a toda essa tralha dos anos 20 ou 30 é um carinho por essas figuras que orientaram nossa adolescência. já falei e falo em cada festa em que estou bêbado e alguém me dá atenção que acho que a arte acabou. às vezes mudo de idéia, mas na maior parte dos dias penso assim. o que não acaba é nosso carinho por esses mentores distantes, cujas frases repetíamos quando ainda não sabíamos o que dizer.
a tese que eu desenvolveria aqui se fazer teses fosse meu caso era de que nosso amor pela arte hoje em dia é isso mesmo: amor. o que nos prende a toda essa tralha dos anos 20 ou 30 é um carinho por essas figuras que orientaram nossa adolescência. já falei e falo em cada festa em que estou bêbado e alguém me dá atenção que acho que a arte acabou. às vezes mudo de idéia, mas na maior parte dos dias penso assim. o que não acaba é nosso carinho por esses mentores distantes, cujas frases repetíamos quando ainda não sabíamos o que dizer.
retorno à estação adolescência
nossas carreiras, nossas vidas, o mundo, nada anda em linha reta, não é mesmo? nasi, meu personal personal agent na descoberta de cool na web e no mundo apontou mais um tesouro: ubu, um repositório de coisas de vanguarda que parece uma caverna de tesouros inestimável. e oportuno, porque são coisas para as quais me vejo retornando. chamei de retorno à adolescência, mas seria o contrário, o princípio da idade da razão? não sei, mas vejo acontecer.
aos 18 ou 19 eu era uma torre de petróleo de pedantismo. eu não ligava muito nem para a música, o pop, até os quadrinhos estavam esquecidos. meu negócio era sartre (terrivelmente mal lido), kandinsky, klee e minha igreja particular de vanguarda. se era para ouvir música, eu ouvia gismonti, keith jarret e sonhava mesmo era em ouvir stockhausen, de quem só tinha ouvido falar. naquele momento, essas adesões eram simplesmente um sintoma da falta de sexo. como diz artaud, os adolescentes perdem suas inquietações metafísicas com a primeira amante. durou um pouco mais que isso, mas enfim em algum momento re-descobri as alegrias dessa droga que se chama pop. um amigo, (law, donde andas?) me levou de volta aos quadrinhos, à ficção científica, ao terminator, ao mundo das alegrias imediatas e do volume.
vivi nessa terra meio vegas, meio tokyo por muito tempo com um esquecimento quase completo de minha existência pré-matrix. troquei borges por stephen king sem olhar para trás.
continuo amando os dois, sem nenhuma culpa, sem nenhum revisionismo, mas me vejo voltando a esses prazeres mais lentos, a essa slow food do pensamento. a ler coisas que não são chiclete a ver filmes que não são só pixels explodindo. passei o final de semana lendo em câmera lenta um capítulo da biografia de duchamp. menos de 10 páginas. mas uma sinapse a cada 20 linhas. vi transformers, também. mas meu cérebro quase explodiu. vi 10 minutos de viver a vida, de godard. e senti o prazer de ter uma câmera que olha para as coisas, que leva o tempo em consideração. duchamp: só a arte nos leva a regiões que não são dominadas pelo espaço e tempo.
como sempre, esses esboços selvagens, digitados na hora do almoço, me irritam um pouco. mas são um boletim mal editado do que se passa na minha mente. como se interessasse a alguém.
nossas carreiras, nossas vidas, o mundo, nada anda em linha reta, não é mesmo? nasi, meu personal personal agent na descoberta de cool na web e no mundo apontou mais um tesouro: ubu, um repositório de coisas de vanguarda que parece uma caverna de tesouros inestimável. e oportuno, porque são coisas para as quais me vejo retornando. chamei de retorno à adolescência, mas seria o contrário, o princípio da idade da razão? não sei, mas vejo acontecer.
aos 18 ou 19 eu era uma torre de petróleo de pedantismo. eu não ligava muito nem para a música, o pop, até os quadrinhos estavam esquecidos. meu negócio era sartre (terrivelmente mal lido), kandinsky, klee e minha igreja particular de vanguarda. se era para ouvir música, eu ouvia gismonti, keith jarret e sonhava mesmo era em ouvir stockhausen, de quem só tinha ouvido falar. naquele momento, essas adesões eram simplesmente um sintoma da falta de sexo. como diz artaud, os adolescentes perdem suas inquietações metafísicas com a primeira amante. durou um pouco mais que isso, mas enfim em algum momento re-descobri as alegrias dessa droga que se chama pop. um amigo, (law, donde andas?) me levou de volta aos quadrinhos, à ficção científica, ao terminator, ao mundo das alegrias imediatas e do volume.
vivi nessa terra meio vegas, meio tokyo por muito tempo com um esquecimento quase completo de minha existência pré-matrix. troquei borges por stephen king sem olhar para trás.
continuo amando os dois, sem nenhuma culpa, sem nenhum revisionismo, mas me vejo voltando a esses prazeres mais lentos, a essa slow food do pensamento. a ler coisas que não são chiclete a ver filmes que não são só pixels explodindo. passei o final de semana lendo em câmera lenta um capítulo da biografia de duchamp. menos de 10 páginas. mas uma sinapse a cada 20 linhas. vi transformers, também. mas meu cérebro quase explodiu. vi 10 minutos de viver a vida, de godard. e senti o prazer de ter uma câmera que olha para as coisas, que leva o tempo em consideração. duchamp: só a arte nos leva a regiões que não são dominadas pelo espaço e tempo.
como sempre, esses esboços selvagens, digitados na hora do almoço, me irritam um pouco. mas são um boletim mal editado do que se passa na minha mente. como se interessasse a alguém.
quinta-feira, novembro 29, 2007
segunda-feira, outubro 29, 2007
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