as duas senhoras.
terça-feira, março 15, 2005
o ministério da saúde informa: ler gertrude stein pode ser prejudicial à sua saúde.
fato: fiquei meio louco ontem lendo la stein. o cérebro fica revoltado de não conseguir colocar as palavras em ordem devidamente.
gag: no livro, alice conta que, quando da primeira tentativa de publicação, o editor mandou um rapaz até a casa de gertrude. diálogo:
"- ahhnn, o editor está ligeiramente preocupado com o seu domínio da língua inglesa....
- mas eu sou americana!
- ahhnn, uhnn... então talvez a senhora seja meio inexperiente como escritora.. ?"
fato: fiquei meio louco ontem lendo la stein. o cérebro fica revoltado de não conseguir colocar as palavras em ordem devidamente.
gag: no livro, alice conta que, quando da primeira tentativa de publicação, o editor mandou um rapaz até a casa de gertrude. diálogo:
"- ahhnn, o editor está ligeiramente preocupado com o seu domínio da língua inglesa....
- mas eu sou americana!
- ahhnn, uhnn... então talvez a senhora seja meio inexperiente como escritora.. ?"
segunda-feira, março 14, 2005
grant morrisson again. mais uma entrevista absurda. ou maravilhosa. ou maravilhosamente absurda. here.
DRE: Why do comics enthrall you so much?
GM: Magic. It was always really fascinating to me that Superman was so much older than me and yet I could come along and write adventures with Superman in them and add to his life story. Then I could die and Superman would keep going, with other people writing stories to keep him alive. He's more real than I am because he has a longer lifespan and more influence, so this notion of the 'real' 2-dimensional world of the comics and what it had to say to the 'real' 3-dimensional world of non-fictional people. That really connected with me in a big way and helped me grapple with big ideas about the universe and life and death. I wanted to really 'make contact' with that world and bargain with its inhabitants. I saw it as the lynchpin of my magic. The comic universes are living breathing alternate worlds we can visit. And, if we're lucky enough to be comic book writers we get to play directly with the inhabitants and environments of the 2nd dimension. I wanted to travel in those worlds.
DRE: Why do comics enthrall you so much?
GM: Magic. It was always really fascinating to me that Superman was so much older than me and yet I could come along and write adventures with Superman in them and add to his life story. Then I could die and Superman would keep going, with other people writing stories to keep him alive. He's more real than I am because he has a longer lifespan and more influence, so this notion of the 'real' 2-dimensional world of the comics and what it had to say to the 'real' 3-dimensional world of non-fictional people. That really connected with me in a big way and helped me grapple with big ideas about the universe and life and death. I wanted to really 'make contact' with that world and bargain with its inhabitants. I saw it as the lynchpin of my magic. The comic universes are living breathing alternate worlds we can visit. And, if we're lucky enough to be comic book writers we get to play directly with the inhabitants and environments of the 2nd dimension. I wanted to travel in those worlds.
acabei nesse final de semana a autobiografia de alice b. toklas, de gertrude stein. que, claro, não é uma autobiografia e tem muito pouco de alice toklas nela. é uma piscada de olho de gertrude stein, uma forma de contar a sua vida na terceira pessoa e de uma maneira simples como fez o autor de robinson crusoe, nas palavras dela.
simples é tudo que gertrude stein não era. ou era.
de uma certa maneira seus textos tem a simplicidade de uma criança. de uma criança com capacidade infinita de escrever e que não sabe exatamente o que pode e não pode ser feito. a rose is a rose is a rose. In the inside there is sleeping, in the outside there is reddening, in the morning there is meaning, in the evening there is feeling.
claro, essas são facilidades, trechos, alfinetes de gertrude. mas os livros... a evolução dos americanos, segundo a descrição dela, tem mil páginas de letra miúda. e parágrafos que duram páginas. talvez, como com joyce, o leitor dela não tenha nascido. talvez não estejamos prontos. ou talvez fique cada vez mais difícil. acho que comentei há pouco tempo que só consegui ler beckett quando todos meus outros livros estavam encaixotados e não havia nada mais fácil disponível. porque essa é a questão: nossa disponibilidade. que só diminui. para filmes sem cortes, músicas longas, textos sem sinalização, sem rede de segurança, sem narrativa.
mas me perco. esse livrinho então "sobre alice" é simplíssimo. praticamente uma coleção de fofocas. com a diferença que os personagens das fofocas são picasso, juan gris, guillerme apolinaire, hemingway, matisse...quem não passou pela casa delas? foi o primeiro lar para toda a pintura moderna. foi a mesa onde os pintores ainda miseráveis encontravam sempre comida, companhia, compreensão, comunidade.
então, resumindo, recomendo muito. sobre o resto, bom... eu também não cheguei lá. e imagino que se um dia morar na islândia ou em uma montanha do tibet, eu me sente e leia gertrude stein. ou talvez possamos todos rasgar páginas e ler pedacinhos, coisas que são como pequenas pinturas dela: Please be the beef, please beef, pleasure is not wailing. Please beef, please be carved clear, please be a case of consideration.
you can try in here. tender buttons. objects, food and rooms.
simples é tudo que gertrude stein não era. ou era.
de uma certa maneira seus textos tem a simplicidade de uma criança. de uma criança com capacidade infinita de escrever e que não sabe exatamente o que pode e não pode ser feito. a rose is a rose is a rose. In the inside there is sleeping, in the outside there is reddening, in the morning there is meaning, in the evening there is feeling.
claro, essas são facilidades, trechos, alfinetes de gertrude. mas os livros... a evolução dos americanos, segundo a descrição dela, tem mil páginas de letra miúda. e parágrafos que duram páginas. talvez, como com joyce, o leitor dela não tenha nascido. talvez não estejamos prontos. ou talvez fique cada vez mais difícil. acho que comentei há pouco tempo que só consegui ler beckett quando todos meus outros livros estavam encaixotados e não havia nada mais fácil disponível. porque essa é a questão: nossa disponibilidade. que só diminui. para filmes sem cortes, músicas longas, textos sem sinalização, sem rede de segurança, sem narrativa.
mas me perco. esse livrinho então "sobre alice" é simplíssimo. praticamente uma coleção de fofocas. com a diferença que os personagens das fofocas são picasso, juan gris, guillerme apolinaire, hemingway, matisse...quem não passou pela casa delas? foi o primeiro lar para toda a pintura moderna. foi a mesa onde os pintores ainda miseráveis encontravam sempre comida, companhia, compreensão, comunidade.
então, resumindo, recomendo muito. sobre o resto, bom... eu também não cheguei lá. e imagino que se um dia morar na islândia ou em uma montanha do tibet, eu me sente e leia gertrude stein. ou talvez possamos todos rasgar páginas e ler pedacinhos, coisas que são como pequenas pinturas dela: Please be the beef, please beef, pleasure is not wailing. Please beef, please be carved clear, please be a case of consideration.
you can try in here. tender buttons. objects, food and rooms.
gray skies. irving berling cantava blue skies, but give me gray any day. ponho minha camiseta preta, uma calça de brim, um sapato...há uma alegria em se sentir sólido e não derretendo como um sorvete. acordado. o café cai melhor, o cigarro faz mais feliz, se quer trabalhar, se quer andar pelas ruas cinzentas. até o cérebro parece perceber.
sexta-feira, março 11, 2005
a frase do dia e motto para o fim de semana vem do grande masa, como sempre mezzo ingênuo mezzo sábio:
don´t say fuck, it´s hate. just do fuck. it´s love.
don´t say fuck, it´s hate. just do fuck. it´s love.
talvez, talvez, minha parte favorita desse site sobre barrie seja a dedicatória de peter pan, onde ele diz As for myself, I suppose I always knew that I made Peter by rubbing the five of you violently together, as savages with two sticks produce a flame. That is all he is, the spark I got from you.
ou o momento onde ele se pergunta porque transformar toda a gloriosa aventura que eles tiveram juntos nesse pálido volume: Alas, I know what it was, I was losing my grip. One by one as you swung monkey-wise from branch to branch in the wood of make-believe you reached the tree of knowledge.
That was a quarter of a century ago, and I clutch my brows in vain to remember whether it was a last desperate throw to retain the five of you for a little longer, or merely a cold decision to turn you into bread and butter.
...
You had played it until you tired of it, and tossed it in the air and gored it and left it derelict in the mud and went on your way singing other songs; and then I stole back and sewed some of the gory fragments together with a pen-nib.
ou o momento onde ele se pergunta porque transformar toda a gloriosa aventura que eles tiveram juntos nesse pálido volume: Alas, I know what it was, I was losing my grip. One by one as you swung monkey-wise from branch to branch in the wood of make-believe you reached the tree of knowledge.
That was a quarter of a century ago, and I clutch my brows in vain to remember whether it was a last desperate throw to retain the five of you for a little longer, or merely a cold decision to turn you into bread and butter.
...
You had played it until you tired of it, and tossed it in the air and gored it and left it derelict in the mud and went on your way singing other songs; and then I stole back and sewed some of the gory fragments together with a pen-nib.
boy, o final de semana se aproxima de novo rastejando sobre nós e, além de não ter produzido uma página de quadrinhos, não escrevi um post decente.
I really miss the days (I don´t really miss anything at all, I just love this beginning).
no, seriously. bitisa andou lendo esse blog de trás pra frente, quer dizer, andou fuçando nos arquivos profundos. eu também, por conta dela. não é que eu escrevia alguma coisa que prestasse back in the days? então, de uma certa forma, I miss these days. eu escrevia para ninguém e escrevia melhor. na época, o blog era mais como um diário, de fato, um lugar onde suas ambições literárias se escondem e fatos da sua vida são coloridos com uma canetinha cheia de pretensões.
o que ele é hoje em dia? um bric-a-brac. uma comunidade. uma mesa de bar. um álbum de colagens. um vale-tudo. mais divertido e mais participativo, certamente. mas a escrita certamente foi pro ralo. chuif.
I really miss the days (I don´t really miss anything at all, I just love this beginning).
no, seriously. bitisa andou lendo esse blog de trás pra frente, quer dizer, andou fuçando nos arquivos profundos. eu também, por conta dela. não é que eu escrevia alguma coisa que prestasse back in the days? então, de uma certa forma, I miss these days. eu escrevia para ninguém e escrevia melhor. na época, o blog era mais como um diário, de fato, um lugar onde suas ambições literárias se escondem e fatos da sua vida são coloridos com uma canetinha cheia de pretensões.
o que ele é hoje em dia? um bric-a-brac. uma comunidade. uma mesa de bar. um álbum de colagens. um vale-tudo. mais divertido e mais participativo, certamente. mas a escrita certamente foi pro ralo. chuif.
quinta-feira, março 10, 2005
na verdade o material é muito, muito vasto prar ser resumido. das muitas coisas que encontrei, recomendo duas: esse longo, mas muito completo e bem escrito texto e o site do escritor que escreveu the lost boys, o retrato mais realista do autor e dos meninos que inspiraram peter pan. quase todos tiveram destinos trágicos precoces.
finding neverland. um belo filme, talvez um pouco demais para os lados do cinemão, mas digno, bem feito. o que se segue são pedaços de coisas que fui catando pela internet, em busca de respostas para algumas dúvidas que o filme traz. do que de fato aconteceu ou não. se você não viu o filme, talvez não queira ler o que se segue.
esse é um trecho interessante sobre a questão da "adoção" posterior dele dos garotos. ao contrário do que mostra o filme, o pai dos meninos ainda estava vivo quando ele os conheceu. o resto procede. então:
When Arthur and Sylvia died of cancer within a few years of each other, the playwright found Sylvia's handwritten will in which she requested that Jenny, the sister of the boys' nanny, help look after them. In copying the document for Sylvia's mother Barrie mistranscribed "Jenny" as "Jimmy," i.e., himself--unintentionally, according to Birkin. But even if he did it on purpose, family and friends agree he alone had the resources to take care of the boys, and he became their guardian. Judging from their correspondence, Barrie was part father to the five, part mother, and part . . . well, lover gives the wrong idea, but he was emotionally attached to a degree some found morbid, to George and Michael particularly.
George was killed during World War I, however, and Michael drowned at Oxford in 1921. (Some suspected it was suicide.) Peter, who became a successful publisher, threw himself under a London subway train in 1960. You may think: these were troubled folk. Maybe so, but no evidence survives to pin the blame on Barrie, who died in 1937. As for pedophilia, Nico offered what, barring some shocking revelation, will surely stand as the last word on Barrie's sexuality, or lack of it: "He was an innocent--which is why he could write Peter Pan."
sobre a estréia, sobre o sucesso inicial da peça ou não:
No one knew if this preposterous play would work, especially its anxious author. On opening night, Barrie was ill with nerves, holding his breath at the critical moment when Peter asks the audience to clap their hands if they believe in fairies. What if no one clapped at all? But the audience responded with such wild applause that the actress playing Peter burst into tears.
continuo noutro post, pra que a coisa não fique tão mamute.
esse é um trecho interessante sobre a questão da "adoção" posterior dele dos garotos. ao contrário do que mostra o filme, o pai dos meninos ainda estava vivo quando ele os conheceu. o resto procede. então:
When Arthur and Sylvia died of cancer within a few years of each other, the playwright found Sylvia's handwritten will in which she requested that Jenny, the sister of the boys' nanny, help look after them. In copying the document for Sylvia's mother Barrie mistranscribed "Jenny" as "Jimmy," i.e., himself--unintentionally, according to Birkin. But even if he did it on purpose, family and friends agree he alone had the resources to take care of the boys, and he became their guardian. Judging from their correspondence, Barrie was part father to the five, part mother, and part . . . well, lover gives the wrong idea, but he was emotionally attached to a degree some found morbid, to George and Michael particularly.
George was killed during World War I, however, and Michael drowned at Oxford in 1921. (Some suspected it was suicide.) Peter, who became a successful publisher, threw himself under a London subway train in 1960. You may think: these were troubled folk. Maybe so, but no evidence survives to pin the blame on Barrie, who died in 1937. As for pedophilia, Nico offered what, barring some shocking revelation, will surely stand as the last word on Barrie's sexuality, or lack of it: "He was an innocent--which is why he could write Peter Pan."
sobre a estréia, sobre o sucesso inicial da peça ou não:
No one knew if this preposterous play would work, especially its anxious author. On opening night, Barrie was ill with nerves, holding his breath at the critical moment when Peter asks the audience to clap their hands if they believe in fairies. What if no one clapped at all? But the audience responded with such wild applause that the actress playing Peter burst into tears.
continuo noutro post, pra que a coisa não fique tão mamute.
quarta-feira, março 09, 2005
realmente se pode dizer qualquer coisa a respeito de...bem...qualquer coisa. mas a coisa que me refiro são letras de música. bitisa é professora de inglês e ia usar yellow, do coldplay para trabalhar com alunos. eu tinha uma idéia de ouvir algo sobre a palavra yellow ter algum outro significado (além de amarelo e covarde). gabi, minha consultora universal de pop não sabia, mas me apontou para esse songsmeaning, que é hilário. comentário de um dos usuário sobre yellow, por exemplo:
I always thought it was about coke... "I'd bleed myself dry" being the blood withdrawal before shooting up... Yellow being the light of the candle melting it down... "Your skin unfolds" being where to inject... I drew a line for you... just another way to do it. "And so I took my turn" he was doing it with friends... Maybe I'm just wrong.
damn. não é que faz sentido?
:)
I always thought it was about coke... "I'd bleed myself dry" being the blood withdrawal before shooting up... Yellow being the light of the candle melting it down... "Your skin unfolds" being where to inject... I drew a line for you... just another way to do it. "And so I took my turn" he was doing it with friends... Maybe I'm just wrong.
damn. não é que faz sentido?
:)
terça-feira, março 08, 2005
não chega a ser tudo o que você queria saber sobre crumb, mas é um bom apanhado. uma entrevista atual, um texto do crítico de arte robert hughes que diz que "Robert Crumb, now in his 62nd year, is the one and only genius the 1960s underground produced in visual art, either in America or Europe" e exemplos do seu trabalho.
para quem não conhece, uma bela introdução. pra quem conhece e ama, uma alegria.
no guardian.
para quem não conhece, uma bela introdução. pra quem conhece e ama, uma alegria.
no guardian.
hmmm. um tal josé está traduzindo a belle du jour para o português. e passando trabalho, pelo jeito. a belle, indignada. mirem.
segunda-feira, março 07, 2005
então. aqui está a metamorfose produzida pelos estúdios bernardi. como sempre, pequeno orçamento, atores desconhecidos, mas as melhores intenções. :)
(a página leva um tempo formando. tome um café, dê uma volta.)
a primeira vênus.
(a página leva um tempo formando. tome um café, dê uma volta.)
a primeira vênus.
sexta-feira, março 04, 2005
greenday
então. essa história foi pro salão de desenho da imprensa de porto alegre. eu ia colorir toda, não tive tempo (damn), então coloco aqui colorida pros amigos verem como seria se. :) resta esperar que ela se defenda em preto e branco.
quarta-feira, março 02, 2005
hoje minha admiração pela frança sofreu um duro abalo.
descubro que o país que ensinou o mundo a comer, beber, se vestir, pensar... basicamente a se civilizar, (ocupando o espaço que era dos gregos no passado) tem um grave pecado em sua história: são os inventores da margarina.
a margarina, substância asquerosa, que eu julgava vindo direto da mente do demônio ou pelo menos intermediada pelo tecnicismo dos americanos. a margarina, essa imitação tristíssima da manteiga.
pois foi inventada pelos franceses.
je suis desolé.
descubro que o país que ensinou o mundo a comer, beber, se vestir, pensar... basicamente a se civilizar, (ocupando o espaço que era dos gregos no passado) tem um grave pecado em sua história: são os inventores da margarina.
a margarina, substância asquerosa, que eu julgava vindo direto da mente do demônio ou pelo menos intermediada pelo tecnicismo dos americanos. a margarina, essa imitação tristíssima da manteiga.
pois foi inventada pelos franceses.
je suis desolé.
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