sexta-feira, dezembro 17, 2004

partículas elementares, de michel houellebecq, é um livraço. livraço. já tinha lido em português uns anos atrás, em uma tradução muito canhestra do juremir machado. como meu francês não vai além do bounjour mon amour, achei uma tradução em inglês agora onde deposito mais esperanças.
alguém me perguntou sobre o que é o livro. quando um livro é realmente importante é difícil responder essa pergunta. mas eu diria que é sobre dois assuntos importantíssimos no mundo: física quântica e sexo.
um climaço decadente de pós-revolução sexual, um cinismo que tomou conta do mundo. uma mistura de sacanagem com filosofia. o que é uma coisa tão francesa como baguette.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

por algum tempo eu vinha pensando que gabi era uma personagem, pronta para os quadrinhos. inclusive as fotos estavam lá como referência, tons of.

foi com algum desgosto que descobri que um par de americanos tiveram a mesma idéia. street angel é tudo que eu gostaria de ter feito para transformar gabi numa heroína de quadrinhos. está lá a atitude, os patins (no caso skate), o fator coolness...

too bad, mongabi. mas hey, ainda está em tempo de você tentar um processo contra eles. :)

terça-feira, dezembro 14, 2004

então não tinha lido nada do simenon até agora. estou lendo esse o fugitivo e é, como diz o clichê das resenhas, um vislumbre da mente criminosa bem impressionante. não por ser um vislumbre em um mundo alien, mas por mostrar que não é nada que eu, você ou o seu vizinho não possa fazer. saí de casa para o trabalho me sentindo incrivelmente culpado, como se o crime fosse meu ou como se todos soubessem o que minha mente criminosa tinha planejado.
ridículo, uh?
ah, sim e sonhei que era preso e era uma coisa incrivelmente dramática e filmesca. acho que ando lendo policiais demais.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

ok, mas se vocês acham que falta sordidez hoje nesse blog, que tal sexo explícito entre bonecos? é uma cena supostamente censurada de team america, o filme feito com bonecos pelos criadores de south park. enjoy.
outra muito boa do lama é que a missionária americana pergunta para ele o que fazem os lamas. eles responde:

-they meditate and look for wisdom.

- but that isn´t doing anything!

- then, madam, they do nothing.
felizmente, eu diria, não tenho nenhuma aventura para contar hoje. o final de semana foi tranquilo como pretendia e voltei à produção.

os livros salvam, sempre. na sexta feira passei num sebo e comprei meia dúzia. li uns dois e meio. um deles foi lost horizon, que tinha lido quando era garoto. e achei bem divertido. para quem não lembra é daonde veio o nome shangrila, aquela terra mítica de paz e tal. pois o lama de shangrila tinha um dito muito bom sobre essa coisa dos excessos (e o outro excesso que é o do asceta):

Nós praticamos aqui a moderação. Governamos nosso povo com rigor moderado e posso dizer que eles são moderadamente sóbrios, moderadamente castos e moderadamente honestos.

sexta-feira, dezembro 10, 2004

talvez eu precise casar, talvez eu precise jogar fora meu celular (e sonhei que fazia exatamente isso ontem). aliás, com tudo isso, os sonhos andam conturbadíssimos. maior climão david lynch com um toque de abel ferrara.

but watch me as I turn off my cell phone today and stay home.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

eu pensava que o preta´s bar era o mais baixo que se podia descer, no estilo uma-parada-antes-do-inferno, mas o eggo´s consegue ser pior. embora infinitamente maior e mais, digamos, estruturado, o nível de sordidez é incomparável. nunca vi tanta gente feia, tanta música ruim, tantas más intenções no mesmo lugar. o ambiente é literalmente um calabouço, onde só faltam as correntes na parede ou uns legionários empurrando cristãos para a arena. as mulheres todas parecem profissionais, não pela beleza, (hahaha) mas pelo olhar fixo, reptiliano,a boca contorcida. não é nem luxúria. é uma forma menos viva de sexualidade que move aqueles corpos.

faz você se perguntar ( e eu também) que catzo eu fazia por ali. não sei. vou deixando a corrente da noite me levar e quando vejo estou em um lugar desses. vale lembrar que fica nos limites da civilização, saindo da cidade. ali pelas 5 da manhã fui resgatado por amigos que iam para o laranjal. então vimos o dia nascer com as ondas batendo, mas não havia nada de confortante na imagem. lembrei dos filmes de fellini, onde com frequência os personagens vão buscar alguma forma de absolvição na praia, uma epifania qualquer que não chega. me senti tão alien quanto no calabouço. é um mundo estranho.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

então zé louco sozinho fez mais sucesso que todas as perversões juntas. ele nem imagina. :)

mas a diferença acho é de um post escrito por gosto e outro por encomenda. ficou como um catálogo e pouco convincente, uh?

além de jorge, que já conheceu um zé louco, já ouvi outros relatos. daí pra virar lenda urbana é um passo. a lenda do zé louco.
passei o fim de semana na companhia de uma loira de 17 anos que me deixou exausto.
o nome dela é joss stone e milhões de pessoas passaram o fim de semana com ela também. devem estar satisfeitos como eu, suponho. a garota é tudo o que o hype diz e muito mais. digo exausto porque é uma experiência exaustiva ouvi-la. experiência catártica, emocional, vibrante... não consigo imaginar baixar o som e fazer outras coisas enquanto ela canta. nem aquelas. o som tem que estar bombando e você tomado por essa voz absurda. soul, gospel, toda a música negra no corpo (sensacional) dessa loirinha americana. amen, joss. não podia recomendar mais.

(O segundo, é o que comprei, body, mind & soul. não consigo imaginar que o primeiro seja ruim, mas não posso jurar.)

sexta-feira, dezembro 03, 2004

bom, aparentemente meus leitores são bem versados nesses assuntos todos. comecei a série a pedido de jorge e ele não está impressionado. quer mais. more dirt! more details! eu tenho um certo receio que esse blog seja rebatizado como freak show, jorge.

além de tudo, hoje é sexta-feira. chega de falar de práticas sexuais degradantes e sórdidas. vamos ver se consigo realizar algumas. :)


Woody Allen: Não é verdade que sexo seja uma coisa suja e sórdida. só quando é bem feito.

eu vinha no caminho pra cá pensando em um fetiche bem mais popular que é o dos uniformes. esse não é difícil de entender ou simpatizar, não? o que eu entendo disso é que se trata de colocarmos sexo onde ele não está, nãodeveria estar. o que, convenhamos, é um impulso vital e e rebelde. mais ou menos o mesmo do sexo feito em lugares públicos. mas há variações, há temas diferentes sobrepostos. as enfermeiras, por exemplo me parecem um tanto regressivo. no sentido de ser cuidado, de voltar a ser criança. ( e sexualidade regressiva no brasil daria um post gigantesco, parece permear todo nosso imaginário.) já a colegial é o contrário, é uma pedofilia teatralizada, é uma adulta travestida de criança. os uniformes militares e policiais andam fazendo bastante sucesso entre as mulheres, aparentemente. os amigos no exterior talvez não saibam, mas andou havendo um frenesi com bombeiros por aqui. na vida pública de celebridades, na novela... existe um componente de risco aí, eu suponho, de trasngressão, de ter tesão por quem você deveria temer ou ter respeito. mas enfim. no fundo estamos sempre fantasiados disso ou daquilo.

eu tenho uma bronca em geral com regressão, com adultos que se comportam como criança e nada vai tão longe nisso como os abes. o que são abes? adult babies. criaturas cuja fantasia é estar de fraldas, num berço (enorme, eu suponho) e ser cuidado por uma enfermeira. vou pular os detalhes, acho. aliás eu acho que vou passar mal ali no banheiro e já volto. ugh.
alguém escreveu ( e eu mataria por essa descrição) que o trabalho eletrônico do Everything but The Girl era música "para dançar com lágrimas nos olhos". Ahh. Enfim. mas a questão aqui é: o pop pode ser incrivelmente sofisticado. corrigi essa semana um erro histórico de minha parte quando, num sebo comprei um vinil dos pet shop boys, por conta de uma música que me agradava. o álbum é o behaviour, aquele com as quatro fotos pequeninhas na capa. a música estava lá, mas dio, muito mais também. é como se fosse um mcdonald´s feito por um chef francês. de longe você vê aquele produto pop perfeito, mas de perto...

a música que eu buscava era being boring, também um dos clips que mais amava na mtv, uma cena felliniana interminável de excessos, a fascinação adolescente de alguém que se vê em um mundo adulto, perverso e maravilhoso. rodado em película, em preto e branco em uma casa que é só luxúria e decadência, reencena uma festa sem fim, com pessoas andando de patins pelos corredores, casais na banheira, gente linda e louca. e a música é um coming at terms dele com sua figura adolescente... / When you?re young you find inspiration In anyone who?s ever gone/We had too much time to find for ourselves/And we were never being boring

Now I sit with different faces/ In rented rooms and foreign places / All the people I was kissing / Some are here and some are missing.../ eu poderia colocar a letra toda aqui, mas mas você pode ler aqui. no momento estou mais encantado com october simphony, que começa eletrônica pop e irrestistível e vais aospoucos adicionando maldades tão sutis...primeiro é a guitarra de johnny marr, que vem em intervalos, como que de longe...depois um vocal black..quando o quarteto de cordas entra é de um estranhamento e uma beleza... no final ele volta, quando o maquinário eletrônico vai diminuindo e parando as cordas ficam ali, ocupando o espaço, falando de uma festa que acabou.

beautiful.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

eram 5 da manhã no preta´s bar e meu amigo gay estava dançando com um caminhoneiro chamado zé louco.
que tal isso para um começo? (eu também gostei.) minha acompanhante era uma amiga dele, que gostava de garotas, oh vida. uma coisa sussurrante e insinuante, que parecia deslizar quando andava. se comportava um pouco como uma princesa russa, levemente entediada, mas cheia de finesse e simpatia. mulheres. como uma garota pode ter esse savoir faire com vinte e poucos anos? algumas horas antes eu tinha descoberto que minha ex namorava agora o maior traficante da cidade, que me foi apresentado e se revelou uma criatura perfeitamente tranquila, que só tomava água.

zé louco tinha se juntado à nossa troupe umas duas horas atrás, em outra zona que fomos (noite longa) e parecia encantado com a situação. éramos 4 ou 5 perdidos numa noite suja, literalmente, mas bastante felizes.
um post encomendado sobre perversões, então? porquois pas?

por onde começar, se pergunta jack. se entendo bem o que freud quis dizer, perversões são práticas que substituem o ato sexual, em vez de se somar à ele. mas não vamos ser assim tão científicos.

jorge estava falando das dominatrix. como qualquer um desses ramos, comporta um sem fim de variações. existe uma linha mais clássica, digamos, que depende um pouco da mise en scene, da roupa de couro, do chicote.. mas isso não é uma regra. existe todo um movimento que se chama femdom, female domination, que é uma coisa mais complexa, menos teatral e mais vivida, digamos. é o tipo de de coisa que se desenvolve muito em casamentos. ao contrário de uma dominatrix, que geralmente é visitada esporadicamente e paga por sua performance, o sub busca uma mulher dominadora para relacionamento longo. porque a idéia é que essa dominação se estenda a todos os aspectos da sua vida. ele pode usar um cinto de castidade, por exemplo, artigo muito popular entre esses casais. a idéia é que ele a sirva oralmente todos os dias, use um consolo nela se assim solicitado e eventualmente assista ela receber um convidado que o substitua nas funções conjugais. uma vez por semana (ou uma por mês ou ou ou...) ela tira o cinto e permite algum alívio para seu exultante sub. geralmente isso é feito de forma ritualística. o fulano é algemado (para não sofrer a tentação de não pôr o cinto de novo) e aí os métodos variam. mas raramente envolvem penetração. a dele sim, em alguns casos. é tudo uma questão de níveis. alguns casais levam isso mais como um jogo, outros como um modo de vida. várias subescolas aqui também. em algumas o homem é transformado em uma mulher, com vestido, peruca, depilação, etc.

em defesa dessas criaturas, frente o olhar horrorizado dos meu leitores, eu acho que eles são violentamente felizes. você pode pensar que a vida dele é só privação, mas veja bem: ele está vivendo em tempo integral sua fantasia mais profunda. não é pouco e não se pode dizer isso de muitos de nós. se a curiosidade existir, esse aqui é um site bem interessante. além de mostrar fotos dos modelos mais populares dos cintos, tem um estoque interminável de ficção do gênero.

obviamente isso é a introdução da introdução da introdução de um só tópico, mas não posso passar o dia falando sacanagem com vocês, posso? :)

volto ao tema.

terça-feira, novembro 30, 2004

talvez uma feliz influência tenha sido a releitura de henry & june, de anais nin. henry miller sempre passa como o garanhão ( e anais não nega isso) mas veja bem: anais estava tendo um caso com Henry, um affair com June, um drama erótico com o primo, umas escapadas com o psiquiatra e ainda tinha energia e carinho para com o santo, santo marido.

faz você suspirar.

mas mais do que isso: ela era ótima com todos. ninguém se queixava.
epilogue: talvez um dia eu ache THE ONE, mas nesse meio tempo, the next one´ll do just fine, thanks.

ou como cole porter diria, de forma tão mais elegante:

It´s the wrong time, and the wrong place / Though your face is charming, it´s the wrong face/ It´s not her face, but such a charming face That it´s all right with me.

You can´t know how happy I am that we met / I´m strangely attracted to you/ There´s someone I´m trying so hard to forget / Don´t you want to forget someone, too?
às vezes acho que já escrevi alguma coisa por aqui, mas what the hell. se for, vai de novo, porque anda pelo meu cérebro de novo.

sonho com um mundo intercambiável. com presenças, quero dizer. porque fulana deveria sofrer com a ausência de beltrano se eu estou completamente disponível e sou um modelo similar? um genérico perfeitamente aceitável? não se trata de levar qualquer um(a) pra sua cama, mas há um número bem vasto de opções. os seres humanos não são tão raros assim.

há o amor, claro, aquele estado raro em que você está plenamente convencido de que é aquela e não outra. mas esse sim é raríssimo. nesse meio tempo, acho que devíamos ser todos tão felizes quanto possível.

venho tentando praticar isso, mas nem todos estamos convencidos ainda da beleza dessa idéia.

tive uma noite incrível ontem, mas com alguém que não vai se decidir por agora, não vai dar nenhum salto, não se decidiu. (e é uma loooooonga história. Jorge e fê vão lembrar de um show do vitor que vimos com ela em porto alegre, eons atrás). foi realmente uma noite rara e saí de lá leve, feliz. mas já olhando pro lado. levei minha felicidade pra beber e vi tantas bellas. a vida é tão vasta. eu não posso ter todas. mas um pouquinho de cada uma me faz feliz.

segunda-feira, novembro 29, 2004

gracias, gracias, gracias a fê e jorge por postarem as fotos de cortazar. me pus bobo. cortazar me pega de uma maneira diferente de qualquer outro. posso admirar outros escritores, pintores, músicos, mas julio... I don´t know. cada foto do velho louco me emociona. e aquela primeira é ele criança? dio, os olhos daquele serzinho... ah sim, e ver fafner em toda sua glória colorida.... eu nem sabia que ela era vermelha. :)
uma galeria nova no sadcomics. resultado de uma sessão muito feliz no final de semana. um retorno ao pincel. andava achando meu trabalho meio anêmico. então fiz aquele mergulho: pincel, tinta, nenhum esboço, nenhum tema. só a volúpia da linha. a mim me fez feliz. o resultado está aqui, em black&white.