quarta-feira, fevereiro 23, 2005

I´m really not much in a writing mood, folks.

meu cérebro aparentemente é meio monotarefa. estou usando de pressão violenta contra meus neurônios para sair com uma história. vou publicar em uma outra revista e tenho um deadline. e nenhuma idéia! damn!

terça-feira, fevereiro 22, 2005

poema do dia. esse exemplo de candura, da lavra de momus.

my sperm is not your enemy

My sperm is not your enemy
In it glistens destiny
Some day you'll appreciate This acrid, viscose gunk
An agglomerate of gooAmmonia, bamboo
Condensed milk, runny glue And eternity!
My sperm is not your enemy
Hold it in your hand You hold (you know it's true)The future of man!
Touch it, I invite you!You're its inspiration and its muse
Taste it, it won't bite you! It's just a fluid, how could it hurt you?
Oh, go ahead, what do you have to lose?

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

pensamentos desconexos e inacabados sobre hunter thompson.

the admiration we have for people who live harder than us. (don´t know who said that, but it´s a good one.)

gostei bastante do texto desse blogger a respeito.

You made us scream, too. You made us angry. You made us confused. You made us wonder what parts we were reading were real, and what were Gonzoed up for the benefit of the story. I stand by my opinion that Fear & Loathing on the Campaign Trail '72 is the best piece of political journalism ever written, simply because while there may be bullshit there, it's not bullshit. If that makes sense.

na verdade, se lembro bem, o que me impactou mais quando vi o trabalho de thompson eram as ilustrações de ralph steadman, parceiro constante dele. gostei de ver como é um dia na vida de ralph. certamente não tem nenhuma semelhança com um dia na vida de hunter thompson. acho que, como em muitos casos, não podemos culpá-lo pelas imitações lamentáveis que gerou ( a geração chinelo de porto alegre, uhhn, por exemplo), but we do.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

frase do dia:

"que morir, que nada. eres joven y tienes un trasero formidable."

(de carlos nine, grande quadrinista argentino. na cena em questão, um pato detetive diz isso a uma galinha em crise. hmmm. mas se aplica bem a humanos.)

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

talvez numa cidade grande você veja malucos novos todo dia, mas numa cidade pequena, os loucos de rua são como seus pais: os mesmos e já estavam lá quando você chegou. no máximo alguns vão embora.

então foi com alguma excitação que vi ontem a estréia de um louco de rua novo, temporariamente batizado como o malandro da colher.
uniforme: a roupa de um malandro carioca antigo. terno branco, colete branco, camisa escura.
adereço: a colher.
modus operandi: aparentemente, ele dança com a colher.
e tudo o mais. ele entrou no café enquanto eu estava lá, foi ao banheiro, voltou, tudo com a colher na mão. o detalhe mais incongruente da coisa toda era uma bolsa de chimarrão no ombro. eu removeria esse adereço, mas talvez faça parte de toda a liturgia, vai saber.

claro, algum local pode acabar com minha ilusão e dizer que ele já circulava por aí. me informem.


e veja, quando eu ia pra casa não é que me aparece mais um? esse me tocou mais ainda, por dois detalhes: se entendi o que as roupas imundas significavam, ele quer ser um superherói. e estava no making off quando o vi. quando passei, ele dava os últimos ajustes no cinto que continha a espada. me cumprimentou muito candidamente. fiquei tocado com o paradoxo entre a ambição e o ar singelo. quase lhe desejei boa sorte na missão de salvar o mundo. o que, convenhamos, anda cada vez mais difícil.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

"As you approach its doors, it is apparent that you are about to enter a truly special place. it is The Benjamin. In a classic 1927 building carefully restored to its original grandeur, The Benjamin provides discerning travelers with a warm, intimate atmosphere and the utmost in personal attention. We call this The Benjamin Experience."

não, eu não passei minhas férias no benjamin. mas lendo coisas assim, I wish I had. que eu fosse um discerning traveler. talvez em outra encarnação.

passei as férias em casa. breves, como vocês podem ver. mas não me adiantaria se fossem mais longas. não tenho nem os meios nem o espírito para estar de férias. passei metade do tempo arrancando os cabelos porque deveria estar produzindo loucamente nesse período. mas nada nem vagamente consistente saiu da prancheta. amiga minha me diz que a culpa é da confusão astral que se instaura no carnaval. que não se deve tentar nada nesse período. que quando os deuses pagãos estão à solta, o trabalho é impossível. hmmm.

anyway, I´m back.

btw, fiquei sabendo sobre o benjamin no blog de um alfaiate inglês. sim, ele tem um blog. que aliás está muito bem. ah sim, e ele atende em qualquer parte do globo. alguém precisa de um terno novo?

terça-feira, fevereiro 01, 2005

pra quem não viu na folha (ou viu e não foi checar) uma dica de despedida, um dos links mais bacanas que vi nos últimos tempos: morning becomes ecletic, um programa de rádio californiano que recebe bandas sensacionais. versões em áudio e em vídeo. cada session tem ali uns 40 minutos. dá pra ouvir (ou ver) música o dia inteiro. enjoy.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

então. amanhã, no final do expediente, esse blog e seu criador entram em férias. iuupi. de volta ali pelo fim de fevereiro.

como o bom tvjunkie que sou, vou usar a metáfora das séries e considerar esse um fim de temporada. voltaremos em breve. mas não esquecemos nosso cast, os atores e atrizes que tornaram isso possível e divertido. esperamos renovar nossos contratos para a próxima temporada e adicionar mais personagens ao nosso circo. como episódio especial de fim de temporada, preparei uma apresentação do cast. yep. vão todos enfim se ver. enjoy.

(evidente que vão haver lacunas, ausências, esquecimentos, pelos quais a direção desde já se desculpa. também tentamos privilegiar os habitués, os frequentadores hardcore.
love. )
hey, wilbur, essa é pra você. o bom e velho masa está mostrando no site dele lutas entre deficientes físicos japoneses. wow. divertido, uh?

(nota do editor: essa recomendação é válida só para o wilbur. não, não recomendo a mais ninguém.)

sexta-feira, janeiro 28, 2005

os leitores contribuem com mais tecnologia assustadora. nesse caso, o fim do jornalismo. e da privacidade. e de mais meia dúzia de coisas.

duas versões: uma com som e imagens (vale a pena, cria um puta clima. são 8 minutos.)

ou só em texto aqui.

link descoberto pela grande melissa castellano. tks, dear.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

mais tecnologia assustadora: um software capaz de prever "cientificamente" se uma música vai fazer sucesso ou não. parece ridículo? well, os executivos de gravadora não acham. aparentemente ele já está sendo vastamente usado e previu com exatidão sucessos como o de norah jones. o artigo é interessante e mostra quais artistas já usaram o programa e como ele funciona. leia aqui enquanto eu arranco meus cabelos.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

então. vc quer saber se o novo disco da avril lavigne vai ofender os princípios morais de seus filhos? oferecer um mau exemplo? desviá-lo do caminho do senhor? seus problemas se terminaram-se!! pluggedin é uma revista cool, hip and up-to-date que traz reviews de cds, filmes, jogos e dá uma firme classificação moral para cada um deles, de acordo com critérios cristãos.

os exemplos devem ser muitos para quem resolver se divertir explorando. eu achei ótimo que mesmo coisas insossas como o cd de hillaty duff, traz advertências como " While not morally off-base, several songs overflow with teen angst, bitter about relational headaches. ?Someone?s Watching Over Me? isn?t as spiritual as it sounds. Rather, it tells fans to follow the internal compass of their hearts, unwise according to Jeremiah 17:9."

o que me diverte aqui é que seguir o compasso interno do seu coração não é boa idéia para so cristãos americanos. hmmm.

as categorias analisadas em um filme são ótimas: crude or profane language, drug and alcohol content (por exemplo, em elektra, eles comentam que ela toma uma taça de vinho. wow.) sexual content (elektra aparece de biquini)...

com relação a brifget jones: Bridget Jones 2 is full of British and American profanity and vulgarity. The names of Christ, God and the Lord are taken in vain several times. There are more than two-dozen uses of the f-word, once in conjunction with God?s ?bloody? name.

ou: Bridget has a serious addiction to cigarettes, and she smokes throughout the film despite several pledges to quit (her resolutions never last more than a few minutes). Other characters also do their part to cloud the air. Champagne and chardonnay flow freely, and Bridget is rarely seen without a glass in her hand.

precious.
já que o post abaixo rendeu comentários apocalípticos, vou compartilhar com os amigos um roteiro que me ocorreu ontem ( e que nunca vou desenhar, porque teria que ser um obsecado com maquinário, not my thing).

uma inteligência flutua pelo espaço. não-corpórea e sem percepção de antes ou depois. simplesmente vaga pelo espaço. chega a um planeta abandonado e pela primeira vez resolve se corporificar. funde-se ao planeta. funde metais e materiais do meio ambiente criando um "corpo". ali fica. em perfeito repouso. não há vida no planeta, nada para fazer, nenhum problema para resolver. um dia é como um século, um século é como um dia.

um dia um artefato alien cai no planeta. a inteligência cria ferramentas para analisar o artefato. conclui que foi criado por outra inteligência. grande momento. ela, que nunca tinha encontrado outra inteligência, resolve que é o passo lógico. cria mais ferramentas para analisar a origem do artefato. descobre que não é fruto de uma, mas de milhões, bilhões de inteligências. prepara alguns milhões de artefatos que possam ir ao encontro dessas inteligências. cada artefato desses vai ser independente, auto-replicante e conter toda a consciência da inteligência "mãe", por assim dizer. as naves-artefatos partem.

chegam à atmosfera da terra. se replicam em bilhões de artefatos, um para cada habitante da terra. cobrem toda a superfície do planeta. encobrem a luz do sol. descem para o contato. pânico absoluto na terra. caos social. governos mal-informados e bélicos lançam armas nucleares. o planeta é destruído.

a inteligência fica vastamente desapontada.

terça-feira, janeiro 25, 2005

esse blog, normalmente tão hedonista e humanista hoje se pôe ____________(escolha o ista de sua preferência que indique alguma preocupação social.

artigo muito interessante na carta capital pergunta o seguinte: qual das visões de futuro deve triunfar de fato, a de 1984 ou a de admirável mundo novo? uma sociedade controlada por observação constante, com guerras como entretenimento e fator motivacional ou uma sociedade controlada de nascença, com escolhas genéticas, smart drugs e eliminação das diferenças?

a resposta em si é relativamente óbvia: uma mistura das duas. mas o argumento se desenvolve e é interessante. para quem quiser ir adiante, a matéria é baseada no trabalho de uma varda burstyn e certamente um googgle rápido pode oferecer complementações no assunto. vou ficar só em um detalhe, a palavra apavorante da semana: neuromarketing. ou seja: uso de tomografias, ressonâncias magnéticas e todo o novo conhecimento do cérebro para que empresas como coca-cola (grande investidora do projeto) possam saber exatamente como o ser humano toma decisões. e influenciá-las.

se isso não lhe dá um arrepio na espinha, não sei o que dizer.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

dudu me prestou um serviço hoje, contando no seu blog o nome do compositor da música que abre Closer, o filme novo de Mike Nichols. chama-se damien rice and boy, is he good. a música, do tipo kill me now, funciona absurdamente na tela e fora dela. você pode ver e ouvir num vídeo muy rico aqui.

numa piada paralela, o nome do álbum é O. :)

(ah, sim, em relação à enquete abaixo, apesar do filme ser adulto, muito bom e ter natalie portman em estágios vários de undressing, não contém nenhuma cena de sexo.)
but fear not, faithful readers: um minuto depois me ocorreu uma justificativa razoável e um link mental interessante: afinal, o tema aqui é sexo, assunto absolutamente vital.

sexo e cinema nem sempre se juntam bem. aliás. um crítico da bravo, começando o ano, disse o que ele esperava dos cineastas para 2005: mais sexo.

e é verdade. qual é o último filme que realmente, mas realmente teve algum sex appeal consistente? porque a questão é: vamos ao cinema porque somos todos vouyers. quando o cineasta faz seu dever de casa, mesmo a visão do protagonista descascando uma laranja pode ser prazerosa. (não é tão difícil assim: imagine a citada kate blanchett, bem fotografada, acordando de manhã, com aimee mann tocando no fundo (para agradar gabi) em uma casa na beira do mar. pronto, um minuto de descascar uma laranja pode ser ótimo.)

agora imaginem o mesmo esmero aplicado a uma cena de sexo. e no entanto...

cartas à redação para quem lembrar de cenas de sexo no cinema em 2004 que valeram a pena.
para quem também apreciava a maldade e a finesse de belle de jour, dois avisos: ela está (brevemente) de volta, ainda que sem nenhum post substancial e o livro está enfim nas ruas. fala-se de um filme. assim sem pensar muito eu colocaria como finalistas no meu casting: kate blanchett, kristin scott thomas... enfim. uma bela esguia e com brains on. at least I hope so. (just please let it not be julia roberts.)

realmente um post da maior importância e um motivo legítimo para se perder o sono.

incrível. deve ser a segunda-feira. nem os jornais tem assunto.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

eu venho enchendo o saco dos amigos com momus faz tempo, aparentemente com nenhum resultado. a página dele não é exatamente amigável em termos de conteúdo e você tem que estar bem sesteado, como diz um amigo meu, para ler aquelas reflexões todas.

curiosamente, eu nunca tinha ouvido a música dele. eu esqueço que ele é músico. mas ele é, e tem um monte de álbuns lançados e comprados por 20 pessoas, calculo. nenhum julgamento de valor nisso, só que o trabalho não é exatamente pop. eu diria que tem semelhança com beck, no gosto pelo folk e nas duzentas referências misturadas. música medieval, pop japonês... por aí afora. enfim. estou digitando isso ouvindo old friend, new flame, que tem uma letra cínica e perversa com trombetas medievais. me gusta. ainda não explorei muito o resto, mas o point is: montes de músicas dele para baixar, for free aqui. enjoy, explore.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

momus gets a office.

and boy, it´s a beautiful one.
mas eu tenho, de fato, tanto mais a dizer sobre wolfe. uma das coisas que faz a graça da série é como o tempo não passa.

claro, isso é um fator já anotado por vários críticos quanto a nossa relação com tiras de jornal, por exemplo. hagar vai ter sempre a mesma barriga e a mesma idade. charlie brown vai ser sempre charlie brown. se bem que, numa nota paralela, existem aqueles dois textos maravilhosos, que não conheço o autor (alguém conhece?), que são as cartas de calvin, adulto e junkie, para susie. de partir o coração. but I digress.

como disse, o primeiro livro sai em 34. o último em 75. o mundo virou de cabeça pra baixo duas vezes pelo menos nesse tempo. mas nada mudou na mansão de wolfe. fritz o cozinheiro, continua lá, preparando omeletes de cogumelo perfeitas para o café da manhã; archie continua atrás das mulheres mas de nenhuma em particular; wolfe, well, continua wolfe.

mas há sutilezas. o último que li era dos anos 60. e nero wolfe resove um caso ligado aos direitos civis e problemas raciais americanos. são pequenas, minúsculas inclusões do mundo exterior nesse microcosmos imutável e reconfortante.

chega-se a um ponto e é surreal, que você (bom, eu) sabe os horários de wolfe de cor.
interessados? não é uma vida ruim. wolfe acorda às 8. café no quarto com uma cópia do times. (archie come na cozinha, com a outra cópia). às 9, chova, faça sol, neve ou revolução, ele está com as orquídeas e com theodore, o jardineiro, no andar de cima da casa. até as 11. incomunicável. a ser interrompido em casos absolutamente extremos.

das 11 ao meio dia ele olha o correio. discute algum assunto necessário com archie. olhando para o relógio. a menos que a casa tenha sido invadida por índios selvagens (não aconteceu ainda) fritz vai ter o almoço pronto ao meio dia. talvez seja supérfluo dizer que fritz é um artista. os cardápios me trazem praticamente lágrimas. negócios são expressamente proibidos durante as refeições. wolfe discute livros, ciência, automação (ele odeia praticamente quase todas as máquinas) and so on.

café é servido no escritório. o cérebro está disponível das 2 às 4. mais duas horas com as orquídeas. de volta ás 6. depois disso wolfe não tem um horário muito rígido. mas se pudesse escolher ele passaria todo o tempo lendo. trabalho é um mal necessário, que lhe impede de ler e deve ser disposto tão rápido quanto possível.

preciso dizer o quanto eu invejo wolfe?

mas hey, ele é um gênio e eu não. :)
confound it, archie!

esse é o xingamento favorito de nero wolfe, o detetive gênio, obeso, agorafóbico, misógino, glutão, amante das orquídeas e dos livros. já falei dele aqui antes, me parece. mas as paixões só crescem. ou dizendo melhor, as paixões morrem, mas acho que nero wolfe é um relacionamento que vou ter pra vida. já decidi como um dos meus planos de longo prazo conseguir todos os livros dele. são 73, mind you. mas é como um gigantesco e maravilhoso álbum de figurinhas, que se vai juntando ao longo de uma existência.

(claro, se eu fosse comprar em português e se estivessem todos disponíveis não seria lá grande projeto, mas comprando como eu compro, em sebos e no original, é quase como a coleção de orquídeas de nero.)

o primeiro comprei no escuro, sem ter idéia. love at first sight. é terrivelmente bem escrito, diabolicamente engraçado e envergonhadamente terno. estou no sétimo ou oitavo e acho que já me sinto autorizado a dizer que rex stout, o criador da série, nunca escreveu uma página ruim.

rex stout é, em si, uma figura rara. filho de quakers, criado na zona rural, foi reconhecido como gênio matemático muito cedo. tentou várias profissões, mas ali pelo 30, se entendo bem a biografia dele, criou um sistema bancário que foi aplicado em 400 cidades americanas e o tornou bem, digamos, rico. então ali pelos anos 20 ele fez o que todo autor americano que se prezava faria: foi pra paris, escrever ficção "séria". a biografia oficial diz que esses primeiros três livros foram recebidos com críticas favoráveis, o que não quer dizer muito, quase nada. (mas muito me interssaria ler esses primeiros.)

mas em 1934 estréia o primeiro romance de nero wolfe e o resto, como diz o clichê, é história. daí até os anos 70 saíram os tais 72 livros. um foi achado depois da morte dele. dá quase dois por ano. um absurdo.

nero wolfe nunca sai de casa. nunca. como ele resolve os casos? além de sua mente privilegiada, ele tem archie goodwin, o legman, o homem que conhece as ruas, as mulheres, os policiais e faz todo o trabalho sujo. e é nosso narrador. tudo se ouve pela voz dele, que é uma mistura maravilhosa de cinismo, humor seco e uma admiração velada por wolfe, porque como ele mesmo diz, "afinal ele é um gênio e eu não."

já me estendi além do bom senso e da paciência dos amigos. que posso dizer mais? nero wolfe is the man.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

ou inglês português:

you´re a fucking moron vira Você é um moron do caralho. que vira You moron of caralho is one que vira Você moron do caralho é um.

:)
diversão de sexta feira: brincando com o babel fish.

para comentar em russo no blog de gabi, escrevi

ah, the frozen beauty of the snow fields..,

que o babel me jurou que era ahah, ????? ??????? ???????? opf ???? ??????. retraduzindo do russo para o inglês tivemos
ahah, frozen opf beauty of the field of snow. reretraduzindo de volta , chegamos
a ahah, it is which they froze beauty opf of the field of snow. oh boy.
livre associação de idéias então por hoy, que é sexta feira e os parafusos estão soltos, há um ar, uma brisa. uno já pode sentir as comidas do fim de semana, o gosto da cerveja em pleno expediente. e muito trabalho, que a história nova está fluindo lentamente. um draminha mudo com aquele personagem que vive em estações fantasmagóricas de trem e odeia viajar.

peixe, só o peixe pode nos salvar nesse verão insano. hoje fiz a coisa certa. fui ao mercado, comprei filés e azeitonas mui ricas, comi de pé na cozinha, o peixe mínimo, na manteiga, com um limãozinho por cima. meu gato, comendo a parte dele, no céu dos gatos.

curioso que é verão em todos os livros que estou lendo. soma à sensação de irrealidade desses dias em que se está demais ou de menos no corpo, summer, bloody summer.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

hmmm, porque eu linkei aqui essa imagem? pra acordar quem estiver com sono, talvez? pra baixar o nível do debate? ou subir?

quarta-feira, janeiro 12, 2005

aliás, na matéria da edição que traz o CD, a wired faz uma matéria muito elogiosa ao brasil em termos de propriedade intelectual nesses tempos digitais. inclui um perfil do que deve ser para eles uma figura muito exótica: nosso ministro-músico. como eles descrevem aqui:

Gil is no more typical a pop star than he is a politician. Sixty-two years old, he wears shoulder-length dreadlocks and is apt to show up at his ministerial offices dressed in the simple white linens that identify him as a follower of the Afro-Brazilian religion candomblé. Slouching in and out of the elegant Barcelona chairs that furnish his office, taking the occasional sip from a cup of pinkish herbal tea, he looks - and talks - less like an elder statesman than like the posthippie, multiculturalist, Taoist intellectual he is.

claro, lendo a matéria nos ocorre pensar que eles elogiam nossa tranquilidade em ceder direitos com um olho no tesouro. que nossa música esteja tão disponível como a amazônia, de onde eles estão tirando espécies vegetais e remédios naturais livremente há algum tempo.
enfim. tire suas conclusões, se lhe interessar. aqui.
utilidade pública: a revista wired lançou um CD com músicas para serem remixadas, numa espécie de concurso mundial. vai de gilberto gil a beastie boys, com umas coisas bem interessantes no meio. para nós, seres não-mixantes, sobra a diversão de downloadar tudo. está tudo disponível aqui.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

visões do japão: se você lê o momus, você vê que ele enxerga o país ou o povo como sendo incrivelmente atencioso, criativo, inteligente, atento ao corpo, atento à coletividade, etc etc. basicamente o futuro ou como o futuro devia ser.

se você lê o marxy, os japoneses são entediantes, frios, sem conteúdo, burocratas, etc, etc.

por via das dúvidas, eu leio os dois. e meu novo herói das massas, masa, que acredita que o futuro é FUCK, que deveria haver mais FUCK and so on and on. :)

somei mais dois hoje: sushicam, um blog com reportagens fotográficas não tão hilárias quanto as de masa e japanguide, um taanto óbvio, mas bom para procurar o básico.

isso, claro, se você tem algo perto do grau de fascinação que eu, como está evidente, tenho com o país.
você nunca sabe como as pessoas vão reagir. eu achei que o masamania era sensacional, a coisa mais engraçada do mundo ( e um tanto tocante, de uma maneira), mas aparentemente caiu no vazio. ninguém achou nada do masa. vai saber. vai ver sou eu que sou obsecado com o japão.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

pronto, wilbur, fique feliz:

a pedido do meu editor, os leitores do jornal de domingo vão ler isso.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

man, this masa cracks me up.

um outro site também do japão é o TOKYO DAMAGE REPORT, escrito por um americano morando em tóquio que se descreve assim:

hi, I´m an american jerk.

hmm, ok, mas o melhor mesmo é a descrição que masa faz dele. impagável.

He is American, but live in Japan. and He report lots of interesting thing about Japan from foregin eye. His report is really interesting for us, Jap also. I recomend you to check his site. and not only his site, he also interesting man.

When I got to Punk rock live, there is strange foreiner in audience.

When music start, he start to take a photo. what a strange foreginer !

Yes, he is American jark, Mr.Steven

he keep taking photo

Suddenly singer dive into audience. Mr.Steven startle

And he start to takeing photo again ! What's a fucking jark ! and you can see his interesting photos in his web site !

He also konw about punk rock well. check his site.

passei a tarde ontem no japão e foi bom.

confesso uma fascinação invencível pelo país dos mangás, das prostitutas colegiais, dos robôs que dançam rap, dos samurais e rituais do chá. meu passeio foi por várias avenidas, mas as principais foram essas aqui, caso o país também lhe interesse:

neomarxisme

site de um buddie do momus, que mora no japão. reflexões, debates e perplexidades muitas sobre o país. se você entrar nos comments, periga se perder pra sempre. ele e momus fazem duelos samurais de teor estruturalista ou sei lá eu que linha de pensamento é essa, mas o nível é lá nas estrelas.

masamania

esse é mais singelo, exótico e simpático. blog dum jovem japonês, que num inglês hilário nos conta algumas das bizarrices do país. tem a revolta adolescente, mas tem uma visão também simpática das coisas. se você clicar nas fotos, você vê uma série delas, desenvolvendo o assunto. vale a pena ver o homeless japonês, vestido num terninho decadente e levando um pacote de espadas de brinquedo enquanto cata comida.

o motto do site já dá o tom:
Japanese culture report by MasaManiA with fucking photo & poor English you never seen at boring CNN, Time or major sophisticated jurnalism.
?????????????????????????????????I don't know what is good, bad, right or wrong, but I certainly know there is the truth ! and I also know it must be FUCK ! I'm not moralist. but wana be mania of the truth. MasaManiA means that. this is my philosophy.

Como você vai descobrir frequentando o site, FUCK também é um motto para o jovem masa. pra mim também, masa man. está lá, escrito na mensagem de abertura do meu celular: FUCK OFF. é um mundo pequeno.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

assim que wilbur ficou revoltado com meu silêncio sobre eisner. nem um comentário, nada.

bueno. talvez eu seja mesmo um quadrinista ingrato. me entristeceu mais a morte da susan sontag no outro dia, ainda que também não tenha comentado. sou um quadrinista que lê poucos quadrinhos. os mestres (pra mim) são poucos. também, honestamente, não consigo me abalar muito com a morte dos heróis. lembro de genet, ouvi pelo rádio, lamentei.

eisner é um mestre, incontestavelmente, uma influência e uma importância para o meio enorme. como criador e como divulgador. mas eu, honestamente, paro ali no spirit. ali ele estava à frente de todos, ali o desenho brilhava como nunca, ali tudo funcionava. diagramação inovadora, aberturas impactantes, humor único, um milhão de qualidades. mas todas as outras graphic novels que se seguiram e conquistaram o público passam meio ao largo de mim. o desenho não me parece ter envelhecido bem, há um ar datado em tudo, um excesso de sentimentalismo da idade avançada... enfim. mas respeito, principalmente o impulso criador que não esmoreceu nunca. aos 85 o velhinho estava ainda ali, na prancheta. tinha acabado de lançar mais um álbum.


wilbur diz lá em sua coluna que, de todas os autores que ele encontrou, só Eisner fez ele tremer a perna. são coisas de cada um, personalíssimas.

para mim seria kirby. the king.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

uma experiência alucinógena da noite de reveillon: um cavalo pastando na frente da minha casa. sério. não, eu não tinha consumido drogas alucinógenas (ainda). o cavalo pastava tranquilamente, sem nenhum sinal de dono, carroça, cavaleiro, etc. ele tinha a companhia de um cachorro de rua, que claramente o guiava. o cachorro o acompanhava até um canto onde os paralepípedos permitiam alguma grama, esperava que ele comesse, o acompanhava até o próximo. chegaram e partiram juntos. e eu fiquei absolutamente sem saber o que pensar.
sobrevivemos todos a mais um reveillon. o meu foi bem. na sexta comprei comida, bebida, drogas, livros e vinis. me tranquei em casa e disse: só saio ano que vem. e assim foi. desliguei o telefone das 11 e meia até quase uma (para desencorajar aqueles telefonemas bem-intencionados, mas infelizes, you know, cheios de carinho e clichês).

depois saí, encontrei quem devia, saímos, rodamos por casas e festas (augusto e dani foram gracious hosts), foi tudo muito bem.

e vocês?

quinta-feira, dezembro 30, 2004

bom, esse blog entra em recesso e volta em 2005. see you there, people. baccio a todos.
então eu já falei do momus, esse músico escocês que mora na alemanha, ama o japão e se veste como um elfo que tivesse tomado ácido. e que tem um blog muitíssimo bom, que leio quase sempre. como quase todos os humanos, no final do ano ele volta à terra natal. e, passando pela inglaterra, ele faz um relato tão brutal da situação lá. me pegou meio de surpresa, não era como eu, pobre-não-viajante via o país. gostaria bastante de saber o que consuelo tem a dizer sobre isso.

(curioso é que na seção de comments, apareceu um brasileiro desgarrado dizendo isso:

It's funny, but it sounds incredibly similar to the country where I was born, Brazil(or any other place in South America), despite the different economical and political situations of those countries. The nastiness, dirtiness, the 'everyone around you is dangerous' mentality, the 'breaking of the rules is the main rule' unwritten law. I don't know how marketing and the gap between rich and poor is going on these around those since I haven't been there in the last 5 years (when I was there, Brazil had one of the worst gaps between top and bottom classes in the world). Even though I was from one the 'richer', 'most European' parts of the country, I could not feel more uncomfortable and threatened there.


terça-feira, dezembro 28, 2004

Pra vocês não dizerem que eu não dei nada de natal, aqui está.

Todo mundo pergunta para os artistas: - Mas de onde vem as idéias?

Eu tenho a resposta.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Da série Grandes Idéias: uma revista que dedica cada uma de suas edições a uma pessoa. Uma pessoa qualquer, comum, se isso existe. Fotos, entrevistas, matérias, todas as seções clássicas de uma revista, dedicadas a esse fulano ou fulana. Re-magazine.

Link roubado do grande Momus.

(Eu lembro de uma revista brasileira, acho que foi a TPM, que no lançamento fez umas minirevistinhas sobre algumas pessoas. Mas além da idéia ter sido surrupiada daqui, suponho, tinha um excesso de coolness nessas pessoas escolhidas que, a meu ver, comprometiam um pouco a idéia original.)
mas pra não perder o espírito de porco, vi um cartum muito bom: criança miserável na rua pede esmola pra papai noel. o velho batuta diz:
- você sabe a regra, rapazinho: criança que não come, não ganha presente.
então. aqui estou eu xingando o natal como sempre e na noite de 24/25 ganhei o melhor presente possível: um amor novo. papai noel, esse velho batuta, como diziam os ratos de porão, deve ter lido a ficha errada e acreditou que me comportei esse ano.

mas não estou reclamando. :)

quinta-feira, dezembro 23, 2004

eu sei, eu sei, o final de ano é uma época depressiva pra cacete. mas há esperança. quando se encontra alguém doente o suficiente para criar isso: o dia a dia do alien e predador.
no inferno é natal todos os dias.

terça-feira, dezembro 21, 2004

se você tem um cérebro e aprecia usá-lo, eu recomendo firmemente o site do músico imomus, o click opera.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

então li o partículas elementares nesse final de semana. atomized, em inglês. é um livro sombrio, meus amigos. algo como o fracasso da experiência humana. e o que vem depois disso. não sei se recomendo a alguém, não. pelo menos não para ler no fim de semana.
Mister Adriano Moraes being held for public urination.

Ahhh, momentos incríveis da vida..

sexta-feira, dezembro 17, 2004

contradição é meu nome do meio. lendo um post de jorge, onde ele se descreve como um sujeito tranquilo, moderado, que não usa drogas e quase não bebe (tudo verdade) fico imediatamente meio exasperado. jorge é um tanto mais novo do que eu e tem um tipo de tranquilidade que pra mim ainda está longe no horizonte. parte de mim (uma paret bem pequena) admira essa tranquilidade yogue oriental. parte de mim acha que isso é uma fuga violentíssima da vida. que o caminho dos excessos, o palácio da sabedoria, etc.

voltando ao horizonte perdido, shangrilá tinha uma piscada de olho fenomenal pra isso. os monges viviam em um templo secular à beira de um vale. mas descendo o vale, eles chegavam numa cidade que tinha bares, bordéis... :)

acho que não vou estragar o livro pra ninguém contando que eles acharam uma forma de viver até os 160, 180 anos. então, digamos se você chegava em shangrilá aos 20 ou 30, eles aconselhavam uns 40 anos a mais pelo menos de pleno uso das facilidades da vila. para acalmar a carne. afinal você ia ter mais um século para se dedicar à vida da mente.

não temos esse prazo todo à nossa disposição. então, acho que tenho uma certa pressa de aproveitar meu tempo. :)
partículas elementares, de michel houellebecq, é um livraço. livraço. já tinha lido em português uns anos atrás, em uma tradução muito canhestra do juremir machado. como meu francês não vai além do bounjour mon amour, achei uma tradução em inglês agora onde deposito mais esperanças.
alguém me perguntou sobre o que é o livro. quando um livro é realmente importante é difícil responder essa pergunta. mas eu diria que é sobre dois assuntos importantíssimos no mundo: física quântica e sexo.
um climaço decadente de pós-revolução sexual, um cinismo que tomou conta do mundo. uma mistura de sacanagem com filosofia. o que é uma coisa tão francesa como baguette.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

por algum tempo eu vinha pensando que gabi era uma personagem, pronta para os quadrinhos. inclusive as fotos estavam lá como referência, tons of.

foi com algum desgosto que descobri que um par de americanos tiveram a mesma idéia. street angel é tudo que eu gostaria de ter feito para transformar gabi numa heroína de quadrinhos. está lá a atitude, os patins (no caso skate), o fator coolness...

too bad, mongabi. mas hey, ainda está em tempo de você tentar um processo contra eles. :)

terça-feira, dezembro 14, 2004

então não tinha lido nada do simenon até agora. estou lendo esse o fugitivo e é, como diz o clichê das resenhas, um vislumbre da mente criminosa bem impressionante. não por ser um vislumbre em um mundo alien, mas por mostrar que não é nada que eu, você ou o seu vizinho não possa fazer. saí de casa para o trabalho me sentindo incrivelmente culpado, como se o crime fosse meu ou como se todos soubessem o que minha mente criminosa tinha planejado.
ridículo, uh?
ah, sim e sonhei que era preso e era uma coisa incrivelmente dramática e filmesca. acho que ando lendo policiais demais.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

ok, mas se vocês acham que falta sordidez hoje nesse blog, que tal sexo explícito entre bonecos? é uma cena supostamente censurada de team america, o filme feito com bonecos pelos criadores de south park. enjoy.
outra muito boa do lama é que a missionária americana pergunta para ele o que fazem os lamas. eles responde:

-they meditate and look for wisdom.

- but that isn´t doing anything!

- then, madam, they do nothing.
felizmente, eu diria, não tenho nenhuma aventura para contar hoje. o final de semana foi tranquilo como pretendia e voltei à produção.

os livros salvam, sempre. na sexta feira passei num sebo e comprei meia dúzia. li uns dois e meio. um deles foi lost horizon, que tinha lido quando era garoto. e achei bem divertido. para quem não lembra é daonde veio o nome shangrila, aquela terra mítica de paz e tal. pois o lama de shangrila tinha um dito muito bom sobre essa coisa dos excessos (e o outro excesso que é o do asceta):

Nós praticamos aqui a moderação. Governamos nosso povo com rigor moderado e posso dizer que eles são moderadamente sóbrios, moderadamente castos e moderadamente honestos.

sexta-feira, dezembro 10, 2004

talvez eu precise casar, talvez eu precise jogar fora meu celular (e sonhei que fazia exatamente isso ontem). aliás, com tudo isso, os sonhos andam conturbadíssimos. maior climão david lynch com um toque de abel ferrara.

but watch me as I turn off my cell phone today and stay home.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

eu pensava que o preta´s bar era o mais baixo que se podia descer, no estilo uma-parada-antes-do-inferno, mas o eggo´s consegue ser pior. embora infinitamente maior e mais, digamos, estruturado, o nível de sordidez é incomparável. nunca vi tanta gente feia, tanta música ruim, tantas más intenções no mesmo lugar. o ambiente é literalmente um calabouço, onde só faltam as correntes na parede ou uns legionários empurrando cristãos para a arena. as mulheres todas parecem profissionais, não pela beleza, (hahaha) mas pelo olhar fixo, reptiliano,a boca contorcida. não é nem luxúria. é uma forma menos viva de sexualidade que move aqueles corpos.

faz você se perguntar ( e eu também) que catzo eu fazia por ali. não sei. vou deixando a corrente da noite me levar e quando vejo estou em um lugar desses. vale lembrar que fica nos limites da civilização, saindo da cidade. ali pelas 5 da manhã fui resgatado por amigos que iam para o laranjal. então vimos o dia nascer com as ondas batendo, mas não havia nada de confortante na imagem. lembrei dos filmes de fellini, onde com frequência os personagens vão buscar alguma forma de absolvição na praia, uma epifania qualquer que não chega. me senti tão alien quanto no calabouço. é um mundo estranho.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

então zé louco sozinho fez mais sucesso que todas as perversões juntas. ele nem imagina. :)

mas a diferença acho é de um post escrito por gosto e outro por encomenda. ficou como um catálogo e pouco convincente, uh?

além de jorge, que já conheceu um zé louco, já ouvi outros relatos. daí pra virar lenda urbana é um passo. a lenda do zé louco.
passei o fim de semana na companhia de uma loira de 17 anos que me deixou exausto.
o nome dela é joss stone e milhões de pessoas passaram o fim de semana com ela também. devem estar satisfeitos como eu, suponho. a garota é tudo o que o hype diz e muito mais. digo exausto porque é uma experiência exaustiva ouvi-la. experiência catártica, emocional, vibrante... não consigo imaginar baixar o som e fazer outras coisas enquanto ela canta. nem aquelas. o som tem que estar bombando e você tomado por essa voz absurda. soul, gospel, toda a música negra no corpo (sensacional) dessa loirinha americana. amen, joss. não podia recomendar mais.

(O segundo, é o que comprei, body, mind & soul. não consigo imaginar que o primeiro seja ruim, mas não posso jurar.)

sexta-feira, dezembro 03, 2004

bom, aparentemente meus leitores são bem versados nesses assuntos todos. comecei a série a pedido de jorge e ele não está impressionado. quer mais. more dirt! more details! eu tenho um certo receio que esse blog seja rebatizado como freak show, jorge.

além de tudo, hoje é sexta-feira. chega de falar de práticas sexuais degradantes e sórdidas. vamos ver se consigo realizar algumas. :)


Woody Allen: Não é verdade que sexo seja uma coisa suja e sórdida. só quando é bem feito.

eu vinha no caminho pra cá pensando em um fetiche bem mais popular que é o dos uniformes. esse não é difícil de entender ou simpatizar, não? o que eu entendo disso é que se trata de colocarmos sexo onde ele não está, nãodeveria estar. o que, convenhamos, é um impulso vital e e rebelde. mais ou menos o mesmo do sexo feito em lugares públicos. mas há variações, há temas diferentes sobrepostos. as enfermeiras, por exemplo me parecem um tanto regressivo. no sentido de ser cuidado, de voltar a ser criança. ( e sexualidade regressiva no brasil daria um post gigantesco, parece permear todo nosso imaginário.) já a colegial é o contrário, é uma pedofilia teatralizada, é uma adulta travestida de criança. os uniformes militares e policiais andam fazendo bastante sucesso entre as mulheres, aparentemente. os amigos no exterior talvez não saibam, mas andou havendo um frenesi com bombeiros por aqui. na vida pública de celebridades, na novela... existe um componente de risco aí, eu suponho, de trasngressão, de ter tesão por quem você deveria temer ou ter respeito. mas enfim. no fundo estamos sempre fantasiados disso ou daquilo.

eu tenho uma bronca em geral com regressão, com adultos que se comportam como criança e nada vai tão longe nisso como os abes. o que são abes? adult babies. criaturas cuja fantasia é estar de fraldas, num berço (enorme, eu suponho) e ser cuidado por uma enfermeira. vou pular os detalhes, acho. aliás eu acho que vou passar mal ali no banheiro e já volto. ugh.
alguém escreveu ( e eu mataria por essa descrição) que o trabalho eletrônico do Everything but The Girl era música "para dançar com lágrimas nos olhos". Ahh. Enfim. mas a questão aqui é: o pop pode ser incrivelmente sofisticado. corrigi essa semana um erro histórico de minha parte quando, num sebo comprei um vinil dos pet shop boys, por conta de uma música que me agradava. o álbum é o behaviour, aquele com as quatro fotos pequeninhas na capa. a música estava lá, mas dio, muito mais também. é como se fosse um mcdonald´s feito por um chef francês. de longe você vê aquele produto pop perfeito, mas de perto...

a música que eu buscava era being boring, também um dos clips que mais amava na mtv, uma cena felliniana interminável de excessos, a fascinação adolescente de alguém que se vê em um mundo adulto, perverso e maravilhoso. rodado em película, em preto e branco em uma casa que é só luxúria e decadência, reencena uma festa sem fim, com pessoas andando de patins pelos corredores, casais na banheira, gente linda e louca. e a música é um coming at terms dele com sua figura adolescente... / When you?re young you find inspiration In anyone who?s ever gone/We had too much time to find for ourselves/And we were never being boring

Now I sit with different faces/ In rented rooms and foreign places / All the people I was kissing / Some are here and some are missing.../ eu poderia colocar a letra toda aqui, mas mas você pode ler aqui. no momento estou mais encantado com october simphony, que começa eletrônica pop e irrestistível e vais aospoucos adicionando maldades tão sutis...primeiro é a guitarra de johnny marr, que vem em intervalos, como que de longe...depois um vocal black..quando o quarteto de cordas entra é de um estranhamento e uma beleza... no final ele volta, quando o maquinário eletrônico vai diminuindo e parando as cordas ficam ali, ocupando o espaço, falando de uma festa que acabou.

beautiful.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

eram 5 da manhã no preta´s bar e meu amigo gay estava dançando com um caminhoneiro chamado zé louco.
que tal isso para um começo? (eu também gostei.) minha acompanhante era uma amiga dele, que gostava de garotas, oh vida. uma coisa sussurrante e insinuante, que parecia deslizar quando andava. se comportava um pouco como uma princesa russa, levemente entediada, mas cheia de finesse e simpatia. mulheres. como uma garota pode ter esse savoir faire com vinte e poucos anos? algumas horas antes eu tinha descoberto que minha ex namorava agora o maior traficante da cidade, que me foi apresentado e se revelou uma criatura perfeitamente tranquila, que só tomava água.

zé louco tinha se juntado à nossa troupe umas duas horas atrás, em outra zona que fomos (noite longa) e parecia encantado com a situação. éramos 4 ou 5 perdidos numa noite suja, literalmente, mas bastante felizes.
um post encomendado sobre perversões, então? porquois pas?

por onde começar, se pergunta jack. se entendo bem o que freud quis dizer, perversões são práticas que substituem o ato sexual, em vez de se somar à ele. mas não vamos ser assim tão científicos.

jorge estava falando das dominatrix. como qualquer um desses ramos, comporta um sem fim de variações. existe uma linha mais clássica, digamos, que depende um pouco da mise en scene, da roupa de couro, do chicote.. mas isso não é uma regra. existe todo um movimento que se chama femdom, female domination, que é uma coisa mais complexa, menos teatral e mais vivida, digamos. é o tipo de de coisa que se desenvolve muito em casamentos. ao contrário de uma dominatrix, que geralmente é visitada esporadicamente e paga por sua performance, o sub busca uma mulher dominadora para relacionamento longo. porque a idéia é que essa dominação se estenda a todos os aspectos da sua vida. ele pode usar um cinto de castidade, por exemplo, artigo muito popular entre esses casais. a idéia é que ele a sirva oralmente todos os dias, use um consolo nela se assim solicitado e eventualmente assista ela receber um convidado que o substitua nas funções conjugais. uma vez por semana (ou uma por mês ou ou ou...) ela tira o cinto e permite algum alívio para seu exultante sub. geralmente isso é feito de forma ritualística. o fulano é algemado (para não sofrer a tentação de não pôr o cinto de novo) e aí os métodos variam. mas raramente envolvem penetração. a dele sim, em alguns casos. é tudo uma questão de níveis. alguns casais levam isso mais como um jogo, outros como um modo de vida. várias subescolas aqui também. em algumas o homem é transformado em uma mulher, com vestido, peruca, depilação, etc.

em defesa dessas criaturas, frente o olhar horrorizado dos meu leitores, eu acho que eles são violentamente felizes. você pode pensar que a vida dele é só privação, mas veja bem: ele está vivendo em tempo integral sua fantasia mais profunda. não é pouco e não se pode dizer isso de muitos de nós. se a curiosidade existir, esse aqui é um site bem interessante. além de mostrar fotos dos modelos mais populares dos cintos, tem um estoque interminável de ficção do gênero.

obviamente isso é a introdução da introdução da introdução de um só tópico, mas não posso passar o dia falando sacanagem com vocês, posso? :)

volto ao tema.

terça-feira, novembro 30, 2004

talvez uma feliz influência tenha sido a releitura de henry & june, de anais nin. henry miller sempre passa como o garanhão ( e anais não nega isso) mas veja bem: anais estava tendo um caso com Henry, um affair com June, um drama erótico com o primo, umas escapadas com o psiquiatra e ainda tinha energia e carinho para com o santo, santo marido.

faz você suspirar.

mas mais do que isso: ela era ótima com todos. ninguém se queixava.
epilogue: talvez um dia eu ache THE ONE, mas nesse meio tempo, the next one´ll do just fine, thanks.

ou como cole porter diria, de forma tão mais elegante:

It´s the wrong time, and the wrong place / Though your face is charming, it´s the wrong face/ It´s not her face, but such a charming face That it´s all right with me.

You can´t know how happy I am that we met / I´m strangely attracted to you/ There´s someone I´m trying so hard to forget / Don´t you want to forget someone, too?
às vezes acho que já escrevi alguma coisa por aqui, mas what the hell. se for, vai de novo, porque anda pelo meu cérebro de novo.

sonho com um mundo intercambiável. com presenças, quero dizer. porque fulana deveria sofrer com a ausência de beltrano se eu estou completamente disponível e sou um modelo similar? um genérico perfeitamente aceitável? não se trata de levar qualquer um(a) pra sua cama, mas há um número bem vasto de opções. os seres humanos não são tão raros assim.

há o amor, claro, aquele estado raro em que você está plenamente convencido de que é aquela e não outra. mas esse sim é raríssimo. nesse meio tempo, acho que devíamos ser todos tão felizes quanto possível.

venho tentando praticar isso, mas nem todos estamos convencidos ainda da beleza dessa idéia.

tive uma noite incrível ontem, mas com alguém que não vai se decidir por agora, não vai dar nenhum salto, não se decidiu. (e é uma loooooonga história. Jorge e fê vão lembrar de um show do vitor que vimos com ela em porto alegre, eons atrás). foi realmente uma noite rara e saí de lá leve, feliz. mas já olhando pro lado. levei minha felicidade pra beber e vi tantas bellas. a vida é tão vasta. eu não posso ter todas. mas um pouquinho de cada uma me faz feliz.

segunda-feira, novembro 29, 2004

gracias, gracias, gracias a fê e jorge por postarem as fotos de cortazar. me pus bobo. cortazar me pega de uma maneira diferente de qualquer outro. posso admirar outros escritores, pintores, músicos, mas julio... I don´t know. cada foto do velho louco me emociona. e aquela primeira é ele criança? dio, os olhos daquele serzinho... ah sim, e ver fafner em toda sua glória colorida.... eu nem sabia que ela era vermelha. :)
uma galeria nova no sadcomics. resultado de uma sessão muito feliz no final de semana. um retorno ao pincel. andava achando meu trabalho meio anêmico. então fiz aquele mergulho: pincel, tinta, nenhum esboço, nenhum tema. só a volúpia da linha. a mim me fez feliz. o resultado está aqui, em black&white.

quinta-feira, novembro 25, 2004

aí eu me faço de lurker. entro no orkut, começo a olhar os amigos dos amigos, os fotologs dos amigos dos amigos dos amigos... daqui a pouco estou dentro da vida de alguém que não tenho a menor idéia de quem seja, de como cheguei lá...

não chega a ter nada de obsceno nisso, só sintomático de uma época. tenho olhado muito o fotolog dessa pessoa aqui. dio, que rosto. não é uma questão de rosto-de-barbie, mas uma cara linda mesmo, cheia, viva.
como eu já falei uma vez, é triste quando você faz a ronda dos blogs em busca de calor humano. por exemplo, preso no trabalho, em um dia sem muito pra fazer. e parece que não há blogs suficiente.

terça-feira, novembro 23, 2004

são momentos, e devemos ser gratos por eles. eu tento colecioná-los sem fazer muito alarde. outro precioso veio quando sentamos na mesa, comendo na penumbra, em uma camaradagem tranquila que não tem preço. rindo um pouco por alguma bobagem. ela tem uma voz grave, mãos muito exatas e uma risada linda.
primeiro ela foge, foge como uma ninfa de um sátiro.
ontem, quando estou fumando na janela dizendo pra mim mesmo que desisto e xingando seu nome em várias línguas, o carro pára em frente a minha casa.

ela se joga no banco como se dissesse "não sei porque estou aqui" e eu olho da sacada. os dois brincamos, ela em não sair do carro e eu da sacada. mas rindo. certas coisas não precisam de palavras.

segunda-feira, novembro 22, 2004

bom, sketchcrawl foi bastante bem. embora eu não tenha ido desenhar em tóquio, como o autor da idéia, meus modestos arredores renderam. está tudo aqui. aviso: muitos desenhos. deixe carregar e dê uma volta. leva um tempo.

sexta-feira, novembro 19, 2004

Morreu Borjalo. Eu gostava do trabalho dele, daquela pureza de linha, prima do Saul Steinberg, do Sempé, do cartum mais puro. Duro é essa coisa de ele ter virado um homem de tv, braço direito do Boni. A biografia dá conta de que o desenho se vingou e ele teve um período brutal de depressão e alcoolismo. Morreu atulhado de dinheiro, não duvido. São escolhas.
deixa eu espelhar aqui um post de wilbur: enrico casarossa está promovendo dia 21 de novembro um sketchcrawl. algo como desenhe-até-cair. convidando desenhistas de todo o mundo para desenhar o domingo inteiro e compartilhar os resultados com ele. idéia bem bacana. se você for no forum e olhar a lista de inscritos, vai ver que no meio de toronto, new york, tóquio, tem um pelotas, brasil. :)

que tal, jorge? barcelona deve render bem um dia de desenho.

quarta-feira, novembro 17, 2004

então pus no ar o improv de ontem.

fifteen forever.

terça-feira, novembro 16, 2004

além de ouvir vitor e entrar em contato com outras formas de vida, também trabalhei bastante. só porque não estou colocando online não quer dizer que a produção tenha diminuído, folks. só estou sendo meio pão-duro. mas as histórias vem saindo, uma atrás da outra, em fila, comportadas. às vezes uma atropela outra, mas é de se esperar. e há que acomodar a urgência. as histórias tem um tempo, uma agenda delas. ontem foi curioso, fiz uma quase em tempo real. um telefonema, um encontro marcado, fiz duas pagininhas que comentavam o que geralmente me sucede nessas situações. e estava certo.

(mas a realidade sempre tem um twist, pra melhor ou pior. eu previa um certo embaraço, um encontro permeado de um desconforto juvenil. estava tudo lá, mas um cenário nothing hill também surgiu e nos vimos sentados em um banco da praça iluminado obliquamente, sobre um tapete de flores do ipê roxo. de vez em quando mais duas ou três caíam. foi bem.)
assim que o disco de vitor pede outra leitura. ou uma não-leitura. é um disco horizontal, me parece. como vitor mesmo tinha dito, o violão cria paisagens. um tanto áridas, então há que se espraiar por ali para se sentir em casa. para quem costumava ouvir as letras com mais atenção, não é esse o caso. ouve-se sem ouvir, deixa-se as letras entrarem. as letras são vagas, são menos discursivas, são mais textura da música. domingo consegui enfim ouvir todo. sentado, mirando pela janela, muy quieto. foi bom.

(em resposta a jorge, a quem eu tinha feito má propaganda do disco. fui apressado, talvez, jorge. é fato de que há uma névoa, que o disco é um tanto soturno, mas existem cenários ali que valem. a essas alturas você já sabe.)

quinta-feira, novembro 11, 2004

wilbur deve ser já leitor do The Beat. pra quem gosta de quadrinhos e principalmente pra quem faz, é bom pra cacete. eu leio faz um tempo. ontem me agradou muito essa história do Uncanny Valley, que fui seguindo link a link e cheguei a coisas bem interessantes.

é uma teoria sobre antropomorfismo. aparentemente surgiu no campo da robótica. humanos reagem com pouca ou nenhuma simpatia a máquinas com cara de máquinas. reagem com mais simpatia a robôs que tem características humanas. é uma curva crescente de simpatia, quanto mais "humano" o robô for. mas se o robô for demasiado humano, quase humano, há uma queda violentíssima na simpatia. é o tal uncanny valley. no entanto, se ele for completamente humano, a simpatia volta.

tem muito a ver com representação, estilização, com a maneira como desenhamos nossos personagens. me interessa muito, porque tenho me afastado do realismo, cada vez mais. principalmente desse "quase humano".

nesses links, cheguei a um artigo beeem interessante, do stephen jay gould, comentando a "evolução" biológica de mickey. aqui.

quarta-feira, novembro 10, 2004

sonhei com um fantasma que varria minha sala e cantava ao mesmo tempo enquanto eu dormia. fazia as duas coisas com tanto entusiasmo que acordava os vizinhos. fui até ele (ela, na verdade) para fazê-la parar e ela foi recuando até se fechar no quarto das roupas. sem que eu conseguisse ver seu rosto.

acordei absolutamente gelado de pânico.
então phrann tem uma campanha. vá lá responder pra ela. esse é um site onde ela e amigos ficam barbarizando (geralmente uns aos outros). aproveite e leia detroit-canoas-amor, o hino punk patti smith. demorgon

e, bueno, você sabe, phrann, esse ano foi como nenhum outro. não tenho no caderninho um que se compare. nunca amei e me fodi tanto, alternando um e outro. e foi booooooom. :)

cada vez mais aquele versinho cazuziano que beira o lugar comum faz mais sentido: solidão é pretensão de quem fica fazendo fita.

sexta-feira, novembro 05, 2004

a blurred portrait

so marie doesn´t love me. big deal.
she´s a dyke, by the way. but I didn´t give that much tought.
I said, what the hell. I sort of like her, she could like me as well. I´m not that bad.
but it didn´t work that way. buuhh.


last night I sat with her and her gay pal, both blabbing about the hideous academic world, that apparently sucks, but they can´t get enough of it. I laughed at in-jokes, made movements with my head that indicated attention and understanding and it was no good. she´s the nervous type, you know. always picking at something, looking away, making questions and not waiting for answers... you get the picture.


she´s tall. I like them tall.
you may insert here at your pleasure some rancid comment on my need to submit to women. I don´t care. I just like the way they bend a little bit when talking to you. something akward about it. it touchs me.


she had nice feet and a way of keeping her hair on a precarious balance over her head. she has nervous tics and a peculiar face. and she doesn´t love me. big deal.

quinta-feira, novembro 04, 2004

a garçonete vive. ontem mesmo escrevi o roteiro e fui meio siderado pra casa, vendo as cenas. era só uma gag, mas na hora cresceu. aliás, essa é a beleza da coisa. lendo a biografia de fellini, me encantou muito ver como ele trabalhava. uma mistura de preparação com improvisação. fica mais claro pra mim com o tempo de que o roteiro é o que o nome diz. uma rota. mas às vezes o melhor da viagem tá naquela estradinha ali. onde ela vai dar?

nos primeiros desenhos aproximatórios, que eram só pra definir a garçonete, ela já saiu falando feito uma louca. eu só tentando acompanhar. leitores talvez achem incrivelmente mistificatório esse papo de criador, que o personagem fala, se escreve, se rebela. well, das duas uma: ou estamos todos full of shit ou gostamos muito de nos enganar. porque é o que acontece. really. e é a graça toda, folks. se eu tenho tudo resolvido, tudo pré-determinado, eu realmente vejo pouca graça de continuar. então, aos poucos, achando uma outra forma de trabalhar, que é parte preparada, parte sabe-se lá o que acontece.

a garçonete ficou menos caricata, a piada ganhou carne. na minha cabeça, eu vi um outro perfil. alguém que tinha uma mente apropriada para esse tipo de leitura e estudo, mas as coisas não aconteceram assim. ela descobriu essas coisas tardiamente. e sofre, digamos, de uma certa dissociação. uma inadequação, um não-saber o que é razoável. ela lê e ouve essas coisas com grande intensidade e lhe parecem normais.

enfim. esperem, folks.
DAMN. da série COMO É QUE EU NÃO PENSEI NISSO?
Action Philosophers!
outra coisa que me consolou imensamente lendo a biografia de fellini é o número de projetos não-realizados. nós, que vemos a obra pronta, esquecemos todos os filhos bastardos pelo caminho, os projetos frustrados, ou a maneira como um projeto que não sai se transforma em outro...

alguém poderia objetar que, claro, cinema depende imensamente de dinheiro e esse é o motivo principal pelo qual projetos não saem. mas fellini tem histórias ótimas. um dos projetos mais ambiciosos dele não saiu nunca, ficou rondando por 20 anos. o poderoso dino di laurentis bancou tudo, construiu megacenários que envelheciam na cinecittá. enquanto isso, fellini tinha"sonhos premonitórios", palpites, intuições.... mil argumentos imateriais para não fazer o filme.

wilbur, sempre pronto a me chamar de vagabundo, vai dizer que estou só buscando desculpas. para o nosso falecido projeto dos cômicos, por exemplo. mas eu vou realmente cada vez mais pelo meu palpite. não sou fellini, uh, mas enfim. isso é no final das contas um brinquedo maravilhoso. devemos fazer o que nos dá na telha. exatamente isso. :)
ainda
mais considerando que não existem cenários mofando, atores sem emprego, produtores enlouquecidos... voltamos a crumb: it´s only lines on paper, folks.

quarta-feira, novembro 03, 2004

deleuse no balcão

daonde vem as idéias? de todos os lugares. estava comendo uma empada incrivelmente gordurosa quando ouço a garçonete da lancheria dizer: deleuse no balcão.

sei lá o que ela disse de fato, mas imaginei na hora uma história. garçonete de lancheria lê filosofia todo o tempo e não tem idéia de contexto. então, quando um cliente olha o cardápio e fala, mais pra si mesmo, "não sei o que quero", ela pode dizer algo assim:

- segundo deleuse, o querer está intrinsecamente ligado com a impossibilidade da distância entre o eu e o objeto do desejo. em termos ontológicos, claro.

silêncio perplexo do cliente.

e assim por diante.

tenho três opções: a cumplicidade de alguém que de fato leu isso (alô, A.), a cultura copiar-colar da internet ou simplesmente inventar tudo. o que parece bem mais divertido.
o primeiro encontro com a crítica.

foi cedo. eu devia ter algo como 10 anos e apresentava meu primeiro esforço literário, aham, para a platéia seleta de meu pai e mãe. era, novo aham, uma história de lobisomem. onde eu usava desavergonhadamente o clichê do pêlo de animal encontrado no local do crime que, pela manhã se transformava em um fio de cabelo. uau. mas não foi isso que abalou minha platéia. foi a manchete do jornal fictício de minha história: HOMEM CORTADO EM TIRAS. para mim, o máximo da selvageria possível. mas a platéia familiar desandou a rir. grande embaraço do escritor. história prontamente arquivada. morria ali minha vocação para stephen king.

segunda-feira, novembro 01, 2004

resumão da ópera:

ainda sem telefone and loving every minute of it, como diz a musiquinha. impressionante o alívio. vou colocar uma placa como aquelas de fábrica: tantos dias sem telefone.

obsecado com o livro. montando ele na minha cabeça e no computador. o tipo de coisa do qual você precisa se ver livre. ir adiante. é como queimar aquelas páginas: no momento que elas saem de casa, você se sente renovado para ir em frente.

novo CD do finley quaye : maaaravilhoso. difícil de expllicar. ele já teve pitadas de reaggae (embora fosse um reggae chuvoso, digamos, oposto ao solar) agora tem ondas de folk, pitadas de eletrônica, mas grandes arranjos, grandes melodias e cada faixa te surpreende e te alegra de uma forma muito tranquila.

ao contrário, o novo de vitor ramil, lamento informar aos amigos distantes, é tetricamente triste. isso vindo de mim, o homem que ama a melancolia. mas me parece que vitor passou do ponto. as primeiras audições foram doloridas.

kill bill vol. 2. uhhh. não posso dizer muito. tarantino, tarantino. mais falação, claro, como dizem as críticas. mas ainda nem um minuto chato no filme todo. e eu passaria duas horas só olhando para uma thurman, anyway.

sem tv, também. não é nenhum obscurantismo, mas pura coincidência. e tenho lido o dobro e gostado muito. uma biografia muito boa de fellinni e um livro desconhecido chamado mary swann, que parte de uma poeta obscura e costura várias vidas de pessoas ao redor, o mundinho acadêmico, as vaidades, as paixões... surpreendentemente bom.

PT perdeu em todas as cidades que disputou. lamento, de fato. nunca fui militante, mas não me parece que exista uma opção melhor.

sexta-feira, outubro 29, 2004

o fim de semana começa como deveria: it´s pay day, abre nossa modesta feira do livro (grande vantagem: um lugar para beber todo dia), CD novo do Vitor na mão e uma experiência bem sucedida: desliguei o celular dois dias atrás e estou achando uma experiência maravilhosa saber que aquela porqueira não vai tocar. o supremo luxo nesses tempos é ter tempo.

terça-feira, outubro 26, 2004

sobre certas coisas, como amores completamente errados, amigos não podem oferecer mais do que bom senso. e infelizmente, that´s no good.

segunda-feira, outubro 25, 2004

diário do homem feliz.

levantar na segunda-feira para fazer tratamento de canal. é o tipo de perspectiva que torna esse adorável dia ainda mais...you know. mas enquanto forço meu corpo a se levantar da cama (com grande dificuldade), uma visão: minha vizinha trocando de roupa. pronto. esse é todo prozac que um homem precisa para levantar feliz. aparentemente não existe algo como excesso de mulheres nuas na vida de um homem. é uma visão que não se gasta. particularmente de mulheres desconhecidas. não há mistério possível, não há tanta variação assim, mas ah. são mundos.

resumindo: fui sorrindo como um maníaco para o dentista. e ainda não precisei fazer o tratamento de canal! deus me ama.

sexta-feira, outubro 22, 2004

talvez você esteja cansado da guerra no iraque e esse link venha um tanto tarde, mas enfim. descobri há pouco tempo esse bagdah burning. blog muito bom de uma garota iraquiana, que além da revolta esperada, mostra humor também, como quando ela comenta que oprah se tornou um show popular no iraque, porque eles acham simplesmente hilário assistir aos "problemas" dos americanos. outro momento muito bom de humor iraquiano é esse aqui: vá no google e digite Weapons of mass destruction. depois aperte no botão I'm Feeling Lucky (ou Estou com sorte). leia com atenção a página de erro que vai surgir depois.

quarta-feira, outubro 20, 2004

o incrível de henry miller é o otimismo dele. frente à situação mais desesperada, ele exulta. se eu lembro de uma parágrafo que dizia algo assim:

"sem dinheiro, sem planos, sem projetos nem possibilidade nenhuma. sou o homem mais feliz do mundo."

claro que a paris que ele vivia era a dos anos 20. mas ainda assim. ele escrevia sem saber onde ia dormir naquele dia. onde ia ser a próxima refeição. e com um entusiasmo inquebrantável.
kerouac me lembra dele. ele parecia um animal tão saudável quanto miller, uma criatura sólida, cheia de vida, de um entusiasmo americano primordial, que vinha da fonte do país, de whitman, do espírito desbravador. mas ele quebrou. no fim era um homem amargo, desiludido, com o espírito partido.

isso dava uma tese. não sou a pessoa certa para formalizar isso tudo, mas pensei muito no assunto.
andei relendo meu henry miller para poder lidar com tudo que aconteceu. com o furacão humano que andava povoando minhas noites. que agora se foi, de fato. foi uma separação em vários atos. o último foi particularmente trágico e não posso realmente contar aqui. envolve coisas que não gostamos de saber, aspectos da vida que estamos tão feliz ignorando. tudo é vida, tudo é aprendizado, tudo são luzes que se lançam em cantos escuros. cantos muito escuros. é como um filme de david lynch. você volta pra luz, lembrando que a sombra existe. que de fato existem forças que puxam algumas pessoas para baixo. e que você pode estender sua mão, mas é só. talvez a isso se chame ser adulto, entre outras coisas. não é fácil.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Para quem achar familiar, é porque é um personagem que retorna. A primeira aparição dele está no Sad Comics, você mire na coluna da esquerda e vai encontrá-lo ali. Um amigo que lida com essas coisas, após ler a história me disse que tinha muito a ver com o mundo dos espíritos. Eu nunca tinha pensado nisso, mas vai saber o que a antena capta. Nessa história nova, claro, isso já está como um dado mais consciente. É assim que funciona. Você pega coisas do mundo, o mundo responde.

Não é um retorno, mas temos um improv para oferecer. Enjoy. Posted by Hello

quarta-feira, outubro 13, 2004


Roubado desse fotolog sensacional: http://www.fotolog.net/smith/ Posted by Hello

segunda-feira, outubro 11, 2004

certo de que tenho que fazer um livro. que é a coisa certa, para limpar as gavetas e ir em frente. um primeiro disco. aquele que tem as canções guardadas.

além do trabalho todo de edição e organização, preciso de um nome para meu bestiário e está difícil. curioso que tenho títulos bons para histórias que não saíram. esse final de semana organizei tooodas minhas histórias. horas e horas sentado no chão, fazendo classificações. projetos-que-podem-sair, projetos-que-não-vão-sair, projetos-que-saíram-e-ficaram-uma-merda, projetos-que-merecem-ser-publicados... por aí.

na categoria dos que acho que não vão sair, dois títulos que gostei muito: felizes como macacos e intruções para a manutenção do mundo.
ah, sim e um que ficou na minha cabeça como possível título para alguma coisa algum dia: está um dia lindo para se separar.
De repente esse disco do Iggy Pop começou a fazer muito mais sentido pra mim:

"I tried to keep her but she buried me alive in love and jealousy and every emotion tottaly free screaming at once."

******

sonho com fê e jorge. tão vívido, folks. de repente estava perto de vocês de novo.

ah, e fran. também, em outro segmento do sonho. bom te ver de novo, dear, mesmo que no éter.
******

metáfora: o improvisation era como sexo casual: não se está sozinho, mas também não se está acompanhado. agora volto ao barato e às aflições do envolvimento. escolhendo uma história para fazer, me preocupando, imaginando como, daydreaming... a metáfora funciona muito. existe o encanto do período de estar dentro de uma história, o vazio depois que acaba...

******


sexta-feira, outubro 08, 2004

mais um motivo de orgulho, mais um amigo publicando no exterior, mais um que me pergunta porque eu não estou publicando ainda.

(a resposta é porque sou enrolado, desconfiado, inseguro, etc, etc. mas pretendo. é para onde as coisas caminham.)

mas o amigo é josé, alguém que muito antes de eu sonhar ter a disciplina dos quadrinhos, já estava lá, debruçado na prancheta, produzindo, produzindo. então, esforço recompensado, recompensa merecida. o álbum está aqui.

quarta-feira, outubro 06, 2004

depois da belle, meu blog favorito teria que ser o da consuelo. tudo que ela escreve interessa e tem o mix ideal de vida, pensamento e escrita. e no meio da coisa mais pessoal você lê um parágrafo inteiro de política sem se dar conta. ela tem também a ética de só escrever quando tem algo a dizer. demora, mas vale a pena.