quinta-feira, outubro 25, 2007

que animais sentimentais que somos. família, que invenção. as notícias enfim não importam, são circunstanciais e anódinas, mas uma nuvem, que rondava, baixou. um email inocente causou isso, mas a origem é antiga. lembrei de miracleman, de alan moore. ele é um super-herói como o capitão marvel, dois seres em um corpo. numa cena clássica, ele aterrisa no telhado de casa, se transforma e entra em casa. a mulher pergunta como estava o céu e ele não quer falar sobre miracleman. quer ter um café da manhã "normal". depois ele se explica um pouco: diz que quando ele é o herói, o amor dele por ela é puro, amplo, imenso. quando ele volta a ser humano, é um amor pequeno, confuso, mesquinho, cheio de dúvidas: ele está fazendo a coisa certa, ele a ama o suficiente, ele devia ter lavado a louça ontem?

somos nós, esses animais pequenos e cheios de dúvidas. assim é nosso amor, nossas relações familiares, nossos planos.

tudo isso ou simplesmente está chovendo no rio. vai saber.

quarta-feira, outubro 10, 2007

eu bebo uma coca-cola.

estupidamente gelada, na padaria. eu chego ao trabalho, largo minhas coisas e saio para uma coca, é um dia de verão na primavera do rio. e essa coca-cola estupidamente gelada me traz de volta a sensação exata infanto-juvenil, quando tomar uma coca assim era possivelmente o máximo em sensações intensas. na praia, andar pelo balneário, sob o sol insano do verão do sul, em busca de um quiosque onde tomar uma coca-cola gelada a ponto de doer a garganta. aquele ahhh.

na minha frente, estacionado em frente à padaria,um caminhão de coca-cola. clássico, absoluto, nada de papai noel ou slogan ou campanha. só a imensidão daquela superfície vermelha com o logo em tamanho maior que a vida. alguma coisa de emocionante ali. ele parece uma lona de circo, um trailer de artistas de vaudeville, uma simulação de hollywood. tomo minha coca-cola e olho para aquela obra de pop art por uns dois minutos.

quarta-feira, outubro 03, 2007

coisas que eu vi quando desci para fumar um cigarro hoje:

o velhinho mais triste do mundo usava bermuda de surfista. aquela exuberância de padronagens e cores havaianas e ele com os braços caídos e olhar desconsolado. Como se alguém tivesse roubado sua prancha.

um menino de uns 6 anos passou com sua mãe e abriu a boca para me mostrar (com aparente orgulho) o chiclete que mascava. fiz sinal de que achava ótimo.


depois subi e fui sugado para uma reunião onde morri um pouco, como em quase toda reunião.

quarta-feira, setembro 19, 2007

freddie mercury cantava na padaria hoje. a garçonete nordestina parecia particularmente melancólica, apoiada no porta-canudinhos, olhando para o horizonte que vinha a ser a gorda do caixa. eu me concentrei no meu cheese salada.

sexta-feira, setembro 14, 2007

jana e eu sempre brincamos que nossa vida (como a de qualquer casal) é um big brother. duas pessoas, trancadas em uma casa... faltam só as câmeras. hoje de manhã o programa tinha um nível acima do normal: jana comprou aventuras no marxismo, do marshal berman e estávamos lá, debatendo o humanismo marxista, domenico de masi e outras coisas afins. me ocorreu: se os big brother fossem assim, divididos por conteúdo e perfil demográfico ou região, o nosso ia dar traço no ibope.

enquanto no big brother bahia: a dança da bundinha! 200 pontos no mesmo horário.
às vezes nos distraímos.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Estamos todos lá - no super hype cool trendy Oi Futuro. A exposição se chama blooks e trata dessa convergência de coisas - literatura e quadrinhos na internet. De minha culpa tem coisas do blog e quadrinhos e a um click de distância tem Angie, tem Jana... foi engraçado ver tantos conhecidos. Jana tem fotos.

quarta-feira, agosto 29, 2007

uma versão muito curta e precariamente escrita (no trabalho) sobre uma questão que mereceria ser corretamente perguntada (e respondida)

matéria na época, na isto é (só falta a veja), capa do mais para uma história em quadrinhos, matérias na cult, na bravo, na língua portuguesa.. aquele boom famoso que aconteceu nos estados unidos está em franco progresso aqui. as matéria sempre iguais, claro "uau, não é que esse negócio de quadrinhos não é só para criança?" tudo bem, foi assim nos estados unidos também e veja onde eles estão chegando. o que me pergunto é:


que lugar é esse, dos quadrinhos? quem vai subir no pódio? não, quem vai nos fazer merecer o palco? quem tem algo a dizer? quem, dentre vocês, como diz essa construção tão clássica, quem dentre nós. e se o boom acontecer e não tivermos nada para mostrar? a câmera chega, as luzes se acendem e no foco está o quê?


não consigo parar de pensar em que fiasco monumental seria se enfim, enfim se criassem as condições ideais para um mercado de quadrinhos adultos no brasil e... simplesmente não tivéssemos quadrinhos adultos de qualidade para preencher esse mercado.


pense assim: quem são nossos autores? autores. não desenhistas talentosos de aluguel ou contadores competentes de histórias. autores. alguém com uma visão de mundo, um estilo, capazes de criar um universo.

mutarelli, claro. guazzelli, sem dúvida. laerte (mas ele tem uma certa relutância em vestir a camisa.uma questão de temperamento, cansaço e outras coisas, como mostra a entrevista dele hoje na folha.) angeli. (se ele continuasse a partir do que fez na piauí, se aquilo fosse um recomeço para ele, não um evento isolado).

o que temos até agora? dois autores e meio?


existe toda uma lógica, evidente. você olha liniers, na argentina. e você lembra que eles lêem cortazar no colégio. você olha neil gaiman, allan moore e grant morrison e lembra que eles são ingleses. o que nossa história nos preparou, senão para fazer piada (de nós mesmos, geralmente)?


isso é um esboço muito precário de uma idéia. érico e nasi certamente podiam somar, multiplicar, expandir. feel free, folks. estou resmungando em voz alta.

quinta-feira, agosto 23, 2007

segunda-feira, agosto 20, 2007

é inverno no rio. fomos à praia, tomamos sol, tomamos banho.

esse mundo estranho.

segunda-feira, agosto 13, 2007

escrevendo para giorgio, articulo a confissão: hoje, o sol me faz feliz. há 10 anos atrás eu jamais admitiria isso. mas é simples, tão simples. o rio te ensina a viver em sua pele. estar lá, sólido, sob o sol. o homem primitivo que ainda somos.

sexta-feira, agosto 10, 2007

previously in 24... bip bip bip. assim começa o inferno de jack bauer. e tenho assistido demais a essas coisa. depois tenho pesadelos incríveis, onde fujo de torturas alucinantes e vilões sem rosto. o ministério da saúde adverte, you know. eu e jana ainda não demos de verdade aquele passo rumo a viver o Rio de verdade. mas hoje de manhã, com um dia glorioso lá fora, nos pareceu meio absurdo estar com as cortinas fechadas, vendo 24h. há um mundo lá fora. sol, calor e o mar um verde absurdo. ainda vamos achar maneiras de nos entender com ele. o mundo, não o jack.

previously, in my life... nosso herói luta desesperadamente com seu cronograma e sua procastinação. e está mais ou menos na metade de seu álbum. brutal, folks. mas mantenham-se conectados. o relógio corre e esperamos sucesso até o final da temporada. ou algo assim. bip bip.

segunda-feira, julho 23, 2007

Outra orelha de minha culpa, essa para o livro de André Dahmer para a Desiderata, em breve nas melhores livrarias, etc.

Incrível como eu demorei para entender o Dahmer. Lembro de Melissa e Gabi me mostrando coisas dele anos atrás e eu não percebia. Lento, eu.



Um humorista que não ri

Buster Keaton foi imortalizado como o comediante que não ria. Dahmer também não ri. Pessoalmente, ele é sério como um médico que vem nos dar más notícias. Seus temas também não são engraçados. Genocídio, miséria, abuso, álcool, o desespero da condição humana. Porque rimos então ao lê-lo? Porque milhares de internautas voltam todos os dias ao site dos Malvados, em busca de mais? Porque é mais crocante ou porque vende mais?
A resposta, como costuma acontecer, vem dos mestres. Millôr, neurocirurgião da graça, escreveu O Decálogo do Verdadeiro Humorista. Está lá, no item I: O humorista deve ter pudor de fazer graça. Ou no III: Para escrever, o humorista deve escolher sempre o assunto mais sério, mais triste, mais chato ou mais trágico. Só um falso humorista escreve sobre assuntos humorísticos. E assim por diante. Se esse fosse um teste da revista Nova, Dahmer teria passado com 10.

Assim como Keaton, que com seu humor físico e sua fachada esculpida de seriedade fazia a platéia rir dos absurdos e injustiças da vida moderna, Dahmer, com sua moralidade indignada, nos faz rir de nossa preguiça, vaidade, estupidez e todos outros pecados que estão no catálogo da raça. E dessa vez, é nossa cara que está lá. Os malvados, com sua aparência enigmática de flores perversas, eram uma máscara que podíamos vestir ou não. Nesse livro, eles tem cara. A minha, a sua, a de todos nós. No livro negro de Dahmer, somos todos malvados. Só nos resta rir.

terça-feira, julho 17, 2007

Como dizia Mário de Andrade, se o escritor mostra o que escreve, é por vaidade. E se não mostra, também é por vaidade. Então, com plena consciência do pecado, vou mostrar aqui umas letrinhas minhas que tem sido impressas: sou o orelha-man informal de alguns livros da Desiderata. É uma das (muitas) alegrias do clima informal de nossa editora, que possamos fazer coisas assim, de graça e por graça.

Essa aqui escrevi hoje, de um de nossos próximos livros, a Antologia da Lapa.


Cabarés, madames, malandros e poetas: a Lapa em preto e branco

Os arcos da Lapa, esse inesperado cenário romano na antiga capital do império, fazem parte da imagem do Rio de Janeiro como o Cristo Redentor. Mas ao contrário do Cristo, que simboliza o Rio todo, de ontem e de sempre, eles são só da Lapa. E são símbolo de um outro tempo. Como Roma, a Lapa teve seu apogeu e decadência. E se agora ela ressurge, reinventada e de novo adotada pelos cariocas, ela certamente é outra.

A Lapa de que fala este livro é o bairro mítico, boêmio, em preto e branco, que a maior parte de nós não viu. E quem melhor para nos guiar por suas ruas escuras e movimentadas do que esses protagonistas fabulosos? Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, Di Cavalcanti, Rubem Braga, Antônio Maria, e outros nos levam por esses becos e ruelas onde Madame Satã amava e enfrentava policiais, Villa-Lobos tocava piano nos salões enfumaçados das pensões e Manuel Bandeira escrevia seus poemas com um olho melancólico na festa que acontecia debaixo de sua janela. Como na Paris dos anos 20, até a pobreza era charmosa e as prostitutas, francesas.
Cantada em prosa e verso e contada por seus protagonistas, essa época fabulosa da qual só os arcos restaram, está nas páginas deste livro.
A cena do dia: enquanto eu e Jana andamos pelo centro, paraíso perdido e horror muito encontrado que ela adora e eu suporto estoicamente, vejo o jovem funcionário público. Um grupo de sub-burocratas se encaminha para o almoço, naquela solidariedade masculina abastardada - o humor sexual da empresa, as piadas sobre a funcionária nova, as tentativas de fazer as horas cruéis se arrastarem menos - uns dois passos atrás do grupo caminha o jovem funcionário público, já vestindo as roupas do seu grupo, mas com uma tristeza do tamanho do seu futuro interminável. a franja de frequentador de shows de rock, aquela face pálida de quem nunca vai à praia e uma expressão desolada sem fim de quem vendeu seu tempo e sabe quanto custou.

segunda-feira, julho 09, 2007

jana contou: fomos ao cinema. oh, ato banal. como uma coisa precisaria de comentário? mas sim, em um mundo de dvd, de séries baixadas pela internet, de consumo e de amor ao seu sofá, para nós foi um retorno à aventura. meses sem ir ao cinema. como uma coisa dessas acontece?

foi bom. lembrei como é. e ratatouille é fenomenal. há uma atenção ao detalhe ali que é uma coisa de outro mundo. da culinária, que faz sentido visual (a textura de cada cogumelo, de cada panela de chef é perfeita) - da chef que tem uma vespa (como os chefs do mundo de fato), do desenho meticuloso mesmo do personagem mais secundário - se a câmera está passando, dá tempo para fazer um deboche ao mímico-francês-de-parque, em uma visão de meio segundo...e, claro, se você ama comida como eu amo, o filme é bem mais tocante. o discurso final do crítico é emocionante e fenomenalmente bem escrito. e remy, ah. viva remy, o rato gourmet.

quinta-feira, junho 28, 2007

escondemos mal, muito mal nossa satisfação com a desgraça crescente desses imbecis que espancaram a empregada doméstica aqui no rio. oh sim, novas testemunhas, oh sim, eles vão pra cadeia, oh sim, vão ser espancados, oh boy, eu espero que. ah sim, agora eles vão ver.

na verdade não escondemos nem um pouco, estamos aí, falando em voz alta no trabalho, nos bares. a única coisa escondida é nossa admissão de que essa baba que escorre de nossa sanha não é muito diferente da deles.

não me excluo, da baba, da sanha, do julgamento, do desejo que. mas o que estou dizendo então? que faço uma força para não. para não alimentar. para não ficar criando fantasias visuais em detalhes da punição informal que eles podem encontrar na cadeia. nada de bom pode vir de pensamentos assim. basicamente, folks, temos que ser melhores que eles, não iguais.

segunda-feira, junho 18, 2007

Rapidíssimas:

- Temos enfim um site que não é um blog disfarçado. Pobre, mas limpinho.

- O Pasquim 2 entrou na lista dos mais vendidos do Globo, Veja e Época. Não dá pra concorrer com O Levantador De Livros e Pipas Afegãs de Cabul, mas é uma alegria. Comentário completamente imparcial: é sensacional. Mesmo aqui, fazendo, não conseguíamos parar de ler. Quando tantos talentos se amontoaram no mesmo jornal ao mesmo tempo? A lista é inacreditável. É um livro para ler, fora de ordem, sem parar. Abrir ao acaso e ser feliz. E felizes nós de fazer parte disso.

quarta-feira, junho 06, 2007

ah, a nostalgia gaúcha. ela vem quando menos se espera. uma notícia do festival de inverno de porto alegre - show de fito paez, filmes sobre cortazar, uma orquestra de tango moderna... em outra nota do mesmo suplemento cultural traiçoeiro que se inflitra em meu email, um show em homenagem à mítica do Bom Fim. o Bom Fim mítico. o sul mítico. onde o frio é glamouroso e não a infelicidade profunda da cama gelada e do chuveiro que nunca esquenta. não, nessas lembranças o frio não tem espirros nem fluidos nasais. é todo condição existencial e glamour. ha.

e ainda hoje jana reportou (para minha surpresa) que ainda falo bah.

sexta-feira, junho 01, 2007


Trabalhando, trabalhando. Vão lá no flickr ver que não estou mentindo. Foto by Jana.