quarta-feira, setembro 21, 2005

cut1


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Originally uploaded by Odyr.
como a historia foi encomendada, so uns pedacinhos das tiras. essa do cozinheiro em particular eu gostei, do personagem e do gestual dele.
a história se repete como farsa, todo mundo sabe. mas não precisava, eu acho.

numa festa ontem que manchava a palavra jam, um grupo enorme de wannabe artists se esfregavam no palco cobertos de tinta, faziam caras e bocas, ensaiavam cenas eróticas com macarrão ou com uma escada. patético.
ah sim, tinha uma flauta, claro e artesões cantando. ai meu deus.

a voz da tolerância diz que as pessoas tem que passar por isso. mas por quê? não basta que gerações anteriores tenham passado por esse mico? já era ruim da primeira vez. reprisado então... será que uma geração nova não pode cometer erros novos, pelo menos?

(e antes que alguém pergunte, não, eu nunca me esfreguei com macarrão ou tinta enquanto alguém tocava flauta. mas era uma performance muito popular nos meus green days. e já era reprise na época.)
contrastando com toda essa conversa de ócio criativo abaixo, os últimos dias foram cheios, cheios. passei o final de semana fazendo umas tiras sobre business. a primeira vez que fiz quadrinhos por encomenda. e foi bem bom. é sempre um exercício, tentar achar a movimentação exata dessas pessoas, o tipo de cabelo, as roupas... o resultado ficou bem. posto aqui uns pedaços depois.

e hoje acabava o prazo (mínimo) que recebi para fazer um projeto gráfico para porto alegre, de uma revista que me parece bem interessante e que não devo comentar no momento. como acabei as tiras na segunda, tive que sentar e fazer o projeto grafico ontem. em um dia. tipo: sem pensar. you wanna know what? ficou do caralho.

se o figurão do design citado no outro post me ouve falar, tem um enfarte, mas meu aproach para direção de arte ou projeto gráfico é compleeeetamente intuitivo. basicamente eu visualizo a revista que queria ler. e faço, em ordem. a capa, depois o índice, depois as matérias...como se estivesse abrindo a revista. absurdo, mas funciona. venho enganando as pessoas assim faz tempo. :)

sexta-feira, setembro 16, 2005

depois fui jantar com as organizadoras e com os outros palestrantes, um deles um big shot do design, sócio de uma empresa dessas quem tem sede em meia dúzia de cidades, montes de funcionários, contas milionárias. foi engraçado contar pra ele meu downsizing, a maneira como me recolhi aqui em pelotas, as escolhas. ele era um homem muito inteligente e entendeu bem.
não sou ingênuo a ponto de achar que ele inveja minha liberdade, mas digamos que ele entendeu a escolha, de uma vida sem reuniões, sem stress, sem agenda, relógio e sem dinheiro. hoje, em uma manhã que passei cozinhando, fumando e ouvindo música com amigos, erguemos uma taça de vinho a isso.
então para um auditório cheio de jovens estudantes de design e artes, fiz minha estréia como palestrante ontem. contei minhas aventuras e principalmente desventuras no mundo do design, ilustração e qualquer coisa no meio. um certo terror de pegar um microfone e falar para aquelas caras estranhas, mas nada como um pouco de auto-imolação e comédia às próprias custas. tive meu momento stand-up comedy-woody allen e foi bem divertido. pra mim e aparentemente para eles, que riram bastante. foi bem divertido.

quinta-feira, setembro 15, 2005

The heart is a bloom / Shoots up through the stony ground / There's no room No space to rent in this town/ You're on the road / But you've got no destination / You're in the mud / In the maze of her imagination/

não é exatamente a beautiful day, mas isso estava na minha cabeça enquanto eu andava, um tanto sem rumo hoje, vagamente indo almoçar, fumando, levando minha ressaca para a rua. a noite não foi muito gentil comigo. pelas 5 da manhã coisas aconteciam e pareciam uma repetição ruim, a história como farsa, etc. uma mulher que consegue de fato iluminar o espaço onde chega, o que é uma coisa linda de se ver, e no entanto. no entanto.

como um fantasma conhecido. e que consegue miraculosamente se renovar a cada encontro. e lhe fazer esquecer cada decepção. amazing. repórteres contam que steve jobs tem isso e chamam de reality-distorsion-field.


um casaco londres anos 70, uma camisa branca, o cabelo voando sobre tudo, uma aparição. feromônios. um corpo conhecido mas inesgotável. um mundo. uma ausência palpável na cama hoje de manhã. o espaço onde ela estaria. na rua, em um outdoor de celular, uma mulher finge abraçar a vida, o celular promete um mundo de liberdade e realização, as fantasias quase eróticas da publicidade. You're out of luck / And the reason that you had to care / The traffic is stuck / And you're not moving anywhere /

terça-feira, setembro 13, 2005

sobre o post abaixo, me ocorreu acrescentar: vinte anos no pop são uma vida, mas na vida mesmo, que é um pouco mais lenta do que o pop, uma geração é uma medida impressionante. na página social da ZH hoje, vi uma jovem socialite em vestido de festa, com os braços praticamente cobertos por tatuagem. uma geração atrás, ela seria uma freak. hoje ela está na coluna social. uma geração atrás, só marinheiros tinham esse tanto de tatuagem.

uma geração atrás também, eu seria um pai de família já meio gasto porém respeitável, com uns três ou quatro filhos, em vez do solteiro irresponsável que sou. e etc. you see what I mean.
desde que assinei bad signal, a newsletter de warren ellis, eu tenho a certeza de que sempre vou ter ao menos alguma mensagem no email, porque esse bastardo escreve loucamente. do pub, geralmente. e com insights como esse, onde falando de uma cena de CSI descreve todo um procedimento da mídia, toda uma operação que o pop executa:

I saw a re-runfrom last season recently, and there'sa two-minute sequence of WilliamPetersen sluicing blood off a body on a metal tray put to "Sfevn-G-Englar" by Sigur Ros. That's all it is. Slowed down visuals of waterwashing blood off brushed steel. Twenty years ago, that would've been an art film. Now it's a musical interlude in a major USnetwork show. Mainstream culture eats its young to gain its strength,like a cannibal warrior, and the intent of the fringe becomes the tool of the mainstream.

sexta-feira, setembro 09, 2005

considerando que não celebro aniversários, nunca fui a um batizado ou a um funeral e sou incapaz de dizer meus pêsames, parabéns ou coisas do gênero, é curioso que eu goste de casamentos.

mas gosto. há uma sensação curiosa de liberdade, há a sensação de estar em algum tipo de teatro invisível, com figurinos e muitos atores, há um vouyerismo, há uma celebração. melhor ainda se passar bem longe de uma igreja.

amanhã vou a um. bem longe de uma igreja. em uma charqueada. pessoas de que gosto resolveram tornar oficial uma união já bem sucedida há anos. e vamos então erguer nossas taças, fazer brindes e ficar agradavelmente embriagados e, quem sabe, sutilmente emocionados.
ontem achei o caminho de volta até a mesa de desenho, então vocês podem desconsiderar todo o post anterior. :)

estava agora escrevendo para bitisa e comentando que chega a ser ridículo a diferença que faz. ela me encontrou de tarde com um humor de pão dormido. de noite, depois de começar uma história nova, eu me sentia, como dizem os americanos, like a million dollars. like a fucking million dollars.
em breve, mais um capítulo of my charmed life. vocês que me aguentem. vocês, que me aguentam.

quinta-feira, setembro 08, 2005

o autor até onde sei do termo popiário definiu bem: quando o popiário vai bem, a vida vai mal. e vice versa. se não mal, pelo menos em baixa.

exatamente o caso aqui. vida em baixa, popiário em alta. consumo como droga. como dizia fran em um dos comments. nós, garotas em tpm... :)

porque precisamos de vida. na falta dessa, simulacros. a criação, por mais que seja sublimação, é mais do que um substituto para a vida. afinal, a palavra é criação. mas o consumo é exatamente isso: um substituto pobre. quer dizer, uma caixa de episódios de sex & the city contém uma vida muito, muito mais glamourosa do que a sua, mas aí entra aquela citação tão exata que o tio stephen king usou em um dos seus livros: perto do ser humano mais desinteressante desse mundo, toda a obra de shakespeare não é mais do que um saco de ossos. a bag of bones.

terça-feira, setembro 06, 2005

é por isso que amo alex de campi:

04:12 pm - This Just In: Bush Declares War on Antarctica

In last night's State of the Union address, US president Bush sought to combat his plummeting approval ratings by announcing that Antarctica has been added to the now four-nation Axis of Evil along with Iraq, North Korea and Iran. "Our intelligence briefings have shown that Hurricane Katrina is clearly linked to Global Warming, and the ringleaders of Global Warming are Antarctic glaciers."

leia o resto aqui.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Garland: Well you and I must be in the minority because apparently there?s a section of our citizenry out there that thinks, uh, because of the law that says that the federal government can?t come in unless requested by the proper people that everything that has been going on up until this point has been done as good as it can possibly be.

Nagin: Really?

Garland: I know you don?t feel that way

Nagin: Well, did the tsunami victims request? Did they go through a formal process to request? Uh, you know, did Iraq, did the Iraqi people request that we go in there? Did they ask us to go in there? What is more important?
Now you mean to tell me that a place where most of your oil is coming through, a place that is so unique - when you mention New Orleans everywhere around the world everybody?s eyes light up - you mean to tell me that a place where you probably have thousands of people that have died and thousands more that are dying everyday that we can?t figure out a way to authorize the resources that we need?

transcrição de uma entrevista de nagin, o prefeito de new orleans.
pra desiludir de vez quem acredita no meu gosto, vi swat esse final de semana, com enorme prazer. nada como ir à locadora tendo que agradar só o animal que vive em você e nada mais. basicamente, estou como uma criança escolhendo só o que não presta na locadora. são alguns anos de demanda reprimida. por motivos mais ou menos triviais praticamente nunca tive um aparelho qualquer de reproduzir filmes só para mim. então, i´m being selfish and dumb.

mas enfim, vi também algo mais elevado. dogma do amor (its all about love) é do mesmo diretor de festa de família, um filme brutal vindo do movimento dogma. aparentemente, ele também tinha uma demanda reprimida, então o filme vai contra tudo que o dogma prega: em locações (e que locações: itália, polônia, suíça, áfrica...) tecnologia, tempo, luz, tudo. mas é um belo filme, com uma visão de futuro muito bem administrada no nosso presente, uma história de amor muito real e estranhezas pipocando, como the flying ugandans. e claire danes.

também, por algum motivo que me escapa, olhei muito para a parede, fui até a janela, suspirei e voltei. repita 100 vezes. esperando algo que não sei o quê. mas esperando. mais demanda reprimida.

sexta-feira, setembro 02, 2005

venta em satolep. e parece que o vento nos leva a todos. não é katrina, mas é nosso pequeno ciclone. há uma sensação de que não se controla nada, de que andamos às cegas, em nossos relacionamentos e escolhas assim como nas ruas. como de fato andamos.

e a ilusão ou tentativa de controle é que fode tudo. podemos fazer escolhas, mas como elas se desenrolam não depende só de nós. quando você tenta conduzir a onda...


e de repente new orleans parece o iraque. com tanto lugar naquele país pra katrina destruir....

quinta-feira, setembro 01, 2005

nunca foi a intenção desse blog ficar só comentando meu consumo cultural, um popiário, como diz meu amigo érico, mas preciso dizer: odiei sin city.

quadrinhos e cinema tem uma relação passional e mal resolvida. nasceram quase juntos, um bebe do outro, mas os encontros não costuma ser felizes. as primeiras adaptações de filmes a partir dos quadrinhos foram risíveis e a sequência de desastres não é curta. robert rodriguez achou que tinha encontrado o caminho mais curto: nada de adaptação. transposição. literal. os quadrinhos na tela.

como ele fez a essas alturas acho que todo mundo já sabe: atores contra o fundo verde, a reprodução exata de cada enquadramento, iluminação, tudo, recriadas no computador.

bom, minha questão é: pra quê? se a história funcionava perfeitamente em quadrinhos.

e pior: não deu certo. pra mim, pelo menos, claro.

todo aquele exagero e simplificação que funcionam nos quadrinhos, a caricatura, os atalhos de linguagem ficam grotescos na tela. os atores se movem como bonecos, falam como clichês,a história passa a jato... (um desses teóricos dizia o seguinte: que o leitor acrescenta tempo entre um quadro e outro e é por isso que as histórias em quadrinhos podem ser tão rápidas. mas o cinema tem outro tempo. as coisas tem que se desenrolar, você não pode parar e olhar o quadrinho anterior ou olhar pro lado. então quando marv dizia cansado: essa guerra em que estou... a guerra tinha começado 5 minutos atrás! era ridículo. )

curiosamente, bitisa e luiza que viram comigo e não conhecem os quadrinhos, gostaram. então pode ser ranzincice minha. mas eu realmente não vejo futuro nenhum para esse tipo de transposição literal. você tem que ter algum motivo pra fazer uma releitura. algum ganho. eu preferia ver o marv em silêncio.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Audrey


Audrey
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twin peaks em imagens. fiz umas capturas de tela. wilbur tem razão. lynch é um pintor trabalhando em filmes. um crítico dizia isso em um dos extras: ele inventa histórias que caibam (mais ou menos) nas imagens que lhe ocorrem. é um processo ao contrário. talvez por isso funcione tanto. porque passa por cima do raciocínio dele mesmo.

cena ótima que o littleman from another place conta em um dos extras: que já na sala de edição, lynch, junto com a montadora olha para uma cena e diz: ah, vai ver que é isso que eu queria dizer.

The Bookhouse Boys


The Bookhouse Boys
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Shelly


Shelly
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