quinta-feira, maio 17, 2007
quarta-feira, maio 16, 2007
ok, foi divertida essa orgia sentimental e ganheis vários euteamo de graça. muito bom. vergonhosamente esqueci dois amigos por demais queridos, (eu culpo o álcool) jorge e marcos. dois que estão no top five. e de repente me dou conta que meus amigos do top five não cabem no top five. o que quer dizer que posso ter um top ten de amigos. hey, a vida não é de todo má.
domingo, maio 13, 2007
ãhnn, ainda bêbado, decididamente tratando o blog como o orkut ou esse blog tem tãos poucos leitores que posso escrever exclusivamente para cada um deles ( a ordem é completamente aleatória). me poupa 20 emails bêbados. se esqueci algum, me escreva e faço uma retratação.
fê: bom que você vem.
júlio: se você não fosse esse macho broncozóico que é, eu diria bêbado que te amo. mas vou te poupar desse constrangimento.
dani e imperador: ainda lamentando minha falta em vê-los. yeah, amo vcs também.
bitisa: you know. chega de declarações etílicas. top of the top five.
melissa: london fields forever. ando ouvindo tantos beatles, you know? agora que você está rica, come on, apareça.
phraan: quando é que você vai, digamos, fazer alguma coisa? você já percebeu que trabalho em uma editora?
dudu: você não estava encarregado disso?
sam: você já está fazendo, não é? keep going. you're good..
jana: não se confunda com todas essas declarações. você é que eu amo mesmo.
fê: bom que você vem.
júlio: se você não fosse esse macho broncozóico que é, eu diria bêbado que te amo. mas vou te poupar desse constrangimento.
dani e imperador: ainda lamentando minha falta em vê-los. yeah, amo vcs também.
bitisa: you know. chega de declarações etílicas. top of the top five.
melissa: london fields forever. ando ouvindo tantos beatles, you know? agora que você está rica, come on, apareça.
phraan: quando é que você vai, digamos, fazer alguma coisa? você já percebeu que trabalho em uma editora?
dudu: você não estava encarregado disso?
sam: você já está fazendo, não é? keep going. you're good..
jana: não se confunda com todas essas declarações. você é que eu amo mesmo.
estamos lançando um livro do reinaldo (mais conhecido como aquele cara do casseta e planeta que faz o devagar franco - propaganda subliminar) e ele tem um cartum sensacional: sob o título E o Homem Continua se Perguntando, um homenzinho está ao lado de um monte gigantesco de merda e umas manchas brancas suspeitas, ele se pergunta - "Que merda é essa? Que porra é essa?"
são coisas que o ser humano se pergunta. num domingo elas parecem maiores e mais longas, como o monte de merda do cartum.
(nota para mim mesmo: não postar bêbado no dolmingo.)
são coisas que o ser humano se pergunta. num domingo elas parecem maiores e mais longas, como o monte de merda do cartum.
(nota para mim mesmo: não postar bêbado no dolmingo.)
quarta-feira, maio 09, 2007
angie tem uma missão, caso ela decida aceitá-la: lembrar as pessoas de que poesia não precisa ser ridícula, chata nem rimar amor com dor. parece quase impossível mesmo para tom cruise, mas ela tem feito um belo trabalho. estamos fazendo um mix cocktail de quadrinhos e poemas e esse é um deles, que nem angie ainda viu. então, voilà.
quarta-feira, maio 02, 2007
Cuidado com o que você deseja, não é? E se conseguíssemos esse respeito há tanto tempo almejado e os quadrinhos realmente chegassem? E se os quadrinhos chegassem às escolas?
segunda-feira, abril 30, 2007
Sempre desprezei Garfield como uma tira banal, desenhada tão friamente e com uma linha tão morta que qualquer desenhista contratado poderia executá-la. (Como de fato acontece: Jim Davis não desenha a tira.) Ao contrário da alma de Peanuts ou da inventividade de Calvin (e de suas existências gráficas, pessoais, intransferíveis), Garfield é um produto. Inimaginativo, insípido e reconfortante, bom para quem gosta de ter a mesma experiência de novo e de novo e de novo. Como pão de forma ou comida de microondas.
Agora um artigo na slate conta em detalhes porquê..
Davis makes no attempt to conceal the crass commercial motivations behind his creation of Garfield. Davis has the soul of an adman—his first job after dropping out of Ball State, where he majored in business and art, was in advertising—and he carefully studied the marketplace when developing Garfield. The genesis of the strip was "a conscious effort to come up with a good, marketable character.
In his 1982 interview with Shapiro, Davis admitted to spending only 13 or 14 hours a week writing and drawing the strip, compared to 60 hours a week doing promotion and licensing.
quinta-feira, abril 26, 2007

Entre uma página e outra, tempo para um exemplo rápido: cliquem para ver a imagem ampliada e percebam a exatidão dos "rabiscos" do Henfil: cada coisa tem exatamente o detalhe que precisa ter. Notem como os tanques vão se simplificando conforme estão mais longe. Claro, isso é bom senso, mas o que tem de desenhista que não entende isso...
Isso sem falar na eficiência absurda de concentrar toda a ênfase na expressão dos personagens. Tudo é expressão. O corpo é gesto, movimento, quatro ou cinco risquinhos que fazem todo o trabalho, sem chamar atenção. Ah, e o uso sensacional do espaço em branco.
Isso sem falar na eficiência absurda de concentrar toda a ênfase na expressão dos personagens. Tudo é expressão. O corpo é gesto, movimento, quatro ou cinco risquinhos que fazem todo o trabalho, sem chamar atenção. Ah, e o uso sensacional do espaço em branco.
como diria algum personagem de filme b, time is not on my side. estamos fechando o segundo volume do pasquim e os dias estão cheios. queria ter tempo inclusive para falar sobre o que ando vendo ali. assim como o restaurador de quadros do louvre deve ter uma visão dos mestres que não posso imaginar, conviver de perto com esse material maravilhoso aumentou imensamente meu respeito por esses desenhistas. henfil, por exemplo. vendo de relance eu sempre avaliei como uns rabiscos interessantes. vendo em volume e de de perto, ficou claríssimo para mim o quanto aqueles rabiscos eram precisos. por trás da espontaneidade há um raciocínio gráfico claríssimo. você vê exatamente o que você quer que ele veja. confusão nenhuma.
coisas assim.me dá vontade realmente de entrar em detalhes, de dar exemplos, de falar do jaguar, do ziraldo, do caulos, dessa constelação que criou o pasquim. mas o tempo...
quinta-feira, abril 19, 2007
as fotos facilitaram tudo.com que conforto os jornais classificaram cho seung-hi como um monstro. um psicopata. ufa. com que conforto o cidadão médio recebe essa classificação. ahhh. ele não é um de nós. foi ele, foi ele.
e os outros? e os colegas a quem ele dedicou tudo isso? os que o ignoraram ou debocharam ou hostilizaram ou sabe-se lá a que ponto anda essa crueldade jovem americana, esse sistema de castas? todos esses 2.000 filmes americanos que vi até hoje estavam mentindo? não há um sistema cruel de castas no colégio, na universidade? os populares, os losers, os freaks. o outro. o inimigo é o outro. o estrangeiro, o alien, o que-não-sou-eu.
o que quero dizer é que há uma dinâmica. pode até haver uma psicose, mas a panela de pressão acelera o processo. no meu ponto de vista, todos os colegas apertaram o gatilho juntos.
(como no rio, amiguinhos. tiroteio entre traficantes e polícia mata 13. aceito o argumento: quem compra drogas é cúmplice. quem proíbe as drogas é cúmplice. quem vira o rosto para a miséria (todos os dias, todos os dias) é cúmplice. somos todos.)
segunda-feira, abril 16, 2007
eu já sei faz tempo, mas talvez você não saiba que ela não é só um rosto bonito. jana também tem um blog onde ela junta letrinhas. hoje ela conta tudo que você precisa saber para trabalhar em uma livraria.

eu sou nerd, você é nerd, somos todos um pouco nerds. se eu estou escrevendo esse blog e você lendo, well, somos nerds. mas temos salvação. queor dizer, temos vida social, sexo, senso de ridículo, essas coisas. agora, existe o nerd terminal. aquele que está a um passo da falência múltipla.a um passo de não funcionar. esse que vi hoje e rabisquei aqui era um desses. e não, ele não tinha 15 anos. estava no caminho dos 30. virgem, obviamente. e, acredite, ele era pior do que o desenho. a coluna era mais curvada, a barriga maior, o ar de abstração, infinito. o guarda-roupa, um lugar misterioso e hostil.
algumas coisas você só o entendo o sentido de fazer quando faz. copiar os mestres é uma delas. parece uma atividade estúpida, vã. mas longe disso. há uma compreensão interna que acontece, de ver o maquinário por trás da pintura, de entender profundamente. olhar por cima do ombro do mestre, por alguns momentos. tive uma seção muito feliz com el greco. aqui, no flickr.
quarta-feira, abril 11, 2007
o site é modesto, faltou dinheiro, tempo e competência para fazer, mas vocês podem conhecer nosso catálogo. o site da desiderata.
segunda-feira, abril 09, 2007
quinta-feira, abril 05, 2007

Copacabana está sendo bem tratada, mesmo antes de estrear. Aqui uma nota no globo e aqui, uma bela, bela matéria sobre os quadrinhos da Desiderata, entre eles Copacabana.
quarta-feira, abril 04, 2007
ah, david lynch. sim, eu confesso:não é sempre que eu tenho a coragem de entrarnos corredores escuros dele ou me perder nos labirintos, mas minha admiração por ele é enorme, enorme, enorme. se existe ainda alguma arte no cinema, certamente vem dele.
nessa belíssima entrevista (clique no anúncio para poder entrar na salon) ele fala do filme novo, que parece mais radical do que qualquer outro: ele começou a filmar completamente sem ter idéia do que ia fazer. ele simplesmente se apaixona por certas idéias ou situações, realizar um delas, realiza outra, vê como elas se relacionam e acredita que no final o todo vai criar sua prórpia coerência. ou não. e insiste: nem tudo que está na tela é para ser entendido. se perca. passeie. get lost. nesse sentido, o dvd me parece fundamental. veja um pedaço hoje, outro amanhã... é como um livro mais difícil, que você não consegue ler de um fôlego.
além disso, ele está lançando um livro sobre arte e meditação, uma marca de café
e uma fundação para elevar a consciência mundial. uh, ele também é pintor, escritor e designer de móveis. para um homem que ama tanto os sonhos, quando é que ele acha tempo para dormir?
ah, sim. o café.
e uma fundação para elevar a consciência mundial. uh, ele também é pintor, escritor e designer de móveis. para um homem que ama tanto os sonhos, quando é que ele acha tempo para dormir?
ah, sim. o café.
terça-feira, abril 03, 2007
a primeira rejeição? eu devia ter 6 ou 7 anos, estava no circo (com quem? não lembro) e morrendo de sede e à minha frente um garoto tomava uma fanta que parecia sublime naquele momento. então me enchendo de uma coragem que não tinha, pedi para ele: - Você me dá um gole?
ele me olhou com a indignação própria para o momento, movendo ao mesmo tempo a fanta para longe de mim e disse com toda a ênfase: - Não.
Oh boy. doce infância.
Oh boy. doce infância.
terça-feira, março 27, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
auto-promoção desvairada:
- tem uma solitária tira nova do heitor. tá lá no flickr.
- a primeira notícia sobre copacabana. lá no universo hq
- tem uma solitária tira nova do heitor. tá lá no flickr.
- a primeira notícia sobre copacabana. lá no universo hq
segunda-feira, março 19, 2007
lendo (finalmente) martin amis. London Fields. bom, bom, bom. mas uma coisa me impressiona, vinda de outras fontes também: o ódio que circula na inglaterra. basicamente todo mundo odeia todo mundo. momus comentava muito ao voltar a londres: a sensação palpável de mal-estar nas ruas. ódio aos pakis, aos indianos, aos franceses, ao seu vizinho, ao cara bebendo no pub ao seu lado. quantidades inacreditáveis de álcool e drogas variadas, violência nas ruas, panic in the streets of london. se você pensa por um instante na américa, o país onde tudo parece estar errado e lembra que eles vêm da inglaterra, faz algum sentido: a inglaterra seria uma américa com um ódio mais antigo, sem o dinheiro e com tudo comprimido em 10% do espaço.
quarta-feira, março 14, 2007
odeio acordar cedo para vir trabalhar, mas adoro tomar café da manhã na rua.as padarias com seus balcões e você tomando seu suco ou gigantesca taça de café ao lado de estranhos, que saíram de camas diferentes da sua. uns cheiram bem, outros mal. escondido atrás do livro que vinha lendo no ônibus, vejo um pouco a tv que eles são. a balconista já me conhece e me diz o que comer. sensacional. sem falar que no rio, o misto quente tem mais ou menos uma polegada de altura de presunto e queijo. ah, e os sucos. as vezes finjo que sou saudável e aquele líquido me causa um estranhamento bárbaro, mas sinto que meu corpo agradece. abacaxi com hortelã, laranja com beterraba, essas coisas que os cariocas fazem. do meu lado, um sujeito de sunga se acha perfeitamente natural. logo ali a polícia prende alguém e os jornais nos dizem que o inferno chegou e que a civilização está desmoronando e que o tráfico e as milícias e o governador e a britney spears. é de manhã.
segunda-feira, março 12, 2007

antes que os quadrinhos começassem seu longo, longo caminho até alguma espécie de aceitação cultural, eles eram um território virgem, selvagem, sem regras, sem parâmetros, onde tudo valia e era difícil desenvolver critérios. nesse cenário se desenvolveu a arte estranha, primitiva e perturbadora de fletcher hanks. quadrinhos horrivelmente mal-desenhados, com roteiros bizarros, o tipo de coisa que parece vir direto do cérebro, sem nenhuma censura para o papel.
exatamente por tudo isso, o trabalho tem um charme, um mistério. o apelo do inconsciente bruto. um surrealista natural, digamos.
exatamente por tudo isso, o trabalho tem um charme, um mistério. o apelo do inconsciente bruto. um surrealista natural, digamos.
aqui, uma entrevista com o editor do livro que reúne o trabalho desse criador obscuro.
quarta-feira, março 07, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007

nunca me permiti não ter tempo. sempre tenho tempo para ler, para ouvir música, para fazer o que essa cabeça diletante quer. mas andava longe do jazz. longe, longe. mais uma falta do estado de espírito certo. mas ontem ouvi longamente um disco maravilhoso: thelonius plays duke ellington. cortazar vendo monk no palco, falou que lembrava muito de um urso bêbado se aproximando do piano. e não é difícil imaginar esse urso tocando. é como se suas patas não coubesse no teclado, os acordes são sujos, maravilhosamente impuros. e assimétricos e quase sobrepostos. é estranheza por toda parte. são espelhos quebrando por sobre as partituras de duke, é como um marciano tentando entender que coisa é esse piano, que coisa é essa música de duke ellington. eu podia amontoar metáforas aqui indefinidamente. basta dizer que é um disco muito rico, cheio de espaço e de humor, um lugar maravilhoso para se visitar. a capa é uma pintura de rousseau e tem um leão (ao invés de um urso) aparentemente embaraçado por ser interrompido no meio de uma refeição. ou talvez nós estejamos embaraçados por interrompê-lo. ele parece estar completamente à vontade com a boca cheia e metade de um animal para fora. um momento de humor e estranheza, perfeito para monk.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
borges dizia que o romance é o monstro impuro. não há como manter a intensidade, a clareza, a excelência que é aplicada em um conto, onde cada linha importa. ou há como, mas o pobre romancista não acabaria um livro em vida. lidando com isso, dia a dia. em uma história de 4 ou 5 páginas, há dois ou três quadrinhos que você gostaria de mudar. em um álbum, quando você passa da vigésima página, você começa a se desesperar pensando nessas imperfeições. (by the way, estou chegando à trigésima.)
mais um pensamento incompleto para minha coleção.
mais um pensamento incompleto para minha coleção.
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
carnaval = estado de sítio. me sinto como o personagem de ionesco, cercado, a rua cheia de humanos que gritam que é ótimo ser rinoceronte. se sai de casa por sua conta e risco. uma mistura de calcutá com bahia. comprar pão ou devolver um filme é uma aventura. notas para o próximo ano: a casa tem que ter ar condicionado e o dobro de provisões.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
hmmm, por supuesto não posso ser o único certo, mas me pergunto o que o mundo achou de errado em lady in the water, o novo shyamalayan. vi ontem, com algum atraso e fiquei absolutamente encantado. e encantado, por clichê que seja a palavra, é o termo exato. no sentido de estar sob o efeito de. achei que o filme tinha uma atmosfera palpável, que não se dissolvia ao acabar.
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mas eu sei, claro, o que o mundo achou de errado. eu li algumas críticas. me pergunto se ser um leitor de quadrinhos, como sou (e como o diretor é) não ajuda. porque nos quadrinhos não há idéia extravagante demais. hey, metade da indústria dos quadrinhos se sustenta com personagens que voam. basicamente parece que grande parte do público rejeitou a fantasia. essa estranha idéia de que o cinema deve ser mais realista. estranha para mim, eu entro no cinema querendo ser enganado. me engane! afinal, tudo é ilusão no cinema, tudo é maravilhosa mentira. eu odiava aquele infame mister M., com todas minhas forças. como é que uma criatura baixa daquelas ganhava a vida revelando os segredos dos mágicos? e como é que as pessoas queriam saber? dio mio.
eu sempre fico indatisfeito de postar aqui esses pensamentos quebrados e incompletos, mas o tempo anda tão escasso. são esboços, anotações no escuro. forgive me.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
os dias, ah os dias. a tal vida de artista.acordo, como todo mundo. mais tonto de sono do que uns, mais devagar que outros. café, por supuesto. nicotina. depois preciso de uma meia hora sentado no sofá, ainda com os sonhos enredados no cabelo. olhando pro nada. depois, o transporte até o trabalho. no meu caso, são dois passos do sofá até a mesa. juro que às vezes parece longe. e se o sol está derretendo o rio de janeiro lá fora? fecho as janelas, portas, tudo. vampiro. hmm, deixa eu ver. tenho seis páginas prontas. faltam só cento e cinquenta. ah, tá.
o curioso é que o desafio não é desenhar melhor. é ter coragem de desenhar o que você sabe. e você quase sempre sabe (pode) mais do que pensa que sabe. dizendo,não faz muito sentido.mas quem faz, sabeo que é isso. você busca maneiras de se enganar, de desenhar enquanto está distraído. o melhor desenho, aquele que você busca, está logo ali, dobrando a esquina. se pelo menos você não prestasse tanta atenção. talvez leminski tivesse razão: distraídos venceremos.
eu ia fazer um relato mais detalhado, mas me perdi. ou perdi a paciência. tá bom assim?
ah, sim, tem um desenhinho do projeto ali no flickr.
sábado, janeiro 27, 2007
embora o truque seja risível hoje em dia (basicamente filmar visto de baixo) , terra de gigantes me perturbava quando eu era criança. assim como supermouse, que em um momento era do tamanho de um rato, no próximo, maior do que os gatos. em geral, nós não paramos para pensar o quanto de nossa percepção envolve proporção.
o trabalho desse escultor tem o mesmo efeito. freaky. e sensacional.
o trabalho desse escultor tem o mesmo efeito. freaky. e sensacional.
sexta-feira, janeiro 19, 2007
o ano novo começou com delícia e terror: be careful what you wish, não é o que se diz?
minha vida nova de desenhista em tempo integral. por dois dias da semana sou diretor de arte da desiderata,nos outros, desenho. de saída, um álbum para fazer. com muitos cenários e personagens. cinquenta coisas novas que preciso aprender a desenhar. e aquele pânico discreto. fear of performance. duas semanas já. mas ontem, enfim, senti os poderes de greyskull retornando. o mojo. a manha. como você quiser chamar. sei que, ao final de um diaem que desenvolvi uma bolha no dedo que segura o lápis, alguma coisa no papel não me envergonhava. um modesto começo. faltam só 555 degraus.
minha vida nova de desenhista em tempo integral. por dois dias da semana sou diretor de arte da desiderata,nos outros, desenho. de saída, um álbum para fazer. com muitos cenários e personagens. cinquenta coisas novas que preciso aprender a desenhar. e aquele pânico discreto. fear of performance. duas semanas já. mas ontem, enfim, senti os poderes de greyskull retornando. o mojo. a manha. como você quiser chamar. sei que, ao final de um diaem que desenvolvi uma bolha no dedo que segura o lápis, alguma coisa no papel não me envergonhava. um modesto começo. faltam só 555 degraus.
quarta-feira, janeiro 03, 2007
o que não aconteceu nessa viagem? tive que arrancar um dente, meu avô morreu, meu salário atrasou (e passei o ano novo quebrado), tive festas depressivas e tardes vazias maravilhosas. imaginava visitar duzentos amigos, revi dois ou três. basicamente nada conteceu como imaginava. é assim mesmo, não é? agora quase voltando e querendo muito. voltar. sei lá qual é meu lugar, mas agora é com meu trabalho, onde minha mesa de desenho está. amigos que não vi: não sei explicar. me vi quase agorafóbico. fiquei trancado na casa de quem me hospedou e praticamente não andei pelas ruas. não fui nem ao aquarius. estranho.
como se diz, you can´t go home again. really.
como se diz, you can´t go home again. really.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
segunda-feira, dezembro 11, 2006
quarta-feira, dezembro 06, 2006
sábado, dezembro 02, 2006
uma garota que não se importava que sua saia levantasse com o vento. e pernas de camponesa, quase violentas. vi daqui, digitando essas inutilidades. porque são, não? oscar niemeyer, do alto dos seus 90 e tantos anos, foi entrevistado recentemente pela milionésima vez e llhe perguntaram: Mestre, qual é a coisa mais importante do mundo? e ele respondeu, na lata: a mulher, sem dúvida nenhuma.
sexta-feira, dezembro 01, 2006
where´s my mind? perguntavam os pixies.
sinto que a minha está retornando, aos poucos. ainda desconfiada de que vai de fato poder ir para qualquer direção, depois de um ano tão produtivo, mas tão em linha reta. o primeiro bom sinal é talvez que cansei de ler bobagem. quando estava trabalhando insanamente, era só o q ue conseguia ler. e dê-lhe james bond, nero wolfe, romances policiais, de terror... nesses primeiros dias de férias li the supremacy bourne e me dei conta de que estava cansado de que me distraíssem de mim mesmo. sabe quando, 600 páginas depois, você se dá conta de que nenhuma idéia nova cruzou seu cérebro? scary.
a primeira leitura significativa de volta está sendo everything is illuminated, de jonathan safran foer, que é tudo que o hype prometia e mais. ao contrário dos pocket books habituais, onde 100 páginas não faziam diferença, cada parágrafo me encanta, me faz rir insanamente e na linha seguinte volta, como uma serpente, com coisas novas que não estavam antes em meu cérebro. como todo grande livro, não é exatamente um livro. é uma caixa de maravilhas, uma loja do oriente com cimitarras, caixas de música, esqueletos dançantes e cobras ensinadas. Jonathan safran foer é demoniacamente talentoso.
ah sim, e voltei a desenhar. em uma noite fiz uma meia dúzia de aguadas que me lembraram que estou vivo. o tempo está determinado que eu não tenha chance de ir à praia, mas também há de acontecer em breve. e mais postais virão. por enquanto, c´est tout.
sinto que a minha está retornando, aos poucos. ainda desconfiada de que vai de fato poder ir para qualquer direção, depois de um ano tão produtivo, mas tão em linha reta. o primeiro bom sinal é talvez que cansei de ler bobagem. quando estava trabalhando insanamente, era só o q ue conseguia ler. e dê-lhe james bond, nero wolfe, romances policiais, de terror... nesses primeiros dias de férias li the supremacy bourne e me dei conta de que estava cansado de que me distraíssem de mim mesmo. sabe quando, 600 páginas depois, você se dá conta de que nenhuma idéia nova cruzou seu cérebro? scary.
a primeira leitura significativa de volta está sendo everything is illuminated, de jonathan safran foer, que é tudo que o hype prometia e mais. ao contrário dos pocket books habituais, onde 100 páginas não faziam diferença, cada parágrafo me encanta, me faz rir insanamente e na linha seguinte volta, como uma serpente, com coisas novas que não estavam antes em meu cérebro. como todo grande livro, não é exatamente um livro. é uma caixa de maravilhas, uma loja do oriente com cimitarras, caixas de música, esqueletos dançantes e cobras ensinadas. Jonathan safran foer é demoniacamente talentoso.
ah sim, e voltei a desenhar. em uma noite fiz uma meia dúzia de aguadas que me lembraram que estou vivo. o tempo está determinado que eu não tenha chance de ir à praia, mas também há de acontecer em breve. e mais postais virão. por enquanto, c´est tout.
sexta-feira, novembro 24, 2006
quinta-feira, novembro 23, 2006
6 coisas que quero fazer no sul nesse final de ano:
comer uma empada folhada gordurosa daquelas do aquários.aqui só tem do tipo massa podre.
comer nojeiras sem fim nas parrilladas. aqui não tem.
tomar cerveja patrícia. aqui não tem.
ver gabi cantar. aqui não tem.
visitar os amigos. aqui tem, mas são poucos.
ver mulher bonita. aqui, se tem, estão muito bem escondidas.
comer uma empada folhada gordurosa daquelas do aquários.aqui só tem do tipo massa podre.
comer nojeiras sem fim nas parrilladas. aqui não tem.
tomar cerveja patrícia. aqui não tem.
ver gabi cantar. aqui não tem.
visitar os amigos. aqui tem, mas são poucos.
ver mulher bonita. aqui, se tem, estão muito bem escondidas.
então. acabando o furacão. parecia que nunca. fizemos uns 15 livros esse ano e a maior parte concentrada nesses últimos 3 meses. onde 12, 14 horas por dia, finais de semana, feriados... ainda que (quase sempre) feliz. grandes trabalhos. e agora, felizmente, gloriosamente, vêm as férias. nunca pareceram tão merecidas. ao sul, si? rever os amigos, queridos, oh saudade de todos. e na volta, trabalharei mais por mim. ano que vem começam de fato meus livros, minha vida de desenhista. 2006 foi muito bom. e 2007 vai ser melhor. se houvesse um deus, eu estaria agradecendo a ele. como não há, ao menos para mim, agradeço ao caos: como dizia benedetti - gracias por el fuego.
terça-feira, novembro 07, 2006
que chocante - minutos inteiros de inatividade. você olha ao redor, espantado: algo deve estar errado. como é que não há nada para se fazer ( ou duas ou três coisas) exatamente nesse minuto? uau. parece que nossa avalanche livresca chegou a um fim. ou a uma pausa, melhor. um respiro. produzimos um monte de livros para o natal. é hora de vê-los sair da gráfica, beijar os parentes (e por supuesto presenteá-los com nossas criações) e começar tudo de novo. vamos criar livros para março abril maio. minha alegria? os próximos vão ser desenhados. sim. os próximos vão ser realmente culpa minha. detalhes virão. agora é apontar o lápis.
segunda-feira, outubro 02, 2006
morte aos hippies. I mean, really. sábado estava na cinelândia saindo do cinema, vi o cartaz: badi assad. teatro rival. a uma quadra de onde estava, em meia hora. perfeito, uh? badi é a irmã- world- music dos irmãos assad, também boa violonista, também com uma carreira internacional, mas, you know, com um pezinho no hippie, um certo tom maionese que infectava os discos. mas pensei, inocentemente: hey, ao vivo, ela deve tocar muito, não? ok.
o show se chamava wonderland e começa com fumaça e uma voz em off que parece de algum ator de teatro infantil que fumou um baseado. algo tipo "benvindo a wonderlaaaand, um lugar onde tuuuudo é estraaaanho..." imagine, isso lido com essas entonações revoltantes que o mau teatro tem. depois ela veio e não melhorou muito. descalça (tudo bem, betânia também), dançava com o violão (hmmm).. e explicava cada música com a mesma voz de atriz de teatro infantil. dio. digamos que vi uns 30% do show e fui embora, amaldiçoando woodstock.
o show se chamava wonderland e começa com fumaça e uma voz em off que parece de algum ator de teatro infantil que fumou um baseado. algo tipo "benvindo a wonderlaaaand, um lugar onde tuuuudo é estraaaanho..." imagine, isso lido com essas entonações revoltantes que o mau teatro tem. depois ela veio e não melhorou muito. descalça (tudo bem, betânia também), dançava com o violão (hmmm).. e explicava cada música com a mesma voz de atriz de teatro infantil. dio. digamos que vi uns 30% do show e fui embora, amaldiçoando woodstock.
quinta-feira, setembro 28, 2006
eu sempre achei que nesse mundo em que vivemos, tempo é a última luxúria. se você está ganhando uma fortuna e não tem tempo pra gastá-la, é uma forma estranha de sucesso que você escolheu, buddie.
eu definitivamente não estou ganhando uma fortuna, mas quando você está trabalhando 14 horas por dia, realmente tempo livre tem o sabor que um feriado nas bahamas teria para os simple-minded.
uma manhã, não mais. mas o tempo não é elástico, não é relativo? Três ou quatro horas tomando sol, lendo, ouvindo massive attack nos fones me fazem sentir humano de novo. ou: benvindo ao planeta dos macacos.
e o que estou lendo tem me mantido são no resto do tempo. o nome dele é bond, james bond. comprei um volume preto de capa dura que parece a bíblia, mas que contém cinco aventuras do espião que ainda é o homem mais cool do universo. (casino royale, live and let die, diamonds are forever, from russia with love and goldfinger) sensacional. totalmente satisfatório. seu entretenimento perfeito, lean, mean, sexy and very, very cool. shaken, not stirred.
eu definitivamente não estou ganhando uma fortuna, mas quando você está trabalhando 14 horas por dia, realmente tempo livre tem o sabor que um feriado nas bahamas teria para os simple-minded.
uma manhã, não mais. mas o tempo não é elástico, não é relativo? Três ou quatro horas tomando sol, lendo, ouvindo massive attack nos fones me fazem sentir humano de novo. ou: benvindo ao planeta dos macacos.
e o que estou lendo tem me mantido são no resto do tempo. o nome dele é bond, james bond. comprei um volume preto de capa dura que parece a bíblia, mas que contém cinco aventuras do espião que ainda é o homem mais cool do universo. (casino royale, live and let die, diamonds are forever, from russia with love and goldfinger) sensacional. totalmente satisfatório. seu entretenimento perfeito, lean, mean, sexy and very, very cool. shaken, not stirred.
terça-feira, setembro 26, 2006
cartas de um país distante (ou: lugar chamado trabalho)
trabalhadores do mundo, uni-vos. e mandem fotos do resultado. vídeos, se a coisa for realmente boa.
eu aqui, trabalhador, semanas de 30 dias cada, me fazendo oco de tanto pagemakear, uma avalanche de livros. uma vaga lembrança de que desenhava, escrevia coisas, era uma espécie de ser humano. pretendo voltar a ser. às vezes vejo um gato na rua ou em uma dessas janelas donde se quedan tan soberbos ou vejo uma cena qualquer desses filminhos que a rua nos oferece non-stop, big brother full-time e lembro que existem histórias a ser contadas. enquanto meu nanquim chinês seca em silêncio, muito estoicamente, dentro do vidro.
trabalhadores do mundo, uni-vos. e mandem fotos do resultado. vídeos, se a coisa for realmente boa.
eu aqui, trabalhador, semanas de 30 dias cada, me fazendo oco de tanto pagemakear, uma avalanche de livros. uma vaga lembrança de que desenhava, escrevia coisas, era uma espécie de ser humano. pretendo voltar a ser. às vezes vejo um gato na rua ou em uma dessas janelas donde se quedan tan soberbos ou vejo uma cena qualquer desses filminhos que a rua nos oferece non-stop, big brother full-time e lembro que existem histórias a ser contadas. enquanto meu nanquim chinês seca em silêncio, muito estoicamente, dentro do vidro.
terça-feira, setembro 19, 2006
o que poderia ser pior do que o mundo de caras? um mundo caras-cult. grande evento em homenagem a millôr, livraria argumento no leblon, um lugar onde todo mundo ou tem dinheiro ou é "alguém" ou é lindo ou todas as alternativas acima. sábio é o tio millôr de não ir. cenas cômicas: isadora ribeiro posando com um livro dele na mão. seria melhor se ela fingisse ler com o livro de cabeça para baixo, mas assessores de imprensa estão aí pra isso. de resto, um clima nervoso, fútil, irritante. uno tem ganas, really, de empacotar as coisas e voltar correndo para algum buraco no sul.
sexta-feira, setembro 08, 2006
parou de chover, voltou o sol, acabei mais dois livros que foram devidamente para a gráfica e amanhã chega minha bella distante. é motivo suficiente para se estar feliz? suponho que sim.
e ontem encontrei o espírito de santa teresa. como os tempos andam bicudos, ele dirigia um táxi. e me contou tudo. de como cresceu em santa (quando o perfil ainda era de malandros, em vez de, ugh, alternativos), de como fumou maconha com rita lee ("pô, o baseado dela era muito bom") e me deu dicas muito detalhadas de como se comportar durante um achaque da polícia. suas últimas palavras quando eu descia do carro: "Não dá mole pra Kojak".
e ontem encontrei o espírito de santa teresa. como os tempos andam bicudos, ele dirigia um táxi. e me contou tudo. de como cresceu em santa (quando o perfil ainda era de malandros, em vez de, ugh, alternativos), de como fumou maconha com rita lee ("pô, o baseado dela era muito bom") e me deu dicas muito detalhadas de como se comportar durante um achaque da polícia. suas últimas palavras quando eu descia do carro: "Não dá mole pra Kojak".
quinta-feira, agosto 31, 2006
eu sei, eu sei. deserto. mas como diz aquele livrinho do calvin, os dias estão simplesmente lotados. uma guloseima rápida, então:
lendo um livro muito lindo chamado The Perfect Stranger, de P. Kavanagh. Um parágrafo ficou na minha cabeça, a ponto de eu fazer uma tradução livre de memória aqui, mais uma transcriação:
" As meninas da turma avançada montaram um balé e eu assistia transfigurado seus pés flutuando sobre o palco. Me aproximava para ver melhor. Eu tinha oito anos e vivia num estado constante de paixão. Eu tinha loucura por uma amazona com um busto que quase estourava sua blusa. Como um adulto, me convenci que a odiava e lhe joguei uma maçã com toda a força. A acertei no olho. Esfregando um e me olhando com o outro, ela me convidou para um chá. Fiquei deliciado. Era tudo que eu queria. Parecia que, não importasse o quanto se fosse desajeitado, o amado nos compreendia."
lendo um livro muito lindo chamado The Perfect Stranger, de P. Kavanagh. Um parágrafo ficou na minha cabeça, a ponto de eu fazer uma tradução livre de memória aqui, mais uma transcriação:
" As meninas da turma avançada montaram um balé e eu assistia transfigurado seus pés flutuando sobre o palco. Me aproximava para ver melhor. Eu tinha oito anos e vivia num estado constante de paixão. Eu tinha loucura por uma amazona com um busto que quase estourava sua blusa. Como um adulto, me convenci que a odiava e lhe joguei uma maçã com toda a força. A acertei no olho. Esfregando um e me olhando com o outro, ela me convidou para um chá. Fiquei deliciado. Era tudo que eu queria. Parecia que, não importasse o quanto se fosse desajeitado, o amado nos compreendia."
quinta-feira, agosto 24, 2006
não sou charly garcia para ficar demoliendo hoteles, mas posso destruir livros.
e por falar em argentinos, erico me lembrou da existência de outro argentino genial. liniers é tudo: engraçado, tocante, grande desenhista... me fez lembrar que estou com saudade de mim. de fazer coisas que tenham saído exclusivamente de minha cabeça, quero dizer. porque estou num momento meio tradutor inter-linguagens. (grimm, cortazar, outros escritores que vem, mais o roteiro de meu amigo que vai virar uma história policial em copacabana...) adaptações são trabalhosas e maravilhosas, mas saudade da maravilhosa irresponsabilidade de ir para a página em branco com nada em mente. preciso inventar um projeto paralelo, um canto surrealista para acumular meus elefantes cor-de-rosa. meu disco solo.
e por falar em argentinos, erico me lembrou da existência de outro argentino genial. liniers é tudo: engraçado, tocante, grande desenhista... me fez lembrar que estou com saudade de mim. de fazer coisas que tenham saído exclusivamente de minha cabeça, quero dizer. porque estou num momento meio tradutor inter-linguagens. (grimm, cortazar, outros escritores que vem, mais o roteiro de meu amigo que vai virar uma história policial em copacabana...) adaptações são trabalhosas e maravilhosas, mas saudade da maravilhosa irresponsabilidade de ir para a página em branco com nada em mente. preciso inventar um projeto paralelo, um canto surrealista para acumular meus elefantes cor-de-rosa. meu disco solo.
terça-feira, agosto 22, 2006
sexta-feira, agosto 18, 2006
se concentra nos ombros, passeia ao redor, parece com o macaco que desenhei um dia cavalgando suas vítimas: se chama tensão.
mas como? ontem não tinha sorte?
sim, hoje tenho azar. não é o outro lado da mesma moeda? que gira e gira sem parar?
é tudo parte da mesma coisa, os ventos da mudança, que chegam como o lobo soprando a casa dos porquinhos. muda o que vou fazer, como vou fazer, o quanto, o onde, o com quem quero estar, aonde vou morar, tudo.
não estou aqui me pondo críptico, mas também não são esses os diários de minha vida em detalhes. são comunicados, fragmentados, interceptados por essa rádio pirata que vocês ouvem. a questão é abraçar a mudança.
mas fumo demais, não durmo bem, bebo um tanto, não consigo desenhar e se sente a gravidade agindo como nunca. viver, um negócio complicado.
mas como? ontem não tinha sorte?
sim, hoje tenho azar. não é o outro lado da mesma moeda? que gira e gira sem parar?
é tudo parte da mesma coisa, os ventos da mudança, que chegam como o lobo soprando a casa dos porquinhos. muda o que vou fazer, como vou fazer, o quanto, o onde, o com quem quero estar, aonde vou morar, tudo.
não estou aqui me pondo críptico, mas também não são esses os diários de minha vida em detalhes. são comunicados, fragmentados, interceptados por essa rádio pirata que vocês ouvem. a questão é abraçar a mudança.
mas fumo demais, não durmo bem, bebo um tanto, não consigo desenhar e se sente a gravidade agindo como nunca. viver, um negócio complicado.
terça-feira, agosto 15, 2006
quando um professor do rio levou um grupo de respeitosos jovens para visitar millôr em seu estúdio, pediu ao mestre um conselho, uma palavra de sabedoria para essas almas esperançosas. ele me contou que quase arrancou os cabelos que não tinha mais, mas lembrou a tempo que tinha um conselho importante para dar a eles:
- tenham sorte.
eu não acredito em nada, por supuesto deus nenhum podia se importar comigo e desprezar milhões morrendo na áfrica ou no oriente médio, e os detalhes do que acontece agora não importam muito, então digamos só que estou tendo uma quantidade ridícula de sorte.
- tenham sorte.
eu não acredito em nada, por supuesto deus nenhum podia se importar comigo e desprezar milhões morrendo na áfrica ou no oriente médio, e os detalhes do que acontece agora não importam muito, então digamos só que estou tendo uma quantidade ridícula de sorte.
quarta-feira, agosto 09, 2006
"sem tempo para escrever" é uma frase que fica infinitamente mais linda quando alguém sabe escrever. caso de alex de campi, já citada aqui, mas nunca elogiada o suficiente. faço minhas as palavras dela. e recomendo.
I have wanted to write to you of so many things, gentle stranger. Of dog dreams. Of misty mornings and the queerly perfect solitude of Wigmore Street at dawn. Of moments caught, of time sculpted onto digital tape. But instead I leave you only with half-formed thoughts about clouds and an already out-of-date image. I'm too busy for much else. I still have the daydreams, but there's not the time to write them down. More, anon.
I have wanted to write to you of so many things, gentle stranger. Of dog dreams. Of misty mornings and the queerly perfect solitude of Wigmore Street at dawn. Of moments caught, of time sculpted onto digital tape. But instead I leave you only with half-formed thoughts about clouds and an already out-of-date image. I'm too busy for much else. I still have the daydreams, but there's not the time to write them down. More, anon.
Piada do dia: fui ver um filme japonês violento e comento com um amigo.
Meu amigo: - Mas a violência é gratuita?
Eu - Não, a entrada custa 16 reais.
Pano rápido.
Chama-se Consumido Pelo Ódio e boy, pôe consumido e pôe ódio nisso. É Takeshi Kitano, meu ator cult japonês, o que me faz ir sem nem ler a resenha. Kitano, ou Beat Takeshi, como o conhecem no Japão é ator, diretor, roteirista, pintor, humorista, tem um programa na tv japonesa... o homem é renascentista. Seus filmes tem uma mistura de violência seca e não coreografada com um humor inesperado e um lirismo sobre tudo. Sonatine, Hana-bi, Brother, Zatoichi... todos grandes filmes. Nesse ele está só como ator e ele é mau. Maaaaaau. Uma força da natureza, como diz a resenha que li depois. Um pai abusivo. Aliás pai, esposo, vizinho, chefe... abusivo com qualquer ser humano que cruze seu caminho. Duro assimilar esse papel com um ator pelo qual você tem grande carinho. Kitano teve um derrame há muitos anos atrás, então ele é literalmente um ator de um rosto só. Nada se move naquela máscara kabuki. Mas o corpo.. ele anda como um urso nesse filme. Violento, imprevisível, seco, quase completamente sem sentimentos.
Enfim. Vou tentar esquecer que vi. E não recomendo. Particularmente se você quer manter a imagem que já tem do Yakuza com um senso de humor.
(Claro, se eu fosse uma pessoa séria, escreveria uma pequena tese sobre como a violência gratuita e gráfica é entretenimento e a violência contextualizada não e blah blah blah. A sorte de vocês é que não sou sério.)
Meu amigo: - Mas a violência é gratuita?
Eu - Não, a entrada custa 16 reais.
Pano rápido.
Chama-se Consumido Pelo Ódio e boy, pôe consumido e pôe ódio nisso. É Takeshi Kitano, meu ator cult japonês, o que me faz ir sem nem ler a resenha. Kitano, ou Beat Takeshi, como o conhecem no Japão é ator, diretor, roteirista, pintor, humorista, tem um programa na tv japonesa... o homem é renascentista. Seus filmes tem uma mistura de violência seca e não coreografada com um humor inesperado e um lirismo sobre tudo. Sonatine, Hana-bi, Brother, Zatoichi... todos grandes filmes. Nesse ele está só como ator e ele é mau. Maaaaaau. Uma força da natureza, como diz a resenha que li depois. Um pai abusivo. Aliás pai, esposo, vizinho, chefe... abusivo com qualquer ser humano que cruze seu caminho. Duro assimilar esse papel com um ator pelo qual você tem grande carinho. Kitano teve um derrame há muitos anos atrás, então ele é literalmente um ator de um rosto só. Nada se move naquela máscara kabuki. Mas o corpo.. ele anda como um urso nesse filme. Violento, imprevisível, seco, quase completamente sem sentimentos.
Enfim. Vou tentar esquecer que vi. E não recomendo. Particularmente se você quer manter a imagem que já tem do Yakuza com um senso de humor.
(Claro, se eu fosse uma pessoa séria, escreveria uma pequena tese sobre como a violência gratuita e gráfica é entretenimento e a violência contextualizada não e blah blah blah. A sorte de vocês é que não sou sério.)
sexta-feira, agosto 04, 2006
uma coisa que voltou nesses dias frios e meu bom amigo augusto pode martelar minha cabeça indefinidamente pela obviedade, mas é - que bebida civilizatória é o vinho.
augusto, que é altamente civilizado nesse aspecto, bebe vinho o ano todo, adaptando o vinho ao clima, à comida, ao estado de espírito e, se bobear, à pressão atmosférica. mas eu, selvagem, tinha abandonado por completo desde minha chegada aqui. esses dias de frio estimularam uma volta, e lá estava ele. em um almoço, a lembrança de como ele se harmoniza com a comida, em vez de chocar-se com ela. e de como cria bem estar, ao invés do torpor (ou euforia) da cerveja. depois uma garrafa argentina me acompanhou por umas duas noites. hoje o sol retorna, mas estou pronto para voltar à cerveja? acho que não. matter of fact, I´m thinking champagne. Indeed.
UPDATE: nosso boletim especial informa que nosso herói foi afastado de planos gloriosos de champagne e conversações inteligentes com ele mesmo em prol de cerveja em uma mesa totalmente ocupada por membros da editora, em estado variados de embriaguez. discutimos em detalhes nossa dominação do mundo, quase perdemos as provas do livro de millôr, mas fora isso estamos todos bem.
augusto, que é altamente civilizado nesse aspecto, bebe vinho o ano todo, adaptando o vinho ao clima, à comida, ao estado de espírito e, se bobear, à pressão atmosférica. mas eu, selvagem, tinha abandonado por completo desde minha chegada aqui. esses dias de frio estimularam uma volta, e lá estava ele. em um almoço, a lembrança de como ele se harmoniza com a comida, em vez de chocar-se com ela. e de como cria bem estar, ao invés do torpor (ou euforia) da cerveja. depois uma garrafa argentina me acompanhou por umas duas noites. hoje o sol retorna, mas estou pronto para voltar à cerveja? acho que não. matter of fact, I´m thinking champagne. Indeed.
UPDATE: nosso boletim especial informa que nosso herói foi afastado de planos gloriosos de champagne e conversações inteligentes com ele mesmo em prol de cerveja em uma mesa totalmente ocupada por membros da editora, em estado variados de embriaguez. discutimos em detalhes nossa dominação do mundo, quase perdemos as provas do livro de millôr, mas fora isso estamos todos bem.
quarta-feira, agosto 02, 2006
é verdade que diana krall vem nos envergonhando há algum tempo, gravando discos de natal, cantando besame mucho para as massas, mas o casamento com elvis costello fez toda a diferença. obviamente ter em casa um dos maiores compositores contemporâneos, da grande escola cole porter forçou a loira a pensar um pouco. e the girl in the other room mostra que ela ainda não está embalsamada. grandes canções. vinha ouvindo departure bay no ônibus, a chuva caindo, um filme passando... aquelas coisas. elvis, you´re the king.
terça-feira, agosto 01, 2006
domingo, julho 30, 2006
que cidade é essa? que estação é essa? é realmente inverno no rio. milagre, epifania. por um dia, ou dois. o céu cinza, o dia frio, o que seria um dia ameno no inverno do sul.
não sou exatamente o caminhante, mas com um tema, com o inverno como cenário e meu ipod de pobre, percorro as ruas. há um prazer cão em pôr as mãos no bolso e andar fazendo uma cara discretamente infeliz.
não sou exatamente o caminhante, mas com um tema, com o inverno como cenário e meu ipod de pobre, percorro as ruas. há um prazer cão em pôr as mãos no bolso e andar fazendo uma cara discretamente infeliz.
sábado, julho 29, 2006
writing to j.:
o dia se pôe quase buenosaireano aqui. uno lembra de novo que piazzolla existe. embora esteja ouvindo pet shop boys, santa contradição, batman. so much confusion when autumn comes around / what to do about october / how to smile behind the frown? / its hard to settle down. should I revise or rewrite my october simphony / change the dedication from revolution to revelation?
o dia se pôe quase buenosaireano aqui. uno lembra de novo que piazzolla existe. embora esteja ouvindo pet shop boys, santa contradição, batman. so much confusion when autumn comes around / what to do about october / how to smile behind the frown? / its hard to settle down. should I revise or rewrite my october simphony / change the dedication from revolution to revelation?
sexta-feira, julho 28, 2006
quarta-feira, julho 26, 2006
vivo com uma panamenha, desde ontem. mas ela diz que vive com outro. de fato, na primeira linha, ela diz: "soy panamenha y hace rato que vivo com Bix." bueno, um triângulo, então.
ela vive no conto de cortazar, o segundo do livro, e ontem comecei o processo de dar um rosto a ela. Bix já tem um, as fotos mostram e era bem feinho, coitado. mas tocava. ah, sim. ele vive nos anos 20, então, google I love you.
assim que panamenha. mas fazê-la demasiado étnica ia ser estranho. queria só que ela fosse, digamos, vagamente latina. o cabelo preto, aquele nariz importado da espanha que se vê muito nas mulheres de porto alegre... lembrei de alguém de quem tenho visto muitas fotos. assim, renatita, se você prometer não mover nenhum processo, nem mandar índios da floresta me amaldiçoar ou espada quebrada usar seu kung fu contra mim, ela vai se parecer um pouco com você.
ela vive no conto de cortazar, o segundo do livro, e ontem comecei o processo de dar um rosto a ela. Bix já tem um, as fotos mostram e era bem feinho, coitado. mas tocava. ah, sim. ele vive nos anos 20, então, google I love you.
assim que panamenha. mas fazê-la demasiado étnica ia ser estranho. queria só que ela fosse, digamos, vagamente latina. o cabelo preto, aquele nariz importado da espanha que se vê muito nas mulheres de porto alegre... lembrei de alguém de quem tenho visto muitas fotos. assim, renatita, se você prometer não mover nenhum processo, nem mandar índios da floresta me amaldiçoar ou espada quebrada usar seu kung fu contra mim, ela vai se parecer um pouco com você.
segunda-feira, julho 24, 2006
um dos círculos do inferno tem que ser reservado pra gente sem imaginação ou senso de humor. que combinação devastadora, oh deus. eles vão ficar lá, dizendo: mas você não era um anjo? cadê sua asas? esse fogo não devia estar um pouquinho mais pra esquerda? esse tridente não está um pouco torto?
periga o demônio perder a paciência com eles e mandá-los de volta para a terra. já sei! é por isso que eles estão aí por toda parte: nem o demônio aguenta. mesmo para apreciar a danação eterna você precisa de um pouco de imaginação.
(sim, o motivo disso e a categoria para arquivar é problemas-no-trabalho.)
periga o demônio perder a paciência com eles e mandá-los de volta para a terra. já sei! é por isso que eles estão aí por toda parte: nem o demônio aguenta. mesmo para apreciar a danação eterna você precisa de um pouco de imaginação.
(sim, o motivo disso e a categoria para arquivar é problemas-no-trabalho.)
nada de novo no front? ah, que expressão odiosa. milhões de coisas acontecem sempre, todo o tempo, por supuesto. células morrem! sinapses! seu fígado e cérebro envelhecem mais um dia! o drama da existência! mas no meu front, se você estivesse observando, não pareceria muito. um final de semana em relativa calma e sem que um mínimo pedaço de papel fosse sacrificado com meus rabiscos. livros policiais, que nada pode ser tão entertaining, uma ida ao cinema para ver o trepidante e terrivelmente divertido piratas do caribe e muito tempo olhando para as paredes e para o cenário do rio. entenda-se como higiene mental. hoje volto para a escravidão escolhida, bola de ferro lustrada e tudo me esperando ao lado da mesa de desenho.
sexta-feira, julho 21, 2006
quinta-feira, julho 20, 2006
o que teria acontecido se eu tivesse realmente começado a chorar e rasgar livros na livraria? adianta alguma coisa se perguntar sobre os grandes gestos não-realizados? em vez disso, segui vagando, bebendo mais, levando o desespero para passear. uma coisa eu posso dizer: ele é um companheiro fiel. depois que ele chega, custa a lhe deixar.
nesse momento, oh admirável mundo novo, oh cena japonesa de nosso futuro agora, um corredor iluminado de pessoas se comunicando em seu cubículos, pessoas sérias ou rindo ou emocionadas, olhando para um monitor, a luz azulada sobre elas. bêbado no cybercafé. bukowski desaprovaria, but so what? oh solidão iluminada das grandes cidades. dinheiro no bolso, você pode pegar um táxi, ir para quaquer lugar, lembrei de um outro tempo em outra cidade, em uma situação parecida, eu gastava obscenamente em restaurantes e quase parava estranhas na rua, perguntando se elas não queriam ir ao japonês comigo. oh beauty, oh modern life, oh alegrias contemporâneas.
tudo isso porque acabei uma história, me dei um dia de folga e descobri que não sabia o que fazer comigo. o tio ensina, amiguinhos: só o trabalho salva.
nesse momento, oh admirável mundo novo, oh cena japonesa de nosso futuro agora, um corredor iluminado de pessoas se comunicando em seu cubículos, pessoas sérias ou rindo ou emocionadas, olhando para um monitor, a luz azulada sobre elas. bêbado no cybercafé. bukowski desaprovaria, but so what? oh solidão iluminada das grandes cidades. dinheiro no bolso, você pode pegar um táxi, ir para quaquer lugar, lembrei de um outro tempo em outra cidade, em uma situação parecida, eu gastava obscenamente em restaurantes e quase parava estranhas na rua, perguntando se elas não queriam ir ao japonês comigo. oh beauty, oh modern life, oh alegrias contemporâneas.
tudo isso porque acabei uma história, me dei um dia de folga e descobri que não sabia o que fazer comigo. o tio ensina, amiguinhos: só o trabalho salva.
quarta-feira, julho 19, 2006
eu não vou ao FLIP, mas cortazar vai. essa historinha psicografada vai sair em uma revista que vai circular por lá e faz uma espécie de propaganda descarada de meu livrinho.
terça-feira, julho 18, 2006
Não é que eu tenha deixado de existir ou de ter idéias. o cérebro parece estar no mesmo lugar, mas durante o dia ele está a serviço da editora e durante a noite, a serviço dos quadrinhos. Não sobra muito. All work and no play makes jack a dull lay? I hope not.
mas o certo é que a obra (leia-se em maiúsculas) tem lá suas demandas.
mas o certo é que a obra (leia-se em maiúsculas) tem lá suas demandas.
quarta-feira, julho 12, 2006
estamos procurando um estagiário para a editora e estou sofrendo o óbvio: a chatice dos currículos. preciso me controlar para não cair dormindo no segundo parágrafo. tudo é escrito por algum robô limitadíssimo que recita dados em BASIC. sexo:masculino estado civil: solteiro ( e eu com isso?) . isso sem falar de ficar sabendo que fulano fez o primeiro grau na escola coelhinho sabido ou que fez um curso para ser bombeiro.
então quando o sexto ou sétimo currículo chegou (mas parecia o milésimo), ele tinha um arquivo atachado mas só uma linha no corpo do texto:
Você quer respostas para suas perguntas? Ou você sabe muito e quer compartilhar seu conhecimento?
por um décimo de segundo, fiquei excitado. meu deus, alguém com imaginação. um ser humano.
no décimo seguinte, li o resto da frase: Experimente o Yahoo! Respostas!
ok, de volta aos currículos.
então quando o sexto ou sétimo currículo chegou (mas parecia o milésimo), ele tinha um arquivo atachado mas só uma linha no corpo do texto:
Você quer respostas para suas perguntas? Ou você sabe muito e quer compartilhar seu conhecimento?
por um décimo de segundo, fiquei excitado. meu deus, alguém com imaginação. um ser humano.
no décimo seguinte, li o resto da frase: Experimente o Yahoo! Respostas!
ok, de volta aos currículos.
descobri como a musa soaria se estivesse nesse mundo: patricia barber. ela está sussurrando agora em meu ouvido: I could eat your words. no, patricia, I could eat yours.
syllogistically speaking, if a is you and b is me, logical proposition ´ll lead us to c. psychologically speaking, if the student can´t teach, the teacher can learn, lets leave the thinking to me.
Poets need a holiday, professors need adulation / You can talk and talk the night away / with no case for moderation / I drink remorse like a Cabernet, Champagne with indecision / I could eat your words
syllogistically speaking, if a is you and b is me, logical proposition ´ll lead us to c. psychologically speaking, if the student can´t teach, the teacher can learn, lets leave the thinking to me.
Poets need a holiday, professors need adulation / You can talk and talk the night away / with no case for moderation / I drink remorse like a Cabernet, Champagne with indecision / I could eat your words
não tenho nem mais meu gato, pobre klimt que ficou no sul, para testemunhar minhas aflições, mas foram dois dias de aflição intensa e de uma quantidade obscena de papel gasta até que, no terceiro dia, duggu van resolvesse se manifestar. mas ele está entre nós.
ele é o personagem do primeiro conto de cortazar. que agora vai.
ele é o personagem do primeiro conto de cortazar. que agora vai.
domingo, julho 09, 2006
do décimo quarto andar os carros são como playmobills em um autorama, mas em um momento que me debruço na janela, um carro pára e uma garota em nada parecida com um playmobill senta triunfantemente no capô do carro, uma starlet-por-um-minuto. abre os braços como agradecendo os fotógrafos que a rodeiam e se cannes fosse ali. em uma compensação possível, uma amiga desce correndo do carro e a fotografa em seu momento de glória sob o céu do rio. os carros de trás parecem ser dirigidos por homens, que não se importam assim terrivelmente de serem parados em um domingo por uma garota com um top mínimo e muito entusiasmo. ela volta ao carro, não sem dar um ciao de agradecimento aos fãs e sumir no trânsito.
um desses momentos supremamente silly e sweet ao mesmo tempo. você não pode deixar de apreciar e olhar com carinho uma humanidade que é tão vã em sua mortalidade. como borboletas que batem asas com tanta tranquilidade em um espaço de vida tão curto. e não é fato que ao inventar a máquina xeróx, um prodígio de possibilidades de democratização da comunicação, a primeira idéia que nos ocorreu foi: - hey, vamos sentar aqui e xerocar nossa bunda?
we are silly, its a fact. and its ok.
and we´re all stars now, baby, parecia que ela estava dizendo.
um desses momentos supremamente silly e sweet ao mesmo tempo. você não pode deixar de apreciar e olhar com carinho uma humanidade que é tão vã em sua mortalidade. como borboletas que batem asas com tanta tranquilidade em um espaço de vida tão curto. e não é fato que ao inventar a máquina xeróx, um prodígio de possibilidades de democratização da comunicação, a primeira idéia que nos ocorreu foi: - hey, vamos sentar aqui e xerocar nossa bunda?
we are silly, its a fact. and its ok.
and we´re all stars now, baby, parecia que ela estava dizendo.
sábado, julho 08, 2006
ouvi a voz de julio hoje. uma espécie de sociedade patafísica cortazariana informal se reuniu. futuros conspiradores, companheiros de projeto. um tradutor e uma biógrafa de tio julio. que se manifestou em objetos que eram passados com volúpia - um CD onde lê coisas, a voz de barítono, o gigante gentil. fotos. uma edição negra de rayuela. entre lulas, pimentas, cogumelos e cerveja evocamos o mestre. evoé.
e temos fotos para provar.
e temos fotos para provar.
sexta-feira, julho 07, 2006
pára tudo. não vou mais desenhar mulher pelada. pelo menos por agora. em vez disso vou desenhar mortos ilustres. e estou feliz com a troca. por quê? porque enfim vai sair meu projeto do livro dos escritores. o primeiro de uma série. quadrinhos sobre escritores e quadrinizações de obras. o primeiro é o cortazar e não podia haver um melhor. as mulheres peladas vão sair um pouquinho depois, mais para o fim do ano. com esse são 3 livros em que meu nome vai estar presente esse ano. se melhorar estraga.
claro, diz o insatisfeito, podia haver também o amor, esse fantasma elusivo. mas aí também como diz minha editora, depois de publicar o primeiro livro, eu vou ficar instantâneamente mais bonito. :)
só vendo pra crer.
mas 2006 está sendo um grande ano.
claro, diz o insatisfeito, podia haver também o amor, esse fantasma elusivo. mas aí também como diz minha editora, depois de publicar o primeiro livro, eu vou ficar instantâneamente mais bonito. :)
só vendo pra crer.
mas 2006 está sendo um grande ano.
terça-feira, julho 04, 2006
coisas assim, confesso, me dão um aperto de saudade do sul. só falta o vitor cantando deixei a velhaaaa querênciaaaaa. aí eu me rasgo. :)
segunda-feira, julho 03, 2006
respirando entre dois projetos. entre dos aguas, como disse paco(que rico título). a respiração é longa (em intenção, mas breve em tempo), porque o próximo é longo. esse que acabei agora foi, digamos, 400 metros com obstáculos. o próximo é uma maratona.
a fábula foi difícil pelos elementos que envolveu, a pesquisa que tive que fazer, as coisas que tive que aprender a desenhar (ou enganar). mas eram 8 páginas. um curta-metragem. o próximo pode chegar a 200, certamente meu primeiro longa. com toda a ansiedade que isso traz. mas vai ser menos... travado. não preciso parar e pensar - era assim que um conde da era medieval se vestiria?
não, esse se passa nesse mundo, nesse tempo e estou vivendo na cidade onde ele se passa. já é alguma coisa.
se trata de enxergar e visualizar (conjurar) os personagens, dominar o cenário e enfim, movê-los ali. ou melhor dizendo, soltá-los e ver o que eles fazem. com um roteiro escrito por outra pessoa, eles não estão livres para fazerem tudo que querem, mas eles sempre nos surpreendem fazendo algo que não esperávamos. nesse sentido é muito como cinema. as coisas não saem exatamente como você espera, os atores tem idéias próprias, chove quando devia fazer sol e isso é bom. é o que mantém o interesse.
sábado fui a "locação": copacabana. que é, mais do que o cenário, praticamente um personagem dessa história. o autor do roteiro mora em copa e a idéia era fotografar referências visuais e ver coisas. os dois alienados se esqueceram do jogo, se é possível acreditar nisso. acabamos não saindo, adiando as fotos e conversamos por horas, enquanto o brasil perdia, longe dali. estranho, insensível talvez. mas juro que não foi culpa minha. :)
a fábula foi difícil pelos elementos que envolveu, a pesquisa que tive que fazer, as coisas que tive que aprender a desenhar (ou enganar). mas eram 8 páginas. um curta-metragem. o próximo pode chegar a 200, certamente meu primeiro longa. com toda a ansiedade que isso traz. mas vai ser menos... travado. não preciso parar e pensar - era assim que um conde da era medieval se vestiria?
não, esse se passa nesse mundo, nesse tempo e estou vivendo na cidade onde ele se passa. já é alguma coisa.
se trata de enxergar e visualizar (conjurar) os personagens, dominar o cenário e enfim, movê-los ali. ou melhor dizendo, soltá-los e ver o que eles fazem. com um roteiro escrito por outra pessoa, eles não estão livres para fazerem tudo que querem, mas eles sempre nos surpreendem fazendo algo que não esperávamos. nesse sentido é muito como cinema. as coisas não saem exatamente como você espera, os atores tem idéias próprias, chove quando devia fazer sol e isso é bom. é o que mantém o interesse.
sábado fui a "locação": copacabana. que é, mais do que o cenário, praticamente um personagem dessa história. o autor do roteiro mora em copa e a idéia era fotografar referências visuais e ver coisas. os dois alienados se esqueceram do jogo, se é possível acreditar nisso. acabamos não saindo, adiando as fotos e conversamos por horas, enquanto o brasil perdia, longe dali. estranho, insensível talvez. mas juro que não foi culpa minha. :)
sexta-feira, junho 30, 2006
como quase todo mundo, eu acho que a poesia morreu e teve um enterro muito lindo em que ninguém foi, mas angie é pop. ela dá a volta, ela não passa nem perto do cemitério, embora fale com os poetas mortos. ela é ana cristina césar com um controle remoto na mão, com a mesma finesse mas mais humor. i´m a fan.
meu bem, vou comprar a varig é tudo que sempre quis meu bem, vou comprar a varig e salvar este país
meu bem, vou comprar a varig é tudo que sempre quis meu bem, vou comprar a varig e salvar este país
have you forgotten the face of your father?
numa certa saga medieval que estou lendo, essa é a maior ofensa que se pode dizer. o atingido baixaria a cabeça compungido e diria sim, eu esqueci o rosto de meu pai. ou puxaria a espada. significa que se esqueceu a honra, a dignidade, os bons exemplos, em última instância se esqueceu quem se é. muito lindo isso.
o desespero, um dos sete perpétuos, é um visitante inesperado, como se sabe. ontem ele veio e sentou ao meu lado enquanto eu jantava sozinho. e as coisas andaram como andam quando ele vem, a nuvem negra sobre tudo, as coisas terríveis que ele diz. hoje o sol veio, literal e metaforicamente e acordei lembrando do rosto do meu pai, sabendo exatamente quem sou. e há um conforto em saber que não há outra coisa que você possa ser.
numa certa saga medieval que estou lendo, essa é a maior ofensa que se pode dizer. o atingido baixaria a cabeça compungido e diria sim, eu esqueci o rosto de meu pai. ou puxaria a espada. significa que se esqueceu a honra, a dignidade, os bons exemplos, em última instância se esqueceu quem se é. muito lindo isso.
o desespero, um dos sete perpétuos, é um visitante inesperado, como se sabe. ontem ele veio e sentou ao meu lado enquanto eu jantava sozinho. e as coisas andaram como andam quando ele vem, a nuvem negra sobre tudo, as coisas terríveis que ele diz. hoje o sol veio, literal e metaforicamente e acordei lembrando do rosto do meu pai, sabendo exatamente quem sou. e há um conforto em saber que não há outra coisa que você possa ser.
segunda-feira, junho 26, 2006
displacement. o passarinho que passou por aqui comentava em seu próprio blog-ninho do seu estar fora de lugar. tell me about it, oh passarinho. estrangeiro. tentava ontem explicar muito toscamente ao telefone, (oh instrumento do demônio) essa delicada noção para uma dama em particular. (ocorre que quando pego o telefone toda minha articulação se vai. parece aquela sensação eterna dos sonhos: tentar andar e não conseguir. minha fala se esfacela.)
o que tentava explicar? que, por mais que tenha me mudado (e boy, me mudei muito) sou um animal territorial. profundamente territorial.
hoje meu território é pequeníssimo, como um cigano que carregasse um baú com seus pertences. não são os objetos, por supuesto, mas a carga deles, a lembrança, uma idéia de pertencer. lembrei de Dali, que andava com um medalhão com sua própria foto no peito, "para que todos soubessem que ele era Dali". meus lápis e pincéis representam a pátria, sem dúvida. estão sempre desenhando uma suposta bandeira. dentro de uma caixa, estão os poucos cds que trouxe, com os hinos desse país em movimento.meus livros se quedaram no sul, mas os que fui comprando são um espelho em miniatura de todas as bibliotecas que já montei. a medida que os nomes começam a se repetir, o colecionista sorri. estão dentro do guarda-roupa, o que é um lugar estranho, mas dá uma cara de conhecimento secreto a eles. e acrescenta carinho. toda minha vida portátil. a moveable feast, como dizia tio hemingway. minha paris levada junto ao peito.
e ainda não me explico. todo esse canto não é sobre a pátria perdida, que nunca houve uma. não é sobre um lugar. não é sobre objetos. o que quero dizer é que é fácil esquecer quem você é. passarinho tem razão: as pessoas que cresceram e vivem na mesma cidade tem uma apreciação mais tranquila da sua identidade. claro que eles sabem quem são. não estão aí os amigos, vizinhos, credores e amantes para confirmar? não está ali a padaria, aqui meu quarto, ali o café?
aqui somos mudas de árvore tentando sobreviver ao transplante, sem saber se parece(re)mos com o que éramos, sem saber se somos os mesmos, sem saber. e as explicações sobre quem afinal somos se vêem complicadas e cheias de galhos como essa.
o que tentava explicar? que, por mais que tenha me mudado (e boy, me mudei muito) sou um animal territorial. profundamente territorial.
hoje meu território é pequeníssimo, como um cigano que carregasse um baú com seus pertences. não são os objetos, por supuesto, mas a carga deles, a lembrança, uma idéia de pertencer. lembrei de Dali, que andava com um medalhão com sua própria foto no peito, "para que todos soubessem que ele era Dali". meus lápis e pincéis representam a pátria, sem dúvida. estão sempre desenhando uma suposta bandeira. dentro de uma caixa, estão os poucos cds que trouxe, com os hinos desse país em movimento.meus livros se quedaram no sul, mas os que fui comprando são um espelho em miniatura de todas as bibliotecas que já montei. a medida que os nomes começam a se repetir, o colecionista sorri. estão dentro do guarda-roupa, o que é um lugar estranho, mas dá uma cara de conhecimento secreto a eles. e acrescenta carinho. toda minha vida portátil. a moveable feast, como dizia tio hemingway. minha paris levada junto ao peito.
e ainda não me explico. todo esse canto não é sobre a pátria perdida, que nunca houve uma. não é sobre um lugar. não é sobre objetos. o que quero dizer é que é fácil esquecer quem você é. passarinho tem razão: as pessoas que cresceram e vivem na mesma cidade tem uma apreciação mais tranquila da sua identidade. claro que eles sabem quem são. não estão aí os amigos, vizinhos, credores e amantes para confirmar? não está ali a padaria, aqui meu quarto, ali o café?
aqui somos mudas de árvore tentando sobreviver ao transplante, sem saber se parece(re)mos com o que éramos, sem saber se somos os mesmos, sem saber. e as explicações sobre quem afinal somos se vêem complicadas e cheias de galhos como essa.
quinta-feira, junho 22, 2006
e depois desse sermão da montanha, eu tenho que subir no púlpito também e dizer: ele está certo, brothers. estou enfim realizando as coisas que queria realizar e nada, nada se compara a isso que ele descreve como the hapiness to serve your own good opinion. sim, eu tenho um emprego e um paychek, mas tenho saído dele reto para casa e para a pequena mesa onde desenho. e a sensação no final do dia (da noite, na verdade) ao guardar as folhas e saber que você está, no more excuses, no more delay; realmente fazendo o que deveria fazer, não tem preço, como diz o mastercard.
eu não voltei exatamente e acho que os comentários ainda estão desativados depois de minha última incursão aqui, mas só vim colar esse texto que é um daqueles que devia estar impresso em nosso cérebro. alex de campi encontrou e eu aqui reproduzo, with awe.
"You will encounter in your travels folks of your own age who chose the institutional path, who became the arts administrators rather than the actors, the casting agents rather than the writers. These folks chose to serve an institutional authority in exchange for a paycheck, and these folks are going to be with you for the rest of your life, and you actors and writers and people who come up off the street, who live without certainty day to day and year to year are going to have to bear with being called children by these institutional types; you will, as Shakespeare tells us, endure 'the spurns that patient merit of the unworthy takes'.
"It is not childish to live with uncertainty, to devote oneself to a craft rather than a career, to an idea rather than an institution. It's courageous and requires a courage of the order that the institutionally co-opted are ill equipped to perceive [...]
"Art is an expression of joy and awe. It is not an attempt to share one's virtues and accomplishments with the audience, but an act of selfless spirit. Our effect is not for us to know. It is not in our control. Only our intention is under our control. As we strive to make our intentions pure, devoid of the desire to manipulate, and clear, directed to a concrete, easily stated end, our performances become pure and clear.
"Eleven o'clock always comes. In the meantime, may you know the happiness of working to serve your own good opinion. Invent nothing, deny nothing, speak up, stand up, stay out of school.
"From David Mamet's marvellously idealistic True and False: Heresy & Common Sense for the Actor.
"You will encounter in your travels folks of your own age who chose the institutional path, who became the arts administrators rather than the actors, the casting agents rather than the writers. These folks chose to serve an institutional authority in exchange for a paycheck, and these folks are going to be with you for the rest of your life, and you actors and writers and people who come up off the street, who live without certainty day to day and year to year are going to have to bear with being called children by these institutional types; you will, as Shakespeare tells us, endure 'the spurns that patient merit of the unworthy takes'.
"It is not childish to live with uncertainty, to devote oneself to a craft rather than a career, to an idea rather than an institution. It's courageous and requires a courage of the order that the institutionally co-opted are ill equipped to perceive [...]
"Art is an expression of joy and awe. It is not an attempt to share one's virtues and accomplishments with the audience, but an act of selfless spirit. Our effect is not for us to know. It is not in our control. Only our intention is under our control. As we strive to make our intentions pure, devoid of the desire to manipulate, and clear, directed to a concrete, easily stated end, our performances become pure and clear.
"Eleven o'clock always comes. In the meantime, may you know the happiness of working to serve your own good opinion. Invent nothing, deny nothing, speak up, stand up, stay out of school.
"From David Mamet's marvellously idealistic True and False: Heresy & Common Sense for the Actor.
terça-feira, maio 23, 2006
quantas vezes eu já suicidei esse blog? várias, não é? pois é. tá lá o corpo estendido no chão. de novo. como todo o suicídio, o bilhete busca causar culpa em quem fica. vocês podiam estar lendo em silêncio, mas meu ego, coitado, não aguentou.
mas ao contrário do que chamam de vida real, um dia esse blog pode levantar da cova de novo. nunca se sabe.
nesse meio tempo, quem quiser notícias, vai ter que digitar letrinhas. quid pro quo. o email continua sendo odyr@hotmail.com
até.
mas ao contrário do que chamam de vida real, um dia esse blog pode levantar da cova de novo. nunca se sabe.
nesse meio tempo, quem quiser notícias, vai ter que digitar letrinhas. quid pro quo. o email continua sendo odyr@hotmail.com
até.
segunda-feira, maio 22, 2006
sábado, o centro cultural carioca estava em festa e era um dia de diversões 0800 como disse uma amiga: de graça. na rua, grafiteiros, teatro, circo e o cordão do boitatá, que é a coisa mais linda. e difícil de descrever. um grupo pequeno, algo como um regional, tocam coisas muito antigas entre sopros e cordas com uma graça muito leve, que pega as pessoas aos poucos. ver o povo todo na rua dançando ciranda me tocou de várias maneiras. fico sempre feliz de ver as pessoas se divertindo mas me bate uma nostalgia impossível, uma tristeza européia do paraíso perdido: tem uma alegria e um abandono ali que nunca vão ser meus. mas sorrio como posso, fumo mais um cigarro. e me apaixono pela moça que canta. ela toca cavaquinho, puxa os cantos com uma sutileza... você quase reluta em dizer que ela é a cantora do grupo, não há um centro fulgurante nela, mas à sua maneira, olhando pro lado, sorrindo tão discretamente, ela ganha a todos. ou pelo menos a mim. são canções obscuras algumas, outras nada, mas todas tem o lustro do passado, uma capacidade de ser quase atávicas, de soar como se sempre tivessem existido e você só está agora lembrando delas. por isso a alegria e dança das pessoas parece tão autêntica, tão despreocupada. são os cantos da tribo, de um brasil que esquece o celular por uns momentos. muy rico.
sexta-feira, maio 19, 2006
lançamento de livro de victor burton numa livraria do leblon, eu um poço de inconveniência como sempre, aquela inadaptação me faz tomar uma cerveja no boteco da frente antes, ouvindo os sórdidos. depois no meio dos finos tomo vinho branco, o que é uma mistura infeliz, me divirto horrores com minha chefe e flerto loucamente com a moça dos CDs, que não é mais tão moça, mas francamente é bem interessante.
ah, a outra que gostei estava flagrantemente grávida, o que nem sempre, mas geralmente quer dizer taken.
sempre o caminho mais difícil.
hoje acordei com uma ressaca muito simpática e logo ouvia rené cantando como a cada manãna...
ah, a outra que gostei estava flagrantemente grávida, o que nem sempre, mas geralmente quer dizer taken.
sempre o caminho mais difícil.
hoje acordei com uma ressaca muito simpática e logo ouvia rené cantando como a cada manãna...
quinta-feira, maio 18, 2006
há uma arte em ser invisível. eu estou fumando em frente ao trabalho, retardando o momento de entrar quando ela passa. um segundo depois eu a teria esquecido, se não tivesse feito um esforço. tudo nela busca o esquecimento.
ela passa na diagonal, pisando sem fazer barulho. o obrigado que sussurra ao porteiro não é mais do que o movimento dos lábios e não interrompe seu andar. um boné sem aba praticamente lhe cobre os olhos. a roupa é neutra a ponto de desaparecer. consigo guardar uma calça de abrigo preta. posso supor entre 50 a 60 anos, mas o rosto não mostra. o nariz tem um perfil helênico, um detalhe mínimo de beleza que não pode ser escondido. eu acredito que ela mora sozinha e em silêncio. a sacola de compras deve trazer comida para o gato, mas não traz jornais. onde estão as informações que importam para ela? no passado? há uma foto no centro da sala que resume toda a história? ou ela foi um passo além e se livrou de tudo? o que constitui essa vida?
se você falasse com ela no elevador, eu suponho que receberia um sorriso elegante como resposta, que não se deixa confundir com arrogância.
enfim. greta garbo passa e eu tenho que ir trabalhar. com a lembrança da mulher invisível e de outros que, como ela, vivem em silêncio em prédios antigos, desconhecidos dos vizinhos, cumprindo algum desígnio ou destino traçado que nos escapa. que talvez só nos seja revelado se por algum motivo se tornar o nosso.
ela passa na diagonal, pisando sem fazer barulho. o obrigado que sussurra ao porteiro não é mais do que o movimento dos lábios e não interrompe seu andar. um boné sem aba praticamente lhe cobre os olhos. a roupa é neutra a ponto de desaparecer. consigo guardar uma calça de abrigo preta. posso supor entre 50 a 60 anos, mas o rosto não mostra. o nariz tem um perfil helênico, um detalhe mínimo de beleza que não pode ser escondido. eu acredito que ela mora sozinha e em silêncio. a sacola de compras deve trazer comida para o gato, mas não traz jornais. onde estão as informações que importam para ela? no passado? há uma foto no centro da sala que resume toda a história? ou ela foi um passo além e se livrou de tudo? o que constitui essa vida?
se você falasse com ela no elevador, eu suponho que receberia um sorriso elegante como resposta, que não se deixa confundir com arrogância.
enfim. greta garbo passa e eu tenho que ir trabalhar. com a lembrança da mulher invisível e de outros que, como ela, vivem em silêncio em prédios antigos, desconhecidos dos vizinhos, cumprindo algum desígnio ou destino traçado que nos escapa. que talvez só nos seja revelado se por algum motivo se tornar o nosso.
quarta-feira, maio 17, 2006
manchete bíblica em o globo:
no quinto dia, a vingança
polícia reage com matança em sp
32 mortos na madrugada. dentro daquela coisa indiscriminada: morreu criminoso, inocente (um cabelereiro, mira), mãe de criminoso... um comandante resumiu o espírito bíblico: eles vão morrer dentro da lei. obviamente, a lei do olho por olho.
tempos sinistros.
no quinto dia, a vingança
polícia reage com matança em sp
32 mortos na madrugada. dentro daquela coisa indiscriminada: morreu criminoso, inocente (um cabelereiro, mira), mãe de criminoso... um comandante resumiu o espírito bíblico: eles vão morrer dentro da lei. obviamente, a lei do olho por olho.
tempos sinistros.
terça-feira, maio 16, 2006
se a beleza é o encontro fortuito de uma máquina de escrever e um guarda-chuva em cima de uma mesa de operações, como queriam os surrealistas (ou algo assim, não lembro os termos exatos) e os surrealistas são praticamente nossos avôs, porque devíamos nos agarrar a uma idéia de beleza gauguiniana, do paraíso perdido? de uma beleza pura? se você pensa bem, claro, nunca houve uma beleza pura, nem quando o mundo era jovem e não estávamos aqui. a entropia, essa nossa amiga, está agindo desde sempre e há caos e corrupção cozinhando mesmo no oásis mais idílico. o que vemos hoje é só um ponto mais avançado da fervura, por assim dizer. ou talvez seja o fundo da panela, quem pode saber? depois a própria panela se vai, o fogão, a cozinha e o que fica pode ser belo à sua maneira. só que nada fica, tudo está em transformação. é uma questão de abraçar o processo. nossas rugas estão a caminho, se não chegaram ainda e não há nada que se possa fazer a respeito, baby.
isso tudo por um comentário inocente de dani, que viu meu desenho do rio e falou que no desenho, o rio até parecia bonito.
isso e talvez john updike gastando páginas e páginas numa tentativa meio fútil de sublimar seu desconforto com Houellebecq, que lhe mostra um mundo novo que ele não quer ver. parágrafos como esse
But how honest, really, is a world picture that excludes the pleasures of parenting, the comforts of communal belonging, the exercise of daily curiosity, and the widely met moral responsibility to make the best of each stage of life, including the last?
mostram um updike envelhecido, pedindo valores que Houellebecq não tem ou não tem necessidade e/ou desejo de emular. são as agruras da mudança.
isso tudo por um comentário inocente de dani, que viu meu desenho do rio e falou que no desenho, o rio até parecia bonito.
isso e talvez john updike gastando páginas e páginas numa tentativa meio fútil de sublimar seu desconforto com Houellebecq, que lhe mostra um mundo novo que ele não quer ver. parágrafos como esse
But how honest, really, is a world picture that excludes the pleasures of parenting, the comforts of communal belonging, the exercise of daily curiosity, and the widely met moral responsibility to make the best of each stage of life, including the last?
mostram um updike envelhecido, pedindo valores que Houellebecq não tem ou não tem necessidade e/ou desejo de emular. são as agruras da mudança.
segunda-feira, maio 15, 2006
meus posts vêm prontos de fábrica e são como o proverbial novelo: uma vez que vejo o fio, é só puxar. às vezes, eu só fico na dúvida qual deles é o certo. esse por exemplo, veio com três fios, então, no espírito experimental, vou mostrar os três, enquanto ainda lembro:
1) de vem quando levanto meio bêbado nessa mesa de café e resolvo defender stephen king de novo. não que ele precise de defesa. mas hoje é um desses dias.
oh boy, dizem os frequentadores.
2) se algum dia eu resolver dar conta de como passei as horas da minha vida, muitas delas nos últimos anos foram passadas dentro de um livro de stephen king.
3) como todo mundo, faço leituras que são melhor acompanhadas com aquela cara de marília gabriela: mão no queixo, olhar de inteligência. são as coisas que você quer ser pego lendo. geralmente dão trabalho. às vezes compensam, às vezes não. mas como todo mundo, tenho leituras que são, felizmente, de prazer puro. stephen king está no topo dessa lista.
ok, de qualquer um dos fios, o novelo é esse:
acredito que algum dia, ele ainda vai ganhar senão uma revisão crítica, pelo menos um olhar mais amoroso e menos viciado. como um grande escritor popular de nosso século. nesse sentido, acho que me beneficiei por ler no original. talvez eu tivesse vergonha de lê-lo em português, talvez não tivesse começado. mas posso praticamente dizer que aprendi inglês com ele. o primeiro livro inteiro que li em inglês foi dele. different seasons. lembro da primeira linha: I´m the guy who can get it. e a piada é que I couldn´t get it. eu não conseguia entender a maldita primeira linha. muitos kings depois, o navio flui tranquilo e lê-lo é como estar de férias. ele é um amigo ao qual se volta sempre e tem sempre histórias novas para contar. porque é isso que é ele é: uma máquina incrível de contar histórias. às vezes ele perde a mão, sim, (geralmente são livros da fase alcóolatra: ele confessa não lembrar de ter escrito alguns desses) às vezes ele exagera na extravagância da trama, mas no geral ele está naquela linha americana clássica de texto limpo, sem maneirismos, com um ouvido incrível para a língua e uma capacidade de dar cor a tudo: seus personagens nunca são genéricos, nunca são os mesmos. o que aliás.
o que aliás, me deixa possesso quando vejo alguém embasbacado com o código da vinci. quando vi gugu liberato andando por aí com o livro embaixo do braço e dizendo que era "fascinante" vi logo que boa coisa não era.
isso daria todo um outro post, mas basicamente a questão é: dan brown não poderia engraxar os sapatos de king. enquanto king é um escritor autêntico, honesto e de uma voz que consegue permanecer sempre fresca, brown é um artesão dos mais ordinários. alguém que leu a cartilha dos bestsellers e a seguiu à risca, pelo mínimo denominador comum: os capítulos são curtíssimos, acabam sempre num suspense de o-que-vai-acontecer-agora, os personagens são lindos, brilhantes e totalmente genéricos e o livro basicamente é uma gincana ensandecida, uma corrida sem fim nem sentido pela próxima pista.
o que acontece: obviamente o livro é ridiculamente fácil de ler (até o gugu liberato conseguiu) mas, ahã: tem um verniz. fala de cultura! da vinci! uau. isso deve ser bom. me sinto uma pessoa culta! tenho assunto para conversas!
e esse foi o gênio do cafajeste: vender um fusca velho com pintura de ferrari. coisa que king, com sua ética do interior jamais se permitiria. tentar ganhar respeito na marra com um golpe baixo desses.
em vez disso, ele continua seu trabalho: falar de pessoas comuns mas nunca genéricas (o livro bag of bones abre com essa citação que é um credo dele: perto do ser humano mais desinteressante do mundo, toda a literatura não é mais do que um saco de ossos) e dos gêneros que ele ama, embora não recebam nenhum respeito: o terror, o suspense e todos seus subgêneros. e ele vêm abrindo seu espectro cada vez mais: nos últimos anos tivemos um livro sobre a escrita (On Writing) um livro sobre os anos 60 (hearts ins atlantis) e mesmo um gênero que nunca achei que ia tolerar, mas com ele se tornou possível: a saga fantástica. the dark tower é toda uma mitologia que ele criou, ainda que (felizmente) tenha vínculos com o mundo como o conhecemos. mas como não sou king e esse post já está de um tamanho obsceno, fica pra outra hora. para o próximo capítulo. longa vida para the king. amen.
1) de vem quando levanto meio bêbado nessa mesa de café e resolvo defender stephen king de novo. não que ele precise de defesa. mas hoje é um desses dias.
oh boy, dizem os frequentadores.
2) se algum dia eu resolver dar conta de como passei as horas da minha vida, muitas delas nos últimos anos foram passadas dentro de um livro de stephen king.
3) como todo mundo, faço leituras que são melhor acompanhadas com aquela cara de marília gabriela: mão no queixo, olhar de inteligência. são as coisas que você quer ser pego lendo. geralmente dão trabalho. às vezes compensam, às vezes não. mas como todo mundo, tenho leituras que são, felizmente, de prazer puro. stephen king está no topo dessa lista.
ok, de qualquer um dos fios, o novelo é esse:
acredito que algum dia, ele ainda vai ganhar senão uma revisão crítica, pelo menos um olhar mais amoroso e menos viciado. como um grande escritor popular de nosso século. nesse sentido, acho que me beneficiei por ler no original. talvez eu tivesse vergonha de lê-lo em português, talvez não tivesse começado. mas posso praticamente dizer que aprendi inglês com ele. o primeiro livro inteiro que li em inglês foi dele. different seasons. lembro da primeira linha: I´m the guy who can get it. e a piada é que I couldn´t get it. eu não conseguia entender a maldita primeira linha. muitos kings depois, o navio flui tranquilo e lê-lo é como estar de férias. ele é um amigo ao qual se volta sempre e tem sempre histórias novas para contar. porque é isso que é ele é: uma máquina incrível de contar histórias. às vezes ele perde a mão, sim, (geralmente são livros da fase alcóolatra: ele confessa não lembrar de ter escrito alguns desses) às vezes ele exagera na extravagância da trama, mas no geral ele está naquela linha americana clássica de texto limpo, sem maneirismos, com um ouvido incrível para a língua e uma capacidade de dar cor a tudo: seus personagens nunca são genéricos, nunca são os mesmos. o que aliás.
o que aliás, me deixa possesso quando vejo alguém embasbacado com o código da vinci. quando vi gugu liberato andando por aí com o livro embaixo do braço e dizendo que era "fascinante" vi logo que boa coisa não era.
isso daria todo um outro post, mas basicamente a questão é: dan brown não poderia engraxar os sapatos de king. enquanto king é um escritor autêntico, honesto e de uma voz que consegue permanecer sempre fresca, brown é um artesão dos mais ordinários. alguém que leu a cartilha dos bestsellers e a seguiu à risca, pelo mínimo denominador comum: os capítulos são curtíssimos, acabam sempre num suspense de o-que-vai-acontecer-agora, os personagens são lindos, brilhantes e totalmente genéricos e o livro basicamente é uma gincana ensandecida, uma corrida sem fim nem sentido pela próxima pista.
o que acontece: obviamente o livro é ridiculamente fácil de ler (até o gugu liberato conseguiu) mas, ahã: tem um verniz. fala de cultura! da vinci! uau. isso deve ser bom. me sinto uma pessoa culta! tenho assunto para conversas!
e esse foi o gênio do cafajeste: vender um fusca velho com pintura de ferrari. coisa que king, com sua ética do interior jamais se permitiria. tentar ganhar respeito na marra com um golpe baixo desses.
em vez disso, ele continua seu trabalho: falar de pessoas comuns mas nunca genéricas (o livro bag of bones abre com essa citação que é um credo dele: perto do ser humano mais desinteressante do mundo, toda a literatura não é mais do que um saco de ossos) e dos gêneros que ele ama, embora não recebam nenhum respeito: o terror, o suspense e todos seus subgêneros. e ele vêm abrindo seu espectro cada vez mais: nos últimos anos tivemos um livro sobre a escrita (On Writing) um livro sobre os anos 60 (hearts ins atlantis) e mesmo um gênero que nunca achei que ia tolerar, mas com ele se tornou possível: a saga fantástica. the dark tower é toda uma mitologia que ele criou, ainda que (felizmente) tenha vínculos com o mundo como o conhecemos. mas como não sou king e esse post já está de um tamanho obsceno, fica pra outra hora. para o próximo capítulo. longa vida para the king. amen.
quinta-feira, maio 11, 2006
voltando do almoço, com um café na mão, a digestão por fazer e tempo livre: clico no botão do explorer quase sem pensar. há um milhão de blogs para ler. mas onde está o que quero?
e o que queremos em um blog? primeiro, eu acho que a existência deles prova uma coisa ótima: realmente gostamos muito de ler. não é uma arte perdida. mas o que queremos ler?
uma vida interessante narrada com humor e insight, seria uma boa definição. uma boa dose de voyeurismo. identificação. a sensação de pertencer a um clubinho.
no fundo não buscamos um blog como leitura: buscamos como buscamos pessoas. estamos perto de alguém quando o lemos. difícil imaginar um blog bem sucedido que não traga absolutamente nada da vida de quem o escreve.
pausa. uma coisa interessante que pensei enquanto fumava um cigarro na rua é que o blog se constrói todo dia. isso é uma coisa muito dele. não é como um livro, pronto, pelo qual você vá ser julgado ou em cujas costas você possa repousar. ninguém volta e lê seus posts de um mês atrás. para todos os efeitos, eles não existem mais. ninguém avalia o conjunto da obra. a menos claro que você pense que o conjunto da obra está lá, na cabeça dos seus leitores. um blog tem que se defender, se provar todo dia. como as pessoas, que buscamos.
e o que queremos em um blog? primeiro, eu acho que a existência deles prova uma coisa ótima: realmente gostamos muito de ler. não é uma arte perdida. mas o que queremos ler?
uma vida interessante narrada com humor e insight, seria uma boa definição. uma boa dose de voyeurismo. identificação. a sensação de pertencer a um clubinho.
no fundo não buscamos um blog como leitura: buscamos como buscamos pessoas. estamos perto de alguém quando o lemos. difícil imaginar um blog bem sucedido que não traga absolutamente nada da vida de quem o escreve.
pausa. uma coisa interessante que pensei enquanto fumava um cigarro na rua é que o blog se constrói todo dia. isso é uma coisa muito dele. não é como um livro, pronto, pelo qual você vá ser julgado ou em cujas costas você possa repousar. ninguém volta e lê seus posts de um mês atrás. para todos os efeitos, eles não existem mais. ninguém avalia o conjunto da obra. a menos claro que você pense que o conjunto da obra está lá, na cabeça dos seus leitores. um blog tem que se defender, se provar todo dia. como as pessoas, que buscamos.
quarta-feira, maio 10, 2006
decretei hoje o dia de fuck low carb. três ou quatro sites me confirmaram hoje o que vinha sentindo: um efeito colateral nada desprezível da dieta é o mau-hálito. segundo os gurus, é sinal de que a dieta está funcionando. sem carboidratos para queimar, seu corpo começa a queimar gorduras. mas francamente, quem quer viver com um mau hálito constante?
no final das contas, meu objetivo final não era perder peso, mas fazer uma experiência do pressuposto carboidratos-te-deixam-faminto. foram três semanas e foi interessante. sem comer massa, arroz, pão ou frutas. basicamente comi carnes, queijo e saladas.o resultado positivo é você ver que você pode pelo menos viver com menos carboidratos. (no dia em que estava deprimido e me acabei numa macarronada, senti um peso fenomenal) e que eles são uma opção ruim de snack, porque enfim, eles dão mais fome. mas eles vão voltar à dieta. benvindos.
no final das contas, meu objetivo final não era perder peso, mas fazer uma experiência do pressuposto carboidratos-te-deixam-faminto. foram três semanas e foi interessante. sem comer massa, arroz, pão ou frutas. basicamente comi carnes, queijo e saladas.o resultado positivo é você ver que você pode pelo menos viver com menos carboidratos. (no dia em que estava deprimido e me acabei numa macarronada, senti um peso fenomenal) e que eles são uma opção ruim de snack, porque enfim, eles dão mais fome. mas eles vão voltar à dieta. benvindos.
segunda-feira, maio 08, 2006
dá tempo pra um adendo rápido, com o cérebro revitalizado pela nicotina: tommy lee jones faz um tommy lee jones competente como sempre (mas com um toque sutil de delicadeza no seu rancheiro ressecado pelo sol), mas barry pepper está sensacional representando a américa infantilizada, que não quer pagar pelo que faz. uma casca vazia, uma série de ilusões partidas (a mulher dele, morando num trailer agora, diz: - nós éramos muito populares na escola, sabe?) uma combinação de dureza com falta de solidez. muito, muito bem.
moro no brasil, não sei se moro bem ou moro mal, diz o outro, o jorge. moro em botafogo agora, no limite com flamengo e de frente para a praia. de botafogo, no caso, o que não é grande vantagem. é uma praia simbólica. ninguém entra nela. mas conta como vantagem, não?
de resto, muitos cinemas ao redor. chega a ser ridículo. e aproveitei. nesse final de semana vi caché, de haneken e três enterros de e com tommy lee jones. queria ter mais tempo para escrever longamente sobres os dois.
caché é difícil mas cheio de recompensas. sem música, sem facilidades, sem glamour. juliette binoche está gorda, descuidada, usa um vestido que parece um saco de batata. irritada, desconfiada, difícil. nada de musa aqui. daniel auteil mantém como pode as aparências de uma vida francesa se desfazendo em todos os fronts. racial, intelectual, amoroso.. é uma falência múltipla dos órgãos do país. e dói em todos, inclusive em nós.
the three burials of melquiades estrada tem roteiro do diretor de amores perros e direção competentíssima de tommy lee jones. unforgiving é a palavra que me ocorre. vingança, determinação, respeito. tommy lee jones faz um americano pagar amargamente pelo que faz. o pagamento é justo. e a impressão que se tem é que ele está arrastando toda a américa com ele pelo deserto. e, claro, ele está de partir o coração como o rancheiro monossilábico de valores intactos. perplexo. but unforgiving.
de resto, muitos cinemas ao redor. chega a ser ridículo. e aproveitei. nesse final de semana vi caché, de haneken e três enterros de e com tommy lee jones. queria ter mais tempo para escrever longamente sobres os dois.
caché é difícil mas cheio de recompensas. sem música, sem facilidades, sem glamour. juliette binoche está gorda, descuidada, usa um vestido que parece um saco de batata. irritada, desconfiada, difícil. nada de musa aqui. daniel auteil mantém como pode as aparências de uma vida francesa se desfazendo em todos os fronts. racial, intelectual, amoroso.. é uma falência múltipla dos órgãos do país. e dói em todos, inclusive em nós.
the three burials of melquiades estrada tem roteiro do diretor de amores perros e direção competentíssima de tommy lee jones. unforgiving é a palavra que me ocorre. vingança, determinação, respeito. tommy lee jones faz um americano pagar amargamente pelo que faz. o pagamento é justo. e a impressão que se tem é que ele está arrastando toda a américa com ele pelo deserto. e, claro, ele está de partir o coração como o rancheiro monossilábico de valores intactos. perplexo. but unforgiving.
quarta-feira, maio 03, 2006
escrevo posts em minha cabeça, na rede, mas infelizmente até eles chegarem a essa rede aqui, se perdem. e aí o trabalho já me chama. pena que um notebook ainda esteja tão longe. mas há de chegar.
preciso muito de um estudio. não vejo a hora de novo de ter aquelas folhas brancas enormes me olhando, meus lápis insanamente apontados, lado a lado e o nanquim chinês repousando plácido sobre a mesa, como uma baleia negra.
e mundos por criar.
(lembro sempre de um filme b estranho onde alguém repetia um poema que acabava: milhas e milhas antes de dormir. na época, gravei da tv numa fita cassete e ficava ouvindo aquilo, com o estranhamento do eco da dublagem fantasmagórica: milhas e milhas antes de dormir)
preciso muito de um estudio. não vejo a hora de novo de ter aquelas folhas brancas enormes me olhando, meus lápis insanamente apontados, lado a lado e o nanquim chinês repousando plácido sobre a mesa, como uma baleia negra.
e mundos por criar.
(lembro sempre de um filme b estranho onde alguém repetia um poema que acabava: milhas e milhas antes de dormir. na época, gravei da tv numa fita cassete e ficava ouvindo aquilo, com o estranhamento do eco da dublagem fantasmagórica: milhas e milhas antes de dormir)
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